La vida es un tango y el que no baila es un tonto

La vida es un tango y el que no baila es un tonto
Como do recato dos tempos aos tempos recatados

Página a página, pedra a pedra, de seta em seteira aberta

Página a página, pedra a pedra, de seta em seteira aberta
Se abrem no muro, as frechas do futuro, por frincha desperta

7.12.2010

O Condão dos Mírdeas!

"– E isto, conheces? Conhecer apenas metade é perigoso. Bebe até não poderes mais ou não bebas da fonte das Musas. Aí, as águas de superfície intoxicam o cérebro, mas se bebes à saciedade, receberás a lucidez. Pope, no mesmo ensaio. Então, como te sentes, depois disto?
Montag mordeu o lábio. "
Ray Bradbury, in Fahrenheit 451

Agora que a Espanha é campeã mundial, não restam dúvidas nenhumas: eles, os espanhóis, até quando estão mal são muito melhores do que nós, em tudo, da economia ao desporto, da cultura à democracia, uma vez que não se deixam intimidar por quaisquer laranjinhas bichadas que andem a abrir sites de conteúdo pornográfico nas bibliotecas, escolas e locais públicos de Internet, só para terem o prazer de carregar de vírus os attaches de quem mais frequente esses organismos ou instituições, cujo fim, último e primeiro, é o de partilhar facultando aceder ao conhecimento, propiciando a sociedade para todos e a participação democrática, em igualdade e enraizado envolvimento cívico, e tudo isso porque os responsáveis pelo funcionamento dessas ferramentas civilizacionais preferem o silêncio melindrado corporativista, à comunicação adulta e racional, prejudicando as suas instituições sob o pretexto que lhe estão a proteger a imagem. Se há algo errado, e alguém o diz, aqui d'el rei, cai o Carmo e a Trindade, porque a verdade soou em vez do silêncio compungido dos penitentes, alterando a ordem dos canalhas que até ali se têm lambuzado com as iguarias da corte, tentando fazer passar a mensagem que o indecoroso e prevaricador não é quem prevarica e comete as faltas, mas sim quem as nomeia e propala, pondo acento tónico na transparência, debate, avaliação e correcção das medidas ante os resultados. Se dois ou três matulões preferem estragar aquilo que é de todos, porque assim sendo também é deles, e com aquilo que é seu eles fazem o que muito bem lhes der na gana, conseguem-no e ainda se ficam a gabar do heróico feito, porquanto os responsáveis optaram há muito insistir no erro monumental, desde que vindo de dentro, dos seus cúmplices de profissão e confrades cooperativos, a admitir discutir sequer os processamentos e actos profissionais. Seria uma humilhação. Séria. Grave. E um admitir que há melhores maneiras de fazer as coisas do que aquela que praticam e executam, o que lhes provocaria um curto-circuito terrível na consciência e narcisismo.
Não, essas instituições e organismos públicos não servem para satisfazermos a nossa gula expansionista e missionária, nem a partidarite aguda de que padecemos, sejamos simples utilizadores, técnicos ou profissionais do ramo, gestores ou dirigentes, mas sim para consolidar a sociedade do conhecimento e da informação que no-los patrocinam, no-los criaram e pagam a sua manutenção, funcionamento e divulgação, esclarecendo e formando cidadãos capazes de responder às exigências do seu tempo, não para que eles imponham a sua bizarria australopiteca aos demais contemporâneos e concidadãos.
Há um blogue que trata de relações e sentimentos, afectos e poesia, e eis que logo aparece quem seja lampeiro em classificá-lo de aberração, manigância de interesses sexuais obscuros, de clube de apanhados ou manifestação de exibicionismo cultural, com vincada pretensão à propaganda "idiológica" (lógica do idiota), que deve ser perseguido por quem coisifica os géneros, protege os sexismos e especismos, e se serve da democracia como um fim de alcançar o poder para depois fazer o que lhe apetecer, uma vez que é quem manda e sabe o que é bom para todos. Há um escritor que retrata a sociedade do seu tempo, como lhe compete, considerando que a cultura é sempre crítica da natureza, e a arte crítica da cultura, porém como também há alguém que não se sente beneficiado pelo retrato, eis que tenta sujá-lo por todos os meios ao seu alcance, dando-lhe o famoso e famigerado toque de Mírdeas que, ao contrário do de Midas, que transformava em ouro tudo em que tocasse, transforma em merda tudo o que aflora, seja pelos olhos, como a leitura, seja pelo apanhar e agarrar às mãos-cheias.
Em vez de interpretar e analisar, mete na boca, como qualquer esfomeado símio faria a uma peça de lego, e depois cospe porque é plástico, e não concebe que alguém produza mais do que bananas, já que é disso que ele gosta, e a arte deve ser uma questão de gosto: se gosta é boa, se não gosta não presta. E quem foi o Galileu que o elegeu centro do mundo? O papá e a mamã?... Então, eles que o aturem!

7.10.2010

Todas as Revoluções Começam com Flores...

No jardim da Celeste: Giroflé-giroflá

"Também é dos livros, que todos os comandantes em chefe, entre as lutas que sempre perdem, ganham e planeiam."
– Lídia Jorge, in O Cais das Merendas

Conforme o fait-divers do Público 2, de sexta-feira passada, ontem, dia 9 do mês de Júlio César, do ano da (des)graça PEC, os jasmins, essas odorosas gardénias galegas hermafroditas de flores brancas ou purpurescentes – ai credo, cruzes-canhoto!... –, além de vistosas podem pôr um homem a dormir só com o efeito de uma lufada, porquanto são senhoras de um mecanismo molecular de acção sobre o cérebro humano igual ao dos barbitúricos e ansiolíticos mais correntes, cujo efeito é tão forte como o dessas drogas, proclama o dito jornal, por assim o ter constatado no Journal of Biological Chemistry, e na sequência da descoberta de duas fragrâncias nesta flor, pela equipa de Hanns Hatt, da Universidade de Ruhr, na Alemanha. A notícia por si só é já um portento, agora o maior impacto deve-se sobretudo ao receio das farmácias e indústria farmacêutica europeia, uma vez que a sua mais volumosa e cimentada fonte de receita está precisamente na venda dos placebos anti-stress, com aplicação em sedação, redução da ansiedade, excitação e agressividade, bem como na indução do sono, coisa que vai faltando a muitos, com tendência crescente acentuada, na maré de crise em que naufragámos (desde o século XIV).
Talvez isto seja mais um sinal da vingança Alemã sobre as Espanha, que ultimamente não tem descoberto nada de jeito, quiçá ainda sob os efeitos traumatizantes dos maus negócios que Madrid tem efectuado, nomeadamente a compra do Cristiano Ronaldo e a OPA sobre a PT com a Vivo debaixo d'olho, que redundou numa golden share com perniciosas consequências Ibéricas, sobretudo ao Estado português que se sujeita a ser apalpado no OE pelo Tribunal Europeu, para quem as decisões meramente declarativas costumam ser locomotivas de um conjunto de outras não declaradas, mas surpreendentemente eficazes na surdez institucional dos países membros. Estas coisas moem muito, e às vezes até matam. Uma nação, mesmo que a ETA ande em sossego, também tem os seus achaques e inquietações, demasiado graves para se curarem com qualquer pensinho vermelhusco. Essa é que é Eça!
Porém, a suspeita de jogo sujo por parte da Holanda não está posta de parte... Aqui há marosca laranja! Pla certa! Habituada aos eflúvios gaseamentos e exalações das tulipas, jacintos, gladíolos, rosas e crisântemos, por país baixo que é, e que de pé, nem chega a bater pela cintura de qualquer pirinéu, por muito basco que seja, terá movimentado os apetites sexuais das plantas continentais e adjacentes, no sentido de intoxicarem os canais ibéricos, entupindo-os, recorrendo mesmo à infiltrada presença e actuação de uma flor abundante nas rusticidades galaico-castelhanas: o jasmim. E pela sua mais-valia, que é das virtudes medicinais e feiticeiras, havendo já quem defenda que, de futuro, aquela rosa sedutora que enfeitiçou o inocente cabo da guardia civil, atirada ao seus pés por uma fatal gitana mal intencionada, seja substituída em próximas/imediatas encenações da Carmen por uma gardénia, pelo menos, se bem que alguns radicais exijam mesmo um jasmim. Creio que neste mundo nada sucede por acaso, principalmente nos jornais. Nas universidades. E nos ministérios ou relvados sul-africanos. Portanto, meus amigos e amigas, estejam alerta e preparem-se que aí vem borrasca da grossa, e desta vez, não haverá golden share que nos salve: os espanhóis, doídos e açulados pelos alemães, vão plantar gardénias em todos os terrenos que já compraram nas redondezas do Alqueva. O odor e perfume destas plantas há-de alastrar de norte a sul, de este a oeste, adormecendo-nos, e quando, enfim, vier o próximo Verão, e acordarmos, O Primeiro de Dezembro mais não será que uma remota comichão no alzheimer de uma marsans que nos aconteceu com registo nas calendas gregas. Mas só nessas, nas gregas, que a Grécia nestas coisas é incapaz de nos deixar sozinhos, solidariedade de quem partilha as sortes de forcado, e sabe muito bem o que é isso de andar nos cornos do minotauro...E depois abufem-lhe nas vuvuzelas e batam-lhe palmas, que é manifestação de valentia e coragem para quem está já a pensar nos resultados das próximas eleições autárquicas ou legislativas: lugar certo e obra acabada. Participação incontornável e incontestável para os programas e planos do próximo quinquénio estratégico de Lisboa a Bruxelas, com apeadeiros em Badajoz e Cruz de Pau.

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A pessoa entre as sombras de ser