La vida es un tango y el que no baila es un tonto

La vida es un tango y el que no baila es un tonto
Como do recato dos tempos aos tempos recatados

Página a página, pedra a pedra, de seta em seteira aberta

Página a página, pedra a pedra, de seta em seteira aberta
Se abrem no muro, as frechas do futuro, por frincha desperta

1.14.2008

O Exército e a Ruptura da Ordem Política em Portugal


O Exército e a Ruptura da Ordem Política em Portugal: 1820-1974
Abílio Pires Lousada
144 páginas, capa mole plasticizada
Edições Prefácio – Lisboa, 2007


Conforme se enuncia na Nota Prévia, "este ensaio, reflexão de cidadão, centra-se na análise dos acontecimentos históricos e surge vocacionado para a sua divulgação, não tendo a mínima pretensão de extrapolações subsequentes." Porém, focaliza especial atenção no papel desempenhado pelo Exército na estruturação do Estado e na evolução da Nação, nos cinco momentos de participação activa deste na ruptura e mudança da ordem pública vigente ou inserção para a nova ordem que ajudou a consolidar: o Pronunciamento de Agosto de 1820, que favoreceu o liberalismo; o Pronunciamento de Saldanha, conducente à regeneração monárquica; a Insurreição Armada de 1910, que instaurou a República; a Revolta de Maio de 1926, que implementou o Estado Novo e a ditadura salazarista; e o 25 de Abril de 1974, que estabeleceu o regime democrático, enfim constitucionalizado em 1976.
Acontece que nenhuma mudança é por acaso e, verificando-se ela, ou elas, inspirando-as como sofrendo-as, o exército português nunca abdicou do seu mister vocacional que, grosso modo, é o de acelerar a solução das crises, de forma a diminuir os efeitos colaterais ou de dissolvência patriótica. Neste capítulo, realça-se a mais valia formativa do autor (licenciado em Ciências Militares, Arma de Infantaria, pela Academia Militar, Mestre em Estratégia, com pós-graduação em Relações Internacionais e História Militar, Cursos de Estado-Maior e Estado-Maior Conjunto, do Instituto de Altos Estudos Militares), cimentada pela prestação de serviço na Escola de Infantaria, em Mafra, no Regimento de Infantaria 19, de Chaves, no Centro Militar de Educação Física e Desportos, em Mafra, na Escola Superior Politécnica do Exército, no exercício da docência em História Militar e colaboração na Revista Militar, Jornal do Exército, Revista da Administração Militar, Revista de Estratégia, Boletim do Instituto de Estudos Superiores Militares e Mensageiro de Braga, cidade de que é natural, que lhe facultaram a missão de fazer um zoom caracterizador e qualificativo do modus operandi do Exército perante os momentos de ruptura, bem como o desanuviar da História de Portugal naqueles períodos mais conturbados onde, para melhor compreensão faltava o esclarecido envolvimento do ramo das nossas Forças Armadas que durante séculos, atravessando com determinação e entrega ímpar, mais próximo esteve das convulsões portuguesas assegurando a soberania nacional, independentemente dos formatos e regimens que, ao longo do tempo, a consolidaram.
Sucinto, rigoroso, documentado, além de ser prefaciado pelo General José Luís Pinto Ramalho, que nos alerta para uma interpretação Estratégica da História, empenhada, desprendida, crítica, está estruturado de forma, não só a possibilitar aquela leitura corrida e encadeada dos volumes que racionalizam a actividade militar com a actividade política, mas igualmente nos elucida das características específicas do Exército ao momento em questão, bem como a sua constância, naquilo que passo a passo ele foi, e é, um documento vivo e inalterável da organização diacrónica do Estado português: a defesa dos superiores interesses da nação. Portanto, aconselhar a sua leitura seria cliché desnecessário, pois há partes da História de Portugal de que teremos um conhecimento muito rudimentar sem ela, mas saudar a entrada desta visão estratégica no universo popular da publicação, não só para que outros trabalhos, que até aqui somente circularam nos meios formativos militares, lhe venham suceder, é, sem dúvida, uma excelsa oportunidade de dizer, e reconhecer, que podemos ser sempre mais portugueses se mais forem as obras que melhoram o nosso conhecimento acerca daquilo que fomos, ou somos, quer entre nós, quer entre as demais nacionalidades que desde a nossa independência nos acompanham. Porque é um sinal pujante de como pensar e reflectir o passado nos catapultará a esperança para o futuro, a certeza em como por piores que os dias de amanhã venham a ser, não estaremos sós e o Exército, entre os demais ramos das Forças Armadas, incluídos, não abdicam da nossa consciência nem enfermam de autismos desertores quando os portugueses, que as compõem também, precisarem da sua excelência contributiva. O que, já e em si, não é pequena nem insignificante coisa!

1.11.2008

READCOM -- Grupos de Leitura

Amigos Readcom:
Por questões processuais e de financiamento que afectaram todos os projectosapoiados pelo programa Socrates/Grundvig, apenas muito recentemente recebemos"luz verde" para iniciar o 3ª ano do Projecto READCOM.
Assim sendo, é com muito prazer que vos venho convidar a todos para o 1ºencontro deste 3ª ano do Clube de Leitura READCOM, a ter lugar no próximo dia16 de Janeiro de 2008 (quarta-feira), pelas 18.00, nos serviços centrais doIPP.Vamos falar sobre que autores queremos ler, que obras gostariamos de partilhar,como gostariamos de as abordar...

A Ditadura da Mediocridade

"Escucha, la vida se nos va y no hemos tenido ocasión de abrir la boca. De niños era diferente. Te acuerdas cuando cantábamos en el coro y el director, con ojos de odio, agudizava el oído, intentando localizar al causante del desafinado? Una bofetada indicaba el fin de las investigaciones. Te confesaré que yo entonces abría la boca y no proferia nota alguna por miedo. Ahora hago lo mismo." Retrato do Autor Por Ele Mesmo, de Alonso Ibarrola, in Histórias Para Burgueses.

Toda a gente tem direito a ser feliz, incluindo aqueles ou aquelas cuja estupidez, falta de consciência cívica e de talento tanta é, que se a ausência de qualquer coisa desse para fazer paredes, viveriam dentro de uma muralha dez vezes superior à da China, mas principalmente quantos apenas possuem por virtudes aquilo que qualquer pessoa sensata teria vergonha de confessar como defeitos... Todos. Agora que o queiram fazer à minha custa, ou causando-me prejuízos, directos – como no caso da subtracção de valores e autorias – ou indirectos, se falarmos de apoucamentos e denegrir de imagem, isso é que acho um bocado estranho, nem lhe estou pelos ajustes, e muito menos disposto a engolir para engordas de porcarias futuras.
Os burros e ignorantes não definem, não determinam nem orientam a actividade intelectual de ninguém, sejam eles funcionários das autarquias, amanuenses político-partidários, doutorandos de tasca, bestas de café montado ou pedreiros de abocanhar marsápios. A mediocridade não nivela nem é bitola para o quer que seja. E que fiquem definitivamente certos disso. Pois mais depressa irei ao cu a um morto, do que farei qualquer "linguado" por sua influência e direcção. Se as suas únicas habilitações literárias, ainda que tiradas com subornos e jantares aos engenheiros, são as cartas de condução, devem usá-las nas rectas de ir e vir para os pegões do seu sustento, e deixar em paz quantos se não pautam pela lavadura do seu pensamento, tal qual como o fazem os demais suínos do seu contentamento, idílio e companhia. Se porcos são, e apenas como isso podem pensar dos outros, então façam-no só sobre vocês próprios, que não deve ir o cesteiro além da cesta, nem o almocreve com melhor passo que sua besta.
Se não entendem alguns termos que uso, nem compreendem diversas ideias que explano, desde que essas palavras sejam pertença do léxico português, ou da lusofonia, e os conceitos elaborados logicamente e de acordo com as regras sintácticas e gramaticais, então o problema é exclusivamente vosso e espelha as vossas limitações, não as minhas. Pelo que se alguém tem modificar o seu linguajar e vocabulário sois vós, os que achais que devo escrever apenas com termos que conheceis, para vos não sentirdes tão burros como deveras e verdadeiramente sois. E se vos sentirdes inferiores por isso, então não esqueçais que até o mais pobre e humilde camponês sabe que não há fumo sem chama, e que talvez por uma vez na vida estejais certos: não valeis absolutamente nada e muito menos que qualquer outro a quem apelidais de maniento, sabichão e deficiente. Porque se nesta questão existe realmente alguém com deficiência, essa está muito longe de ser minha... Pertence-vos – e por inteiro!
Antigamente havia uma PIDE que censurava e sancionava, prendia e torturava, quantos melhor dissessem aquilo que o poder instituído mais temia. Faziam-no ao abrigo da lei, às claras, com anúncio prévio e sem a mínima vergonha. Eram honestos na sua vileza.
Do outro lado da cortina, os que "dissidissessem" do discurso oficial do Estado, eram igualmente calados, torturados e vilipendiados, e embora lhe fossem apontadas as razões inversas às da ditadura do Estado Novo, o que é certo é que o resultado e tratamento eram iguais. Como semelhante era a transparência e frontalidade com que o faziam.
Hoje, o salazarismo caiu e o muro de Berlim também, todavia a teletela do Big Brother ganhou sofisticação e dimensões tais, que onde antes eram tidas câmaras, objectivas de vigia e corporações de repressão e intimidamento, estão exactamente essas mentes e línguas brilhantes, sempre prontas a epitetar e desclassificar, violentar e difamar, todos quantos não façam, digam e usem somente os conceitos que lhes sejam acessíveis, não exijam raciocínio ou defendam as suas lavaduras e pocilga de procriação, orçamentalmente assistida. São os botas de elástico, ou de camurça, do nosso tempo, que batem os saltos como já em nenhuma quadra se ouvem os cascos, nem em alguma estação o bufar de caldeiras. Que reflectem com todos os órgãos do corpo, excepto com o cérebro, e pretendem nivelar pela sua ignorância todo o conhecimento alheio.
Ah, e a propósito, antes que me esqueça: escusam de impar com modernidade, que o vosso brioso e estremado intelecto, já era obsoleto em 1948, ano em que Orwell atirou às feras o seu 1984. Podiam lê-lo, para apurar o jeito ditatorial... E sempre teriam oportunidade de recordar as vossas almas, ver as fotografias dos vossos familiares, pastores, chefes, patriarcas e ídolos. Para variar.
É que o medo, está a deixar de ser a principal "fábrica" de playback da História nacional... e europeia!
Outra das diabólicas macaquices argumentativas que esses senhores e senhoras da tirania do mau gosto e pior pensado – Zés e Marias Ninguém há dezenas de anos afamados e caprichosamente definidos por Wilhelm Reich – costumam salientar, quando alguém lhes cospe na cara a areia que tentaram jogar-lhe aos olhos, é a acusação "racionalizada" de revolta. Querem fazer uma sacanice qualquer, mas pintam-na de bons e inocentes propósitos, contudo como não têm coragem para agirem sozinhos e precisam de um bode expiatório, alguém de quem se socorram para se justificarem perante terceiros, ou mesmo para dizerem que, caso a pantominice dê para o torto, a ideia nem era sua, mas do seu "aliado", então convocam essa pessoa, vitimizam-se, lamentam-se, comprometem-se e demonstram ser passíveis de absoluta confiança, até que consigam o que querem, e se não conseguem, dizem que somos uns revoltados. Isso: que não colaboramos com os seus propósitos porque estamos revoltados contra o que nos aconteceu e, sobretudo, não queremos dar a volta por cima.
Esporadicamente, inconformados com o aleijão que é o seu cérebro e a lavadura das suas emoções, acusam os que consigo não colaboram nem evidenciam qualquer apetência para petiscar dos seus favores, como responsáveis pela sua notória burridade, por mor de lhe não havermos explicado com paciência, termos acessíveis e repetidamente isto & aquilo, não só de sermos revoltados mas igualmente de uns radicais. Exactamente como se praticássemos um desporto perigoso para a sua maneira de estar na vida, que se caracteriza fundamentalmente numa cautela de grande prémio ao seu (auto)convencimento: só prestam para foder e nem isso sabem fazer!
Poderíamos ter pena de gente assim... Deveríamos lamentar a sua sina, sorte e destino. Mas isso era cair no seu jogo, na sua teia, na rede de matreirices, engordando as duas chagas sociais mais infecciosas do nosso tempo, que sem dúvida são a informação pink floyd – cor-de-rosismo ácido e biliar que corrói os fundamentos nucleares da democracia –, e a indústria da salvação, peculiarmente institucionalizada pelas religiões, máfias do corporativismo e da caridade, ordens e sindicatos sem deontologia, lares e ginásios parasitários da gerontologia, astrólogos e curandeiros vários, punheteiros do politicamente correcto e tratantes com autorização legal para roubar o erário público, a que, vulgarmente, se dá nome de funcionários da rés. A primeira deteriora e age sobre as consciências, mas a segunda destrói a economia e qualidade de vida do único habitat da humanidade: a Terra. Esta, a nossa, como qualquer outra ali ao lado, ou a que nos globaliza desde as navegações de 1500.
Aliás, é comum dizerem que devemos respeitá-los quando nos estão a faltar ao respeito, a violar a nossa dignidade, bom nome e integridade, porque acham que têm esse direito. Sobretudo o de fazer tudo aquilo que proíbem aos demais... E que são portugueses, para melhor nos surripiarem os capitais. Que são superiores aos artistas, mas afinal mal servem para lhes guardar as obras!

1.09.2008

Informação Pink Floyd

2.
"Falam, falam e não dizem nada."
René Barjavel, in Os Caminhos de Katmandu

Quando o melindre é grande o pecado ainda é maior!
Efeminou o homem a pontos, que muitos, outras mulheres desmedidas são: entre o seu sim e o seu não, mal chega a caber uma asa de libelinha virgem saída da barrela pré nupcial. Quem o anunciou foi Cervantes, talvez para vingar-se dos desamores da sua Dulcineia, cuja sensibilidade era tanta como a de uma taberneira que acompanha as tropas reais a fim de os aliviar dos saques ou espólios de batalha, e outros espermas mais. Tendeira da soldadesca, ei-la incapaz de nutrir sentimentos sublimes, excepto se com isso puder comandar o general das tropas, ainda que para melhor o ter nas mãos tenha que desmamar todos os recrutas do aquartelamento que, sem dúvida, lhe elogiarão os dotes, atributos, manobras, capacidade de envergadura e à-vontade, ou desembaraço, no manuseio do ceptro do poder. Daí que diversos vejam a sua Dulcineia em qualquer Bruni, desde que esta lhe promova a masculinidade e suscite a inveja dos praças que assentaram arraiais no folclore da partidocracia, excelsamente considerada de democrata quando o seu partido está no poleiro. A novidade veio de França, como no tempo dos Eças e Ortigões, mas nem precisava disso, visto que ninguém se esqueceu do que uma Snu faz aos Sás, ainda que de borrego vestidos. Fenómenos a que o povo se sujeita para endireitar a direita...
Desta vez, o requinte chegou às primícias da governação francesa. Alguns jornalistas, sábios, fizeram do caso do casamento uma questão de Estado, e preferiram esquadrinhar a vida privada do mocinho e da mocinha do que saber como ele, e o seu governo, iam descalçar a bota da descida do poder de compra dos gauleses, inverter o descontentamento geral ou planificar o desenvolvimento da França (europeia). E tão sagazes foram na inquisitória conferência de imprensa, que conseguiram que os telejornais portugueses gastassem mais tempo de antena com os pormenores da achega nupcial do que com o anunciar das medidas políticas que deveriam ter sido, ou realmente foram, tomadas pelo executivo governamental francês. Acham eles que se pode dar à democracia o tratamento noticioso concedido aos reis e família real... Então, que estranheza é essa quando a realeza lhes pede para despejar o penico? Se do muito que viram na corte apenas se interessaram pela utilização dos vasos durante a noite? Porque não compreendem que há bastantes coisas que não compreendem e que, se são chamados à cavaqueira real, o que deveras é notícia, não é aquilo que vêem e ouvem, mas sim o quanto lhes escapa? Não se antevê bom resultado, de acordo com o progresso contínuo das tecnologias da comunicação e informação, aos jornais, televisões e rádios, que se conduzam no presente com pressupostos que, em si, eram já caducos e velhos no passado... Se os jornalistas europeus continuarem a encher a caldeirada francesa, então não vejo como conseguirão desenvencilhar-se e negar-se a esvaziá-lo quando lhe exigirem que o façam, ou substituam o bacio por outro barrete frígio!
Metam o cor-de-rosa onde quiserem, mas não nos tratem como panteras que viraram gatos de luxo, para adocicar a solidão das Dulcineias da nossa servidão, que a conseguirem algo, apenas conseguirão, isso sim, admoestar animais domésticos a ponto de sentirem saudades da selvajaria dos seus antepassados de rua. Até por que uma coisa é certa: é cada vez menor a sua legitimidade para auxiliar os povos na condução dos seus destinos. Além de perderem o crédito, qualquer gato fedorento, pode dizer deles, que falam, falam, mas não dizem nada.
Ou, se de ácido apenas têm derivados do ópio para nos vender, então preferiremos a música, que também nos aliena, mas não nos embrutece tanto!

(Fotografia de quadro de Filipa Brasão Antunes)

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