La vida es un tango y el que no baila es un tonto

La vida es un tango y el que no baila es un tonto
Como do recato dos tempos aos tempos recatados

Página a página, pedra a pedra, de seta em seteira aberta

Página a página, pedra a pedra, de seta em seteira aberta
Se abrem no muro, as frechas do futuro, por frincha desperta

4.30.2012



CANTO DE JARDIM


Há, no fundo deste velho jardim, um canto que faz as minhas delícias. Ensombrado pelas árvores dos quintais vizinhos, tem qualquer coisa de misterioso como os bosques… A erva cresce entre o musgo. Aqui e ali, surge, na sua haste delgada, uma papoila vermelha. Contra o muro vivem, exuberantes, a hera, o alegra-campo e, onde pode surpreender um raio de sol, debruça-se, miudinha, clara, uma roseira de toucar. No inverno, cheira a violetas, a terra húmida. Na primavera, tem um perfume especial de erva fresca, de folhas tenras. O rouxinol, que ama o mistério e a sombra, escolheu este canto do jardim, para nele exalar as suas lágrimas musicais, as suas harmoniosas queixas… Se eu tivesse a voz do rouxinol, era ali que chorava, que me queixava também… 

Portalegre, junho 1922.


In LUZIA, Almas e Terras Onde Eu Passei, Edições Europa, pág. 37. Lisboa, 1936  

4.16.2012

LUZIA, escritora portalegrense

AQUI VENHO CONTAR-TE AS MINHAS AVENTURAS (E DESVENTURAS)



"Os homens fizeram as leis deste mundo, tudo a seu gosto. Eles são os senhores. Quando mesmo tenham menos talento, menos dotes do que nós, podem aspirar à Glória, ao Poder, a tudo. Nós, a nada. Para sermos alguma, é preciso ficarmos sempre simples mulheres.


Ne soyons rien pour rester quelque chose."

In FELICIANO SOARES, Luzia – Espectadora das Comédias do Mundo, citando Luzia, num excerto de Lições da Vida.

OS QUE SE DIVERTEM e RINDO E CHORANDO ainda não podem ser consideradas obras elucidativas da originalidade literária de Luzia, porquanto o não são, mas sim como exercícios de estilo exemplares onde a autora giza, delineia, aponta e estabelece os pressupostos gerais do seu discurso, que assim é sujeito a uma depuração contínua através da repetição exaustiva, até este se transformar no diamante lapidado cuja mestria de excecional ficionista é observável em ALMAS E TERRAS POR ONDE EU PASSEI, A ÚLTIMA ROSA DE VERÃO e DIAS QUE JÁ LÀ VÂO, que esses são, pois, indubitavelmente livros da sua inconfundível maturidade literária e peças únicas e raras da genialidade da literatura portuguesa de todos os séculos.

Os diálogos, os sketchs, as cartas de Gracinha, por exemplo, os retratos do pitoresc
o cotidiano, os tipos da fauna social elitista lisboeta, que inicialmente evidenciam uma notória influência idealista, sobretudo nos rasgos de denunciada candura de ingénuo teor platónico, em que o masculino e o feminino se encontram destrinçando as essências do amor e da amizade, a natureza da solidão ou da mundanidade solitária, não escondem a sua típica expressão de tentativas socializadas de uma escrita que, marcada pelas desilusões da vida ou do confronto com a realidade, se vai aperfeiçoar, refinando evoluindo a passos largos para outros diálogos a que a distância, a vagabundagem entre lugares e épocas, e seu concomitante isolamento emprestaram um timbre de monólogos – diálogos de si para consigo – mais ou menos quixotescos, mas indubitavelmente cerzidos com as linhas de uma teia de pessoa a braços com a originalidade solitária que a orfandade tornou única, entretecida e escorando-a vida fora, é certo, embora acrescentando sempre novas modalidades ao orfanato original (materno e paterno), das quais, a últimas, até a tornou órfã de si mesma, com a perda de vista, que não só a amputou da observação dos outros e do mundo, como a impediu igualmente de se ver entre eles e nesse mundo, num isolamento infinitamente ímpar a que só a memória – enfim, preclara no Jornal ou Diário – permitiu aquela ligação essencial à vida e ao ser humano sem a qual a pessoa deixa de existir, nomeadamente para o seu autor ou criador, desde que espelhada (narrada) pelo discurso de um pseudónimo.

Os diálogos são a matriz do discurso luziano. É neles que Luísa inicialmente regi
sta o seu testemunho e observações acerca da vida, das coisas, das ideias, da natureza e do mundo. É neles que ensaia e reflete os seus relacionamentos e afetos, pelo menos enquanto há alguma relação de proximidade e convívio entre si e as pessoas representadas, a que supostamente dá outra nome que não o da sua realidade. Mas essa proximidade, como aliás todas as proximidades, é efémera, breve, limitada, passageira... Portanto, ocasiona que Luísa (ou Luzia) sinta necessidade de prolongar o contato mesmo para além da proximidade, quando a distância a separa delas e se torna incontornável. Como? Escrevendo cartas, se se dirige a uma só pessoa, que Luzia transforma em personagem, ou crónicas, artigos, quadros, bilhetes-postais, quando se quer dirigir a várias, díspares e diversas mas que podemos referir como uma só pessoa coletiva, o destinatário, leitores e leitoras, alvo preferencial de todas as escritas.

Recordemos a este propósito O ESTILO EPISTOLAR DE GRACINHA, que integra OS QUE SE DIVERTEM.

"Lisboa – Março de 1920.

Minha querida Ritinha

Aqui venho contar-te as minhas aventuras, nesta grande capital.
Isto vai por cá uma trapalhada, uma desordem que ninguém se entende!
Na rua andam esquadrões de cavalaria, a correr atrás da gente e diz que é por causa das bombas, que atiram os civis da construção, que são os que querem dar vivas à Rússia e o sr. Batista, que é um gordo, que leva tudo à valent
ona, não quer que eles dêem vivas e eles então deitam bombas, que caem em cima dos cavalos e essa é que é a minha aflição, que já ontem ficou um ferido numa patinha.
E além da questão social, que é o perigo bolchevista de virarem o mundo de pernas para o ar, acontecem todos os dias coisas esquisitas.
Esta manhã, a mãe, que tem aquele génio que não gosta de incomodar os seus criados, quanto mais os alheios, mandou-me entregar uma carta à tia Thereza, que mora aqui defronte, numa casa cor-de-rosa, que tem um jardim e muitas trepadeiras. Eu então pus o chapéu da quinta, aquele que é todo cheio de papoulas encarnadas e
fui entregar a carta...
Depois, como a manhã estava tão bonita que até a cidade parecia um campo, apeteceu-me passear na rua. Então um senhor de uma certa idade, com um ar assim muito respeitável e muito bem vestido, com luvas cor de canário e umas botas que luziam que nem um espelho, começou a seguir-me...
Eu parava, ele parava, eu apressava o passo, ele apressava o passo e eu sempre a voltar-me para trás a ver se ele vinha e quanto mais eu me voltava, mais ele se aproximava, até que veio ao pé de mim e disse-me:
– Permite que a acompanhe?
Eu antes queria ir só, para poder parar à minha vontade a ver as coisas, que é muito divertida uma rua de manhã; há as varinas, que são as que apregoam a pescada, numa voz muito bonita, mas tão triste que até parece que vão chorar e o tio Jorge diz que é por causa da melancolia nacional; e as mulheres da hortaliça, que são as que vendem os legumes; e o homem do azeite doce; mas a mãe recomenda-me se
mpre que seja atenciosa com as pessoas de idade, porque pode acontecer que a gente envelheça um dia e então eu respondi: – Se não lhe dá muito incómodo...
O senhor até se fez vermelho e exclamou: – A menina bem vê que nisso está a minha ventura!...
E depois disse muitas coisas, sempre com todo respeito... Chamou-me flor, jóia, que se eu correspondesse ao seu afeto, a sua generosidade igualaria os meus encantos...
E subimos e descemos umas poucas de vezes a rua. E como eu ando muito depressa, o senhor já assoprava de cansado. E perguntou-me onde vivia e eu disse-lhe que não era de Lisboa e ele perguntou-me se eu gostava de Lisboa e eu respondi: assi
m, assim, e ele aconselhou-me que viesse para cá, porque aqui tinha mais futuro, podia colocar-me melhor e que prometia a sua proteção e que me punha uma casa, se fosse da minha vontade... E depois, como eu já estava farta de correr, rua abaixo, rua acima, e o homem parecia que deitava os bofes pela boca, vim para casa e, já se vê, à porta disse-lhe: – Se V. Exa. quer entrar...
O senhor respondeu: – O quê, será possível tanta ventura? – Mas depois, pôs-se a olhar muito desconfiado para o jardim, para a casa e perguntou ao guarda-portão: – Quem mora aqui? – E quando o guarda-portão lhe disse o nome da tia Maria do Céu, o senhor tirou o chapéu, com um gesto muito comprido, quase até aos pés, e tão vermelho que até imaginei que o sangue ia espirrar-lhe pelo nariz, disse: – Perdão, minha senhora. Foi um lamentável equívoco!
Depois, ao almoço, a mãe ralhou comigo por eu me ter demorado tanto e então eu contei que tinha andado com aquele senhor e que não o podia deixar assim de repente, que era uma desfeita, e a tia Maria do Céu disse:
– Bem-feito, que eu já te recomendei tantas vezes que não deixes a pequena sai
r só...
E a tias Mariquinhas, que é a que doirou o tio Paulo quando casou pela conveniência – chama-se casar pela conveniência quando uma mulher é assim um estafermo e tem automóveis e oiro e então casamento de amor é casar com um pelintra e ir viver na cabana do Pinheiro –, mas então a tia Mariquinhas resmungou: – A mim nunca me seguem... – E o tio Jorge disse, assim entre dentes: – Pudera... E o tio Paulo disse que o senhor era o Sátiro... E depois todos riram...
E, depois, eu e a minha mãe fomos a casa da senhora triste, chamada Josefina, que estava pondo rosas brancas dentro de copos e a cara dela estava assim tão branca como as rosas e como a gente está habituada à tia Maria do Céu, que põe aquela
s pomadas encarnadas nas bochechas, até fazia aflição e parecia que ela não tinha pinga de sangue e que ia morrer ali mesmo, com as mãos a mexer nas rosas...
E estava lá um homem muito alto, muito trigueiro, com uns olhos claros que não dizem com a cara escura, mas, ao mesmo tempo, se alguém lhos tirasse, eu pedia que os pusessem lá outra vez, porque apesar de não dizerem, ficam-lhe bem, e que já deve ter idade porque tem o cabelo a embranquecer nas fontes, mas quando ri, parece que não é, e então ninguém sabe se é... E a mãe disse para eu o chamar tio Pedro...
E depois, a mãe e a Josefina começaram a falar de quando andavam num convento, que a República deitou ao chão e duma cerca, onde havia rosinhas de todo o ano e duma capelinha, onde punham lírios, e de mais coisas, e riam com os olhos cheios de lágrimas, que até me lembrou aquela trapalhada do mês de abril, quando chove e faz sol ao mesmo tempo...
E eu cá estava a olhar para o tio Pedro, porque me faz uma confusão a
queles olhos azuis naquela cara que parecia assim quando as pessoas andaram no campo, sem chapéu, e então ficaram todas queimadas e assim uma espécie de doiradas... E depois, o tio Pedro disse à mãe e à Josefina:
– Falem à sua vontade e não se importem connosco, que nós também temos muito que conversar...
E não fez como os outros, que falam só em coisas que não me interessam, nem entendo, perguntou-me primeiro de que eu gostava, e eu então disse que gostava de cães e de cabras e de cavalos, e de pessoas que têm infelicidades, e de campos, e de águas, e de ouvir histórias de terras onde se vai por mar...
E ele então contou-me que tinha corrido muitas terras dessa qualidade, quand
o era oficial de marinha e que agora já não era, porque a República embirrava com ele ou ele é que embirrava com a República, porque a República tinha indisciplinado a marinha, ou a marinha tinha indisciplinado a República, isso é que eu já não me lembro bem como foi, e que tinha estado no Japão, onde há mulheres iguais às das jarras chinesas, mas verdadeiras, que andam e comem arroz e as cigarras sempre a cantar e as cerejeiras sempre em flor... E tudo muito poético... E depois, na Índia onde há leões bravos, sem ser em jaulas como os do Jardim Zoológico...
E quando ele falava, eu não podia tirar os olhos daquela claridade azul, que são os olhos dele – felizmente que é costume cá de Lisboa a gente pasmar uns para os outros, senão o tio Pedro havia de achar esquisito, mas é verdade que ele também olhava para mim, assim muito terno, como a dizer aos meus olhos: – Não façam cerimónia... Deixem-se ficar...

E então estávamos todos muito bem...
Mas nisto chegou a tia Thereza, que mais parecia um tufão e disse: – Viva a bela sociedade! – E depois, nunca mais se calou, muito excitada, por causa da carestia dos géneros, que são os objetos e outras coisas, e que ninguém devia furar a greve dos consumidores e que até era patriótico, e que então ela, parta não furar a greve, só tinha mandado fazer três pares de sapatos, e para aproveitar uma renda, que tinha em casa, ia comprar seis metros de cetim e para aproveitar o forro do casaco, ia encomendar um tailleur de que não precisava, mas era só por causa da economia do forro e para fazer pirraça ao comércio, e que assim é que todos deviam imitá-la.
E agora tenho que deixar-te, porque a mãe diz que estou sempre a escrevinhar e que faz ideia das tolices que aqui vão, porque ainda escrevo pior do que falo.
E então recebe muitas saudades que manda a
Gracinha

Março, 1920. "


AQUI VENHO CONTAR-TE AS MINHAS AVENTURAS é como uma fórmula universal que atira o leitor para fora do texto. A partir daqui fica-se a saber que vamos contatar com grandes e inimagináveis odisseias, impensáveis peregrinações, descobertas ímpares, viagens fantásticas – maravilhosas, horrendas, fabulosas, oníricas ou profundamente humanas e dolorosas –, como a arriscadas e sublimes missões, além das demais demandas que ao espírito humano é propiciado desfrutar e sofrer, sejam elas à volta de casa, rua abaixo, rua acima, como em toda a costa mediterrânea ou na rota das especiarias, ao fundo do mar como às cidades invisíveis de Marco polo, à Utopia como à Ribeira Formosa, à Cidade do Sol como à Serra de Portalegre, a Pau como ao Jardim do Mar, à Rua Direita ou ao Chiado, à Ibéria quixotesca como à Paris da moda e das fadas dos bulevares, à familiar Rua do Lá Vai Um como a Cascais da elite e da aristocracia. E Luzia fá-lo como quem vagabundeia, sobretudo na língua e literatura portuguesa, ora acompanhando Almeida Garrett em viagens à nossa terra, ora encetando outras rotas com Fernão Mendes Pinto e o tio Pedro, D. Quixote, Cândido (ou Pangloss de Voltaire), o mercador de Veneza, o Amadis de Gaula, Jacinto da Cidade e as Serras, a Menina e Moça de Bernardim, os infernos de Dante e da neurastenia, a loucura de Erasmo de Roterdão ou a dos convivas de Hameau e do Colégio das Salesas; todavia sob o testemunho, ilustração e o relato que Luísa Grande terá esboçada anteriormente no seu diário de bordo, qual capitão-de-fragata que ao deus-dará da vida, ora se perde como se encontra na busca dos tempos perdidos desenhados como dias passados e que já lá vão na correnteza dessa água que é sempre outra dum rio inalterável: o tempo.

Por isso as suas epístolas são mais que simples cartas entre personagens ou entre narradora e seus parceiros de espaço-quando: são recados, balizas, aditamentos ao futuro de um passado ancestral que ambas (Luísa/Luzia) herdaram, povoado por homens e mulheres de autenticidade inegável como a seres fabulosos de não menos e inegável pertinência e atualidade. Porque foram sobretudo eles que atravessaram o tempo e os tempos (passado, presente e futuro), divertindo-se e jogando, livres e intocáveis, enquanto a elas só estiveram reservadas a dor e as rezas, o assinar cheques e escrituras, letras a pagar e penhoras, sem mais nada de seu além do sonho e da fantasia, da imaginação das fadas e das deusas – quer dizer, estátuas – do jardim da quinta alentejana (Vénus e Minerva), a quem a primeira terá ainda feito uma visita ao Jardim do Mar para salvar a sua protegida do exílio e da solidão avassaladora, nesse primeiro inverno que passou na Ilha.

Passou, quem? Luísa Grande ou Luzia? Tanto faz... Enquanto uma escrevia a outra vivia, sim as aventuras que somente aos homens estavam reservadas a serem vividas, pelo menos a dar fé no que nos resta depreender de suas Lições de Vida. Porque o que conta em literatura é a intenção literária e estética da linguagem, do discurso, da poética e da narrativa, pois tudo o mais são tão-só palavras, todas elas muito bem esclarecidas e alinhadas como podemos constatar em qualquer dicionário, ou as construções frásicas de podemos encontrar muito mais perfeitas, explícitas e exímias noutras tantas gramáticas – mas apenas palavras. E dessa intenção está a obra de Luzia repleta, até nos espaços entre elas, as palavras, e alinhadas muito para lá de suas linhas... Sim, nas entrelinhas que se cruzam connosco e com o nosso tempo em ponto cruz de maiores tapeçarias!


Portalegre, 15 de abril de 2012

4.08.2012

Convite para todos e todas a participar em Momentos de Poesia


JOAQUIM CASTANHO E LÍDIA GODINHO em MOMENTOS DE POESIA

Conforme tem sido habitual, de algum tempo a esta parte, acontecem Momentos de Poesia todos os meses na Biblioteca Municipal de Portalegre, mais precisamente ao segundo Sábado de cada mês, pelas 16 horas, sob a generalizada coordenação de Deolinda Milhano.

Para essas sessões, segundo também o que normalmente tem acontecido, são convidados alguns autores portalegrenses – mas não só –, poetas – maioritariamente, mas não só – para participar e assim prestar seu contributo, lendo ou declamando os seus textos, de acordo com a livre escolha e estilo de cada um, e no formato que melhor lhes convém.

Desta feita, calhou a sorte, no próximo Sábado, dia 14 de abril de 2012, a Joaquim Castanho, escritor natural de Portalegre, que terá iniciado a sua atividade literária exatamente com o género poético, e que conta já com um considerável número de títulos originais e inéditos, entre os quais quatro de poesia ( EUCLASIA, CAPAS NEGRAS, FAIT-DIVERS e O ESCRIBALISTA E SEUS ESCRIBALISMO PRETÉRITO).

Todavia, não será somente por isso que esta edição de MOMENTOS DE POESIA se antevê como uma sessão extraordinária... Antes sim pelo formato e pela preciosa colaboração que Joaquim Castanho irá ter – a de sua amiga de longa data LÍDIA GODINHO, também ela natural deste distrito, embora atualmente a residir em Lisboa e a trabalhar na Amadora, que conhece a sua poesia como mais ninguém e desde os tempos de estudante nesta cidade, onde frequentou o ensino secundário e superior.

Ou seja, além do universo poético e habitat inequívoco de sentimentos e emoções, memórias e metáforas, registos ideológicos e apontamentos do quotidiano, se vai nela ter igualmente oportunidade de constatar o efeito direto desse outro grande afeto que é a AMIZADE, e de como ele transforma os sons, as imagens e as palavras, em exemplos vivos de pronúncia humana, cujo timbre e ritmo é indubitavelmente o do mútuo reconhecimento e apreço, uma "musicalidade" quase perdida nos dias de hoje mas tão necessária como urgente neles.

Portanto, o convite aqui fica a todas e todos que queiram testemunhar essa simbiose das falas apenas, possível numa língua em que o sotaque alentejano arrasta consigo fiapos da alma lusitana, que se hão de entretecer numa malha de afetos vincadamente universais com que se se subscrevem todos os reencontros humanos – a ternura, a empatia e a amizade.

Porque a arte é por excelência um veículo de transporte e celebração de afetos, também a vossa participação é, sempre foi e há de continuar a ser, o nosso melhor poema!

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