La vida es un tango y el que no baila es un tonto

La vida es un tango y el que no baila es un tonto
Como do recato dos tempos aos tempos recatados

Página a página, pedra a pedra, de seta em seteira aberta

Página a página, pedra a pedra, de seta em seteira aberta
Se abrem no muro, as frechas do futuro, por frincha desperta

3.27.2009

Feijão Padre

"Quando um homem tem a liberdade de proceder como quer,
em geral, imita os outros."

E. Hoffer

Porém, se cinquenta milhões de pessoas disserem uma tolice, não há-de ser por isso que ela vai deixar de ser tolice (como Bertrand Russel disse). Aliás, eu nunca me repito; e, contudo, digo sempre a mesma coisa... É que, de onde moro, alcanço Alentejo até à linha do horizonte; e tudo quanto existe no mundo é um retrato do mundo: a poesia, a prosa, o cinema, a pintura, a fotografia, a arquitectura, a Lei, a religião, os sonhos, a ciência, o símbolo, o mito, o simples e pequeno escaravelho, a preciosa e requintada esmeralda fluorescente, a verdade da vontade ou mesmo a mentira por bem e sem querer. Tudo. Agora, o que resta definir, é se ele é a corpo inteiro ou apenas de uma fracção dele, bem como se sobre o retratado o zoom aplicado é de aumentar ou para diminuir... para esclarecer as sombras, ou obscurecer as luminosidades, os brilhos reflexos ou as concavidades brumosas sob o acumulado dos vértices.
Em resumo: parece óbvio que promoveram o Carnaval à custa do Magalhães, mas não igualmente o Magalhães a expensas do Carnaval, como seria respeitável à luz das relações de troca (directa) em que subsiste o mercado das ideias e iniciativas no quorum social, com efeito prático na edificação identitária de um povo, a quem os cincos dias de Entrudo não chegaram para aporrinhar o parceiro nem parodiar as bazófias da actualidade, ou sequer para exercer o seu mister inquisitório de missionário moderno excomungando à direita e à esquerda, como quem vai dando milho aos pombos, pataca-a-ti, pataca-a-mim, coisa sobejamente pura e cristã, no combate aos pecadores do santíssimo sacramento que querem casar não para procriar mas para fornicar, coitados, porquanto acham merecerem autorização de o fazer às escancaras, às claras, não na escuridão carmelita da unidade do facto, mas na iluminação imaculada do registo civil, sabendo-se, como se sabe, que se lhe tirarem esse pendor proibido ao fruto ele deixará de ser o mais apetecido, logo fugaz e de somenos, até nos confessionários da meia luz ou nas sacristias de branco caiadas sob o beato pincel, que isso do casados de fresco não para todos e todas, a não ser que tenham tabuleta para assentar no cui-dado da santa madre, tal e qual como aconteceu ao Charlin Chaplim quando ganhou um andar novo na Rua dos Dez Pràs Duas.
Ora o identi-kit, método de construção dos traços fisionómicos de um indivíduo, mediante fontes díspares, usualmente empregue pela polícia criminal, aponta as responsabilidades da acção obscura de "denegrição" do Magalhães para os industriais da Farinha 33, número também conhecido na esotérica linguagem tipográfica por KK, não só por serem eles os principais Anteros lesados com a evolução das TIC, mas também por verem nele, no Magalhães, o princípio do fim do seu império (e monopólio) na exploração dos manuais didácticos em suporte-papel, que tem sido a sua galinha dos ovos de ouro nos últimos cem anos em Portugal, e na Europa desde Pedro Ramus o que, no mínimo, é tosse, arre-pio de Bastilha, traque de quem comeu banana podre sobre a mesa dos paramentos. Catarro de carroceiro, que duas voltas ao mundo dadas e bastos diplomas no cu-rrículo vital, continua a beber a mesma aguardente JB e a escarrar no passeio dos caminhos de casa!... A impor a sua ignorância como supra-sumo do conhecimento dos demais, a fazer clones dos blogues de sucesso para ter alguma audiência, a abordar infantilmente a realidade na esperança de que ninguém note o seu envelhecimento, a sua caducidade e o seu narcisismo murcho, aviagrado para vingancinhas de mafioso desempregado ou empresário à beira de um ataque de servos. Vai daí, vejam bem, bate com o punho na palma do bem-feita a dizer asneiras entredentes, esconjuro antigo que ajudou muitos a prender o burro, e ainda ajuda, é claro, na argola dos arcos e portas, sobretudo se ele se põe à solta na torna baldia, a mostrar a doença nas manhãs de sol, para se especar melhor ante a brisa nos outeiros, semear a inveja nos homens e colher o suspiro das mulheres, aquele "ai" que vem do fundo que só ele alcançaria, caso o pecado não acarretasse também o bocado maior. Todavia, das duas caras que já não tem, apenas lhe ficou a mais negra da batina, nas surrobecas das Tunas, quando estendidas no chão da memória para os gloriosos passarem, somente servem de esfregão para limpar a calçada portuguesa do vomitado etílico dos pobres de espírito, numa feijoada demente, e pela qual rezamos, para que dela não fique semente... Quer dizer: sujidade, restos da peste emocional e rigidez caracterial que empestam a humanidade!

3.26.2009

Exposição de Catarina Castel-Branco


Ecologia Política



Desde há muito tempo que os arrivistas políticos têm vindo a usar a ecologia como biombo e trampolim de impulsão, na tentativa de ascenderem aos mais altos cargos da nação. A coisa não é novidade nenhuma, e já em 1981, António Elói, na rubrica Ponto de Encontro, que era aquela secção aberta à participação dos leitores, na Revista Sobreviver, apontava as linhas gerais desse contencioso que o tempo, ao contrário do esperado, por tudo resolver, apenas agravou. Dada a pertinência e desenvoltura do texto, em seguido o transcrevo, para que não restem dúvidas a quem pensa que está agora a descobrir a pólvora pròs fósforos, que essa atitude foi bastante comum em precoces datas, andaria ainda a ecologia de fraldas e gatinhas, arriscando sérias quedas dos bordos da democracia portuguesa, também ela sobejamente imberbe e de faces extraordinariamente salpicadas pelo acne da abrilenta adolescência política. Ei-lo:


O MOVIMENTO DA ECOLOGIA POLÍTICA

A luta ecológica não é um fim em si, é um meio


1.
A ecologia, não obstante o seu carácter difuso e pouco teorizável, não obstante ter uma pequena dimensão, a dimensão das coisas e das pessoas, foi, é, vai sendo apropriada por técnicos e políticos.
A ecologia vai sendo roubada àqueles que passeiam, ao longo do rio e sabem que o amor é uma mão, um olhar que troca. Àqueles que transformaram o cor-de-rosa dos sonhos em realidades.
Técnicos e políticos apoderaram-se da ecologia. Uns transformaram-na em dados frios e escuros de números e estatísticas, em coeficientes e projectos antipoluição. Outros encontram aí o maná de Canaã, a receita contra o esquecimento; a novidade e inovação que falta a quem não tem imaginação...
E nós? Vamos deixar de ser ecologistas? Vamos superar o actual estado de fraqueza e dispersão em que nos encontramos? Que fazer?, para glosar um velho político.
A resposta é individual, mas é pensada em termos de um colectivo. É a ocupação de um espaço de vida. É o tempo e o movimento.

2.
As experiências e vivências de outros podem ser-nos úteis, mas quando buscamos nuns lábios outros infinitos é sempre diferente. O sangue que percorre o nosso corpo vai-se renovando em cada momento. Temos de encontrar o nosso momento, o tempo de transformar. Eu. Tu. A Vida.
A teoria é o abstracto que se vive: são os nossos desejos pensados em fórmulas. Há que dar aos desejos realidade. A ecologia política é o assumir dessa realidade. É a recusa da ecologia como cantinho das novidades dos políticos. É dizer Nós e significar que os políticos são uma parte, o passado da vida. O futuro é amanhã.
Para Nós a ecologia política não precisa de se definir. É o espaço de cada um e de todos. Das mulheres em luta pelo seu ser. Dos poetas em luta contra o nuclear. Das flores, da não-violência em luta contra o barulho. O espaço do sonho onde cabe a antipsiquiatria e o dissidente soviético, a cultura e o guerrilheiro afegão, os sábados livres e o operário polaco, a diferença e os indígenas americanos. E cabem todos aqueles que lutam individual e colectivamente pela justiça. O salvadorenho, o negro do Soweto, a mulher somali e tantos, todos os outros. E esses, somos nós que queremos viver Hoje e Aqui.


3.
A ecologia política é um espaço muito grande, mas à medida de cada um, porque a ecologia política não é uma doutrina, um credo, não é tão-pouco uma referência. É uma prática.
Como todas as práticas é polimorfa e contraditória. É um local onde podemos concordar ou discordar, mas onde fundamentalmente podemos empreender a gestão colectiva da nossa vida e, essa, é sempre diferente.
O Movimento da Ecologia Política não precisa de programa, nem de declaração de princípios, esses são aquilo que cada um entenda. Os estatutos do Movimento são um quadro amplo onde os colectivos se encontram, funcionam como protecção jurídica e política.
Na Alemanha o Movimento Verde, em Itália o Partido Radical, em França o movimento embrionário que surge a partir do colectivo Gueule e do movimento autogestionário são algumas das referências que podem servir de parâmetros ao Movimento em Portugal. Ter em conta a distância cultural, sociológica e política é essencial, assim como é essencial ter em conta que a vida, o amor é sempre diferente e sempre um.


4.
Os nossos desejos, os nossos sonhos, as nossas fantasias convertem-se numa realidade. No movimento da ecologia política. Aqui, hoje, estamos solitários face ao papel branco. Amanhã, quando percorrer as ruas cinzentas da nossa cidade, vou-me recordar que a vida não é só as bandas desenhadas que lemos no nosso divã, nem se esgota no fumo que sai dos meus olhos. Está também nos sentimentos. Num sorriso, numa carícia. E que a revolução é uma festa de cada dia. É o sonho com as noites cálidas da Primavera...


Obrigado António Elói, e desculpa esta quase indevida apropriação das tuas palavras: é que elas hoje ainda nos fazem falta!

3.24.2009

Na Curva da àgua Férrea


(Crónica Literária publicada em O Distrito de Portalegre)


"Uma coisa é certa quando tende para preservar a integridade, a estabilidade
e a beleza da comunidade biótica. E é errada quando tende no sentido oposto."

Aldo Leopoldo, in A Ética da Terra

Cruzam-se novos rumos ao infinito (das bocas). Em vésperas de partilha e confraternização, insolentes por sofreguidão de afectos, eis que os factos se levantam a repique, e a aldeia amanhece global, como num dia de festa. Do coreto, um adufe que não se cansa, alicerça seu toque ao ritmo do coração da planície, e empresta-lhe o balanceado vaivém do cante, que os jornaleiros pendulam de braço dado, para adormecer o menino que ainda lhes não morreu dentro. Um, dois, um, dois, um, dois, passo a passo, o poeta das auroras verdes chega para sublinhar que se alguém perguntar por mim, diz que não estou, que fui prò jardim, com a saudade que dele me ficou...
Todavia, da curva do tempo, os nomes, sempre os nomes, plantados aqui e ali, no recato de qualquer esquina entre as vielas da urbe, regados pela Água Férrea que brota da serra, num murmúrio de Arina escondida, soerguem-se à vez, como lacrimoso mas colorido eco, nos alegretes de luz, e perfilam-se à volta das muralhas, num labirinto de invocações, porque nenhuma nomeação lhe é alheia. Minha avó me disse um dia, que aquilo que escorria, da fonte dos caminhos, água não seria porventura, mas lágrimas choradas, pela moura encantada, que na Penha enclausurada, assim dava notícia da sua amargura. Ora, não obstante a espécie que me fazia, tal receio ou constatação, o que é certo é que havia, quando se aproximava o Verão, mão anónima que lhe punha à volta da bica, nobre laço de junça tenra, e a água antes férrea, então benta lhe corria.
Pouca pode ser a significação, porém ela afirmava, que essa dita invenção, já a avó dela lha referia, por tê-la ouvido também à avó da bisavó um dia, em que a ela foram dessendentar-se num lusco-fusco de S. João. E talvez por isso, hoje eu lhe reconheça razão, é que se com aquele laço de verdura, em torno do metálico cano, santificada não estaria, era contudo geral a opinião, pela sua frescura, que quanto mais calor estivesse, mais brotava ela fria.
Jamais alguém lá voltou a matar a sede. Contudo eu, logo que da cidade avisto tal curva, dou por mim a recordá-la e vê-la, não como se fosse ontem, mas hoje. Agora. E, pese embora, nem sei bem porquê...

Deve ser grande a aflição
Para a Moura chorar assim,
Que também eu morro de mouro
Mas a Moura não chora por mim!

3.17.2009

Lançamentos de Livros

Eis duas oportunidades que não pode perder, sobretudo quem estiver nas redondezas nestes dias...

Jogos de Identidade Profissional: os engenheiros entre a formação e a acção

Apresentação
de Manuel Silva Suarez

Data e Local: Dia 20 de Março às 17.30 horas no Colégio Espírito Santo da Universidade de Évora

e...

A Teoria do Caos: Potencialidades na modelização da aprendizagem de conceitos científicos

Da autoria de Mercês Sousa Ramos

Apresentação do Prof. Doutor João Corte-Real

Data e Local: Dia 19 de Março às 17.30 horas no Anfiteatro da Escola Superior de Educação, no Campus de Benfica, em Lisboa.

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