<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-33470272</id><updated>2012-01-30T14:35:52.659-08:00</updated><category term='PLANOS NACIONAIS'/><category term='Poemas Alheios'/><category term='exactamente hoje'/><category term='Recados de Outras Eras'/><category term='Planos Internacionais'/><category term='matrizes'/><category term='Reposições'/><category term='L and L'/><category term='Jóias da Época'/><category term='contos'/><category term='Notícias do Ocidente Ocidental'/><category term='Crónicas do Fonte Nova'/><category term='Textos READCOM'/><category term='Crónicas do (E)Leitor'/><category term='c'/><category term='Bucólicas e Sadias'/><category term='Nota Dez'/><category term='Sem Metros Barreiras'/><category term='Lendas e Narrativas'/><category term='Literárias e Divinas'/><category term='Crónicas dos Luís Não Vás'/><category term='Publicações Avulsas'/><category term='textos alheios'/><category term='crónicas (In)divisas'/><category term='Capas e Primeiras Edições'/><category term='Hoje'/><category term='política criativa'/><category term='O Escriba e as Bonecas'/><title type='text'>escribalistas</title><subtitle type='html'>Eis o moleskine oficial de Joaquim Castanho, os textos particularmente na forja, o jornal de parede na oficina de trabalho na escrita dos dias, onde os amigos íntimos podem constatar em primeira mão o que depois será público</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://escribalistas.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33470272/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escribalistas.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33470272/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>joaquim maria castanho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13601095424407490659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/SL6Sv6k9KBI/AAAAAAAAA-E/Z5b-jAk0_lE/S220/quim.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>286</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33470272.post-2988101471780390933</id><published>2012-01-30T14:30:00.000-08:00</published><updated>2012-01-30T14:35:52.667-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literárias e Divinas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='L and L'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nota Dez'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Notícias do Ocidente Ocidental'/><title type='text'>LUZIA, uma escritora que amava a sua terra, mas ela nunca lhe reconheceu a sua arte e personalidade...</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-L2OEMzuAYJQ/TycbKwgvU8I/AAAAAAAAEKQ/ELP6xRGF76Y/s1600/luzia_ok.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px 0px 10px 10px; width: 288px; height: 400px; float: right; cursor: pointer;" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5703557324722885570" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-L2OEMzuAYJQ/TycbKwgvU8I/AAAAAAAAEKQ/ELP6xRGF76Y/s400/luzia_ok.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;CARTAS DE UMA VAGABUNDA&lt;br /&gt;                          &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;a &lt;strong&gt;&lt;em&gt;LUZIA&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Que belas cartas! Que suaves linhas!&lt;br /&gt;São «Vagabundas», boa amiga? Qual!&lt;br /&gt;Todas se voltam para Portugal,&lt;br /&gt;Como voltam de longe as andorinhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, tão altas, como as estrelinhas,&lt;br /&gt;Em viva nebulosa espiritual;&lt;br /&gt;Ora soluços de água; ou roseiral;&lt;br /&gt;Ou sol cantando entre a seara e as vinhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Senhora de Lourdes e de França&lt;br /&gt;Acaso entende a nossa língua? Alcança&lt;br /&gt;Que falam dela? Talvez não, talvez…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mande-lhe as “Cartas”, Santo António é luso&lt;br /&gt;E lhe dirá: – «Deixai, que eu vos traduzo…&lt;br /&gt;Que pena não saberdes português!»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ANTÓNIO CORREIA DE OLIVEIRA&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33470272-2988101471780390933?l=escribalistas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escribalistas.blogspot.com/feeds/2988101471780390933/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33470272&amp;postID=2988101471780390933&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33470272/posts/default/2988101471780390933'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33470272/posts/default/2988101471780390933'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escribalistas.blogspot.com/2012/01/luzia-uma-escritora-que-amava-sua-terra.html' title='LUZIA, uma escritora que amava a sua terra, mas ela nunca lhe reconheceu a sua arte e personalidade...'/><author><name>joaquim maria castanho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13601095424407490659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/SL6Sv6k9KBI/AAAAAAAAA-E/Z5b-jAk0_lE/S220/quim.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-L2OEMzuAYJQ/TycbKwgvU8I/AAAAAAAAEKQ/ELP6xRGF76Y/s72-c/luzia_ok.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33470272.post-559001059522320297</id><published>2012-01-13T06:08:00.000-08:00</published><updated>2012-01-13T06:13:11.809-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literárias e Divinas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Lendas e Narrativas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Notícias do Ocidente Ocidental'/><title type='text'>LUZIA, uma escritora portalegrense que os portalegrenses quase desconhecem...</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-zTIHj3MkQPM/TxA7xPFqgaI/AAAAAAAAEIs/2BpKv_k4pkQ/s1600/391999_329004770444103_100000037487185_1408205_470496878_n.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px 0px 10px 10px; width: 400px; height: 315px; float: right; cursor: pointer;" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5697119245673595298" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-zTIHj3MkQPM/TxA7xPFqgaI/AAAAAAAAEIs/2BpKv_k4pkQ/s400/391999_329004770444103_100000037487185_1408205_470496878_n.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;em&gt;Ribeira Formosa – 6 de Outubro&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui estou enfim, saboreando as apetitosas migas, esquecendo a civilização e fazendo as pazes com a vida. Não sei se a Joanninha anda de bem com ela… Eu andava de mal há muito tempo. Os homens – que é como quem diz também as mulheres… – tinham-nos indisposto.&lt;br /&gt;Estas árvores, esta divina solidão, no abençoado silêncio, a saudade mais viva «das queridas vozes que se calaram» e… tantas outras coisas deliciosamente indefinidas, estão-nos reconciliando.&lt;br /&gt;Por amor da beleza da terra perdoo a fealdade do coração dos homens – pode sempre acrescentar mulheres, que, entre os dois…&lt;br /&gt;E pela doçura de tudo o que fica, esqueço a amargura de tudo o que passa. Não será duas vezes o mesmo coração em que pus o meu desejo, a minha esperança, mas daqui a muitos anos, se eu voltar, as mesmas sombras discretas me acolherão e, como agora, a terra me sorrirá pacificadora e linda.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Il fait bon&lt;/em&gt;… Sirvo-me da doce expressão francesa porque não encontro nenhuma em português que diga tanto. &lt;em&gt;Il fait bon&lt;/em&gt;… As manhãs são azuis, luminosas. Não há uma nuvem no céu. De tarde toda a quinta fica banhada em luz cor-de-rosa, a luz dos incomparáveis poentes alentejanos.&lt;br /&gt;Passo o dia na mais vergonhosa ociosidade. Nem sequer leio. Ando em lua-de-mel com este campo, que é o meu. Outro pode deslumbrar os meus olhos, outro posso eu achar mais bonito, porém só a este eu chamo meu… E sabe decerto, Joanninha, que infinita ternura encerra tão pequenina palavra!&lt;br /&gt;Há entre o Alentejo e a minha pessoa mil afinidades. Já reparou quanto influe na nossa maneira de ser a paisagem em que nascemos?&lt;br /&gt;Conheço à légua o alfacinha autêntico que, no colo da ama, frequentava já a Rua do Ouro, subia o Chiado e adormecia ao som dos pregões plangentes…&lt;br /&gt;Conheço o minhoto, conheço o algarvio, conheço o beirão. Todos têm a sua marca inconfundível, mas nenhum é tanto da sua província como o alentejano e nenhum quer tanto à sua província. Corra ele o vasto mundo, passe anos sem a ver… Nunca a esquece. Nunca consegue desenraizar-se. Em toda a parte se acha estranho, tem a nostalgia das longas, desoladas planícies, onde a vista se perde, das charnecas áridas onde só desabrocha a flor da Xara, pequenina rosa selvagem, que se desfolha ao menor contato e dos campos de oliveiras de prata e dos campos de sobreiros com os velhos troncos ensanguentados, e da tristeza que tudo isso exala, tristeza-saudade, ansiosa e vaga; um não sei quê me encanta e faz mal…&lt;br /&gt;A quinta da Ribeira Formosa foi cuidada e linda há… mil anos, quando aqui passei parte da minha alegre e endiabrada infância. Hoje é quase um bosque abandonado que o calor e a seca deste verão ardentíssimo devastaram ainda. Não há uma flor. Muitas árvores morreram. Já não cantam as alegres levadas. Calaram-se as fontes. Na ribeira corre apenas um manso fio de água, mas, à sombra dos pinheiros, está-se bem ainda. O olival conserva o seu bonito loiro cendrado. A vinha enfeita-se de tons vermelhos e quentes.&lt;br /&gt;Demoro-me aqui até quinze ou vinte. Depois vamos para a cidade. Em princípios de novembro estarei em Lisboa.&lt;br /&gt;Hei de ve-la muito. Hei de… Hei de…&lt;br /&gt;Deliciosa coisa fazer planos, embora eles se desmoronem como os castelos de cartas que Therezinha constrói ao meu lado.&lt;br /&gt;In LUZIA, &lt;em&gt;Cartas do Campo e da Cidade&lt;/em&gt;, Portugália Editora. Lisboa, 1923&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33470272-559001059522320297?l=escribalistas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escribalistas.blogspot.com/feeds/559001059522320297/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33470272&amp;postID=559001059522320297&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33470272/posts/default/559001059522320297'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33470272/posts/default/559001059522320297'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escribalistas.blogspot.com/2012/01/luzia-uma-escritora-portalegrense-que.html' title='LUZIA, uma escritora portalegrense que os portalegrenses quase desconhecem...'/><author><name>joaquim maria castanho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13601095424407490659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/SL6Sv6k9KBI/AAAAAAAAA-E/Z5b-jAk0_lE/S220/quim.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-zTIHj3MkQPM/TxA7xPFqgaI/AAAAAAAAEIs/2BpKv_k4pkQ/s72-c/391999_329004770444103_100000037487185_1408205_470496878_n.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33470272.post-4708965124701859365</id><published>2012-01-09T09:06:00.000-08:00</published><updated>2012-01-09T11:14:34.382-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crónicas dos Luís Não Vás'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='PLANOS NACIONAIS'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política criativa'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Notícias do Ocidente Ocidental'/><title type='text'>E viva a língua portuguesa de torna-viagem!</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-bXfuy_HZW5Q/TwsfIdwhkiI/AAAAAAAAEIU/Z7Fg0E7NTUA/s1600/verygood24%2B%25282%2529.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px 0px 10px 10px; width: 400px; height: 314px; float: right; cursor: pointer;" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5695680384027693602" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-bXfuy_HZW5Q/TwsfIdwhkiI/AAAAAAAAEIU/Z7Fg0E7NTUA/s400/verygood24%2B%25282%2529.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;O PÁSSARO EXÓTICO E A ABELHINHA SALOIA&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Em egípcio, gato diz-se «miau». Ora, a novidade!... Isso, até os nossos bebés gatinhantes sabem! Afinal, não é essa a onomatopeia que mais usam para o chamar? Ao gato – digo eu!&lt;br /&gt;Não há dia nenhum que não aconteça algo imprevisível a quem anda ao deus-dará. Ora lhe calha implicarem-lhe com os costumes, ora com as expressões, como com as companhias. O certo é desagradar a muitos, ser indiferente para alguns, tolerado pelos demais, e estimado pela família (mais chegada, ou dos que diretamente de si dependem). Porém, isso não aquenta nem arrefenta quem tem o brio e autoestima levantados ao pulso da cegueira de quem não sabe que, como reitera a voz popular, é bem pior do a que de quem não vê.&lt;br /&gt;Não havendo a mínima razão para gostarmos de nós, sobretudo pelo que de inconfessável acerca de nós mesmos sabemos, desde as observações escatológicas aos erros e vergonhas inauditas, tentamos enlamear os nossos vizinhos com a peçonha de nosso existir, e vai daí que esfregamos trampa por todas as frontarias mais ou menos imaculadas com que nos deparamos. Se nos acertam, nem damos importância ao ocorrido, só para disfarçar e afastar o mau-cheiro. Erguemos as trombas ao céu, e desancamos quem se intrometa entre nós e a ideia que fazemos de nós próprios.&lt;br /&gt;E se quando aprendemos a falar e escrever era suposto estarmos a prestar um enorme serviço à nação e à língua portuguesa, o que por ora salta à vista é que podemos limpar as ventas ao serviço que lhe prestámos. Porque há bestas pra tudo, e a língua não fica de fora. Os puristas do galaico são os maiores e afamados, sobretudo quando se insurgem contra o acordo ortográfico apenas porque se acham os herdeiros diretos da faladura lusitana… E pensam ao litro: isto é – se falam de vinho, duma zurrapa qualquer que foi ao Brasil, Angola, Guiné, Timor ou Moçambique, mas ninguém comprou e teve que voltar, dizem que ganhou qualidade superior tornando-o num torna-viagem de estalar os beiços e dar aos gorgomilos; agora se foi o léxico, a ortografia e gramática da língua pátria que foi aos mesmíssimos lugares distantes e voltou com novas expressões, aperfeiçoada nas fonéticas e valorizada na polissemia, com roupa nova na ortografia e sem maneirismos afetados nas gramáticas, então é um «aqui d’el rei» de achincalhar as repúblicas.&lt;br /&gt;É óbvio que os puristas da língua são os mesmos que quando vão a encontros internacionais, em vez de falar o bom dialeto lusitano se travestem de poliglotas assumidos discursando no inglês de vender pentes e broches, acusando os chefes de Estado dos países de língua oficial portuguesa de não saberem inglês se se dirigem aos presentes em português, como já aconteceu com o Lula da Silva que numa Cimeira Internacional falou português e o nosso político representante da nação usou o inglês técnico dum curso intensivo de fim-de-semana… Mas isso não conta pra nada. Os brasileiros, angolanos, cabo-verdianos, timorenses, goenses, são-tomenses, sentem orgulho em falar e escrever em português, cultivando o idioma dentro e fora de seus países, apetrechando-o de novos termos com cruzamentos indígenas e demais “procriações” alheias aos estrageirismos academicistas e cagofónicos habituais.&lt;br /&gt;Portanto, a coisa está clara e óbvia. O acordo ortográfico veio pra ficar depois de muito jogar lama contra a parede de 170 milhões de falantes por três ou quatro gatos-pingados do negócio da palavra e criação literária. E agora, se querem ser lidos apenas têm que escrever de forma a que nós os entendamos, e não sintamos vontade de atirar os pasquins borda-fora logo ao primeiro parágrafo. Se não, miau!...&lt;br /&gt;Coisa que tanto os nossos bebés como os eruditos egípcios sabem fazer com conhecimento do significado próprio, sobretudo quando reconhecem que aqui há gato escondido com a garrafa de fora…   &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33470272-4708965124701859365?l=escribalistas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escribalistas.blogspot.com/feeds/4708965124701859365/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33470272&amp;postID=4708965124701859365&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33470272/posts/default/4708965124701859365'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33470272/posts/default/4708965124701859365'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escribalistas.blogspot.com/2012/01/e-viva-lingua-portuguesa-de-torna.html' title='E viva a língua portuguesa de torna-viagem!'/><author><name>joaquim maria castanho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13601095424407490659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/SL6Sv6k9KBI/AAAAAAAAA-E/Z5b-jAk0_lE/S220/quim.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-bXfuy_HZW5Q/TwsfIdwhkiI/AAAAAAAAEIU/Z7Fg0E7NTUA/s72-c/verygood24%2B%25282%2529.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33470272.post-438408441365462807</id><published>2011-11-14T03:49:00.000-08:00</published><updated>2011-11-14T09:20:30.850-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crónicas dos Luís Não Vás'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política criativa'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crónicas (In)divisas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>Há felinos com sorte macaca</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/-p6sF25szciY/TsEA5gwoE6I/AAAAAAAAEGs/JAQAahBQAyQ/s1600/2%2B%25282%2529.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px 0px 10px 10px; width: 284px; height: 400px; float: right; cursor: pointer;" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5674817993509966754" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-p6sF25szciY/TsEA5gwoE6I/AAAAAAAAEGs/JAQAahBQAyQ/s400/2%2B%25282%2529.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;O ISCO DO ERRO&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"– Já sei o que houve – exclamou. – Este gato&lt;br /&gt;acaba de anunciar o que aconteceu."&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;In JONH STEINBECK, &lt;em&gt;As Vinhas da Ira&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Há pessoas perante as quais me engano propositada e frequentemente, quer em nomes e datas, como em títulos e autores, correntes literárias e ideologias. Há outras frente às quais nem sequer preciso já de o fazer, a não ser para confirmar se continuam  – ou não – a pensar acerca de mim o que antes pensavam, ou se a sua perceção motivada se mantém acesa e lhe incendeia a visão que a meu respeito têm. Em ambos os casos, porém, concedo-lhes uma vantagem, um atalho para se manterem à frente ou acima de mim, para nunca as perder de vista. Não são de confiança e, normalmente, isso perdura até que lhes dou o golpe de misericórdia, abatendo-as do meu cardápio de conhecidos.&lt;br /&gt;São pessoas que se reputam de nunca admitir que qualquer outra que saiba mais do que elas possa estar certo. Singelas no ofício da maledicência, complicam o que é notório e vêem claramente visto quanto há de mais obscuro, nomeadamente na adivinhação das intenções alheia, projetando as suas. Estas são aquelas para quem a perversão é uma linha de conduta, medida de bom gosto e exemplo de sensatez. Com a experiência de vida perderam a inocência em vez da ingenuidade, quando devia ter sido o contrário, e não esporadicamente até o propalam aos quatro ventos. Ainda há bem tempo um político de nomeada o reiterou em declarações à imprensa, na sequência de um comício.&lt;br /&gt;Mas a magnitude da problemática é geral, quer nos estejamos a referir nacionalmente como a nível europeu. Os gregos fizeram disso uma retórica e os romanos disseminaram-na pelo império, onde teve o seu inegável clímax durante o obscurantismo medieval. E embora o de hoje, não passe de um palimpsesto dessa época, o que é indesmentível é que continua a imperar, a decidir, enfim, a dar cartas onde quer que seja. A literatura não lhe foge à regra. Os ambientes culturais, artísticos, literários, também. E, por mais que nos doa a contradição, é exatamente neles onde a sua manifestação tem superior incidência.&lt;br /&gt;Ainda não faz um mês, tive oportunidade de voltar a usar o erro como isco. Esfaimadas e sequiosas de desforra foram repetir o que eu dissera, e por elas considerado uma gafe monumental. Tiveram azar. Afinal, estava correta a minha afirmação... A lama que pretendiam atirar-me caiu-lhes toda em cima. Agora, andam amuados e ofendidos. Dizem que eu os enganei. Apenas o gato se mantém a tratar-me do mesmo jeito com que anteriormente me tratava, sem sofrer retaliações por tal. Ele continua meigo para mim, e essas pessoas não o tratam mais mal por isso, continuando a dar-lhe os mesmos mimos e atenções. O que é estranho, convenhamos; afinal, foi o gato que me anunciou o que sucedeu...&lt;br /&gt;Há felinos com sorte!   &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33470272-438408441365462807?l=escribalistas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escribalistas.blogspot.com/feeds/438408441365462807/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33470272&amp;postID=438408441365462807&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33470272/posts/default/438408441365462807'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33470272/posts/default/438408441365462807'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escribalistas.blogspot.com/2011/11/ha-felinos-com-sorte-macaca.html' title='Há felinos com sorte macaca'/><author><name>joaquim maria castanho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13601095424407490659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/SL6Sv6k9KBI/AAAAAAAAA-E/Z5b-jAk0_lE/S220/quim.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-p6sF25szciY/TsEA5gwoE6I/AAAAAAAAEGs/JAQAahBQAyQ/s72-c/2%2B%25282%2529.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33470272.post-8785902677707157800</id><published>2011-08-19T02:53:00.000-07:00</published><updated>2011-08-19T02:56:50.157-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='matrizes'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literárias e Divinas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sem Metros Barreiras'/><title type='text'>Fato literário</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-pbF0e7mH9WE/Tk4zUZr5CsI/AAAAAAAAEEs/NrcnpsSVhyc/s1600/lasar%2Bsegall%2B%252822222%2529.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px 0px 10px 10px; width: 400px; height: 299px; float: right; cursor: pointer;" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5642503808727190210" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-pbF0e7mH9WE/Tk4zUZr5CsI/AAAAAAAAEEs/NrcnpsSVhyc/s400/lasar%2Bsegall%2B%252822222%2529.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;O Fato Literário&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Costuma andar seguro hum desarmado&lt;br /&gt;Entre gente esforçada &amp;amp; generosa,&lt;br /&gt;Que não ofende o forte ao descuidado.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;In Francisco Rodrigues Lobo, &lt;em&gt;Égloga VI: Carta ao Leitor, com a Égloga seguinte contra a murmuração&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não importa que algo seja uma declarada mentira, ou que nos afiancem ser uma autêntica peta, daquelas coisas em que o impossível e o desfasado da realidade mais se revelem, em que nem o Diabo acredita, adiantamos, mas se estiver tão bem contada que, para nós, até mereça ser verdade, então a literatura acontece. Os escritores odeiam a realidade e declaram guerra aos desimaginados da vida. E os leitores, é precisamente por isso que os apreciam, ficam em suspenso das suas obras, as tornam na parcela de atualidade onde melhor se acomodam e repousam. Mesmo quando elas os inquietam, agitam e denunciam perante a mundanidade vigente.&lt;br /&gt;Portanto, pretender que a literatura tem fins definidos e está ao serviço de causas maiores, até de ideologias que seja, é desconhecer em absoluto o que é um fato literário, isto é, desconhece que este é tão-só um transporte (veículo) de ideia, sentimento, emoção, artefacto, produto cultural, sensação, deleite ou provação, entre um mundo e o outro, entre o universo dos espíritos e das essências e o universo da matéria e das formas. Escrever é fazer aparecer ou desaparecer coisas que antes não existiam, ou existindo, ninguém as via dessa maneira. É milagre; é – mas não desses que transcendem o ser e migram para as esferas do divino e do paranormal. É milagre; é – mas somente porque embriaga sem álcool ter. E todavia, mesmo quando nada muda e nada altera, tudo muda em nós como fora, incluindo quanto do assim que fora sempre e imutável parecera, mas de um momento para o outro se transfigurou e assumiu qualidades jamais observadas.&lt;br /&gt;Isto é, porque um fato pode ser um fato mas também é literário, o que faz toda a diferença. Ter uma fotografia de uma terra ou uma descrição das vivências tidas nessa terra, embora a mão que registou ambas seja exatamente a mesma, torna-as caprichosamente díspares, podendo nelas haver igualmente aquela intenção estética que transforma uma fotografia numa obra de arte, ou uma reportagem numa peça literária. Quanto escuto um fato literário, sem que ninguém haja pronunciado qualquer som ou palavra, faço uma coisa muito diferente de ler um enunciado escrito numa das línguas que consigo decifrar. Escuto-o com imagens que não me estão acessíveis pela visão. Compreendo-o, deixo que ele altere todo o meu sistema consciente e inconsciente, os meus órgãos, vísceras, sentidos, ânimo, atividade cerebral e motivação, reagem-lhe, às vezes até de forma aversiva, mas eu não posso fazer nada para o evitar. Quanto muito, reconhecerei que gosto ou não gosto, que pode haver ou não coerência entre as suas partes, admitir que lhe correspondem um princípio, meio e fim, bem como uma indivisibilidade insofismável, porém, sem a mínima possibilidade de interferência nesse processo.&lt;br /&gt;Posso até colaborar ou implicar com o autor, reconhecendo-lhe valia ou não; todavia, se a sua literalidade já foi definida, tal como ao seu criador, estou totalmente impotente quanto a inverter ou reiterar essa classificação. É literário, logo ninguém mais terá mão nele. Mete fora do conceito de realidade toda e qualquer noção que dele se possa fazer. Posso mesmo criticá-lo, interpretá-lo, analisá-lo, valorizá-lo, que tudo lhe será indiferente. Os outros podem ainda subescrever a minha crítica, ou serem-lhe opositores, que jamais o beliscaremos.&lt;br /&gt;Ou seja, conforme lembrou Francisco Rodrigues Lobo lá no longínquo da sua Corte de Aldeia, onde o século XVI se espraiava com a espuma dos dias, e o tempo se media pela curvatura do Sol, não carece ao fato literário andar armado em sabichão e pretensioso erudito, nem escorar-se na filosofia das verdades incontestáveis ou (estatísticas) da realidade inegável, para andar seguro e reconhecido, desde que frequente ambientes de gente esforçada e generosa, a quem o mundo nunca acaba na ponta do nariz, para se ver entendido e admirado. Porque ele é o grão de que se há de fazer o pão que saciará os esfaimados de sonho e de esperança, que são os quantos nunca esquecem que das maiores invenções que a humanidade teve conhecimento foi ela mesma. E a literatura o espelho onde pode ver-se, refletir-se, admirar-se, abonecar-se, maquilhar-se, sublinhar-se, repetir-se, distorcer-se, cristalizar-se e sublimar-se. Enfim, o seu argumento essencial…   &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33470272-8785902677707157800?l=escribalistas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escribalistas.blogspot.com/feeds/8785902677707157800/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33470272&amp;postID=8785902677707157800&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33470272/posts/default/8785902677707157800'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33470272/posts/default/8785902677707157800'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escribalistas.blogspot.com/2011/08/fato-literario.html' title='Fato literário'/><author><name>joaquim maria castanho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13601095424407490659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/SL6Sv6k9KBI/AAAAAAAAA-E/Z5b-jAk0_lE/S220/quim.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-pbF0e7mH9WE/Tk4zUZr5CsI/AAAAAAAAEEs/NrcnpsSVhyc/s72-c/lasar%2Bsegall%2B%252822222%2529.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33470272.post-5914850941039309426</id><published>2011-08-07T10:46:00.000-07:00</published><updated>2011-08-07T10:52:06.771-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Textos READCOM'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='textos alheios'/><title type='text'>Um Conto de Georges Lorinczy</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/-8JyWD_ZZAdM/Tj7Qp43wK9I/AAAAAAAAED8/dRMGkNj8A2A/s1600/Strand%2B005%2B%25283%2529.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px 0px 10px 10px; width: 291px; height: 400px; float: right; cursor: pointer;" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5638173201573882834" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-8JyWD_ZZAdM/Tj7Qp43wK9I/AAAAAAAAED8/dRMGkNj8A2A/s400/Strand%2B005%2B%25283%2529.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;O CADETEZINHO DE FRIBURGO&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Georges Lorinczy*&lt;br /&gt;Tradução de Cristiano Lima&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Que um herói de romance não seja de condição a encarar, como um modelo exato e preciso, o bom senso na vida é o que, no fim de contas, ninguém melhor do que nós o sabe. O herói do romance está em pé de guerra com tudo o que, na vida representa o bom senso. Mais: ele está tão em pé de guerra com o bom senso como com a vida. O primeiro dever de um herói de romance é ser interessante, senão nem um gato lerá o romance de que ele é herói. E, nesse caso, pergunto-lhes para que serve ser herói de romance e se vale a pena afadigarmo-nos a escrever a sua história, visto que só temos uma preocupação: interessar o leitor. Numa palavra: é necessário que o herói de romance seja um herói dos pés à cabeça. Seja que herói seja, ele só deve ser herói.&lt;br /&gt;O cadetezinho de Friburgo era um herói verdadeiro, um autêntico herói. Ou antes, ele vai tornar-se um herói: herói da vida ou herói de romance, pouco importa. O que é certo é que vale a pena ocuparmo-nos dele. Também, se assim não fosse, não diríamos uma palavra.&lt;br /&gt;O que o cadetezinho de Friburgo nos diz respeito é uma coisa de que não nos sentimos obrigados a dar contas. Todos sabem que, de fato, tudo o que existe sobre o mundo nos interessa. E o cadete de Friburgo com soja razão, pois foi ele que nos ensinou a língua francesa.&lt;br /&gt;Conformando-nos com o velho princípio in medias res, vamos precipitar-nos de um salto para o meio do romance.&lt;br /&gt;A falar a verdade, não foi a meio do romance mas na grande estrada de Tarnocz que o cadetezinho de Friburgo encontrou Simon Simonyi, Simon «o Forte», que não era célebre apenas pela sua força física mas também pela força do seu espírito, à qual deveu ser eleito subprefeito do condado de Bars. É conveniente saber-se que, neste tempo, isto é, em 1861, o único caminho-de-ferro que existia na Hungria era o que ligava as cidades de Peste, Erseknjvar, Pretesburgo, Marchegg e Viena. Os nossos bons primos, os austríacos, que nessa época exerciam ainda, na Hungria, um poder discricionário, tinham mandado construir esta linha única, a qual era para eles tão urgente e necessária como o é uma mosca para uma aranha. Ao enriquecermos, deste modo, o nossos conhecimentos de história natural, resolvemos um velho problema, porque, sabendo como morrem as moscas, ficam igualmente a saber como engordam as aranhas. A estação de caminho-de-ferro mais importante da Hungria do Norte era a de Tarnocz. Ali é que os habitantes da Alta Hungria tomavam o combóio, quer o destino da sua viagem fosse Peste ou Viena. E também ali se apeavam, quer chegassem de Peste como de Viena.&lt;br /&gt;No caso que nos ocupa, Simon Simonyi, Simon «o Forte», chegara de Viena a Tarnocz, onde o cocheiro, de libré de gala, o esperava no seu break igualmente de gala. Simon o subprefeito, Simon «o Forte», saltou rapidamente para o carro, e logo em seguida saltou não menos rapidamente para o chão. Uma charrette tombada barrava o caminho.&lt;br /&gt;Simon Sdimonyi, como homem experimentado, examinou a situação num golpe de vista. Ao lado da charrette voltada, a roda estava no chão. Um homem esforçava-se por a meter no seu lugar. Mas não o conseguia. Simon Simonyi não disse nem uma nem duas: dirigiu-se à charrete e, em trinta segundos, ficou ela assente nas suas quatro rodas. O condutor da charrete trepou para o seu lugar. Simonyi acenou-lhe e disse em tom jovial:&lt;br /&gt;– A estrada está livre.&lt;br /&gt;Do fundo da charrette alguém agradeceu em francês:&lt;br /&gt;– Obrigado, meu caro senhor.&lt;br /&gt;Só então Simon o acrobata olhou para o viajante. E teve um gesto de surpresa:&lt;br /&gt;– Olha quem ele é: o Sr. Pugin!&lt;br /&gt;Reconheceram-se. Coube, então, ao Sr. Pugin a vez de se regozijar.&lt;br /&gt;– Que feliz acaso! Sou eu, de fato, Sr. Chimoni.&lt;br /&gt;Pugin, o francês, era também uma celebridade: um homem elegante que há dez anos ensinava francês, de castelo em castelo, aos húngaros da Alta Hungria. Vinha precisamente de Neczpal, no condado de Turova, onde fora durante dois anos hóspede e professor de francês dos Justh, no seu famoso castelo duplo. Aqui, neste castelo alegre e hospitaleiro, Simon Simonyi e Leon Pugin tinham-se divertido juntos, diversas vezes.&lt;br /&gt;– Eu vou a Peste, Sr. Chimoni – acrescentou ele. – E o senhor?&lt;br /&gt;– Eu vou festejar o aniversário de um amigo. Faria bem em me acompanhar&lt;br /&gt;– E quando regressaríamos?&lt;br /&gt;– Quando tivéssemos cozido a nossa embriaguez. Além disso, o senhor encontra Peste sempre que queira, ao passo que só há no ano um dia de S. Guilherme.&lt;br /&gt;Pugin refletiu. Mas nem a oferta sedutora nem a reflexão foram perdidas, tanto a oferta era vaga quanto sedutora e prometedora de distrações. Nesta época, a juventude não ia ao castelo para dormir, mas para se recrear. Não se ouvia apenas ressoar o pandeiro dos guizos de zíngaro mas também as esporas. E nem um nem as outras convidavam a dormir, mas a folgar. Pugin acabou por saltar para o break de Simonyi. Nem perguntou onde o levava nem onde se festejava S. Guilherme. O que era bom para Simonyi não podia ser mau para Pugin. Uma hora depois, apeavam-se em Ivanka, em casa de Guilherme Toth.&lt;br /&gt;A festa em Ivanka durou muito tempo para o cadete de Friburgo. Pugin passou perto de dez anos em Ivanka. Ensinou francês a Guilherme Toth, a sua mulher e aos seus três lindos filhos e, mais tarde, aos três netos, os três lindos rapazes de Turocz.&lt;br /&gt;Nesse tempo as velhas terras nobiliárias húngaras estavam ainda integralmente nas mãos dos húngaros, como todas as virtudes e todo o encanto ancestral dos castelos. Graças à sua hospitalidade serena e amável, o estrangeiro tinha logo nos primeiros momentos a impressão de que estava em sua casa. Guilherme Toth, que foi mais tarde ministro do Interior, depois presidente do Tribunal de Contas e, enfim, membro da câmara dos Magnates; que foi o braço direito e o íntimo de Francisco Deak, era, então, apenas o jovem deputado pelo círculo de Nyitra, na Dieta húngara, mas, na opinião pública, o herdeiro e a esperança de uma carreira fulgurante. Sua mulher, uma Kossovich, era o encanto e o espírito personificado.&lt;br /&gt;O nosso amigo francês, o honrado Pugin, o cadete de Friburgo, era uma individualidade ainda mais complicada, quanto mais não fosse, pelo seu passado movimentado. Batizámo-lo de «cadetezinho de Friburgo», porque o romance tumultuoso da sua existência principiara nesta qualidade e neste sentido, pois ele começara a vida na escola de cadetes, em Friburgo. Nascido na Suíça francesa, aos &lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-mHEI5V97JgQ/Tj7QMlMuBNI/AAAAAAAAED0/GcVcQl70YBM/s1600/Strand%2B003%2B%25283%2529.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px 10px 10px 0px; width: 306px; height: 400px; float: left; cursor: pointer;" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5638172698076906706" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-mHEI5V97JgQ/Tj7QMlMuBNI/AAAAAAAAED0/GcVcQl70YBM/s400/Strand%2B003%2B%25283%2529.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;doze anos era já cadete da escola de Friburgo. Era já, nessa época, um aluno atleta: a sua bela cabeça de leão coroava um corpo vigoroso. A cidade de Friburgo estava então envolvida na guerra civil. A população revoltada cercara a fortaleza onde tinham instalado a escola, e nesta encontrava-se o cadetezinho de Friburgo, Leon Pugin. Foi ele que, uma noite, descobrindo que os insurretos preparavam um assalto, deu o alarme. Avisou a guarda, e toda a escola militar, com seu pessoal e a tropa, repeliu vitoriosamente a investida dos assaltantes. É claro que o nosso cadetezinho de Friburgo tomou parte neste combate noturno, e portou-se heroicamente.&lt;br /&gt;Após a batalha, o comandante da praça ofereceu-lhe uma espingarda de honra, a título de distinção, de recompensa e de recordação de um irmão de armas.&lt;br /&gt;O cadetezinho de Friburgo tomara parte no combate apenas para satisfazer a sua ânsia de aventuras. Fugiu depois da escola de cadetes. Foi parar à Polónia russa e viu-se envolvido numa aventura espantosa, na corte de não sei que espécie de grã-duquesa russa, na sua qualidade de professor de francês. O grão-duque era um autêntico grão-duque de opereta: ciumento e brutal. Mandava guardar por cossacos a sua mulher, uma polaca nova e linda.&lt;br /&gt;A bela infortunada detestava naturalmente seu amo e senhor. O nosso cadetezinho, de coração muito inflamável, tornara-se um lindo rapaz, e o elegante mestre de francês, mestre não só na linguagem como na sedução. Não havia ninguém como ele para saber contar uma anedota. Acompanhava, com os gestos e uma fogosa mímica, as suas narrações variadas, e exercia um encanto mágico sobre a sua bela auditora, educada no ambiente das formas glaciais do cerimonial aristocrático.&lt;br /&gt;O romance complica-se. O grão-duque não está em casa. É meia-noite. Tudo dorme. Os dois cossacos, guardas da fé conjugal na antecâmara da grã-duquesa, dormem também. No corredor tenebroso, alguém desliza a passo de lobo para o quarto da bela prisioneira. Com precaução, passa por cima do corpo dos cossacos adormecidos. E depois… Traição!... Como numa opereta… Os traidores caem sobre os amorosos, no momento em que eles menos esperavam. Em recordação deste perigo mortal, a mulher meteu um anel no dedo do cavalheiresco francês. E o cavalheiresco francês atirou-se cavalheirescamente de uma janela. Foi direito a casa do pope da aldeia. Era o único homem que tinha um cavalo. Deu-lho para ele fugir. O outro dirigiu-se para a floresta. Através de montes e vales, saltou fossos e toda a espécie de obstáculos, sem mesmo saber o que fazia. No seu encalço, cercando-o de perto, os cossacos lançaram-se em sua perseguição… Esfomeado, transtornado, esgotado, com o fato em farrapos, depois de dias sem repouso e de noites sem dormir, chegou a território húngaro. E foi só em Neczpal, no condado de Turocz, que ele pode finalmente descansar e recomeçar uma vida digna de um homem.&lt;br /&gt;Nos dias de tranquilidade que depois teve, gostava de contar as suas atribulações e aventuras, muitas vezes num tom de satisfação e de alegria, ao mesmo tempo subtil e sonhador. Mas às vezes entusiasmava-se com a narrativa. Soltava profundos suspiros e sacudia a sua bela cabeça de leão, principalmente se lhe sucedia falar com a grã-duquesa.&lt;br /&gt;– E o que é feito desse famoso anel? – Perguntei-lhe um dia.&lt;br /&gt;O olhar de Pugin encheu-se de melancolia. Pareceu-me que, sobre a testa, lhe passavam nuvens.&lt;br /&gt;– Ah, o anel? Ela tirou-mo…&lt;br /&gt;– A grã-duquesa?&lt;br /&gt;– Não. A primeira ribeira da Polónia que atravessei a vau… Deixei-o cair no Dunajec…&lt;br /&gt;      &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;* Nasceu em 1860. Enquanto membro da Academia Petofi, foi um escritor de tendência acentuadfamente naturalista. Entre os seus melhores romances figuram &lt;em&gt;Os Potentados da Aldeia, Sobre a Minha Terra&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;O Monte de Vidro.&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33470272-5914850941039309426?l=escribalistas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escribalistas.blogspot.com/feeds/5914850941039309426/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33470272&amp;postID=5914850941039309426&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33470272/posts/default/5914850941039309426'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33470272/posts/default/5914850941039309426'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escribalistas.blogspot.com/2011/08/um-conto-de-georges-lorinczy.html' title='Um Conto de Georges Lorinczy'/><author><name>joaquim maria castanho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13601095424407490659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/SL6Sv6k9KBI/AAAAAAAAA-E/Z5b-jAk0_lE/S220/quim.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-8JyWD_ZZAdM/Tj7Qp43wK9I/AAAAAAAAED8/dRMGkNj8A2A/s72-c/Strand%2B005%2B%25283%2529.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33470272.post-8060036603914667649</id><published>2011-08-04T08:16:00.000-07:00</published><updated>2011-08-04T08:20:34.996-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crónicas dos Luís Não Vás'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crónicas do (E)Leitor'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política criativa'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crónicas (In)divisas'/><title type='text'>Troikas à portuguesa</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/-DUx7Z7MbcvQ/Tjq4so41DZI/AAAAAAAAEDk/CiLItL8SW1w/s1600/vida%2Bsocial%2B%25282%2529.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px 0px 10px 10px; width: 376px; height: 400px; float: right; cursor: pointer;" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5637020960637128082" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-DUx7Z7MbcvQ/Tjq4so41DZI/AAAAAAAAEDk/CiLItL8SW1w/s400/vida%2Bsocial%2B%25282%2529.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Toma, que é prò tabaco!&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O Estado terá de ser mais flexível e versátil, para acomodar os pequenos impérios de diferenças que nos vão sendo revelados e a atitude cultural em que se consubstanciam.”&lt;br /&gt;In Francisco Pinto Balsemão, &lt;em&gt;Progresso Social e Democracia&lt;/em&gt;, nº 3/4&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Acabou o tempo do fazer política brincando ao fingir que está tudo bem, derramando ilusão por todos os meios, estatais e públicos, como privados ou corporativos, alimentando o regabofe e ramboia de uns à custa dos demais, incluindo daqueles que nasceram há pouco ou ainda nem sequer foram congeminados. Segundo o ministro da economia, o seu ministério, só em carrões e respetivos choferes, além de outras ostentações inequivocamente ofensivas para os cidadãos comuns que entraram obrigatoriamente nas ações de austeridade nacional, o glamour e finess do palacete e seus palacianos, é de bradar aos céus. Neste, caso, à Troika bendita, por cujo memorando nos vamos alinhar nesta legislatura; porque quem deve, tem que pagar, e quem se compromete tem obrigatoriamente de cumprir, coisa que o Estado com o establishment português apenas entendia como à moda das scuts de sentido único: se for pessoa, contribuinte, cidadão lá vem penhora e juros de mora, mas se for instituição pública, autarquia, fundação e ministério, é tão-só modalidade normal, tradicional e modus operandi estabelecido e “legal” – atrasos e contas, só os nossos e no pagar.&lt;br /&gt;É claro, que os senhores da logística e do capital lhe franziu o nariz. Não gosta de coisas simples, efetivas, eficazes, baratas, sustentáveis, honestas, francas, diretas e sem percentagem à vista por derivados e afins. Isto está mau, mas também não é para tanto. Erros qualquer um comete, que é para isso que somos humanos, defendemos o humanismo e reivindicamos o antropocentrismo, e não entremos agora a alardear com exigências de responsabilidade, rigor e resolução do défice e do endividamento, senão ficamos sem nada pra fazer nem onde ganhar a vida – pensam eles, não o dizendo, claro está, mas deixando que a expressão e o semblante fale por eles.&lt;br /&gt;Outros, aqueles que votaram no Salazar para personalidade do século passado, desabafam entre si que murumurando um «porra: isto do Salazar, era a brincar, só pra chatear os comunas…», mais ou menos convicto, tentando inverter a marcha, alguns mesmo afiançando estarem deveras arrependidos com a expulsão do Sócrates para outras cicutas e Sorbones. Se razão lhes assiste, é no não terem pensado antes, porém, considerando que nunca fizeram de outro jeito, não se vislumbra maneira de alterar o provérbio popular que enuncia que burro velho não aprende línguas, porquanto todos sabemos não haverem outros veículos mais eficazes para materializar, realizar, demonstrar o pensamento – as ditas e cujas com que se fala. Nem melhor reforma do que aquela que é ministrada pelos reformadores que, como todos sabemos desde que E. Hubbard o disse, “são aqueles que educam o povo a apreciar aquilo de que precisam”.&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-ardWKICmtQM/Tjq4UOf-mpI/AAAAAAAAEDc/HpqSftMMFgA/s1600/montemor%2B001%2B%25282%2529.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px 10px 10px 0px; width: 400px; height: 225px; float: left; cursor: pointer;" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5637020541236714130" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-ardWKICmtQM/Tjq4UOf-mpI/AAAAAAAAEDc/HpqSftMMFgA/s400/montemor%2B001%2B%25282%2529.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Provavelmente, aqueles que leram as minhas crónicas no Fonte Nova devem estar lembrados do lá se dizia. Foi até por elas que alguns me chamaram de iluminado, pondo ênfase precisamente no termo, daquela forma brilhante que o português lhes propicia afirmar o contrário de uma coisa nomeando-a. Alberto João Jardim deu-lhes a resposta agora, através da SIC como suplemento vitamínico madeirense prò continente e seus continentais adjacentes. Não perderam pela demora!&lt;br /&gt;Ou seja, os portugueses espertaram, e já não se deixam comer por trouxas por todos aqueles que dizem defender as suas ideologias, que ter partido ou abanar a bandeirinha não é mais livre-trânsito para a função, nem o tripudiar dos utentes/utilizadores um abono de garantia no posto de trabalho, quer se esteja anexo às autarquias como ao poder central – ou paralelo. A flexibilidade deve reger-se pela competência, e os incompetentes têm que deixar de ser um ativo na administração nacional. Se não, ficamos todos troikados! &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33470272-8060036603914667649?l=escribalistas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escribalistas.blogspot.com/feeds/8060036603914667649/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33470272&amp;postID=8060036603914667649&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33470272/posts/default/8060036603914667649'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33470272/posts/default/8060036603914667649'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escribalistas.blogspot.com/2011/08/troikas-portuguesa.html' title='Troikas à portuguesa'/><author><name>joaquim maria castanho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13601095424407490659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/SL6Sv6k9KBI/AAAAAAAAA-E/Z5b-jAk0_lE/S220/quim.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-DUx7Z7MbcvQ/Tjq4so41DZI/AAAAAAAAEDk/CiLItL8SW1w/s72-c/vida%2Bsocial%2B%25282%2529.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33470272.post-744460956186188692</id><published>2011-08-01T08:58:00.000-07:00</published><updated>2011-08-01T09:02:45.885-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sem Metros Barreiras'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Bucólicas e Sadias'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Lendas e Narrativas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>Presságio</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;color:#993399;"&gt;PRESSÁGIO&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="margin: 0px 0px 10px 10px; width: 314px; height: 240px; float: right; cursor: pointer;" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5635917985611884386" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/--pbDk59ShPk/TjbNjCuhp2I/AAAAAAAAEDE/Dkx2anH1Ldo/s400/ManRay-Return-to-Reason-1923%2B%25282%2529.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Ao contrário daquilo que pretendo fazer-vos crer&lt;br /&gt;Nem tudo em mim é pura e singela transparência&lt;br /&gt;Também tenho segredos alguns inconfessáveis&lt;br /&gt;Difíceis de dizer, de calar, de escrever, de expelir&lt;br /&gt;De deixar esquecidos numa qualquer rua, esquina&lt;br /&gt;De grafitar nas paredes de alguma casa em ruínas&lt;br /&gt;De abandonar em banco de jardim ou gare ferroviária&lt;br /&gt;De acondicionar entre os livros da biblioteca pública&lt;br /&gt;De encaixotar no sótão com demais trastes e bibelôs&lt;br /&gt;De meter na gaveta das trivialidades preciosas&lt;br /&gt;Junto aos cromos da bola, aos porta-chaves, fotografias&lt;br /&gt;Calendários pornográficos, bilhetes de teatro ou concertos&lt;br /&gt;Recortes de fait-divers, catálogos de exposição, clipes&lt;br /&gt;Botões invulgares, relógios avariados e colchetes ímpares,&lt;br /&gt;Embora me tenha esforçado capciosa e exaustivamente&lt;br /&gt;Rasteirando-me amiúde ou tentando desmascarar-me&lt;br /&gt;Pra nada permitir oculto de mim e de meus semelhantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas ontem à noite, ao deitar-me, tinha uma aranha&lt;br /&gt;Pequena e quase negra sobre a colcha branca da cama&lt;br /&gt;Por cuja pose serena, pacificadora, sem o mínimo temor&lt;br /&gt;Sem qualquer expressão de surpresa parecia aguardar-me&lt;br /&gt;Que não tive coragem de afugentar e muito menos de matar&lt;br /&gt;E a quem fiz com que me subisse prà concha da mão direita&lt;br /&gt;A fim de pô-la num lugar da casa raramente frequentado&lt;br /&gt;Num dos quartos vagos e sem serventia que me sobram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi um momento solene, de sublime suspensão religiosa&lt;br /&gt;E sustida respiração com receio que ao expirar a incomodasse&lt;br /&gt;O ar exalado viesse inquietá-la ou lhe inspirasse a fuga&lt;br /&gt;O susto, o pânico, algo lhe subtraísse a letargia apaziguadora.&lt;br /&gt;Contornei móveis, transpus portas, percorri salas e corredores&lt;br /&gt;Todavia, como se adivinhado tivesse a solidão dos quartos&lt;br /&gt;A prisão de silêncio para que estava disposto a atirá-la&lt;br /&gt;Ei-la num ápice saltando sem que pudesse evitar-lhe o sumiço&lt;br /&gt;Deixando-me estático para que a não pisasse sem ver&lt;br /&gt;A molestasse involuntariamente ou, enfim, a matasse&lt;br /&gt;No precipitado comum dos gestos irreversíveis e fatais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adormeci com a porta do quarto entreaberta... Mas demorei&lt;br /&gt;Custou-me adormecer e passei a noite em sobressalto&lt;br /&gt;Sonhando acidentes vários, tempestades, desertos gelados&lt;br /&gt;Catástrofes mais que perfeitas me obrigaram a acordar&lt;br /&gt;E, durante todo o dia de hoje, andei na casa em bicos de pés&lt;br /&gt;À coca, com cuidado e atentando bem ao dar os passos&lt;br /&gt;Compungido e ansioso por reencontrá-la e trazê-la de volta&lt;br /&gt;Depo-la novamente no meu quarto, rogando-lhe perdão...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei que vos pode parecer esquisito este clima de segredo&lt;br /&gt;Este suspeitoso ar de mistério e culpa por um ser ínfimo&lt;br /&gt;Insignificante de quatro pares de patas e baba de seda&lt;br /&gt;Não obstante gregos e egípcios em sua teia revejam o destino&lt;br /&gt;E os cristãos lhe concedam as tramas e ciladas de satanás&lt;br /&gt;Ou o sustentáculo do conjunto da vida como querem os celtas,&lt;br /&gt;Casa e tabernáculo da Grande Mãe devoradora de fomes e homens&lt;br /&gt;Insaciável poço de vertigem, sofreguidão e imperiosas urgências.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    *  *  *&lt;br /&gt;Sete dias se passaram convém não esquecer, sei-o muito bem&lt;br /&gt;Porém também não desconheço que a culpa não foi minha&lt;br /&gt;Mas da alma que me arregoou em todos os sentidos possíveis&lt;br /&gt;De júbilo, de alívio, de euforia, de arrebatamento, enfim de tudo&lt;br /&gt;Pois voei de mim desde que a voltei a encontrar, inconfundível&lt;br /&gt;Precisamente ao canto esquerdo do espelho rectangular, de manhã&lt;br /&gt;Na casa de banho quando fui barbear-me, lavar inclusive o rosto,&lt;br /&gt;E ali ficou a olhar-me, vendo-me a ver-me na limpeza diária das faces&lt;br /&gt;Ou a iluminar-me de outra luz para além daquela jorrada da lâmpada&lt;br /&gt;Semeando-me enxadas digitais para softwares de enredo e mistério&lt;br /&gt;Tecendo-me a realidade com diferentes pontos e linhas num morse&lt;br /&gt;De seda cinza onde adivinhar e domesticar frágeis sinas ou futuros&lt;br /&gt;Rumos pendulares, parabólicas intercepções oscilantes entre céus&lt;br /&gt;Reinos da alma fugida, exilada do corpo durante os sonos da noite&lt;br /&gt;Contudo recuperada pela aurora no canto esquerdo do plano reflexo,&lt;br /&gt;Espelho esse que mais tarde abandonou para subir ao tecto&lt;br /&gt;Instalar-se como estrela de oito pontas no vértice superior direito&lt;br /&gt;Exactamente no ângulo feito entre as paredes e o estuque cimeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    *  *&lt;br /&gt;Agora deixei, é certo, de andar na casa com receio de pisá-la&lt;br /&gt;E a desenvoltura nas lides ganhou aquela lesta espontaneidade&lt;br /&gt;De quem não necessita de se resguardar da terra que habita&lt;br /&gt;Do chão que pisa, da pele que o envolve, do querer que o anima.&lt;br /&gt;No entanto, sempre que saio de casa tenho de confirmar onde fica,&lt;br /&gt;Mal regresso é a primeira coisa que faço, a ver se ainda lá está,&lt;br /&gt;E nunca me deito ou adormeço sem antes lhe ir desejar boas noites.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensei que fosse superstição, ritual de incorporar alguém querido&lt;br /&gt;De quem sinto a ausência e me prendeu nessa teia de palavras&lt;br /&gt;Onde germinam e proliferam as essências secretas dos predicados&lt;br /&gt;A alquimia dos verbos que transitam entre os planos semânticos&lt;br /&gt;E faz fluir a eternidade tornando-a una e transversal às gerações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Supus ser a tecedeira da rede de afectos que me pescou a alma&lt;br /&gt;A cerziu em passagens serenas e assimétricas de emalhar sentidos&lt;br /&gt;Cruzar pontos, atar hífens, justapor ritmos e rimas da paleta sonora&lt;br /&gt;Ou preencher o vazio do cosmos com as linhas que o sustenham&lt;br /&gt;Réplicas do DNA universal comum a todos os elos da espiral da vida,&lt;br /&gt;As ligações que irmanam os seres e espécies da casa na geografia&lt;br /&gt;Interior a que axónios íntimos jamais negaram a sinapse das falas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/-pBsFiCBzDmc/TjbNtKChgbI/AAAAAAAAEDM/wbC8_pfSrF4/s1600/Uliana_Lopatkina_muchos_mejor_bailarina_mundo%2B%25282%2529.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px 10px 10px 0px; width: 340px; height: 250px; float: left; cursor: pointer;" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5635918159373500850" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-pBsFiCBzDmc/TjbNtKChgbI/AAAAAAAAEDM/wbC8_pfSrF4/s400/Uliana_Lopatkina_muchos_mejor_bailarina_mundo%2B%25282%2529.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Acreditei que fosse o espírito ancestral congeminando as sortes&lt;br /&gt;Os anseios de olhar o céu que nos tornam únicos porque adoramos&lt;br /&gt;Infringimos a lei dos deuses roubando-lhe o fogo de forjar a matéria&lt;br /&gt;E a vontade, moldando sobre a bigorna do tempo os próprios símbolos&lt;br /&gt;Véu de ilusão, ovo de Maya, expressão da prodigiosa criação da beleza&lt;br /&gt;Lídia dotada, efémera Aracne tecelã dos amores dos deuses pelos mortais&lt;br /&gt;Ferida por Atena e sua lançadeira no castigo da ambição demiúrgica,&lt;br /&gt;Qual Anansé que amassou e moldou a farinha dos primeiros homens&lt;br /&gt;Que criou o sol e as estrelas, força realizadora da meditação intuitiva&lt;br /&gt;Primórdio inicial de todos os seres e interioridade preciosa do cosmos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, nenhuma justificação me satisfez... Nem o seu consentimento&lt;br /&gt;Me foi dado observar, até que subi ao bordo da banheira e observei&lt;br /&gt;De muito perto, tão perto que os seus cinco olhos me fitaram de viés&lt;br /&gt;Me saudaram num ínfimo pestanejar de assentimento pacificador,&lt;br /&gt;Ditaram que no pentágono dos sentidos o núcleo governa o todo&lt;br /&gt;E esse é tido e ordenado pelo soslaio que emite aos quatro cantos&lt;br /&gt;Aos quatro elementos naturais, terra, ar, fogo e água, carne, respiração,&lt;br /&gt;Calor e sangue, cérebro, pensamento, sexo e amor, língua, cultura,&lt;br /&gt;Arte e poema, aliás simples e trôpega cópia do teu olhar na segunda fila&lt;br /&gt;No balcão dos conteúdos escondidos em cifra humana e literária&lt;br /&gt;Metáforas vivas da arca de acácia onde a humanidade guarda o sonho&lt;br /&gt;Que nos sonha, inventando-nos à sua imagem e dela testemunhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Indubitavelmente o teu soslaio, magma que te esculpe o sorriso&lt;br /&gt;No rosa cintilante das faces sob os arcos lunares dos cabelos castanhos&lt;br /&gt;Tensos mas tombados como um manto, duplo véu de Vénus&lt;br /&gt;Moldura de enigma e mistério, seda de abrigo para Moura Encantada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      *     &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem tudo em mim é simples e pura transparência como supõem...&lt;br /&gt;E quero fazer crer. Por exemplo, acabei agora de dizer o teu nome&lt;br /&gt;Como presságio de reencontro, e somente tu o saberás ouvir, ler&lt;br /&gt;Reconhecer entre todas as palavras que vagueiam e se espraiam&lt;br /&gt;Na enseada da voz, no delta da fala, à sombra dos oásis do poema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;           &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33470272-744460956186188692?l=escribalistas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escribalistas.blogspot.com/feeds/744460956186188692/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33470272&amp;postID=744460956186188692&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33470272/posts/default/744460956186188692'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33470272/posts/default/744460956186188692'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escribalistas.blogspot.com/2011/08/pressagio.html' title='Presságio'/><author><name>joaquim maria castanho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13601095424407490659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/SL6Sv6k9KBI/AAAAAAAAA-E/Z5b-jAk0_lE/S220/quim.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/--pbDk59ShPk/TjbNjCuhp2I/AAAAAAAAEDE/Dkx2anH1Ldo/s72-c/ManRay-Return-to-Reason-1923%2B%25282%2529.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33470272.post-7275160665344762972</id><published>2011-07-31T15:03:00.000-07:00</published><updated>2011-07-31T15:06:40.433-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literárias e Divinas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='textos alheios'/><title type='text'>Fábulas Fantásticas, de Ambrose Bierce</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-9mHk3IjGlQA/TjXR35lodbI/AAAAAAAAEC0/VC7wSJalIj8/s1600/f%25C3%25A1bulas%2Bfant%25C3%25A1sticas.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px 0px 10px 10px; width: 132px; height: 244px; float: right; cursor: pointer;" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5635641267005715890" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-9mHk3IjGlQA/TjXR35lodbI/AAAAAAAAEC0/VC7wSJalIj8/s400/f%25C3%25A1bulas%2Bfant%25C3%25A1sticas.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;O DESTINO DO POETA&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Jornadeava um Objeto pela estrada real, repleto de meditações e munido de mais coisa nenhuma, quando de súbito se viu ante as portas de uma grande cidade. Tendo pedido autorização para entrar foi preso sob a suspeita de acreditar em ritos e levado à presença do Rei.&lt;br /&gt;– Quem é o senhor e que profissão é a sua? – Perguntou-lhe o Soberano.&lt;br /&gt;– Sou Carlos, o Larápio, gatuno de esticão – respondeu o Objeto com grande rapidez de inventiva.&lt;br /&gt;O Rei ia-o mandar soltar quando o Primeiro-Ministro sugeriu o exame aos dedos do detido. Verificou-se que eram muito achatados e calosos.&lt;br /&gt;– Ah! – exclamou o Monarca – eu bem vos tinha dito! O nosso homem dedica-se a contar sílabas. É poeta. Entreguem-no ao Grande Dissuasor do Hábito de ter uma Cabeça.&lt;br /&gt;– Se Vossa Majestade mo permitisse – saiu-se, então, o Inventor Ordinário dos Castigos Engenhosos – eu proporia uma pena mais pesada.&lt;br /&gt;– Diga, diga – assentiu o Rei.&lt;br /&gt;– Que ele conserve a cabeça!&lt;br /&gt;E assim foi ordenado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;In Ambrose Bierce, &lt;em&gt;Fábulas Fantásticas&lt;/em&gt;, tradução de João da Fonseca Amaral  &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33470272-7275160665344762972?l=escribalistas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escribalistas.blogspot.com/feeds/7275160665344762972/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33470272&amp;postID=7275160665344762972&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33470272/posts/default/7275160665344762972'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33470272/posts/default/7275160665344762972'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escribalistas.blogspot.com/2011/07/fabulas-fantasticas-de-ambrose-bierce.html' title='Fábulas Fantásticas, de Ambrose Bierce'/><author><name>joaquim maria castanho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13601095424407490659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/SL6Sv6k9KBI/AAAAAAAAA-E/Z5b-jAk0_lE/S220/quim.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-9mHk3IjGlQA/TjXR35lodbI/AAAAAAAAEC0/VC7wSJalIj8/s72-c/f%25C3%25A1bulas%2Bfant%25C3%25A1sticas.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33470272.post-53320196447181080</id><published>2011-07-31T14:59:00.000-07:00</published><updated>2011-07-31T15:03:15.789-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poemas Alheios'/><title type='text'>Soneto de Filinto Elísio (1734-1819)</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/-kgGlUVya-wE/TjXQ1A_wvFI/AAAAAAAAECs/GLOaysrre3w/s1600/regimento.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px 0px 10px 10px; width: 374px; height: 400px; float: right; cursor: pointer;" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5635640117943123026" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-kgGlUVya-wE/TjXQ1A_wvFI/AAAAAAAAECs/GLOaysrre3w/s400/regimento.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Estende o manto, estende, ó noite escura,&lt;br /&gt;Enluta de horror feio o alegre prado;&lt;br /&gt;Molda-o com o pesar de um desgraçado,&lt;br /&gt;A quem nem feições lembram da ventura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nubla as estrelas, céu, que esta amargura&lt;br /&gt;Em que se agora ceva o meu cuidado,&lt;br /&gt;Gostará de ver tudo assim trajado&lt;br /&gt;Na negra cor da minha desventura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ronquem roucos trovões, rasguem-se os ares,&lt;br /&gt;Rebente o mar em vão n’ocos rochedos,&lt;br /&gt;Solte-se o céu em grossas lanças de água.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Consolar-me só podem já pesares;&lt;br /&gt;Quero nutrir-me de arriscados medos,&lt;br /&gt;Quero saciar de mágoa a minha mágoa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;(Nota: Caraterístico das almas românticas, o sentimento do noturno, aparece em Filinto Elísio e adquire neste soneto uma das suas mais belas expressões. Se salientarmos o tom veemente e exagerado predominante na composição, que culmina na redundância final ao encher de mágoa universal a mágoa particular do autor, notamos sobremaneira como os efeitos puramente românticos ainda continuam a funcionar no arrebatamento inicial das leituras atuais.)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33470272-53320196447181080?l=escribalistas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escribalistas.blogspot.com/feeds/53320196447181080/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33470272&amp;postID=53320196447181080&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33470272/posts/default/53320196447181080'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33470272/posts/default/53320196447181080'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escribalistas.blogspot.com/2011/07/soneto-de-filinto-elisio-1734-1819.html' title='Soneto de Filinto Elísio (1734-1819)'/><author><name>joaquim maria castanho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13601095424407490659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/SL6Sv6k9KBI/AAAAAAAAA-E/Z5b-jAk0_lE/S220/quim.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-kgGlUVya-wE/TjXQ1A_wvFI/AAAAAAAAECs/GLOaysrre3w/s72-c/regimento.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33470272.post-9022628147414234922</id><published>2011-07-24T06:41:00.000-07:00</published><updated>2011-07-24T06:43:44.811-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Textos READCOM'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='textos alheios'/><title type='text'>Conto de Terka Lux</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-6xZZakX7wDE/TiwhhLQ8hZI/AAAAAAAAEB0/oMC9WjS5064/s1600/domingo%2Bpara%2Bpostagens%2B001%2B%25282%2529.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px 0px 10px 10px; width: 400px; height: 264px; float: right; cursor: pointer;" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5632914087776912786" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-6xZZakX7wDE/TiwhhLQ8hZI/AAAAAAAAEB0/oMC9WjS5064/s400/domingo%2Bpara%2Bpostagens%2B001%2B%25282%2529.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;PAULO&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Conto de Terka Lux **&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Perto das nove horas da noite, Paulo bateu à porta da casa do seu tio médico. Paulo era um rapaz de vinte e sete anos. O tio tinha cinquenta e cinco. Era um solteirão rabugento, meticuloso avaro de palavras.&lt;br /&gt;Os dois parentes raras vezes se viam, e o médico ficou muito surpreendido com aquela aparição inesperada, feita de noite.&lt;br /&gt;– Estás doente? – Perguntou, olhando para o sobrinho, de pé, diante dele, com o rosto transtornado e o olhar triste.&lt;br /&gt;– É muito provável – respondeu Paulo –, e queria consultá-lo.&lt;br /&gt;– Senta-te e vejamos o que tens.&lt;br /&gt;Paulo sentou-se. Em frente, na secretária, estava uma caveira. Com um gesto nervoso, tapou-a com um jornal e depois, num tom a princípio baço e monótono e em seguida veemente, em frases cortantes, disse:&lt;br /&gt;– Há dois anos que cortejo uma excelente e honesta rapariga. Trabalhava numa casa de costura. Eu, como sabe, estou há quatro anos num armazém de sedas. Ela é órfã, tem a minha idade, é digníssima na conduta, hábil e corajosa perante a vida, mas tão pobre como eu. É-me muito dedicada. Tenho por ela grande simpatia e, de boa vontade, a tornaria minha mulher, se a rapariga dispusesse pelo menos de cinco mil pengos. Não... contentava-me com menos... Bastava que tivesse três mil. Nem tanto. Dois mil chegavam-me. Dois mil, para poder tomar qualquer iniciativa. Mas ela não tem dinheiro e todos os dias suplica que casemos. Passa horas inteiras a chorar, enquanto discorremos sobre a vida. Digo-lhe:&lt;br /&gt;"– Sossega, Julieta, peço-te encarecidamente.&lt;br /&gt;– Mas eu estou sossegada – diz ela.&lt;br /&gt;– Então não chores.&lt;br /&gt;– É uma vontade que não te posso fazer. Isso apertar-me-ia o coração. Bem sei que nunca casarás comigo.&lt;br /&gt;– Neste momento é-me impossível.&lt;br /&gt;– E noutra ocasião qualquer também não poderás.&lt;br /&gt;– Esperemos, Julieta.&lt;br /&gt;– Esperemos, o quê? – soluça ela. – Temos vinte e sete anos. Os vinte já lá vão, e a vida que passa não recomeça. Não seremos amanhã mais ricos do que hoje e Deus não gosta das pessoas que hesitam. Não se deve levar anos a pensar no casamento. Gosto de ti, tu gostas de mim, que mais é preciso? O amor, a estima e o trabalho é que são indispensáveis. O dinheiro? Se o temos tanto melhor, mas, se o não há, é isso razão para que os pobres não se casem?"&lt;br /&gt;– É assim que ela fala. É esta a sua filosofia. E isto continua assim todos os dias. Não posso mais.&lt;br /&gt;– Tenho um colega – continuou Paulo –, um rapaz que vive com desafogo. Acaba de abrir um armazém numa rua de grande movimento. Dava-me sociedade se eu casasse com a irmã dele, que tem cinco mil pengos de dote. Insiste muito comigo. Quanto a Julieta, casava com ela apenas por dois mil. Sou pobre e, no casamento, os pobres não procuram o amor, mas a base da existência. Apesar disso, preferia casar com a pobre Julieta. Ela contentava-se com um quarto e cozinha, ao passo que para a outra seriam necessários dois com todo o conforto moderno, uma criada para todo o serviço, sem falar do casaco de peles, do teatro, da vida de sociedade e de toda a espécie de frivolidades. Para Julieta não é preciso nada, e do seu amor por mim tenho provas. A outra, não a conheço, e é possível que seja uma pessoa tão complicada, que me tornarei calvo depois de a conhecer a fundo. A comodidade também entra em linha de conta. Todas as raparigas, aquelas com quem casamos ou aquelas com quem não se casa, gostam de ser conquistadas primeiro. Temos de andar bem barbeados, bem vestidos, oferecer-lhes flores e mostrarmo-nos apaixonados. É aborrecido e estúpido. Faz-se isso uma ou duas vezes. Julieta é a terceira. Mas, à Quarta, ataca-nos o tédio. E receio também que digam nas minhas costas: "Este canalha seduz mulheres. Encheu de desgosto a pobre Julieta, que ficou com o coração estilhaçado como um vidro apedrejado por um garoto." E, contudo, não posso. Sou pobre...&lt;br /&gt;O médico encarou-o com dureza.&lt;br /&gt;– Então, que queres? Com certeza queres alguma coisa.&lt;br /&gt;– Sim, quero alguma coisa – gaguejou Paulo.&lt;br /&gt;– Queres casar com a rapariga rica?&lt;br /&gt;– Queria.&lt;br /&gt;– E a Julieta?&lt;br /&gt;– Há de consolar-se.&lt;br /&gt;– Suicida-se.&lt;br /&gt;– Então casa com ela.&lt;br /&gt;– Não posso.&lt;br /&gt;– Que queres que te faça?&lt;br /&gt;– Procurei-te justamente para to perguntar, por seres um homem sensato e instruído. Dá-me um conselho.&lt;br /&gt;O médico encolheu os ombros.&lt;br /&gt;– Não te posso dar conselho nenhum. Querias ser bom, e não podes. Querias ser mau, e também não és capaz... Nem sequer és uma dessas ovelhas que vão para onde o pastor as leva. Não podes ser nada: nem pequeno, nem grande; nem sensato, nem louco; nem ébrio, nem sóbrio. Não passas de um pateta e da pior espécie. Volta para casa e mete-te na tua cama.&lt;br /&gt;O médico ergueu-se, e Paulo viu o desdém nos seus olhos frios e inteligentes. Levantou-se, por seu turno. Sentiu que praticara, ao procurá-lo, um disparate sem nome. Pegou no chapéu e saiu muito embaraçado.&lt;br /&gt;O médico olhou, demoradamente, para a porta por onde Paulo saíra. Recordações antigas entravam por ela.&lt;br /&gt;A sua irmã mais velha, mãe de Paulo, morrera há tempos. Era de pequena estatura, testa deprimida, olhos oblíquos e a pele amarela. Parecia chinesa. As outras duas irmãs eram bonitas e casaram cedo. E, já em nova, Madalena dava a impressão de que nunca seria feliz. Era costureira e trabalhava numa casa de modas, sob a direção de um costureiro que talhava os fatos pelos figurinos ingleses. Era marreco. Usava, como os artistas, os cabelos compridos. A cara era simpática e pálida, apesar de ter duas manchas vermelhas. Como passara três anos em Paris, falava corretamente o francês. Madalena apaixonara-se por ele ao ouvi-lo, pela primeira vez, falar francês com a dona da casa. E decidiu que casaria com o marreco. Tinha uma tão grande força de vontade, ao contrário do costureiro, alma débil, doentia e indiferente, que conseguiu o que queria. Ele morreu pouco tempo depois. Tal eram o pai e mãe de Paulo.&lt;br /&gt;Sentado, no escritório, o médico acendeu um cigarro e, através do fumo, uma cena antiga se reconstituiu:&lt;br /&gt;Madalena era já há muito tempo viúva. Trabalhava sozinha na sua pequena habitação, numa rua estreita. Era uma noite de Verão. A porta da cozinha encontrava-se aberta e, como Madalena adoecera, fora visitá-la. No quarto, não o ouviram entrar. Ela cosia perto da lâmpada, e Paulo, que contava então doze anos, estava sentado com os livros na frente. A mãe repreendia-o e o médico ouviu tudo o que ela lhe dizia.&lt;br /&gt;– És tão estúpido, que me envergonhas. De todas as crianças dos nossos vizinhos e das pessoas das nossas relações não conheço nenhuma tão pateta. Os outros são todos rapazes inteligentes, desembaraçados... E tu?... Atrapalhas-te com tudo. Quebras a cabeça com coisas que nunca te darão o menor proveito. Os outros rapazes são simples, naturais, razoáveis; são como toda a gente. E tu?... Tu não és como os outros. Que posso fazer de ti? Ninguém te estima. Nem eu própria morro de amores por ti. Fazes sempre perguntas a que ninguém pode responder. Para quê? Não tens amigos. Como te arranjarás para viver? Estás sempre a dizer: «isto não é justo». Que coisa estúpida será, em tua opinião, a justiça? Que necessidade tens dela? Queres que toda a gente se afaste de ti? Os teus próprios professores não podem contigo. Trata mas é de estudar e de arranjar uma boa colocação. Os teus professores dizem que tu não tens nada de burro. Não acredito. Um homem inteligente não se preocupa com o que é bom para os outros, mas sim com o que a ele lhe pode interessar. Seja o que for que te digam, respondes sempre: «Examinemos isso com cuidado...» Onde já se ouviu dizer semelhante coisa? Para que queres examinar cuidadosamente coisas que ninguém examinou? Todos os garotos, incluindo o petiz do vizinho, que tem oito anos, gostam de dinheiro e de fazer negócios. Tu nunca terás para os negócios o menor jeito. Morrerás de fome. Neste mundo, hoje, todos querem arranjar dinheiro. De que raça és tu? O que tens pertence-te, mas um homem inteligente consegue também o que não está ao seu alcance. Tu... Quando chegar a vez de teres que ganhar a vida, morrerás de fome! Idiota!...&lt;br /&gt;As lágrimas de Paulo rolavam-lhe pelos livros. O médico retirou-se, sem ninguém dar por ele, e foi-se embora... Tal era Paulo noutro tempo... E agora era um Paulo totalmente diferente, que saíra por aquela porta...&lt;br /&gt;Nesse momento, o médico lamentava ter-lhe falado com tanta rudeza. Resolveu mandá-los chamar no dia seguinte, a ele e à rapariga. Queria ver essa Julieta. E, para que Paulo tivesse um lar, estava disposto a dar-lhe dois mil pengos. E mais mil para a sua casinha. Três mil, ao todo. E foi-se deitar.&lt;br /&gt;Paulo passeou toda a noite nas margens do Danúbio. Estava uma noite escura, sem estrelas. Ele tinha medo daquela água profunda. Ao dealbar, o Danúbio tinha um aspeto muito agradável. O sol surgiu, por entre um nevoeiro cor-de-rosa, as ruas animavam-se, e Paulo deitou ao mundo um último olhar, um olhar de despedida.       &lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;** Modernista Húngaro dos princípios do século passado. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33470272-9022628147414234922?l=escribalistas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escribalistas.blogspot.com/feeds/9022628147414234922/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33470272&amp;postID=9022628147414234922&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33470272/posts/default/9022628147414234922'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33470272/posts/default/9022628147414234922'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escribalistas.blogspot.com/2011/07/conto-de-terka-lux.html' title='Conto de Terka Lux'/><author><name>joaquim maria castanho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13601095424407490659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/SL6Sv6k9KBI/AAAAAAAAA-E/Z5b-jAk0_lE/S220/quim.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-6xZZakX7wDE/TiwhhLQ8hZI/AAAAAAAAEB0/oMC9WjS5064/s72-c/domingo%2Bpara%2Bpostagens%2B001%2B%25282%2529.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33470272.post-2270165176001920283</id><published>2011-07-20T09:10:00.000-07:00</published><updated>2011-07-20T09:14:07.855-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Textos READCOM'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='textos alheios'/><title type='text'>Ela Partiu, conto de Tchekov</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-bg_s_l0F4Yo/Tib-vM7wkdI/AAAAAAAAEBU/rjRvLGw9TpY/s1600/ilustra%25C3%25A7%25C3%25B5es%2Batache%2B004%2B%25282%2529.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px 0px 10px 10px; width: 400px; height: 368px; float: right; cursor: pointer;" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5631468470952563154" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-bg_s_l0F4Yo/Tib-vM7wkdI/AAAAAAAAEBU/rjRvLGw9TpY/s400/ilustra%25C3%25A7%25C3%25B5es%2Batache%2B004%2B%25282%2529.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;ELA PARTIU &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;(Conto de Tchekov – 1883)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Tinham acabado de almoçar. Da parte dos estômagos havia um bem-estar delicioso. As bocas abriam-se em bocejos e os olhos começavam a fechar-se sob uma sonolência beatífica. O marido acendeu charuto, espreguiçou-se e deixou-se cair no sofá. A esposa sentou-se a seu lado e principiou a ronronar... Eram ambos muito felizes.&lt;br /&gt;– Conta-me qualquer coisa – disse ele, bocejando.&lt;br /&gt;– Que hei de contar-te? Hum... Ah, sim; já sabes? Sofia casou-se ontem com o... Como se chama?... Von Tramb. É um escândalo!&lt;br /&gt;– Um escândalo, porquê?&lt;br /&gt;– Porque esse Von Tramb é um crápula. Um patife, um homem sem escrúpulos, sem o menor princípio! Um monstro de imoralidade. Foi administrador do conde e encheu as algibeiras, agora é empregado nos caminhos-de-ferro e desfalca. Despojou a irmã. Numa palavra, é um biltre e um ladrão. E casar-se com semelhante indivíduo! Viver com ele! Tanto mais que se trata de uma rapariga decente. Por nada deste mundo eu casaria com tal homem. Ainda que fosse milionário e mais bonito do que ninguém, eu mandava-o... passear! Nem posso conceber a ideia de um marido tão desonesto.&lt;br /&gt;Levantou-se num pulo e, vermelha de indignação, começou a andar de cá para lá na sala. A cólera brilhava-lhe nos olhos. Era evidente a sua sinceridade.&lt;br /&gt;– Que tipo aquele Von Tramb! E mil vezes tolas, mil vezes cobardes, as mulheres que se ligam a semelhantes cavalheiros!&lt;br /&gt;– Hum... Não serias tu, com certeza, que casarias... mas se soubesses agora que também sou um patife... Que farias?&lt;br /&gt;– Eu?! Deixava-te! Não ficava contigo nem mais um segundo. Só posso amar um homem honesto. Se soubesse que fazias a centésima parte do que fez Von Tramb dizia-te Adeus sem perda de um instante.&lt;br /&gt;– Ah, sim? Que mulher eu tenho aqui! E eu que nem suspeitava... Ah, ah, ah! As mulheres mentem sem sequer corar!&lt;br /&gt;– Eu nunca minto. Experimenta cometer um ato indigno e verás!&lt;br /&gt;– Para quê experimentar? Tu própria o sabes... Sou muito mais velhaco que esse Von Tramb. Comparado comigo ele é um insignificante. Arregalas os olhos? É extraordinário. – Pausa. – Quanto ganho?&lt;br /&gt;– Três mil rublos por ano.&lt;br /&gt;– E o colar que te comprei a semana passada, quanto custou? Dois mil, não foi? E o vestido, ontem? Quinhentos... A casa de campo? Dois mil... Ah, ah, ah! Ontem o teu papá apanhou-me mais mil rublos...&lt;br /&gt;– Mas, Piotr, os teus rendimentos suplementares?&lt;br /&gt;– Os cavalos... O médico da família... As contas das modistas... Há três dias perdeste &lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/-PzB_7HuRocM/Tib-auClmxI/AAAAAAAAEBM/ZMpgSWZpLVM/s1600/Ian%2BCox%2B%25282%2529.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px 10px 10px 0px; width: 400px; height: 283px; float: left; cursor: pointer;" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5631468119062321938" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-PzB_7HuRocM/Tib-auClmxI/AAAAAAAAEBM/ZMpgSWZpLVM/s400/Ian%2BCox%2B%25282%2529.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;cem rublos às cartas.&lt;br /&gt;O marido endireitou-se e, cruzando as mãos sob o queixo, relatou, até ao fim, a lista das suas proezas. Em seguida foi ao escritório e mostrou à mulher algumas provas materiais.&lt;br /&gt;– Como vês, querida, o teu Von Tramb não é mais que uma brincadeira, um ladrãozinho, ao pé de mim. Adeus! Vai-te embora e, de futuro, abstém-te de julgar.&lt;br /&gt;Terminei. Talvez o leitor me pergunte:&lt;br /&gt;– E ela partiu?&lt;br /&gt;Sim, partiu... para a sala contígua.  &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33470272-2270165176001920283?l=escribalistas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escribalistas.blogspot.com/feeds/2270165176001920283/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33470272&amp;postID=2270165176001920283&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33470272/posts/default/2270165176001920283'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33470272/posts/default/2270165176001920283'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escribalistas.blogspot.com/2011/07/ela-partiu-conto-de-tchekov.html' title='Ela Partiu, conto de Tchekov'/><author><name>joaquim maria castanho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13601095424407490659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/SL6Sv6k9KBI/AAAAAAAAA-E/Z5b-jAk0_lE/S220/quim.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-bg_s_l0F4Yo/Tib-vM7wkdI/AAAAAAAAEBU/rjRvLGw9TpY/s72-c/ilustra%25C3%25A7%25C3%25B5es%2Batache%2B004%2B%25282%2529.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33470272.post-6626873288063072651</id><published>2011-07-19T06:31:00.000-07:00</published><updated>2011-07-19T06:40:58.717-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Textos READCOM'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='textos alheios'/><title type='text'>Um conto de Marie Berde</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-midAsKmEpxI/TiWI2B6xqUI/AAAAAAAAEA0/gwIS8g26zV8/s1600/ilustra%25C3%25A7%25C3%25B5es%2Batache%2B001%2B%25282%2529.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px 0px 10px 10px; width: 217px; height: 320px; float: right; cursor: pointer;" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5631057370905946434" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-midAsKmEpxI/TiWI2B6xqUI/AAAAAAAAEA0/gwIS8g26zV8/s400/ilustra%25C3%25A7%25C3%25B5es%2Batache%2B001%2B%25282%2529.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;O JARDIM AINDA O IGNORA&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Conto de &lt;em&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;Marie Berde&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O jardim era tratado com o carinho que uma mulher apaixonada costuma dispensar ao seu ninho de amor. Assemelhava-se a um templo de ritos secretos, a um leito nupcial com recolhimento: era misterioso, faustoso e puro. As janelas do prédio que deitavam para as traseiras estavam ocultas pela abóbada da folhagem das tuias [árvores coníferas]. Em frente do terraço, viam-se platibandas [bordaduras dos canteiros de um jardim], as áleas de areia dourada e grossa, tapetes de verdura reluzentes como esmeraldas, cujo brilho instável anunciava a Primavera, com a brancura terna das flores de fogo desaparecidas sob a geada.&lt;br /&gt;Mas, apesar disso, havia no jardim mais verdura do que flores. No meio das platibandas e nos recantos viam-se pequenas palmeiras e piteiras que ostentavam a sua rígida beleza de plantas do Sul, e, em volta de vasos de mármore com veios cor-de-rosa, as rosas dos rochedos concentravam-se em montículos escarlates.&lt;br /&gt;Para além das platibandas, os silvados formavam, confundindo-se, áleas compridas, onde imperava uma luz verde. Ali, os pássaros, estavam como em sua casa, quer os canoros como os silenciosos, de que apenas se ouvia o suave murmúrio e o ruflar das asas ao rés da folhagem...&lt;br /&gt;Tal era o jardim em cujo terraço se sentaram pela primeira vez, depois de terem trocado beijos de amor sob as estrelas, para que elas, que nunca desaparecerão, fossem as testemunhas do seu encontro. Ali, até ao terra, à direita, havia a sombra dos caramanchões, onde eles liam os livros em que se encontravam a si próprios. Era lá que ela cerrava os olhos sobre os sofrimentos inverosimilmente belos do jovem Werther, e que, lendo Baudelaire, escondia o rosto na massa sedosa de que o fresco perfume evocava os bálsamos opulentos da casca do abeto fendido.&lt;br /&gt;À esquerda, por entre os pinheiros, havia uma rede. Quantas vezes ele ali a encontrara! Sentava-se ao lado dela, e talvez nunca tivesse passado horas tão belas como aquelas em esperava o seu despertar...&lt;br /&gt;Ou provavelmente a mais bela de todas teria sido uma em que lhe viu brilhar a primeira lágrima. Não foi do seu amor que ela brotou, mas da doença de uma criança, um dos seus parentes, a quem nunca vira e por quem reaprendera as orações da sua infância, só para ver um sorriso nos lábios da amada.&lt;br /&gt;A vida era encantadora, rica e imutável, ao pé dela.&lt;br /&gt;Os anos passaram sem causar dano à sua beleza, à sua bondade e ao seu encanto. O seu amor por ela tornou-se um verdadeiro culto insubstituível.&lt;br /&gt;Naquele dia apareceram de novo no terraço, e nunca, nem o jardim, nem a mulher, tinham sido tão belos, em sua pompa colorida. As orlas dos canteiros cintilavam como se fossem iluminadas de baixo para cima. As flores pareciam hesitar entre o branco e o azul primaveris, e as orgias de amarelo e de vermelho outonais.&lt;br /&gt;Da tonalidade mais suave do ponto extremo do céu, que avistava, ao azul vertiginoso do zénite, ao cor-de-rosa resplandecente dos botões rústicos, passando pela rosa lilás, as campânulas prodigalizavam a sua beleza, e as dedaleiras acendiam, em volta delas, chamas vermelhas e amarelas.&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-XgJo22fUlwY/TiWIuOBFvrI/AAAAAAAAEAs/PvM4NyA2sjQ/s1600/domingo%2Bde%2Bpascoa%2B013%2B%25282%2529.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px 0px 10px 10px; width: 400px; height: 300px; float: right; cursor: pointer;" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5631057236714700466" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-XgJo22fUlwY/TiWIuOBFvrI/AAAAAAAAEAs/PvM4NyA2sjQ/s400/domingo%2Bde%2Bpascoa%2B013%2B%25282%2529.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Agora o homem compreendia porque lhe barrara ela, durante tanto tempo, a porta do jardim.&lt;br /&gt;Reservava-lhe, como surpresa, a floração estival. Dir-se-ia que toda aquela pompa se repetia nela: sobre a brancura imaculada da testa, a linha azulada das têmporas, a cara rosa pela emoção, os lábios avermelhados pelos beijos. O seu vestido também parecia copiar, num verde mais delicado, as ervas mais claras, e o veludo dos seus olhos dir-se-ia querer lutar com as pétalas dos pensamentos. Para os seus cabelos não encontra matizes semelhantes, nem nas manchas de ocre vermelho das énulas [Plantas vivazes da família das Compostas. Têm raízes grossas, caules robustos até dois metros de altura, folhas caulinares sésseis, amplexicaules e flores amarelas dispostas em grandes capítulos. Cultivadas como ornamentais em Portugal, são conhecidas na Europa desde a Antiguidade pelas propriedades medicinais das suas raízes], nem no pólen das rosas desfolhadas. Durante o longo e mudo êxtase que se seguiu, a mulher tornou-se lentamente sombria.      &lt;br /&gt;– O jardim ainda o ignora... – disse ela, e a voz estrangulou-se-lhe.&lt;br /&gt;– Ignora, o quê?&lt;br /&gt;Como resposta, ela pegou-lhe na mão, e fê-lo caminhar a seu lado. Não encontrou resistência; além disso, quando ele sentia a sua mão, nunca lhe perguntava para onde o conduzia. Do outro lado dos canteiros, em que se abria o primeiro corredor de verdura, a hera pendia em compridas abóbadas. As folhas eram espessas, duras, de um verde-escuro, e dir-se-ia que nas suas nervuras brancas corriam um sangue puro e fresco.&lt;br /&gt;Estendeu a mão para a hera, puxou-a para si e designou uma folha dum amarelo d &lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-1MricMHerYU/TiWIJxcmFCI/AAAAAAAAEAc/p_7GQVnWigM/s1600/s%25C3%25A1bado-s%25C3%25A1bado%2B2%2B014%2B%25282%2529.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px 10px 10px 0px; width: 400px; height: 225px; float: left; cursor: pointer;" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5631056610570146850" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-1MricMHerYU/TiWIJxcmFCI/AAAAAAAAEAc/p_7GQVnWigM/s400/s%25C3%25A1bado-s%25C3%25A1bado%2B2%2B014%2B%25282%2529.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;cera:&lt;br /&gt;– A primeira... – disse ela suavemente.&lt;br /&gt;Largou a hera, que lhe roçou os cabelos, desmanchando-lhos. Quis alisá-los suavemente. E, então, algo atraiu o seu olhar. Um cabelo curto, que ficara solto, da cor de um fio de prata, na massa de um castanho metálico.&lt;br /&gt;– O jardim ignora ainda – repetiu a mulher –, que o Outono abriu nele uma clareira.&lt;br /&gt;E prosseguiu:&lt;br /&gt;– Uma clareira, não; uma pequena fenda, um postigo por onde observa o jogo de cores, antes de as varrer.&lt;br /&gt;Enquanto falava, continuava a caminhar, de cabeça baixa, seguida pelo homem.&lt;br /&gt;Sentaram-se num banco. O homem estava pálido como a folha da hera amarelecida.&lt;br /&gt;– Sinto-me cansado – disse ele.&lt;br /&gt;Deitou-se no banco, reclinou a cabeça sobre os joelhos da mulher, e fechou os olhos, para não ser obrigado a falar...&lt;br /&gt;Uma imagem começava a atormentá-lo... Via-a, em frente do espelho, quando ela notasse o primeiro cabelo branco.&lt;br /&gt;Ela nunca lhe pedira – pelo menos nunca em tal lhe falara – que abandonasse a paz do seu lar, a sua mulher e os seus filhos, e lhe desse o que sobrevive a um amor passageiro: um filho.&lt;br /&gt;Fora do seu amor, ela nada tinha. Diante do seu primeiro cabelo branco, estremeceria de medo, do medo inconfessado de perder o seu único bem, pelo qual tudo sacrificara.&lt;br /&gt;Via debater-se esta esbelta e magnífica criatura, que ele conhecia como uma harmonia perfeita. Debater-se e talvez, algum dia, inexplicavelmente, dizer-lhe Adeus, depois de um combate travado na sua alma. De cabelos brancos pode ser-se esposa e mãe, digna de amor, respeito, veneração, mas à amante, à amante magnífica, só dizer-se-lhe Adeus sem um queixume.&lt;br /&gt;Apertava-se-lhe o coração e só uma ideia o consolava.&lt;br /&gt;Um sentimento difuso, a custo definido: que não era por ele próprio, mas por ela, que o coração se lhe oprimia; por ela, que ele via na sua frente, com um vestido sombrio como o das religiosas, quando só lhe restasse o rito funerário do passado.&lt;br /&gt;Entretanto, ele não tardaria a depor um beijo na testa da filha, no dia em que ela casasse, e a apertar a mão ao filho, no começo da sua carreira. E o andar ágil dos netos &lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-wBIYSxmJ_L4/TiWIWWue5fI/AAAAAAAAEAk/PwKerKyJFxM/s1600/Ninfa%2Bda%2Bfloresta%2B%25282%2529.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px 10px 10px 0px; width: 232px; height: 320px; float: left; cursor: pointer;" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5631056826735715826" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-wBIYSxmJ_L4/TiWIWWue5fI/AAAAAAAAEAk/PwKerKyJFxM/s400/Ninfa%2Bda%2Bfloresta%2B%25282%2529.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;daria a medida das suas alegrias domésticas, enquanto, para ela, a neve cairia no seu jardim e alastraria... alastraria num amplo lençol, porque não havia ninguém para a pisar. Só as patinhas minúsculas dos pássaros lhe imprimiriam pequenas estrelas...&lt;br /&gt;A tristeza da mulher passou como a sombra da nuvem, sobre a qual a profundidade das cores ressaltava ainda mais vigorosamente. A languidez delicada, quase agradável, da sua melancolia só se transmudou em emoção, quando ouviu o homem suspirar. E foi então, ao inclinar-se para ele, que viu no canto dos seus olhos lágrimas que não podiam correr.&lt;br /&gt;– Diz-me, em nome do céu: causei-te tristeza por causa desta primeira folha amarela?&lt;br /&gt;Baixou, quase imperceptivelmente, os olhos e fez-lhe um sinal afirmativo. E sentiu naquele olhar a moleza de um lenço: suavemente, num tom maternal, como a um doente, ao qual se quer ocultar pormenores entristecedores.&lt;br /&gt;– Escondamos as tuas lágrimas. Não quero que o jardim saiba que choraste. Que ele continue a florir por mais algum tempo, tranquilamente, sem desconfiar que a sua beleza já foi atingida...&lt;br /&gt;No pequenino lenço de cambraia, recolheu as suas lágrimas e, como se tivesse brotado pelo que havia para ela de mais precioso no mundo, ocultou-as no seu peito, que escaldava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;* Nasceu em 1889, na Transilvânia (Kacho). Foi nos seus primeiros tempos, antes de ingressar numa carreira literária, professora de escola profissional, tendo sido conhecida principalmente como romancista e dramaturga. Nas suas obras refletem-se o caos trágico da vida moderna e a introspeção dos seres solitários e simples. Entre os seus mais populares romances destacam-se &lt;em&gt;O Filme Eterno, Dança Macabra&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Vergonha Sagrada&lt;/em&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33470272-6626873288063072651?l=escribalistas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escribalistas.blogspot.com/feeds/6626873288063072651/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33470272&amp;postID=6626873288063072651&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33470272/posts/default/6626873288063072651'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33470272/posts/default/6626873288063072651'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escribalistas.blogspot.com/2011/07/um-conto-de-marie-berde.html' title='Um conto de Marie Berde'/><author><name>joaquim maria castanho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13601095424407490659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/SL6Sv6k9KBI/AAAAAAAAA-E/Z5b-jAk0_lE/S220/quim.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-midAsKmEpxI/TiWI2B6xqUI/AAAAAAAAEA0/gwIS8g26zV8/s72-c/ilustra%25C3%25A7%25C3%25B5es%2Batache%2B001%2B%25282%2529.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33470272.post-3703369349924044415</id><published>2011-07-12T08:49:00.000-07:00</published><updated>2011-07-12T08:57:41.244-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crónicas dos Luís Não Vás'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crónicas do (E)Leitor'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política criativa'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crónicas (In)divisas'/><title type='text'>Piafé e marcar passo são andamentos de não ir a lado algum</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-8I5oGUhrVVc/Thxu5mnONII/AAAAAAAAD_U/1KaD-nFUuSg/s1600/002.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px 0px 10px 10px; width: 263px; height: 400px; float: right; cursor: pointer;" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5628495570202932354" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-8I5oGUhrVVc/Thxu5mnONII/AAAAAAAAD_U/1KaD-nFUuSg/s400/002.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Não Mais o Stop and Go&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"O exercício do poder consiste tanto em lutar democraticamente pela sua conquista, como em saber sair do poder por mais que se invoque o interesse nacional como único motivo para dele não sair."&lt;br /&gt;In Francisco Pinto Balsemão, &lt;em&gt;Exercício do Poder e "Jogo de Vulgaridades"&lt;/em&gt;, Editorial da Revista &lt;em&gt;Progresso Social e Democracia&lt;/em&gt;, nº 4, Volume II, Setembro/Dezembro de 1984.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Tal como Roma, Mora e Pavia não se fizeram num só dia, também Portugal não sairá da cepa torta de um momento para o outro, por mais que os governos se esforcem a implementar as medidas enunciadas no plano (ou memorando) da Troika, adoptadas como programa de governo, sobretudo se para tanto não for acompanhado por uma onda de empenho e solidariedade dos demais cidadãos portugueses, sem responsabilidades administrativas e de gestão, é óbvio, mas que se subscrevem na linha de uma participação ativa, emancipada, consciente e amadurecida no exemplar reconhecimento das dificuldades com que nos iremos deparar no futuro próximo, tão próximo, que em nada não se distingue do presente. É urgente que esta tomada de consciência se faça com prontidão e não se atenha somente às forças políticas do arco governativo, antes pelo contrário assuma a dimensão de um desígnio nacional abrangente, rigoroso e sem ressentimentos. Desafetos políticos, objetivos eleitoralistas ou regionalismos divisórios. Eu próprio, que fui candidato à Assembleia da República por uma força da esquerda progressista não me coíbo de apoiar este governo em tudo o que for a favor da sustentabilidade, do equilíbrio das contas públicas, da resolução dos problemas estruturais e do emprego, de combate ao défice e investimento para o crescimento, do desenvolvimento humano, da segurança, da imagem externa e do recuperar da confiança dos mercados, do relacionamento entre Portugal e demais membros da CPLP, da biodiversidade, património, do racional ordenamento do território e da cidadania. E não me caem os parêntesis na lama por isso!&lt;br /&gt;Entre o Bogio e a Boca do Inferno não há meio-termo, precisamente porque enquanto se discute e procuram bodes expiatórios as dificuldades aumentam, cavalgam, endurecem nas caraterísticas e especializam-se na eficácia. Não podemos continuar a fingir que tudo está bem e se recomenda, só para ganhar vantagens competitivas de lana-caprina e lugar de abençoado nas simpatias dos encarregados de secção, nem jogar de arrepio e tabela seca, dando garantias de uma coisa ser boa, ou óptima, só porque é nacional ou quem a vende morar na nossa rua, quando lhe vemos defeito e consequências nefastas, embora estas não nos prejudiquem diretamente mas a terceiros, pois não é pelo fato de estarmos todos mal que alguns têm que ficar ainda pior para beneficiar quem sempre se esteve nas tintas para quem estava mal quando nós andávamos a apanhar bonés. Uma crise não é uma esponja para apagar passados, nem muito menos um salvo-conduto para quem se conduziu no desmérito. Se há algo que antes era abominável, continua a sê-lo, e agora com muitos mais razões para o rejeitarmos. Porém, devemos abdicar de preconceitos e fatalismos, uma vez que temos que romper com aquilo que reforça sobremaneira a inércia portuguesa à inovação, reforma e mudança, sobretudo devido a estas se encontrarem ainda bloqueadas em três níveis distintos:&lt;br /&gt;Bloqueadas culturalmente pela típica e tradicional da tenebrosa aversão ao risco, alicerçada nas rotinas e modos “estereotipados” e obsoletos de operar, escorados pela memória e reputação (narcísica), enciclopédicos, que impedem e obstaculizam à criatividade, originalidade e modernização;&lt;br /&gt;Bloqueados administrativamente em consequência do inúmero e respectiva multiplicação de organismos públicos/fundações/secretarias/direções/agências e similares com competências mal definidas (e duplicadas), insustentáveis num Estado ainda simultaneamente centralizado que coexiste com feto raquítico dos corpos regionais, misturando competências e serviços numa amálgama sem lógica nem localização racional;&lt;br /&gt;E bloqueadas politicamente porque o sistema eleitoral, a começar pela Lei nº 14/79, de 16 de Março, atiram o país para o ritmo de reformas do &lt;em&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;stop and go&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; que é uma forma de parecer que muda ficando tudo na mesma, e às vezes até pior, a marcar passo num piafé de fraca escola e rafeiro estilo.&lt;br /&gt;Enfim, a sociedade portuguesa que se apresta neste entrementes para se consolidar nos quadros interno, europeu e mundial, como uma sociedade amadurecida e &lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-pDKKiBEJLvY/ThxuYXfrP7I/AAAAAAAAD_M/ayUHHiOwbEM/s1600/Cortesia%2Bde%2Buma%2Bave%2B%2528encantadora%2529.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px 10px 10px 0px; width: 400px; height: 320px; float: left; cursor: pointer;" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5628494999209066418" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-pDKKiBEJLvY/ThxuYXfrP7I/AAAAAAAAD_M/ayUHHiOwbEM/s400/Cortesia%2Bde%2Buma%2Bave%2B%2528encantadora%2529.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;emancipada à custa do esforço consciente dos cidadãos responsáveis, quer dizer, sofrido e adulto, dos próximos anos, será indiscutivelmente diferente daquela a que sobrevivemos caracterizada pelo laxismo, chico-espertismo e bairrismo corporativista serôdio, das últimas décadas, e ainda bem; sobretudo porque não nos podemos dar mais ao luxo do desenvolvimento por solavancos e arremetidas de alternância do vira-o-disco-e-toca-o-mesmo em que o &lt;em&gt;&lt;span style="color:#ffff00;"&gt;stop and go&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; nos solfeja as políticas, nem cair em propensas desforras à custa da qualidade de vida, bem-estar e progresso deste povo que não pediu para ser português mas não se importa, como até se orgulha disso.&lt;br /&gt;Portanto, temos um governo e um enorme problema entre as mãos. Não é que não possamos falhar, nem tenhamos qualquer obrigação de fazer aquilo que outros ostensivamente destruíram. Mas temos cara, e queremos andar por todo o mundo sem vergonha da mostrar destapada, aberta e resplandecente. É essa a nossa vitória: consegui-lo. Entre outras menores e momentâneas, que as mais das vezes caem no ridículo…  E, se for preciso, mudar outra vez, fazemo-lo, sem desprimor para ninguém. A nossa soberania não se trespassa em mercado ideológico nenhum desde que o tempo se começou a medir por badaladas lusitanas!      &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33470272-3703369349924044415?l=escribalistas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escribalistas.blogspot.com/feeds/3703369349924044415/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33470272&amp;postID=3703369349924044415&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33470272/posts/default/3703369349924044415'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33470272/posts/default/3703369349924044415'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escribalistas.blogspot.com/2011/07/piafe-e-marcar-passo-sao-andamentos-de.html' title='Piafé e marcar passo são andamentos de não ir a lado algum'/><author><name>joaquim maria castanho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13601095424407490659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/SL6Sv6k9KBI/AAAAAAAAA-E/Z5b-jAk0_lE/S220/quim.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-8I5oGUhrVVc/Thxu5mnONII/AAAAAAAAD_U/1KaD-nFUuSg/s72-c/002.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33470272.post-5799949405562906305</id><published>2011-07-11T00:12:00.000-07:00</published><updated>2011-07-11T00:23:57.292-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crónicas dos Luís Não Vás'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crónicas do (E)Leitor'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política criativa'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crónicas (In)divisas'/><title type='text'>Bernstein e a Social-Democracia</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-OI30lRjrjoY/Thqk6zZx9tI/AAAAAAAAD_E/8WnIxewbbHE/s1600/005.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px 0px 10px 10px; width: 400px; height: 263px; float: right; cursor: pointer;" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5627992014490564306" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-OI30lRjrjoY/Thqk6zZx9tI/AAAAAAAAD_E/8WnIxewbbHE/s400/005.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Mudar com a mudança do mudar&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“(…)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentirás quanto amarga; quanto anseia&lt;br /&gt;O sal de estranho pão; que é dura estrada&lt;br /&gt;Subir, descer degraus da escada alheia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tua angústia há de ser mais agravada.&lt;br /&gt;Te acompanhará no vale do exílio, vendo&lt;br /&gt;Ignóbil gente, estólida, malvada.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;In XVII Canto do &lt;em&gt;Paraíso&lt;/em&gt;, de Dante Alighieri (1265-1321)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entendamos a mudança como a inequívoca transição entre dois Estados estáveis e distintos. Embora esta se tenha feito de forma lenta, tardia e com o serôdio de uma crise que começou a cumprir-se quando a maioria a entendia apenas como uma ameaça, o que é certo, é que o Estado, cujo governo saiu da batuta do PSD e de Passos Coelho, não é o mesmo que o PS e José Sócrates orquestraram (de tão &lt;em&gt;requiem&lt;/em&gt; tom). E a sociedade também. Se quando ela muda exige novo governo, a verdade é que quando tem novo governo este a motiva para nova mudança. Bernstein, ao aperceber-se da dinâmica constante inerente a esta mudança, sentiu a necessidade de esclarecer-se conforme a evolução socioeconómica e abandonou os dogmatismos simplificadores das teorias marxistas e nacionalistas, fundamentais, aprofundando-a, dando uma nova expressão ao socialismo, excluindo o caráter finalista deste, e quiçá escatológica, de uma sociedade perfeita para justificar o deitar mão de todos e quaisquer expedientes ou meios que a consolidem, e colocou o acento tónico na via da execução das reformas graduais e adaptadas permanentemente à realidade, promovendo assim a mudança que a si mesma se vai mudando dentro da estabilidade gradualmente conseguida, dando a este modelo evolutivo o nome de social-democracia.&lt;br /&gt;É preciso encontrar as soluções que melhor se adeqúem ao momento histórico que agora atravessamos, e não basta o &lt;em&gt;Mayor&lt;/em&gt; dos municípios, Ruas de nome mas de rotundas pronúncias, retóricas e efeitos, vir à praça pública puxar as brasas prà sua sardinha, propalando que a parcela da dívida da generalidade das autarquias não se deve aos custos com pessoal, porque deve!, e não como circunstância direta da transferência de competências de alguns ministérios – educação, quase todos! – para as autarquias, ou que a percentagem dessa dívida comparada com a do poder central ser diminuta – 20% –, porque também não é, considerando o elevado número de câmaras municipais (380) que há em Portugal, pretendendo defender a sua corporação atacando as outras, além do posto que nela tem e desempenha, para que se possa acreditar minimamente que a responsabilidade no défice não lhes cabe com elevada relevância, uma vez que as autarquias, conforme é observável a olhos vistos – conforme a proximidade revela! –, têm vindo a satisfazer clientelismos políticos que, na prática e no terreno, faz disso uma descarada inverdade, pela numerosa quantidade de pessoas sem préstimos, funções, nem habilitações que albergam, e nada fazem, além de alguns "mandados" pràs chefias deste ou daquele sector, que apaparicam com mimos e presentes vários, sempre que a coisa está mais tremida, que desde que &lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/-bK2by8R45FE/Thqkr1N0L0I/AAAAAAAAD-8/3QODhk9tZ74/s1600/001.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px 10px 10px 0px; width: 400px; height: 300px; float: left; cursor: pointer;" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5627991757279211330" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-bK2by8R45FE/Thqkr1N0L0I/AAAAAAAAD-8/3QODhk9tZ74/s400/001.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;entram até que saem apenas se dedicam à quadrilhice pura e desabrida, fazendo comentários gratuitos acerca de quem chega e de quem parte, difamando este e aquele, apontando defeitos pessoais, handicaps ou companhias, e que continuamente vão "deambulando" nas bibliotecas municipais, nos centros de arte e espetáculos, nos museus e serviços municipalizados, como se às dificuldades que ao país acometem fossem superiores, alheios e, sobretudo, delas únicos beneficiários.&lt;br /&gt; E soluções inovadoras. Posto que, politicamente, a &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;inovação significa reforma&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;reforma das pessoas&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; como &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;reforma do sistema social&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, consequente &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;adaptação&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; e &lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;strong&gt;modernização das estruturas do poder&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;, solidariedade entre as franjas sociais, grupos e comunidades, bem como o inequívoco assumir dos novos valores, nomeadamente o da sustentabilidade e da biodiversidade, isto é, um intercâmbio de identificação plena entre a inovação em si mesma e as noções teóricas e práticas, efetivas e profundas da social-democracia, que é o único caminho e modelo de desenvolvimento socioeconómico que conjuga a criatividade individual, o respeito pela pessoa humana, os mecanismos de decisão e as necessidades sociais e individuais com acuidade soberana no exercício efetivo da democracia da participação e da cidadania, com inigualável êxito, até hoje conhecido, reconhecido e valorizado no nosso país, eleitoralmente pelo menos, se atendermos não só às últimas legislativas mas também a quantas desde a implantação da República nele aconteceram.&lt;br /&gt;Ou seja, é preciso reformar inovando, mas inovar às vezes significa apenas fazer justiça para criar uma sociedade mais harmonizada, ter da política uma visão estética (Francisco Sá Carneiro), o que passa irremediavelmente por convidar essas pessoas a sair, a reformarem-se, pondo assim definitivamente fim à injustiça social praticada e evidente com a sua admissão, e não vale a pena argumentar que a sua reforma será &lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-iKgXjpKqnx8/ThqkcRM7n9I/AAAAAAAAD-0/JqSqC6FsINQ/s1600/006.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px 10px 10px 0px; width: 300px; height: 400px; float: left; cursor: pointer;" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5627991489913790418" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-iKgXjpKqnx8/ThqkcRM7n9I/AAAAAAAAD-0/JqSqC6FsINQ/s400/006.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;onerosa porquanto todos sabemos, segundo as últimas notícias, a maior parte dos rendimentos mínimos, subsídios disto e daquilo que o Ministério dos Assuntos Sociais e demais organismos de assistência social emitiram nos últimos anos foram ilegalidades com custos elevados, e que dificilmente serão recuperáveis. Ou disto também são as agências de rating, na sua manifesta má vontade americana, as responsáveis?&lt;br /&gt;Cá me queria parecer! Quanto mais depressa acabarem com a mentira a que chamam política mais depressa também se ganhará a confiança dos mass media, dos mercados, dos investidores, da banca, das agências internacionais de notação, dos eleitores, dos portugueses e europeus, dos críticos e intelectuais, dos trabalhadores e seus representantes, se honestos forem; enfim, mais depressa chegaremos ao espírito reformista de uma social-democracia em mudança dentro da estabilidade imprescindível e harmoniosa. Uma sociedade mais bonita e feliz! &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33470272-5799949405562906305?l=escribalistas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escribalistas.blogspot.com/feeds/5799949405562906305/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33470272&amp;postID=5799949405562906305&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33470272/posts/default/5799949405562906305'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33470272/posts/default/5799949405562906305'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escribalistas.blogspot.com/2011/07/bernstein-e-social-democracia.html' title='Bernstein e a Social-Democracia'/><author><name>joaquim maria castanho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13601095424407490659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/SL6Sv6k9KBI/AAAAAAAAA-E/Z5b-jAk0_lE/S220/quim.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-OI30lRjrjoY/Thqk6zZx9tI/AAAAAAAAD_E/8WnIxewbbHE/s72-c/005.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33470272.post-8068508570853610675</id><published>2011-07-07T06:26:00.000-07:00</published><updated>2011-07-07T07:09:20.039-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crónicas dos Luís Não Vás'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crónicas do (E)Leitor'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política criativa'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crónicas (In)divisas'/><title type='text'>A Indiferença só prolifera onde falta a Diferença</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-bEDwqTiuRTo/ThW1gV4MfRI/AAAAAAAAD-k/aKmUOu7kzsA/s1600/%25C3%25BAltimo%2Bs%25C3%25A1bado%2B008%2B%25282%2529.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px 0px 10px 10px; width: 400px; height: 225px; float: right; cursor: pointer;" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5626602876702588178" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-bEDwqTiuRTo/ThW1gV4MfRI/AAAAAAAAD-k/aKmUOu7kzsA/s400/%25C3%25BAltimo%2Bs%25C3%25A1bado%2B008%2B%25282%2529.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Pedro e o Lobo&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“ – A minha ambição não é pessoal – dizia-me [Francisco Sá Carneiro] em Berlim e foi-mo repetindo nos anos que se seguiram. – A minha ambição é estética. Quero chegar, democraticamente, ao poder para que as coisas funcionem com harmonia, para que acabem as aberrações e as originalidades à portuguesa. Acredito numa sociedade portuguesa moderna, livre, europeia, capaz de se transformar a si própria, através de reformas sucessivas que não se limitem aos aspetos políticos, mas abranjam também o plano económico e social.”&lt;br /&gt; In Francisco Pinto Balsemão, &lt;em&gt;A Conversa de Berlim e o Estudo que Está por Fazer&lt;/em&gt;, Editorial da Revista &lt;em&gt;Progresso Social e Democracia&lt;/em&gt;, nº 3, Vol. II, Junho de 1984.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A história é bastante antiga. Tão velha, mas tanto, que a maior parte das pessoas já lhe conhece a moral de nascença, algo que lhe vem por via genética. Está-lhes no sangue, e por herança. Portanto, repetir que as ações de cosmética político-sistemática já não pegam, tornou-se numa espécie de cliché.&lt;br /&gt;E o recado das agências internacionais de mercado que foi dado a Portugal não poderia ter sido mais claro do que foi: a dívida soberana portuguesa é, simples e inequivocamente, LIXO. Ora, se a Europa conhece Portugal melhor que as agências de rating, como se depreende do “discurso” de Durão Barroso, quando diz que nós – e esse nós deve ser o majestático para BCE, FMI e Comissão Europeia…  – “conhecemos melhor Portugal do que as agências internacionais”, então não restam dúvidas que o melindre é totalmente injustificado. O mercado não se deixa enganar, nem mesmo quando prefere demonstrar que engoliu a fava na boa e sem qualquer ressaibo. O mercado, e o algodão!&lt;br /&gt;Presentemente tem que se ir mais longe fazendo melhor, porque a época é diferente das que anteriormente vivemos, a conjuntura e as circunstâncias são outras, a Sociedade é diferente – e a função do Estado também. Já lá vai o tempo em que as interrogações de José Luís Aranguren eram, além de pertinentes, uma incompreendida ousadia. Porquanto hoje ninguém desconhece que se a “historiografia do século XIX foi a dos Estados nacionais, e a do século XX a dos internacionalismos, então a historiografia do século XXI é a historiografia do supranacional”. Num país ou num partido político, numa região ou num qualquer organismo público, num órgão de soberania como numa instituição, o direito de existir implica a obrigação de agir e atuar. O direito à diferença obriga a ser diferente, e isso só se nota quando se alteram significativamente as condições e os recursos.&lt;br /&gt;E Portugal tem que sê-lo (diferente), não pela arruaça e fuga para a frente, pela batota da renegociação sem termos nada para oferecer em troca de facilidades, mas pelo sentido de responsabilidade e compromisso, pelo empenho e criatividade, pelo empreendedorismo e capacidade de inventar novas soluções para os novos problemas que em catadupa nos hão de surgir. Andar a difamar os árbitros para contestar os resultados não é uma atitude adulta e muito menos democrática. Adiar a amputação total de alguns órgãos contaminados pelo corporativismo obsoleto e cancerígeno apenas nos vai prolongar a agonia e espalhar mais metástases pelos demais órgãos “ainda úteis e saudáveis”, e não erradicar o défice existente. Portanto, o caminho a seguir é sobejamente claro e óbvio!&lt;br /&gt;Ou seja, as medidas para inglês ver não pegam. Não se pode continuar a fazer mudanças do tipo faz-de-conta para tudo ficar na mesma; mudanças do género “outras” caras, outras chefias, outros nomes para as instituições e organismos públicos, outra maneira de contabilizar os gastos e os custos, a que comummente chamam investimento, ou outras políticas e diretrizes. Não pega, e pronto. É preciso agir, concretizar no terreno as promessas assumidas do memorando da troika, e para isso, não basta transformá-las em Programa de Governo, XIX ao caso, e só no fim é &lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-W804qKepfjc/ThW1FEyzrtI/AAAAAAAAD-c/TAXI6lilMgg/s1600/%25C3%25BAltimo%2Bs%25C3%25A1bado%2B034%2B%25282%2529.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px 10px 10px 0px; width: 400px; height: 225px; float: left; cursor: pointer;" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5626602408260120274" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-W804qKepfjc/ThW1FEyzrtI/AAAAAAAAD-c/TAXI6lilMgg/s400/%25C3%25BAltimo%2Bs%25C3%25A1bado%2B034%2B%25282%2529.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;que alguém dirá, talvez desta vez não seja mais um bluff para sacar umas massas aos tutores financeiros. Em matéria de convergência se não tivemos mau, foi porque tivemos quem nos puxou para medíocre. No capítulo do desenvolvimento sustentado, baldamo-nos categoricamente – e ainda baldamos. Na política socioeconómica, aí é que sentimos profundamente as alterações climáticas: metemos água que dava (para) três sismos/tsunamis com epicentro na Trafaria.&lt;br /&gt;Política não é como o futebol onde, quando perdemos ou o resultado não é aquele que esperávamos, a culpa é sempre do árbitro. Das agências de avaliação ou rating. Não foram tomadas as medidas adequadas e depois culpamos as agências internacionais, invectivando-as de defenderem interesses americanos e obscuros. De serem mal-intencionadas e maliciosas. E esquecemos que já Natália Correia classificava tal conduta de criancismo… Quem é queremos enganar? As agências e mercados internacionais ou a nós mesmos?&lt;br /&gt;Provavelmente não temos cura. Só sabemos sacudir a água do capote. De preferência para cima do vizinho do lado. Agora, se os espanhóis fizerem o mesmo, aqui d’El Rei! São murros no estômago prà’qui, pontapés no cu prà’li, rasteiras acolá.&lt;br /&gt;Haja vergonha na cara. Os mercados precisam de ver os números do défice a baixar, não por consequência da alteração das fórmulas de cálculo, mas por observarem no terreno que os parasitas ligados ao SNS, à Educação, ao poder local, à Cultura, ao Turismo, ao Ensino Superior, à Justiça e Segurança, aos Assuntos Sociais, à Administração Central, Regional e Local, enfim, às circunscrições da coisa pública, sobretudo os inúteis e disfuncionais, os sem habilitações e menos consciência cívica, os irresponsáveis e incompetentes, estão a ir para outras bandas, de preferência para emigração que é o destino para onde estão a empurrar os recém-formados sem colocação neste país. Acabou o tempo das coreografias de mudar de caras e continuar com a mesma vergonha (nacional).&lt;br /&gt;Em resumo, se o lobo é maior e a história é outra, então, porque é que o Pedro é o mesmo? Frontalidade, objetividade e coragem política, como a cautela e os caldos de galinha, nunca fizeram mal a ninguém e, pelo contrário, podem até fazer o bem.&lt;br /&gt;Desde há milénios que sempre foi a falta de diferença que gerou a indiferença. É essa a particularidade da arte. Incluindo a de governar, como apontou Maquiavel. E o que é preciso, é ambição estética!&lt;br /&gt;Pois. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33470272-8068508570853610675?l=escribalistas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escribalistas.blogspot.com/feeds/8068508570853610675/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33470272&amp;postID=8068508570853610675&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33470272/posts/default/8068508570853610675'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33470272/posts/default/8068508570853610675'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escribalistas.blogspot.com/2011/07/indiferenca-so-prolifera-onde-falta.html' title='A Indiferença só prolifera onde falta a Diferença'/><author><name>joaquim maria castanho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13601095424407490659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/SL6Sv6k9KBI/AAAAAAAAA-E/Z5b-jAk0_lE/S220/quim.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-bEDwqTiuRTo/ThW1gV4MfRI/AAAAAAAAD-k/aKmUOu7kzsA/s72-c/%25C3%25BAltimo%2Bs%25C3%25A1bado%2B008%2B%25282%2529.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33470272.post-2882049325934915345</id><published>2011-07-05T06:38:00.001-07:00</published><updated>2011-07-05T09:55:47.224-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crónicas dos Luís Não Vás'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crónicas do (E)Leitor'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política criativa'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crónicas (In)divisas'/><title type='text'>É preciso descolonizar o Estado</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;De quando os exemplos não passem disso mesmo…e até possam vir de cima!&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/--9eO9-R0PBc/ThMVAl76F1I/AAAAAAAAD-U/H1tklPEVk-8/s1600/sabado%2Bsemeador%2B017%2B%25282%2529.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px 0px 10px 10px; width: 400px; height: 225px; float: right; cursor: pointer;" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5625863459443447634" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/--9eO9-R0PBc/ThMVAl76F1I/AAAAAAAAD-U/H1tklPEVk-8/s400/sabado%2Bsemeador%2B017%2B%25282%2529.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Abre mão das poesias,&lt;br /&gt;que nenhum préstimo têm,&lt;br /&gt;e cuida em sólidos meios&lt;br /&gt;de ganhar algum vintém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se dizes que contra os versos&lt;br /&gt;em verso uma carta ordeno&lt;br /&gt;e que aqui me contradigo,&lt;br /&gt;praticando o que condeno,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A teu forçoso argumento&lt;br /&gt;respondo com Frei Tomás:&lt;br /&gt;faze o que o pregador diz,&lt;br /&gt;não faças o que ele faz. "&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nicolau Tolentino (1740-1811)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Tal como na indústria e comercialização de produtos electrónicos e de comunicações, estar doente em Portugal precisa de um &lt;strong&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 0, 0);"&gt;autêntico&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; curso de utente do SNS, de operador burocrático e/ou de descodificação dos diversos manuais de utilizador, livros de instruções que impreterivelmente andam anexos à área afetada, do género faça você mesmo ou como complicar tudo aquilo que é fácil e óbvio, desobviar toda e qualquer clareza processual existente, em nome do rigor, do corporativismo, da racionalização de recursos e da (in)competência modelar, sistemática e doutrinal. Até porque ninguém duvida da razão que aconselha descolonizar o Estado desse corporativismo abjeto que gerou a “situação explosiva” em que nos encontramos e que nos impede de nos libertarmos da grelha que está a apertar-nos cada dia mais, ajudada pelo défice e endividamento do país.&lt;br /&gt;Senão, vejamos. Aprofundar a democracia, o que inclui aumentar o número de democratas por metro quadrado do nosso território, seja essa democracia social ou socialista, bem como contribuir para a definição clara e inequívoca da sociedade do conhecimento e da informação, passa imprescindivelmente pelo reconhecimento humanizado das dificuldades, limites e circunstâncias do outro, na direta contemplação da Constituição da República, do Tratado Europeu e dos Direitos do Homem que lhes está apensada. E a ideia nem é nova, visto que já Francisco Sá Carneiro a enunciava no último Conselho Nacional do PSD em que participou, precisamente em 18 de Outubro de 1980, reiterando que tinha para si que se impunha ao Partido Social Democrata “uma reflexão sobre o que é que deve ser a social-democracia em Portugal, quais os valores fundamentais a prosseguir, como prossegui-los, quais as implicações para os diversos estratos, desde a juventude aos socioprofissionais, às empresas, à orientação económica, à orientação da política social. Tudo isso tem que ser aprofundado entre nós.”&lt;br /&gt;Ora, aconteceu que o imponderável surgiu sob a forma duma fatalidade, e não pôde Sá Carneiro ir além das palavras, concretizando as suas teses em políticas e práticas efetivas, embora o ideal social-democrata não tenha perecido com ele, pelo menos a considerar pelas vezes que foi o partido por ele fundado arauto da governação, como anteriormente esteve com a AD e Aníbal Cavaco Silva, quer como oposição empenhada e responsável, à semelhança do que sucedeu antes destas eleições que lhe trouxeram, sob as orientações e estratégias de Passos Coelho, novamente o ónus – ou, tendo em conta o atual estado da economia e do país, será mais adequado dizer o handicap – da administração do Estado e do governo.&lt;br /&gt;É provável que Mário Soares noutras alturas e por diferentes motivos tenha dito exatamente o mesmo por parecidas palavras, mas a propósito do socialismo democrático, o que não retira valor nenhum ao atrás enunciado nem acrescenta coisa alguma ao que adiante se dirá. Sobretudo porque não interessa de onde venham as boas ideias, desde que venham em formato de ideias e não de ordens ou ultimatos, e se verifique que a sociedade portuguesa estará sempre disponível para rever as ideias já tomadas como para se insuflar e adoptar as novas, segundo salientou Passos Coelho na Assembleia da República, aquando da apresentação do &lt;span style="color: rgb(255, 204, 0);"&gt;&lt;strong&gt;Programa do XIX Governo&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;, registo positivo sem dúvida alguma, e que nos aconselha de como convém relembrar as palavras de Francisco Sá Carneiro no &lt;em&gt;Discurso de Abertura do I Congresso do PPD&lt;/em&gt;, em 1974, em que punha acento tónico e imperativo no fato de que “nunca nos definiremos por negação ou ataque às outras correntes políticas, sejam elas quais forem. [Mas] sim pela afirmação clara da única via que, de &lt;/span&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-JJN0OjLXiCA/ThMUfO_pDhI/AAAAAAAAD-M/tOHAxFUkvhQ/s1600/%25C3%25BAltimo%2Bs%25C3%25A1bado%2B030%2B%25282%2529.jpg"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;img style="margin: 0px 10px 10px 0px; width: 400px; height: 225px; float: left; cursor: pointer;" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5625862886349409810" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-JJN0OjLXiCA/ThMUfO_pDhI/AAAAAAAAD-M/tOHAxFUkvhQ/s400/%25C3%25BAltimo%2Bs%25C3%25A1bado%2B030%2B%25282%2529.jpg" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;acordo com o que mostra a História, permite pôr termo às desigualdades e injustiças existentes nas sociedades europeias sem pôr em risco as liberdades fundamentais e a dignidade da Pessoa Humana”, para que o “cumprimento dos objetivos do programa de ajustamento da economia portuguesa[, que] terá precedência sobre quaisquer outros objetivos” (Passos Coelho), se faça de forma a contribuir para o fim do atual estado de coisas, em que os portugueses com habilitações próprias e escolaridade mais que suficiente deixem de ser obrigados a emigrar para arranjar emprego, enquanto os/as graxistas e lambe-botas amesendados na função pública, inábeis para o serviço, admitidos por cunha ou rotativismo político-eleitoral, lhe estão a ocupar os postos de trabalho, prejudicando seriamente o país, a governação e os utentes/utilizadores dos ditos serviços, nomeadamente na área da saúde, que é onde esse flagelo mais se faz notar. &lt;br /&gt; Eu sei que qualquer governante gostaria de manter os funcionários públicos calados e contentes, por mais imprestáveis que muitos sejam e careçam do saber estar e saber ser que observe o estipulado pelos Direitos Humanos, pela Constituição da República e pelo Tratado da União, todavia é impossível mudar de rumo e alcançar progressos no combate às injustiças e desigualdades em prol da dignidade da Pessoa Humana, se essa expurga dos maus funcionários não se verificar em tempo útil e de forma acelerada, se não quisermos falhar os compromissos constantes do memorando da Troika, aumentando a insustentabilidade económica, social e política, conforme traduziu a inquietação do nosso presidente da República nas últimas declarações aos &lt;em&gt;mass media&lt;/em&gt; nacionais, o que não espelha qualquer alarmismo mas antes uma prudência ganha naquele tipo de saber de experiência feito que de acordo com o que mostra a História nos pode – e deve! – gizar as linhas do futuro.&lt;br /&gt;Nem mais, que pensar e agir de outro modo seria poesia (de má índole e piores efeitos, por muita irrealidade e ilusão acender), ou retórica de Frei Tomás cuja qualidade suprema somente residia no que dizia mas nunca no que fazia. E quem não quer ser frade, não lhe usa o hábito!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33470272-2882049325934915345?l=escribalistas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escribalistas.blogspot.com/feeds/2882049325934915345/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33470272&amp;postID=2882049325934915345&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33470272/posts/default/2882049325934915345'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33470272/posts/default/2882049325934915345'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escribalistas.blogspot.com/2011/07/e-preciso-descolonizar-o-estado.html' title='É preciso descolonizar o Estado'/><author><name>joaquim maria castanho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13601095424407490659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/SL6Sv6k9KBI/AAAAAAAAA-E/Z5b-jAk0_lE/S220/quim.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/--9eO9-R0PBc/ThMVAl76F1I/AAAAAAAAD-U/H1tklPEVk-8/s72-c/sabado%2Bsemeador%2B017%2B%25282%2529.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33470272.post-238495468954760803</id><published>2011-06-21T03:17:00.000-07:00</published><updated>2011-06-21T07:10:14.130-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crónicas dos Luís Não Vás'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crónicas (In)divisas'/><title type='text'>E Viva a Cultura!</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-70wDGs-v4aU/TgByKJn2cSI/AAAAAAAAD88/8X4FnHJgHuU/s1600/ivan%2Bstefanek%2B4.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px 0px 10px 10px; width: 338px; height: 400px; float: right;" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5620617853665702178" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-70wDGs-v4aU/TgByKJn2cSI/AAAAAAAAD88/8X4FnHJgHuU/s400/ivan%2Bstefanek%2B4.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;As Lavadeiras de Caneças&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"A esperança é tão necessária ao homem como o próprio pão; comer pão sem esperança equivale a ir morrendo de fome a pouco e pouco.&lt;br /&gt;(...) (...) (...)&lt;br /&gt;(...) Mas se toda a mocidade se achasse satisfeita consigo própria e sem aspirações, então é que sem dúvida deixaria de haver esperanças quanto ao futuro da Humanidade. A esperança da Humanidade assenta na rebelião dos jovens contra o egoísmo individual, o nacionalismo e as desigualdades do presente. É no profundo descontentamento dos jovens de todos os países que deposito a minha fé. Peço-lhes, por isso, que se mostrem descontentes, imploro-lhes que se revoltem contra o que anda errado, não por meio de fracos e negativos queixumes mas por meio de fortes afirmações acerca dos direitos de toda a Humanidade.&lt;br /&gt;O maior prejuízo infligido aos jovens reside na educação que lhes têm ministrado. Com efeito, torna-se extremamente difícil lutar contra aquilo que nos ensinaram. (...)"&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;In &lt;em&gt;Para As Minhas Filhas Com Amor&lt;/em&gt;, de Pearl S. Buck, trad. de Virgínia Mota, Edição «Livros do Brasil» Lisboa – (Título original: &lt;em&gt;To My Daughters With Love&lt;/em&gt; – 1946)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fomos desacostumados de pensar e agora estranhamos a lodosa apatia que nos assoberba. Todos sabemos que estamos nas lonas, que temos de alterar os nossos quotidianos e hábitos, expectativas, conhecimentos e valores, porém não mexemos uma palha nesse sentido. A minha avó dizia que a Preguiça(1) era a única divindade que aqui tinha culto crescente, tão promissora e na moda, que até os fiéis dos outros credos lhe seguiam o catecismo e lhe celebraram eucaristias, sobretudo entre os lusitanos da portugalidade evanescente. Gostava de exagerar, é certo, por muita leitura de Camilo e de Eça, a quem a desgraça e a ironia eram o pão nosso de cada dia, nem sempre sob os mais recreados propósitos no entretenimento bucólico e campesino do Monte da Tapada da Casa, onde a melhor parte do serão era também o do folhetim radiofónico d’&lt;em&gt;O Conde de Monte Cristo&lt;/em&gt; ou de &lt;em&gt;O Monte dos Vendavais&lt;/em&gt;, conforme a época do ano e a imaculada direção de programas da Emissora Nacional estipulavam para gáudio dos arredados do cosmopolitismo e do Teatro de Revista, do cinema e da TV (a preto e branco).&lt;br /&gt;Não seria incomum aparecerem igualmente pelo mesmo veículo um&lt;em&gt; Love Story&lt;/em&gt; ou &lt;em&gt;As Pupilas do Sr. Reitor&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;A Morgadinha dos Canaviais&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Miguel Strogof&lt;/em&gt; – penso ser assim que se escreve... – ou &lt;em&gt;O Retrato de Ricardina&lt;/em&gt; e o &lt;em&gt;Simplesmente Maria&lt;/em&gt;, embora com menos assiduidade e frequência entre os devotos do género &lt;span style="color: rgb(204, 102, 204);"&gt;&lt;strong&gt;não-Corin Tellado&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;. Não diziam naquele tempo que audiência baixava, não senhora, mas que os ouvintes se dispersavam mais para os &lt;em&gt;Discos Pedidos&lt;/em&gt; do Rádio Clube Português quando os ditos eram ditos e falados. Seria? Não seria? Fosse como fosse, é que os CTT também tinham larga quota de interesse nessa programação, porquanto os discos ainda eram pedidos por bilhete-postal, coisa substancial nas finanças da mala-posta que ainda alimentava os cavalos a pão-de-ló. Eram critérios!&lt;br /&gt;Como hoje. E os critérios indicam que a Cultura vai ser tutelada pelo chefe do governo numa secretaria com cómodos junto ao seu gabinete. Coisa maneirinha e aconchegante, tipo casa portuguesa com (certeza) fotografias do presidente e do primeiro-ministro a ladear o crucifixo, modelo tirado ao calvário com Cristo entre criminosos, pelo que José Saramago deve estar contentíssimo, lá debaixo da oliveira da Azinhaga e contaminar de cochinilha os bicos da Fundação... A cultura, a língua, a arte, a literatura, a ética e a estética vão finalmente estar próximas do poder central, do poder sobre o poder, a bem dizer, e talvez venham a partilhar das benesses e mordomias da vizinhança. Como mulher-a-dias, por exemplo!&lt;br /&gt;A gramática do Estado, a lógica da organização e a retórica do programa eleito, hão de &lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-AJ4kVNUTnqg/TgBx6JEy2_I/AAAAAAAAD80/jY5KFaqjmrc/s1600/Georg%2BNicolaj%2BAchen1_aspx.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px 0px 10px 10px; width: 312px; height: 400px; float: right;" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5620617578640759794" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-AJ4kVNUTnqg/TgBx6JEy2_I/AAAAAAAAD80/jY5KFaqjmrc/s400/Georg%2BNicolaj%2BAchen1_aspx.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;ditar o bom gosto e o bom senso conforme as questões sociais assim o inspirarem, a Troika o impuser e a Assembleia da República não conseguir evitar. As lavadeiras de Caneças é que não poderão estar presentes que andam a braços com as novas oportunidades e os maiores de 23. A roupa suja terá que ser repartida pelos condóminos, segundo o Método de Hondt, e de acordo com os critérios notoriamente sublinhados pelas forças conservadoras adeptas do faz-de-conta que vivemos depois do 25 de Abril com que nos temos divertido há, pelo menos, trinta anos e trinta moedas, que foi por quanto os judas deste país o venderam à banca internacional e ao BCE.&lt;br /&gt;Portanto, é provável que voltemos ao folhetim se a cultura aguentar esta doce magistratura no recato bucólico da confiança e paciência que costuma ser argumento válido para os novos, para os estúpidos e para o insuficientes mentais. Do tipo &lt;em&gt;Love Story&lt;/em&gt; – &lt;strong&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 51, 153);"&gt;amar é nunca ter que pedir desculpa&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, sentença linda e&lt;em&gt; kitsch&lt;/em&gt; como um repolho do Bordalo, que um personagem, lembro-me ainda, terá dito a páginas tantas ao outro com quem aparelhava nos varais da narrativa, não sei se ele a ela ou se ela a ele, mas desconfio que pelo prevenir do borrar da pintura seria do macho prà fêmea, que naquele tempo dependia muito da sorte o ser considerada não-coisa, não-propriedade de género – que foi um rasgo de modernidade marcelista, onde ela, pobre, bibliotecária ou ajudante disso, que mais tarde morreria de doença incurável (cancro), e ele, rico e &lt;em&gt;playboy&lt;/em&gt;, a vítima sofredora sob as mãos de um amor infinito e de um destino implacável, o direto contemplado pela fatalidade gritante – o coitadinho e incompreendido pelos deuses – e que veio temperar a lamechice pacóvia com as matizes do “mundo avançado” das ideias e dos progressos, alguns deles de natureza científica e tratados como &lt;em&gt;fait-divers&lt;/em&gt; domingueiros nas conversas de café antes da missa, entre os matemáticos do sistema com matriz nos totobolas e lotarias por estratégias.&lt;br /&gt;O que era uma vingança, e uma demonstração de democracia. Porque a crueldade da dor, da doença, da perda, do destino, eram democráticas e não queriam saber das &lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-RGUICCp-h4o/TgBxh2fI6nI/AAAAAAAAD8s/fByUvBBwq6M/s1600/endormie.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px 10px 10px 0px; width: 400px; height: 400px; float: left;" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5620617161334123122" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-RGUICCp-h4o/TgBxh2fI6nI/AAAAAAAAD8s/fByUvBBwq6M/s400/endormie.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;mordomias sociais desta ou daquela classe mais favorecida. A morte e a desgraça ceifavam a eito, tanto carecidos e minguados como abastecidos e afortunados, embora que por diferentes motivos e na sequência de causas muito díspares, uns pelos excessos e outros pelas faltas – o que desconheço se estava ou não conforme a obra literária, que nisso das adaptações radiofónicas os criativos pontuavam, ajeitando-as à portugalidade conforme entendiam sem passar cavaco às determinações dos autores. Mas no fim, não obstante a condição social, o resultado ficava sempre no ela por ela: sete palmos de terra e um sermão encomendador.&lt;br /&gt;Nisso as lavadeiras de Caneças estavam de acordo. Enquanto espanejam as roupas dos senhores aproveitavam para lavar também os olhos lacrimejando sobre o ingrato desfecho do folhetim. Viradas prò rio, a roupa suja diluia-se entre nuvens de condoída retórica acerca da juventude que em vez de estudar e ajudar a família, anda na moina e a bandeirar palavras de ordem nas irrequietas arruaças do reivindicar melhores dias. Quando o fez contra o Magalhães tinha carradas de razão. Porém agora, que recusa colaborar nas políticas da corrupção e da insustentabilidade, pode vir a ser apelidada de terrorista ou, pior ainda, conforme se viu na Assembleia da República acerca da deseleição de Fernando Nobre, de independente. E isso, essa classificação, vai ser indubitavelmente um ato de cultura. E que cultura! &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(1)Personagem mítica que morreu à sede junto a uma fonte só para não esticar o pescoço para saciar-se &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33470272-238495468954760803?l=escribalistas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escribalistas.blogspot.com/feeds/238495468954760803/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33470272&amp;postID=238495468954760803&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33470272/posts/default/238495468954760803'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33470272/posts/default/238495468954760803'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escribalistas.blogspot.com/2011/06/e-viva-cultura.html' title='E Viva a Cultura!'/><author><name>joaquim maria castanho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13601095424407490659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/SL6Sv6k9KBI/AAAAAAAAA-E/Z5b-jAk0_lE/S220/quim.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-70wDGs-v4aU/TgByKJn2cSI/AAAAAAAAD88/8X4FnHJgHuU/s72-c/ivan%2Bstefanek%2B4.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33470272.post-5231354263346473470</id><published>2011-06-16T07:37:00.000-07:00</published><updated>2011-06-16T07:56:14.348-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crónicas dos Luís Não Vás'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='matrizes'/><title type='text'>Mudam-se os tempos mas não as tradições e mentalidades...</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/-x_aVQkZw-C0/TfoWQ-9IKxI/AAAAAAAAD7s/ovHPHgmGQy8/s1600/a%2Bleitura%252C%2Bde%2Bhenri%2Bfantin-latour%2B%25282%2529.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px 0px 10px 10px; width: 262px; height: 192px; float: right; cursor: pointer;" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5618827966131219218" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-x_aVQkZw-C0/TfoWQ-9IKxI/AAAAAAAAD7s/ovHPHgmGQy8/s400/a%2Bleitura%252C%2Bde%2Bhenri%2Bfantin-latour%2B%25282%2529.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;font size="5"&gt;Das estranhezas que o mundo tem acerca de nós...&lt;/font&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;font size="4"&gt;Às vezes, se vasculharmos autores e obras antigas, encontramos muitas referências ao que somos, ou pontos prenunciadores de caráter deveras enunciativos daquilo em que nos iríamos tornar, se consumados que fossem os séculos que nos separaram entre a pesquisa e a criação em causa. Talvez sejam apontamentos proféticos. Talvez não. Ao certo, de garantido e afiançado, é que são recuperáveis se para tanto nos assistir, não o engenho e arte, mas a lógica das comparações plausíveis e verificáveis a olho nu, quer dizer, transparentes e desprovidas de percepção motivada.&lt;br /&gt;Por conseguinte, neste universo da ecomimia – repetição automática mais ou menos difusa na mímica dos interlocutores políticos e sociais – semântica, creio ser frutífero desfraldar a surpresa, tal como já noutro tempo fez Nicolau Tolentino acerca das caraterísticas e traços de identificação entre portugueses e outros povos, nomeadamente espanhóis e nórdicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/font&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;font size="4"&gt;“Passei o rio que tornou atrás,&lt;br /&gt;Se acaso é certo o que Camões nos diz,&lt;br /&gt;Em cuja ponte um bando de aguazis&lt;br /&gt;Registam tudo quanto a gente traz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segue-se um largo. Em frente dele jaz&lt;br /&gt;Longa fileira de baiúcas vis.&lt;br /&gt;Cigarro aceso, fumo no nariz,&lt;br /&gt;É como a companhia ali se faz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cidade por dentro é fraca rês;&lt;br /&gt;As moças põem mantilha e andam sós,&lt;br /&gt;Têm boa cara, mas não têm bons pés.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isto, coifas de prata e de retrós,&lt;br /&gt;E a cada canto um sórdido marquês,&lt;br /&gt;Foi tudo quanto vi em Badajoz.”&lt;br /&gt;&lt;/font&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Nicolau Tolentino&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[Nota de Rodrigues Lapa acerca do poema, embora com nova redação consentânea ao momento, que merece ser transcrita pela sua acuidade semântica: eis um soneto dos mais perfeitos de Tolentino, soberba descrição dos costumes espanhóis e da cidade de Badajoz, em que não falta sequer a referência ao traço distintivo da sociedade vizinha onde as raparigas, ao contrário da nossa em que mal saíam à rua, andavam frequentemente desacompanhadas. Datará da época em que o poeta esteve em Évora (1765-1767) e terá dado alguma saltada àquela cidade fronteiriça. De salientar a alusão ao conhecido verso de &lt;em&gt;Os Lusíadas&lt;/em&gt;, Canto IV, est. 28, " ... e Guadiana / Atrás tomou as ondas de medroso", quando se ouviram, em Aljubarrota, as trombetas castelhanas; ou, como nos fins do século XVIII, ainda não se tinha popularizado o uso de fumar cigarros, sendo antes utilizado, geralmente, para sorver pelo nariz (rapé), ilustrando o hábito com citação, que está na base desta surpresa do autor: «Em Portugal, escrevia C. J. Ruders na carta 18ª da &lt;em&gt;Portugisisk Resa&lt;/em&gt; (Stokolm, 1805), o tabaco não é fumado por ninguém, a não ser pela plebe baixa, que se serve, para isso, de grãos de tabaco embrulhados numa tira de papel a que se pega fogo. Cachimbos de barro ou de espuma não são usados senão por estrangeiros, e causam sempre a admiração de todos. Mas o consumo indígena do rapé é muito considerável, porque quase todos os portugueses o cheiram.»]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;font size="4"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-H7RxYi-rFGc/TfoV2jzUrZI/AAAAAAAAD7k/aejGgGBJysI/s1600/2a%2B%25283%2529.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px 10px 10px 0px; width: 309px; height: 400px; float: left; cursor: pointer;" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5618827512165739922" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-H7RxYi-rFGc/TfoV2jzUrZI/AAAAAAAAD7k/aejGgGBJysI/s400/2a%2B%25283%2529.jpg"&gt;&lt;/a&gt;Ora, recentemente notícia, aconteceu que nos "exames" dos estudantes dos futuros juizes, por estes terem copiado e além disso, sido apanhados a fazê-lo, foi dada a nota de 10 valores a todos, em vez de zero como mereciam. Quem faz batota para poder vir a exercer a magistratura, já muito bem se lhe adivinha o tipo de justiça que há de vir a ministrar...&lt;br /&gt;E isto traz-me à memória o que me contou alguém que foi numa ação complementar de formação a Estocolmo. Com essa pessoa, durante o almoço, alguém junto dela comentou sobre os exames que fizera, entre outras coisas, que não tinha ninguém na sala, além dos alunos, que vigiassem os examinandos. E que tal era habitual, melhor dito: usual e comum, em todos os escalões etários e graus de ensino. Então a portuguesa em causa, surpreendida e incrédula, inquiriu:&lt;br /&gt;«E não copiaste?»&lt;br /&gt;Ao que obteve por resposta um seco «para quê? Quem é que ganha com isso?» que era tudo menos ingénuo e inocente. Antes assertivo e determinativo.&lt;br /&gt;Pelos vistos, os nórdicos podem continuar a achar que somos estranhos desde os tempos em que fazíamos charros com sementes de tabaco. Entre outras generalidades, todos copiamos e até – pasme-se! – ganhamos algo com isso. Ganhamos estatuto. Ganhamos poder. Ganhamos riqueza. Justiça é que não devemos ganhar muita, uma vez que para se ser juiz basta copiar mais um pouco, com expediente e desembaraço, que a nota de dez está garantida para quem for apanhado.&lt;br /&gt;E depois os estrangeiros é que são estranhos! &lt;/font&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33470272-5231354263346473470?l=escribalistas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escribalistas.blogspot.com/feeds/5231354263346473470/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33470272&amp;postID=5231354263346473470&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33470272/posts/default/5231354263346473470'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33470272/posts/default/5231354263346473470'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escribalistas.blogspot.com/2011/06/mudam-se-os-tempos-mas-nao-as-tradicoes.html' title='Mudam-se os tempos mas não as tradições e mentalidades...'/><author><name>joaquim maria castanho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13601095424407490659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/SL6Sv6k9KBI/AAAAAAAAA-E/Z5b-jAk0_lE/S220/quim.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-x_aVQkZw-C0/TfoWQ-9IKxI/AAAAAAAAD7s/ovHPHgmGQy8/s72-c/a%2Bleitura%252C%2Bde%2Bhenri%2Bfantin-latour%2B%25282%2529.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33470272.post-2625961027871448758</id><published>2011-06-12T03:59:00.000-07:00</published><updated>2011-06-12T15:05:32.229-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crónicas dos Luís Não Vás'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crónicas do (E)Leitor'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sem Metros Barreiras'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Bucólicas e Sadias'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crónicas (In)divisas'/><title type='text'>O Novo emboçado</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-1ioNGpjYazk/TfScqW4vlQI/AAAAAAAAD68/bQXjCJtX_wc/s1600/Quando%2Beu%2Bmorrer%2Bquero%2Bir%2Bde%2Bburro%2B%25283%2529.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px 0px 10px 10px; width: 384px; height: 400px; float: right; cursor: pointer;" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5617286886749869314" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-1ioNGpjYazk/TfScqW4vlQI/AAAAAAAAD68/bQXjCJtX_wc/s400/Quando%2Beu%2Bmorrer%2Bquero%2Bir%2Bde%2Bburro%2B%25283%2529.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;O Desavanço do Século XXI&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O NOVO EMBOÇADO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acontece sempre que a cor se oculta&lt;br /&gt;Entre as estevas da madrugada arguta&lt;br /&gt;Que o rosáceo timbre da rosa resoluta&lt;br /&gt;Ao desmaiar na sombra se afirma gruta…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ponto cardeal interno ao ser se tumultua&lt;br /&gt;E manifesta temido sob a eleita e astuta&lt;br /&gt;Sagacidade da ignara tribo cuja conduta&lt;br /&gt;Remonta às profundidades da ímpia luta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A uns, que sabida é a ambiciosa receita&lt;br /&gt;Tomam o poder para a outros aplicarem;&lt;br /&gt;E na noite se afoitam como secreta seita&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que aos homens humilham dizendo serem&lt;br /&gt;A salvação na opressão que só lhes querem&lt;br /&gt;Dar; triste fado o de quem a si se enjeita!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Joaquim Castanho, 12.06.2011)&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt; É ensurdecedora a atitude amuada dos políticos "partidaristas" face à comunicação social depois das eleições de 5 de Junho.&lt;br /&gt;Não restam portanto dúvidas que, além dos quarenta e tal porcento de abstenções, mais os 75 mil nulos, incluindo as mensagens jocosas neles contidas, ficámos mais ou menos todos suficientemente esclarecidos do que pensa a maioria dos portugueses acerca dos políticos que tem e das políticas que implementaram na portugalidade continental e adjacente: que são uma camada inútil e adversa ao desenvolvimento, não servindo a ninguém que se preze, ou que apenas se serviram até hoje a eles próprios e aos partidos que os catapultaram para a ribalta da orgia orçamental.&lt;br /&gt;Mas não só. Há também quem não perceba muito bem como é que as figuras políticas que melhor foram servidas, e se serviram dos órgãos de comunicação social para fazerem a sua propaganda e campanha eleitoral, venham agora, que já foram eleitos ou deseleitos, fechar-se em copas sobre uma avaliação consequente, ou quanto às suas vidas e projectos futuros. Será que se mantém acesa essa ideia brejeira de antanho que a comunicação social é tão-só-e-unicamente uma prostituta que deve estar sempre à mão dos interesses dos poderosos para lhes satisfazer e sublimar as necessidades do ego em alter coudeladas? E que a opinião pública aquela turba de incautos em cujos ninhos quaisquer cucos podem depositar os seus ovos para lhes aumentar a geração?&lt;br /&gt;Infelizmente a resposta a ambas as perguntas avizinha-se-nos óbvia: sim. Sobretudo porque em Portugal se vai enraizando a tradição de votarem somente aqueles que mais desinformados estão e menos habilitações têm. E mesmo desses, apenas os que não tiveram dinheiro ou para onde ir durante o fatídico fim de semana do escrutínio. Até os que anteriormente acharam piada ao rezingar loução, lhe viraram as costas ou fizeram manguito por este se ter posto de fora das negociações da Troika – estava lá para trabalhar, e faltou ao emprego, dizem...&lt;br /&gt;Depois, o toque a rebate do CDS e do PCP surtiu o efeito desejado, por temerem a emergência dos Tiriricas e Zé Manéis, que coelhos há muitos embora nem a todos se lhe possa tirar a pele do mesmo jeito: votaram todos e, como são dos portugueses os mais endinheirados, até deram gorjeta aos que lhe seguiram o exemplo.&lt;br /&gt;Portanto, enquanto não for instituído o voto electrónico em Portugal e a Democracia estiver nas mãos dos que assinam de cruz, podemos tirar da ideia querer implantar a democracia da participação e da cidadania neste litoralzinho que o mar vai comento aos poucos e onde os senhores feudais se aliviam nas arribas da cagança à vista de todos e sem o mínimo recato ou pudor. Porque qualquer passo dado em frente será sempre feito em direção ao abismo seguinte.&lt;br /&gt;Então, um dia, veremos que patinhámos no Fundo do fundo quando quisemos caminhar... Porém, não haverá Troika que nos dê a mão, nem lama (corrupção) em que enterrar as botas para ensaiar os passos. E aí, sim, aí, nem o Camões nos há de salvar. Nem o Futre!        &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33470272-2625961027871448758?l=escribalistas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escribalistas.blogspot.com/feeds/2625961027871448758/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33470272&amp;postID=2625961027871448758&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33470272/posts/default/2625961027871448758'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33470272/posts/default/2625961027871448758'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escribalistas.blogspot.com/2011/06/o-novo-embocado.html' title='O Novo emboçado'/><author><name>joaquim maria castanho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13601095424407490659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/SL6Sv6k9KBI/AAAAAAAAA-E/Z5b-jAk0_lE/S220/quim.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-1ioNGpjYazk/TfScqW4vlQI/AAAAAAAAD68/bQXjCJtX_wc/s72-c/Quando%2Beu%2Bmorrer%2Bquero%2Bir%2Bde%2Bburro%2B%25283%2529.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33470272.post-1616059897778855190</id><published>2011-06-10T08:44:00.000-07:00</published><updated>2011-06-10T11:12:20.599-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crónicas dos Luís Não Vás'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crónicas do (E)Leitor'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sem Metros Barreiras'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crónicas (In)divisas'/><title type='text'>Será que agora é que isto muda?</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/-yfXfD6ISM3A/TfI8v4S2hFI/AAAAAAAAD60/Ngl0OljOSD8/s1600/sabado%2Bsemeador%2B008%2B%25282%2529.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px 0px 10px 10px; width: 400px; height: 225px; float: right; cursor: pointer;" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5616618478547403858" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-yfXfD6ISM3A/TfI8v4S2hFI/AAAAAAAAD60/Ngl0OljOSD8/s400/sabado%2Bsemeador%2B008%2B%25282%2529.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;O Interior e a Sorte-Grande&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Não tomando em desprezo o escuro estado&lt;br /&gt;em que me pôs Fortuna e Natureza,&lt;br /&gt;olhastes sem horror minha baixeza&lt;br /&gt;e fizestes sentar-me ao vosso lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, de ingrata obrigação chamado&lt;br /&gt;deixei à força a companhia e a mesa;&lt;br /&gt;e inda cheio de ideias de grandeza,&lt;br /&gt;vim dar por tema um verbo conjugado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei com dous opostos conformar-me;&lt;br /&gt;sofrem-me os grandes, sou taful e moço,&lt;br /&gt;não sei a «senhor mestre» costumar-me.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tais extremos, Senhor, unir não posso;&lt;br /&gt;de dous génios não sou. Mandai fechar-me&lt;br /&gt;ou a minha aula, ou o palácio vosso."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nicolau Tolentino, poeta português do século XVIII&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-size:130%;"&gt;A principal característica do Interior é que continua a ser Interior mesmo quando fica de fora. De fora do discurso político; de fora do desenvolvimento sócio-económico; de fora de mão, quando se empreende caminho rumo ao futuro.&lt;br /&gt;Tanto quanto me apercebi, dos discursos presidencial como do do comissário da celebração do 10 de Junho, o primeiro recado de ambos foi dirigido aos políticos e, se Barreto recomendou que estes devem falar mais e desavirem-se menos, da parte do nosso presidente da República  reiterou a recomendação repetindo que devem entender-se melhor. Anibal Cavaco Silva, não se ficou porém pelo alvitre e indicou mesmo em que direção esse entendimento deveria ser feito: no sentido de encontrar soluções para sairmos da crise e colmatar as assimetrias interior versus litoral.&lt;br /&gt; A preocupação é serôdia. Não é de agora que o despovoamento, um dos maiores passos para a desertificação, se aliado a ele vierem as alterações climáticas, está na ordem do dia, e nem assim se evitou a sangria da população ativa do eixo norte-sul fronteiriço a Espanha, além do que não basta eleger dois ou três eventos nacionais, dois ou três produtos de qualidade desta ou daquela parcela do território, para que daí resultem melhorias substanciais na qualidade de vida das pessoas e desenvolvimento sustentado nessas regiões. Descobrir o interior sem ter apostas contundentes e continuadas em estratégias ou planos/programas de marketing territorial seriamente gizados e executáveis, é o mesmo que ir ao contrário do já anteriormente afirmado por Séneca e citado pelo nosso presidente um dia antes, a propósito e em homenagem a um douto de Castelo Branco, onde se sublinha o facto de quem não sabe para onde ruma nenhum vento lhe é favorável.&lt;br /&gt; &lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/-IMWnmZmLWI4/TfI8Ug6FseI/AAAAAAAAD6s/zgYcblHde2s/s1600/moagem%2Bcosta%2B%25282%2529.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px 10px 10px 0px; width: 274px; height: 400px; float: left; cursor: pointer;" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5616618008413057506" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-IMWnmZmLWI4/TfI8Ug6FseI/AAAAAAAAD6s/zgYcblHde2s/s400/moagem%2Bcosta%2B%25282%2529.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Estranho, porém, que há, se feitas as contas em baixa, coisa de vinte/vinte e cinco anos a constatação tenha servido periodicamente de assunto e retórica de quase todos os quadrantes políticos com assento parlamentar, sobretudo durante o tempo em que havia dinheiro para "engordar" o litoral, quer em população como em infra-estruturas, no tecido empresarial como nas linhas de produção de mão-de-obra especializada a que comummente chamamos universidades, e que apenas agora, que estamos em crise económica-financeira, política e ética, é que o interior esteja a ser convocado para contribuir com o seu esforço e sacrifício para a estabilização nacional... Porque será? É certo que estamos a 200 quilómetros do litoral, mais propriamente de Lisboa, o que é comum a grande parte do país, cujos caminhos vão sempre dar ao mesmo sítio – a capital. Agora vá uma empresa sediar-se em Santa Eulália, que para pôr os seus produtos à venda na Beirã, tem maiores custos de transporte do que se forem pròs Restauradores!&lt;br /&gt; O interior está servido de estruturas rodoviárias, é óbvio. Mas para qualquer empresa deste interior tão propalado fazer a distribuição dos seus produtos precisa de uma frota transportadora que o encarece e o torna não-competitivo com os congéneres do mercado. Que adianta falar no interior português no dia de todos nós se amanhã continuarmos com as mesmas dificuldades que já tínhamos há vinte e cinco anos? O meu concelho já teve 28 mil habitantes e agora tem 23. O meu distrito já elegeu três deputados para a Assembleia da República e agora só dois. O meu Alentejo já foi quase uma região, até teve uma CCRA, e muitas das freguesias têm os dias contados, alguns concelhos serão fundidos e a reforma administrativa ou territorial irá dar-lhe novos contornos e limites conforme prescrição da Troika. Apenas uma consolação nos resta: é que venha o que vier, diga-se o que se disser, havemos de continuar a ser sempre o interior de que se fala.&lt;br /&gt; E falarem da gente é uma grande coisa... Uma sorte!             &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33470272-1616059897778855190?l=escribalistas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escribalistas.blogspot.com/feeds/1616059897778855190/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33470272&amp;postID=1616059897778855190&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33470272/posts/default/1616059897778855190'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33470272/posts/default/1616059897778855190'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escribalistas.blogspot.com/2011/06/sera-que-agora-e-que-isto-muda.html' title='Será que agora é que isto muda?'/><author><name>joaquim maria castanho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13601095424407490659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/SL6Sv6k9KBI/AAAAAAAAA-E/Z5b-jAk0_lE/S220/quim.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-yfXfD6ISM3A/TfI8v4S2hFI/AAAAAAAAD60/Ngl0OljOSD8/s72-c/sabado%2Bsemeador%2B008%2B%25282%2529.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33470272.post-2811815316356375212</id><published>2011-06-08T06:39:00.000-07:00</published><updated>2011-06-08T07:30:10.270-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crónicas dos Luís Não Vás'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crónicas do (E)Leitor'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sem Metros Barreiras'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crónicas (In)divisas'/><title type='text'>Regresso ao Passado Imaturo</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-01bfrtxjlLE/Te98fQCErPI/AAAAAAAAD6U/sEOMREUI3sI/s1600/DSC08169%2B%25282%2529.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px 0px 10px 10px; width: 400px; height: 300px; float: right; cursor: pointer;" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5615844136675749106" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-01bfrtxjlLE/Te98fQCErPI/AAAAAAAAD6U/sEOMREUI3sI/s400/DSC08169%2B%25282%2529.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Voto e votarei, que ao rancho e ao pré, nunca faltarei&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A democracia participativa e da cidadania pode ou não assentar na democracia directa embora, disso não restam quaisquer dúvidas, ambas reconheçam que a representatividade seja um princípio para a democracidade sistemática e plena, um caminho para algo superior, e não um fim político em si mesmo. A abstenção é o antónimo inequívoco dela. A incompetência o seu descendente directo. O caos, a bancarrota, a destruição da sociedade e suas instituições fundamentais, a desumanização e as tiranias, as ditaduras e a destruição do Estado de Direito, a sua magna realização.&lt;br /&gt;Enquanto a matreirice e a esperteza saloia forem os valores premiados pela política portuguesa, dificilmente este país – tão desprezado por quem dele subsiste... – encontrará um rumo positivo e eficaz ou eficiente com destino ao desenvolvimento e sustentabilidade. E, independentemente das facilidades de acesso, crescente valorização na formação e desempenho, êxito na conclusão do ensino superior, o que verificamos indesmentivelmente é que os conhecimentos administrados se perdem pelo ralo da mediocridade, mal de lá saiam aqueles que tiveram o privilégio de o frequentar, quase nada é retido e muito menos praticado, nomeadamente no quanto à constitucionalidade, civismo, cidadania, pensar, agir e querer objectivos, uma vez que continuam a insurgir-se e reivindicar precisamente aquilo que queriam os mais ignaros do pré-25 A: Rancho e Pré garantidos, de forma vitalícia, se possível for.&lt;br /&gt;Ora isto é sintomático de como funcionam as grandes mentalidades por ele formadas e dele saídas... E de onde meteram os pilares fundamentais da democracia: a defesa das liberdades, a solidariedade, a justiça, a responsabilidade, a consciência partilhada, a emancipação, a autonomia, a inovação e o conhecimento, a transparência e a honestidade, a igualdade e a cidadania activa. No lixo, e sem qualquer preocupação de reciclagem.&lt;br /&gt;E de como usam as máquinas topo de gama das TIC que os papás e vovós lhes compraram, no seu acérrimo combate ao minúsculo e democrata Magalhães, a que são invariavelmente contra, por puro despeito, já que no seu tempo de ensino básico não lhe tiveram acesso: só para jogar na Quintinha do Facebook, posto que na grande maioria nem o &lt;em&gt;Word&lt;/em&gt; utilizam corretamente ou sabem para que serve um motor de busca, dos mais divulgados e conhecidos, como o &lt;em&gt;Google&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;Todavia, são os primeiros a saber como os demais devem escrever e o que escrever, como devem publicá-lo – em suporte papel, pois claro!, que um escritor sem livros "físicos" é inconcebível –, e que conteúdos abarcar ou desenvolver, que personagens e ambientes retratar, as siglas a promover e a semiótica contemplada. Mas não só: outorgam-se ainda com direito a definir depreciativamente quem escolhe ler o que escrevo como "à rasca" e de gosto duvidoso.&lt;br /&gt;Nem sentiram qualquer pejo em votar em partidos que já tinham anunciado a extinção do Ministério da Cultura, depois do anterior governo já ter extinguido a "Secretaria de Estado do Livro, da Leitura e das Bibliotecas"...  E o que é que isso quer dizer? Como é que alguém que quer acabar com a cultura se autoriza a defini-la? Como é que alguém se considera com direito a exigir que não vá o tocador além do rabecão? Por falta de cultura, e de cultura democrática, que é assim que se comporta quem está tal e qual como caiu do sobreiro: sente prazer em dar à ignorância um estatuto exemplar... Depois queixa-se que a vida lhe corre mal.&lt;br /&gt;Ah, canudo!&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33470272-2811815316356375212?l=escribalistas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escribalistas.blogspot.com/feeds/2811815316356375212/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33470272&amp;postID=2811815316356375212&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33470272/posts/default/2811815316356375212'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33470272/posts/default/2811815316356375212'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escribalistas.blogspot.com/2011/06/regresso-ao-passado-imaturo.html' title='Regresso ao Passado Imaturo'/><author><name>joaquim maria castanho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13601095424407490659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/SL6Sv6k9KBI/AAAAAAAAA-E/Z5b-jAk0_lE/S220/quim.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-01bfrtxjlLE/Te98fQCErPI/AAAAAAAAD6U/sEOMREUI3sI/s72-c/DSC08169%2B%25282%2529.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33470272.post-1748732398427834836</id><published>2011-06-07T03:07:00.000-07:00</published><updated>2011-06-08T08:36:02.185-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crónicas dos Luís Não Vás'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crónicas do (E)Leitor'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='matrizes'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crónicas (In)divisas'/><title type='text'>Do cientismo popular...</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/-zXlsBcersIE/Te35_YlHTNI/AAAAAAAAD6E/0RUQk_0yW3A/s1600/Caf%25C3%25A9%2BAlentejano%252C%2Bem%2BPortalegre%2B%25282222%2529.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px 0px 10px 10px; width: 400px; height: 300px; float: right; cursor: pointer;" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5615419177726069970" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-zXlsBcersIE/Te35_YlHTNI/AAAAAAAAD6E/0RUQk_0yW3A/s400/Caf%25C3%25A9%2BAlentejano%252C%2Bem%2BPortalegre%2B%25282222%2529.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Só Vendo!&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-size:130%;"&gt;Em Portugal ninguém dá nada, nem troca, nem avalia, nem compara – só vende. Vende a alma, vende a esperança, vende o voto, vende o conhecimento, vende a amizade, vende a companhia, vende o prazer, a noite e o dia – e até a agonia. Haja o que houver, que ninguém pergunte por ou para quê: está à venda.&lt;br /&gt; Pese embora haja quem ainda insista em trautear, a propósito de tudo e de nada, o "ó tempo volta pra trás", as eleições nunca serviram, não servem, nem jamais servirão para enaltecer os passados, ideias ou tempos que sejam, mas sim para escolher os futuros; e muito menos serão qualquer boletim de totobola em que marcamos com &lt;strong&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 153);"&gt;X&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; a equipa que achamos que irá ganhar, ou aquela que melhor castigará os adversários, sobretudo aquele que é o alvo favorito dos nossos desafetos, e a que somos afincadamente contra, pouco nos importando o porquê disso ou sequer tenhamos a certeza de ser exatamente por isso; antes sim, para eleger o projecto que melhor reaja às circunstância sócio-económicas e políticas do nosso tempo na exata medida que a sustentabilidade impõe, a qualidade de vida subscreve e a inteligência aconselha.&lt;br /&gt;Mas não se pense que elas, as eleições, possam por si só, tendo os seus resultados como motor e energia, como que por decreto, que estes sejam suficientes para transformar o mau em bom, o medíocre em suficiente e o péssimo em excelente, porque isso apenas será possível se a propalada mudança também tiver incluída a alteração dos modos de agir e operar anteriormente estipulados como convenientes, a perspicácia dos diagnósticos e a forma de procurar as soluções que, por estarmos numa democracia, têm sempre e irremediavelmente em si a participação ativa do foco problemático.&lt;br /&gt; Há quem estranhe o sermão, aí?&lt;br /&gt;Pois bem: quem mete o coração nos negócios, raramente consegue ganhar mais do que o suficiente para sobreviver. Os portugueses nunca votam a favor de projecto nenhum principalmente porque para votar a favor de algo é necessário compreendê-lo e, ou não lho souberam explicar ou eles não foram capazes de entender, o que é certo, é que votar contra, por ódio que seja, os liberta de remorsos e de reconhecer a sua iletracia política. Logo, só saberão no que votaram quando depois lhe constatarem a prática. Então, aqui d'El Rei, mánifes prà'qui, processos prà'li e o diabo a sete, e somente porque perceberam que ao efeito em carambola da Troika não têm como escapar, e que os sacrifícios anunciados em campanha, afinal, não são como o totobola, que só sai aos outros (e desconhecidos). Desta vez é com eles, com todos nós, e ninguém tem estofo nem preparação para os fazer – aos sacrifícios – sem ganhar nada em troca. E não adianta prometerem-lhes um futuro melhor, mais democracia, mais qualidade de vida, maiores rendimentos, que não acreditam e – mesmo assim – preferem continuar a votar no &lt;strong&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 0, 0);"&gt;só vendo!&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O que, contado, ninguém acredita...   (!)      &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33470272-1748732398427834836?l=escribalistas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escribalistas.blogspot.com/feeds/1748732398427834836/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33470272&amp;postID=1748732398427834836&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33470272/posts/default/1748732398427834836'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33470272/posts/default/1748732398427834836'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escribalistas.blogspot.com/2011/06/do-cientismo-popular.html' title='Do cientismo popular...'/><author><name>joaquim maria castanho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13601095424407490659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/SL6Sv6k9KBI/AAAAAAAAA-E/Z5b-jAk0_lE/S220/quim.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-zXlsBcersIE/Te35_YlHTNI/AAAAAAAAD6E/0RUQk_0yW3A/s72-c/Caf%25C3%25A9%2BAlentejano%252C%2Bem%2BPortalegre%2B%25282222%2529.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33470272.post-7442845223171703185</id><published>2011-06-03T03:22:00.000-07:00</published><updated>2011-06-03T03:26:42.288-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crónicas dos Luís Não Vás'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crónicas do (E)Leitor'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crónicas (In)divisas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='c'/><title type='text'>Apontamentos sem resposta...</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-vlpeCXrGUEw/Tei2v7c5ltI/AAAAAAAAD5c/Y2WbMCWZTO4/s1600/sabado%2Bsemeador%2B023%2B%25282%2529.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px 0px 10px 10px; width: 400px; height: 225px; float: right; cursor: pointer;" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5613937870046336722" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-vlpeCXrGUEw/Tei2v7c5ltI/AAAAAAAAD5c/Y2WbMCWZTO4/s400/sabado%2Bsemeador%2B023%2B%25282%2529.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Os Novos Considerandos de Uma Lei Que Nos Desconsidera Consideravelmente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Este tempo não é, garantidamente, o mesmo tempo em que os ditos revolucionários de então convulsionaram o mundo e romperam as amarras do seu tempo: é outro, e os que agora lutam são igualmente outros, batem-se por outros valores e conquistas, bem como assumem as suas responsabilidades diferentemente porquanto a motivação e objetivos almejados têm muito pouco dos da década de setenta do século passado.&lt;br /&gt;Há também quem suponha que as amarras de que se libertou estão definitivamente submersas sob os plafons (virtuais) da derrota, nomeadamente nos decretados pela Troika(:carestia, perda de poder de compra e sobrecarga nas contribuições, subida das taxas de juro, inflação e desemprego agravados, redução do Estado e consequente Reforma Administrativa), o que é outra descarada mentira, bem-intencionada certamente, todavia não o estão, mas sim alteradas noutras estirpes, quais bactérias e vírus sociais que ganharam novos formatos e requintadas modalidades, subtilezas de género e influências de meio que as encapotam e a dissimulam sob a capa dos politicamente corretos como das coisas que é feio ou fica mal abordar. Aliás, os nossos pepinos foram sempre venenosos, porque a democracia em Portugal nunca foi democrática (qual pepino de digestão difícil), a não ser para a algazarra da propaganda ou como reivindicação para atingir o poder e depois fazerem o que lhes desse na gana, tipo Maio dos pequeninos num 1926 de se lhe tirar o chapéu, a capa e a carteira. Ainda me lembro do quanto me diziam os mais velhos sobre as saladas do dito cujo, que afirmavam só ser bom depois de lavado em sete águas e atirado de seguida para o caldeiro dos porcos…  &lt;br /&gt;A maior parte dos jovens estão inegavelmente encalacrados pela educação que receberam, pela formação que lhes foi impingida, pelas expectativas que as gerações dos progenitores neles depositou e pelas condições político-económicas que lhes obstaculiza o futuro, e lhes indica a acomodação ao seio familiar como opção segura de continuar a sobreviver. Os mais velhos sabem isso, mas regozijam-se com a constatação vingando-se pela muita idade que os coloca em desvantagem competitiva, pelo abandono votado e pelo pouco caso que lhe fazem acerca dos reparos e ordens.&lt;br /&gt;Ora, considerando que a maioria dos que estão mal não querem fazer absolutamente nada para melhorar a sua condição e os que estão bem se preparam para ficar ainda consideravelmente melhor, à custa dos votos em branco e nulos dos à rasca, não nos resta alternativa senão concluir que neste país só a mentira vinga porque ninguém quer ver a verdade.&lt;br /&gt;E qual é ela?  &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33470272-7442845223171703185?l=escribalistas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escribalistas.blogspot.com/feeds/7442845223171703185/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33470272&amp;postID=7442845223171703185&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33470272/posts/default/7442845223171703185'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33470272/posts/default/7442845223171703185'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escribalistas.blogspot.com/2011/06/apontamentos-sem-resposta.html' title='Apontamentos sem resposta...'/><author><name>joaquim maria castanho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13601095424407490659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/SL6Sv6k9KBI/AAAAAAAAA-E/Z5b-jAk0_lE/S220/quim.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-vlpeCXrGUEw/Tei2v7c5ltI/AAAAAAAAD5c/Y2WbMCWZTO4/s72-c/sabado%2Bsemeador%2B023%2B%25282%2529.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33470272.post-5056710040271933357</id><published>2011-05-16T02:37:00.000-07:00</published><updated>2011-05-16T02:44:47.322-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crónicas do (E)Leitor'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política criativa'/><title type='text'>As Eleições continuam a fazer-se à moda antiga...</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Vergonhosamente lamentável!&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-jbUvg-n_Xbw/TdDxPCpXO3I/AAAAAAAAD4g/zH5p7dYbElc/s1600/POUS2.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 400px; FLOAT: left; HEIGHT: 323px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5607246776786959218" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-jbUvg-n_Xbw/TdDxPCpXO3I/AAAAAAAAD4g/zH5p7dYbElc/s400/POUS2.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Lei (Eleitoral) 14/79, de 16 de Maio, reflete a mentalidade e sentido prático já obsoletos na época da sua redação, em que a divulgação da informação político-administrativa se fazia nos adros, rossios, tabernas e mercearias, através de editais ou recados estampados nas portas. Vai daí, algumas juntas de freguesia para lixar a concorrência e pôr os partidos menores em notória desvantagem competitiva, resolveram segui-la à letra, excluindo-os das reuniões de delegados em que seriam apresentados os nomes das pessoas propostas para as mesas de voto, que é a mais elementar das participações democráticas remuneradas. Entre elas figura, lamentável e vergonhosamente, a Junta de Freguesia em que estou recenseado – a Junta de Freguesia da Sé, em Portalegre.&lt;br /&gt;Devo, porém, salientar que esta apenas foi mais uma das muitas deste algures do Alentejo profundo que assim procederam, uma vez que só as Juntas de Freguesia de S. Lourenço, Alagoa, Reguengo e S. Julião, se dignaram, por carta ou telefone, a comunicar ao mandatário do partido pelo qual concorro, como independente, a deputado pelo círculo de Portalegre nestas eleições legislativas, a data e horários da realização das ditas reuniões. Entre o número infinito delas que o distrito de Portalegre tem, e não obstante várias terem mais do que duas assembleias de voto, somente quatro adequaram os procedimentos à democracia "tendente" atual, continuando as demais a manter aceso o &lt;em&gt;modus operandi&lt;/em&gt; do provincianismo obscurantista dos salazarismos gonçalvistas, conforme se pautem pelo seguimento dos modelos do antes ou do após 25 de Abril.&lt;br /&gt;A classe política andou ocupada com outras coisas mais importantes, sobretudo os deputados das maiorias mais maiorzinhas e das maiorias mais pequeninihas com assento na Assembleia da República, preferindo divertir-se e conviver uns com os outros no&lt;em&gt; messenger&lt;/em&gt; do que apresentar projectos e propostas de modernização da estrutura político-administrativa da sociedade portuguesa, atirar ao boneco com suas línguas de trapo do que inquirir o governo e os ministérios acerca dos comos e porquês da implementação dos programas e projectos anteriormente aprovados, invectivar o &lt;em&gt;Magalhães&lt;/em&gt; do que saber em que pés andavam o &lt;em&gt;Simplex&lt;/em&gt; e o &lt;em&gt;Plano Tecnológico&lt;/em&gt;, a navegar nas águas sórdidas da baixeza bairrista dos poderes central e local do que a efectuar autênticas avaliações sobre a eficácia de algumas políticas e a eficiência dos agentes envolvidos na sua prossecução. E porquê? Porque tinham ordenado chorudo e garantido, mai-las suas ajudas de custo, deslocações, banquetes comemorativos e o diabo a quatro, pagos pelos contribuintes e consumidores, munícipes e cidadãos, somente considerados gente e ouvidos nas campanhas eleitorais, que depois de terem apertado os cintos anos e anos, se viram agora obrigados a empenhá-lo ao FEIF e FMI para andar de calças na mão durante mais uma década. Porque aprenderam que a impunidade é um privilégio adquirido desde as nomeações do Estado Novo Corporativista e da ANP em que se não deve mexer se se quer manter o lugar marcado na Assembleia da República. Porque da democracia só lhes servem alguns caminhos e atalhos, não os destinos e muito menos os trabalhos.&lt;br /&gt;Isto nem merecia reparo, pois todos sabemos que é assim desde sempre, como se se tivessem instituído as exceções à democracia como únicas regras que ainda vamos cumprindo (habilidosamente). Todavia a Junta de Freguesia exagerou na dose, e até fez melhor, para que não nos esqueçamos a quem pertencia o governo que nos afundou pràs bolsas do FMI e FEIF. Ainda mal a lista com as força políticos a escrutínio tinha chegado do Governo Civil, já a reuniãozinha estava marcada e feita, com os “clientes” do costume nos seus lugares e acomodados nas mesinhas de voto. Pelo que nos quedamos e batemos a chapelada ao efeito do esclarecimento, ficando definitivamente certos daquilo que suspeitávamos há muito, e que é o fato de nem só nas sondagens haverem Zandigas, polvos adivinhadores e demais acéfalos do prognóstico e do palpite, porquanto a política nacional é também o seu resultado e edição.&lt;br /&gt;Ou seja, nem parece que existimos num país europeu, onde há atualmente tantos licenciados (desempregados), quantos eram então os analfabetos. Se foi para fazer outra trambiquice deste quilate, porque andaram a proclamar o 25 de Abril? Pois não restam agora dúvidas, que tanto agitaram as bandeirinhas e sacudiram os megafones, que engoliram o trapo! &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33470272-5056710040271933357?l=escribalistas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escribalistas.blogspot.com/feeds/5056710040271933357/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33470272&amp;postID=5056710040271933357&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33470272/posts/default/5056710040271933357'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33470272/posts/default/5056710040271933357'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escribalistas.blogspot.com/2011/05/as-eleicoes-continuam-fazer-se-moda.html' title='As Eleições continuam a fazer-se à moda antiga...'/><author><name>joaquim maria castanho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13601095424407490659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/SL6Sv6k9KBI/AAAAAAAAA-E/Z5b-jAk0_lE/S220/quim.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-jbUvg-n_Xbw/TdDxPCpXO3I/AAAAAAAAD4g/zH5p7dYbElc/s72-c/POUS2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33470272.post-32192458591378432</id><published>2011-05-04T02:25:00.000-07:00</published><updated>2011-05-04T02:32:37.279-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crónicas dos Luís Não Vás'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crónicas do (E)Leitor'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política criativa'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crónicas (In)divisas'/><title type='text'>A Lei dos Profetas</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-DhrEbeWRqCA/TcEdJC42T-I/AAAAAAAAD4Q/4GIWf3eRA74/s1600/gota%2Bde%2Bira%2Be%2Bblume.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 400px; FLOAT: right; HEIGHT: 248px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5602791452656947170" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-DhrEbeWRqCA/TcEdJC42T-I/AAAAAAAAD4Q/4GIWf3eRA74/s400/gota%2Bde%2Bira%2Be%2Bblume.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;color:#ff6600;"&gt;Pôr o Peixe a Render...&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;“Não faças aos outros aquilo que não queres que te façam a ti”&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;– Regra de Ouro (Universal) – &lt;em&gt;Diálogos de Confúcio&lt;/em&gt;, XV, 23&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Quando temos de fazer uma escolha e a preterimos ou adiamos, estamos necessariamente já a escolher algo que não é &lt;em&gt;lana-caprina&lt;/em&gt; a respeito do conteúdo profundo dela, mas antes a operar na esfera da sua contabilidade e na medida exata dos preconceitos e resistências envolvidas nessa decisão que, em si mesma, é causa e consequência dessa escolha. Os meus avós diziam que quem não quer ser lobo não lhe veste a pele, e contavam uma história &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;com moral&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; acerca dessa atitude, com a devida ilustração retirada à vida real, quiçá temendo que um dia eu viesse a cair na mesma patetice. Fizeram bem, foi uma escolha acertada, pois se assim não me tivessem avisado, muito dificilmente lhe teria dado ouvidos, e talvez agora nem já existisse para cronicar sobre esta ou possíveis, como restantes, momentos e versões da História. Sobretudo porque parece que há políticos que assumem e tomam posições radicais – sim, porque abater um governo e dissolver a Assembleia da República não passa por moderado em lado nenhum! – mas depois se esquecem do que fizeram e vêm apodar as pessoas que defendem a sustentabilidade económica, social e ambiental de extremistas e perigosos radicais… Ora, cozam-se! – como dizia o &lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-CJFNIJlVMq4/TcEc6z3YUqI/AAAAAAAAD4I/UKp1_iM3UWk/s1600/m%25C3%25BAsica.JPG"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; FLOAT: left; HEIGHT: 279px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5602791208106087074" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-CJFNIJlVMq4/TcEc6z3YUqI/AAAAAAAAD4I/UKp1_iM3UWk/s400/m%25C3%25BAsica.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;Barnabiças do Altino do Tojal.&lt;br /&gt;Até há bem pouco tempo vivíamos, e ainda vivemos, numa sociedade em que o conhecimento não se conservava, embalava e comercializava melhor do que o peixe – conforme a propósito salientou A. N. Whitehead, no seu &lt;em&gt;The Aims of Education&lt;/em&gt; –, isto é, em papel, de jornal ou vegetal, cuchê ou bíblia, não importa, porquanto se tratava de reatualizar e reavivar, rejuvenescer sob empacotamento – marketing quase tudo e uma mancha (gráfica) de imaculada sujidade –, um tipo de sabedoria e beleza que, sem "a magia" da educação e do ensino, ficariam irremediavelmente perdidas num passado mais ou menos remoto.&lt;br /&gt;O peixinho, na gíria dos ganzados ervistas e haxixinos diz-se "o peixe", embora não haja ninguém que duvide que um é tão-só e unicamente a metáfora para o outro, qual eufemismo para amaneirar a toxidade do dito, era ingerido, assimilado, por aqueles que lhe podiam chegar, tal como ao ensino superior na modernidade laica e talibanizada se apresenta, e depois de servido pelas mais inusitadas pedagogias, era mastigado à pressa, sob a frugalidade de um Bolonha mal entendido e pior gizado, engolido por compêndio ou sebenta, e vomitado em relatórios ou exames, após o que seria processado burocraticamente para, finalmente, sair em canudos mais ou menos espessos ou grossos, que serviam para tudo, desde a fertilização dos solos inóspitos e bárbaros das terras fracas do além-mar, até à fabricação de telescópios de ir longe na carreira ou ver Braga à mão de colher.&lt;br /&gt;Porém, aconteceu que uma madrugada qualquer, muito diferente da outra em mudanças e vontades, surgiu a crise montada num cavalo branco da coudelaria de São Bento, a escoucear no empedrado da vida, paralelo aqui, para Lelo ali, entre as necessidades e os prazeres, os carmos e as trindades, e eis que na desventura arrastou consigo os eleitores que gostam de jogar em tudo que meta um Xis, assinatura ou totobola, para elegerem novamente para os mesmíssimos lugares e cargos aqueles que exclusivamente contribuíram para a sua dissolução, coisa estranha e absurda, uma vez que não há tino a bater certo que acredite serem os mesmos que geraram a atual crise política quem está melhor preparado para a resolver.&lt;br /&gt;Ora é precisamente a isto que me refiro quando digo que andam a fazer render o peixe quando se aplica um diploma para enganar os demais da pátria, seja ela do Algarve&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-obwmujTBGKw/TcEcsSU1d7I/AAAAAAAAD4A/Nb70fEeCc9s/s1600/sketches%2Bblume.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 202px; FLOAT: right; HEIGHT: 158px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5602790958584657842" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-obwmujTBGKw/TcEcsSU1d7I/AAAAAAAAD4A/Nb70fEeCc9s/s400/sketches%2Bblume.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; ao Minho ou do Minho até Timor, ainda que língua como almejava Pessoa, atribuindo-lhes o estatuto de pategos e não de pessoas, que o foram elas e eles, e há muito que lhe tinham feito já o manguito do fiado, no caviar do &lt;em&gt;&lt;strong&gt;queres o voto, TOMA&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;, de lamber os &lt;em&gt;bêços&lt;/em&gt; depois de uma boa feijoada regadinha a tinto de lei, que isso de decidir sem a barriga bem forrada por dentro, ainda que seja para escolher os que lhe hão de vir a fazer o ninho detrás da orelha, não é coisa que se faça de ânus leve. É preciso ter canudo.&lt;br /&gt;Então não &lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;atenteiem&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; bem, e depois queixem-se, que nem as canábis vos hão de valer! &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33470272-32192458591378432?l=escribalistas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escribalistas.blogspot.com/feeds/32192458591378432/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33470272&amp;postID=32192458591378432&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33470272/posts/default/32192458591378432'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33470272/posts/default/32192458591378432'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escribalistas.blogspot.com/2011/05/lei-dos-profetas.html' title='A Lei dos Profetas'/><author><name>joaquim maria castanho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13601095424407490659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/SL6Sv6k9KBI/AAAAAAAAA-E/Z5b-jAk0_lE/S220/quim.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-DhrEbeWRqCA/TcEdJC42T-I/AAAAAAAAD4Q/4GIWf3eRA74/s72-c/gota%2Bde%2Bira%2Be%2Bblume.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33470272.post-1850713761954913492</id><published>2011-04-16T03:45:00.000-07:00</published><updated>2011-04-16T03:52:21.881-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crónicas dos Luís Não Vás'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crónicas do (E)Leitor'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Bucólicas e Sadias'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política criativa'/><title type='text'>Graças a Deus</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Constitucionalidades…  – e quem as não quer!&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-fKs1qCwOfgo/Tal0SIcv9yI/AAAAAAAAD1w/qloPLQSApx8/s1600/SAM_0015.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px 0px 10px 10px; width: 400px; height: 267px; float: right; cursor: pointer;" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5596131866839086882" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-fKs1qCwOfgo/Tal0SIcv9yI/AAAAAAAAD1w/qloPLQSApx8/s400/SAM_0015.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Houve um “célebre” constitucionalista português que se pronunciou recentemente acerca daquilo que outros governantes e parlamentares de outros países da EU pensam sobre os nossos governantes e parlamentares, dando o principal destaque ao fato de estes não se entenderem na Assembleia da República, bem como à circunstância de que o governo como o maior partido da oposição tudo terem feito de quanto estava ao seu alcance para não convergirem no quer que seja, sobretudo no quanto à aprovação do PEC 4 dizia respeito, numa tentativa (já serôdia) de amenizar o impacto da entrada do FEIF/FMI na nossa economia e qualidade de vida.&lt;br /&gt;Estava no seu direito, porquanto o melindre nacionalista de versão estalinista como hitleriano ainda funcionam no equívoco da defesa patriótica, porém não podemos deixar de notar que os políticos desses países não os atiraram para uma crise económica prenunciada pelo despesismo, nem criaram depois uma crise política provocando eleições antecipadas desnecessárias e de suspeita ou maquiavélica índole, com vista a engrossar as suas expressões parlamentares pelo apuramento de maiorias forjadas no exterior, explorando o cansaço do eleitorado e o descrédito da população em geral na classe política, que leva os portugueses a considerar todos iguais, tenham ou não projetos diferentes e alternativos, na medida em que estão habituados à receita do prometem-prometem-mas-assim-que-lá-se-apanham-fazem-como-os-que já-lá-estavam.&lt;br /&gt;Pois bem: não me lembro do nome desse constitucionalista, e a contar pelo afirmado não deve ser levado a sério por ninguém que se paute pela honestidade intelectual, considerando que se o diagnóstico estava certo que importância tem que a receita venha de fora ou não, uma vez que é lá fora que se vai buscar o dinheiro para pagar os juros da dívida que esses políticos que não se entendem criaram, desbaratam e aumentaram? Por melhor que uma pessoa esteja, vir a terreiro defender o errado apenas porque isso lhe interessa partidariamente, é uma coisa feia e desonesta senhor constitucionalista! Não o sabia…? Ah, tem razão: você ainda é do tempo em que formavam as pessoas para saber-fazer e saber aprender/ensinar, mas se esqueceram de lhe ensinar a aprender a ser e aprender a estar, deixando-as tal e qual como antes de terem os canudos, que isso, sim, que é ser civilizado e estar entre humanos, vai lá vai… Temos pena. Só que desta vez, não são os estrangeiros que estão errados: quem não foi responsável, consciente e precavido fomos nós – e tanto é de um desleixe irreparável.&lt;br /&gt;Ora, se há alguma coisa que temos a fazer, não é condená-los ou recriminá-los pelos recados e reparos que nos fizeram. É agradecer-lhes (os eufemismos) por terem calado quanto todos nós sabemos acerca dos nossos políticos, desde o traficar de influências no ministério da cunha até ao usufruir de benefícios fiscais e ajudas que mais ninguém tem. E tanto, além de desleixados, dava-nos direito a epítetos muito mais ofensivos, corrosivos e de trambiqueira índole, que nem vale a pena aqui referir, aind’assim não nos caia em cima o &lt;em&gt;copy past.&lt;/em&gt;     &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33470272-1850713761954913492?l=escribalistas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escribalistas.blogspot.com/feeds/1850713761954913492/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33470272&amp;postID=1850713761954913492&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33470272/posts/default/1850713761954913492'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33470272/posts/default/1850713761954913492'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escribalistas.blogspot.com/2011/04/gracas-deus.html' title='Graças a Deus'/><author><name>joaquim maria castanho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13601095424407490659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/SL6Sv6k9KBI/AAAAAAAAA-E/Z5b-jAk0_lE/S220/quim.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-fKs1qCwOfgo/Tal0SIcv9yI/AAAAAAAAD1w/qloPLQSApx8/s72-c/SAM_0015.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33470272.post-1684167498307445257</id><published>2011-04-10T05:26:00.000-07:00</published><updated>2011-04-11T00:31:08.523-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crónicas dos Luís Não Vás'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política criativa'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crónicas (In)divisas'/><title type='text'>Com o perdão de V. Exas.</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/-zapK2krvL5I/TaGkXT4tWWI/AAAAAAAAD1I/wLYfnDYgJbo/s1600/S%25C3%25A1bado%2Btodo%2Bo%2Bdia%2B008.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px 0px 10px 10px; width: 400px; height: 300px; float: right; cursor: pointer;" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5593932932552939874" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-zapK2krvL5I/TaGkXT4tWWI/AAAAAAAAD1I/wLYfnDYgJbo/s400/S%25C3%25A1bado%2Btodo%2Bo%2Bdia%2B008.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Os Imaculados do Sistema… &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Os Loucos&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há vários tipos de louco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O hitleriano, que barafusta.&lt;br /&gt;O solícito, que dirige o trânsito.&lt;br /&gt;O maníaco fala só.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O idiota que se baba,&lt;br /&gt;Explicado pelo psiquiatra gago.&lt;br /&gt;O legatário de outros,&lt;br /&gt;O que nos governa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O depressivo que salva&lt;br /&gt;O mundo. Aqueles que o destroem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E há sempre um&lt;br /&gt;(O mais intratável) que não desiste&lt;br /&gt;E escreve versos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não gosto destes loucos.&lt;br /&gt;(Torturados pela escuridão, pela morte?)&lt;br /&gt;Gosto desta velha senhora&lt;br /&gt;Que ri, manso, pela rua, de felicidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;In &lt;em&gt;A Ignorância da Morte&lt;/em&gt;, de António Osório&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“A mensagem é o &lt;/em&gt;médium&lt;em&gt;.”&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mac Luhan&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;“Por vezes, ouvimos falar de um processo por danos contra o médico incompetente que deformou um membro partido em vez de o tratar. Mas o que dizer das centenas de milhares de espíritos deformados para sempre pelos inaptos insignificantes que pretendiam formá-los!”&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Charles Dickens (em 1848)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Conforme tem vindo a lume ultimamente, Portugal está prestes a virar presunto (1) histórico, isto é, país que não obstante os seus oito séculos de História não é capaz de resolver e pagar as contas da sua sobrevivência, o que o obriga a pedir emprestado para conseguir manter-se a funcionar – nos mínimos. E a coisa não é de agora, que já há muito que se sabia. A mim, e a este propósito, aquando da “terminal” rodada de &lt;em&gt;Crónicas (In)Divisas&lt;/em&gt;, no jornal Fonte Nova – e que podem ser constatadas aqui no &lt;a href="http://escribalistas.blogspot.com"&gt;http://escribalistas.blogspot.com&lt;/a&gt; – fiz das tripas coração e – de borla! – alertei para exatamente essa possibilidade, nomeadamente avisando que ou tomávamos medidas restritivas ao esbanjamento geral voluntariamente ou, então, seríamos obrigados a tomá-las no futuro, pela medida do tem-que-ser, ainda me devem declaradas desculpas todos quantos me invetivaram de iluminado e profeta, bem como os que alardearam serem elas frutos de uma imaginação catastrofista.&lt;br /&gt;Mais tarde, aceitei candidatar-me às legislativas pelo POUS 4 porque vi a oportunidade ótima para realçar o significado e urgência da sustentabilidade, da biodiversidade e da cidadania participativa no aprofundar da democracia e cimentar aquilo que pode chamar-se um sentimento político consciente e responsável, com vista estabelecer um projeto – ou desígnio – nacional suficientemente reparador das irregularidades passadas. Fi-lo nas melhores das intenções, mas aqueles que presentemente mais sentem na pele os efeitos desta crise política, social e económica, propalaram que o que eu queria era mama. Actualmente, poderia dizer quando se lamentam «bem-feita, cada um tem aquilo que criou», porém não o digo pois há muita gente que nem votou e também vai pagar pela medida grossa a entrada do Fundo Europeu e FMI, e seu respectivo pacote de austeridadezinhas para os que menos podem – sim, porque para aqueles que podem as restrições serão apenas uma questão (de aumento) de preço…&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-WdQJmxHKTi4/TaGjYFWPJqI/AAAAAAAAD1A/cob0nKNxetY/s1600/atache%2B2%2B001.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px 0px 10px 10px; width: 245px; height: 400px; float: right; cursor: pointer;" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5593931846318499490" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-WdQJmxHKTi4/TaGjYFWPJqI/AAAAAAAAD1A/cob0nKNxetY/s400/atache%2B2%2B001.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;No plano das autarquias, alertei para o desregramento e desperdício energético que então sucedia. Pois bem, agora estão totalmente às escuras alguns dos jardins que brilhavam e resplandeciam como se fossem carrosséis de feira! Falei nas questões das acessibilidades e transportes para todos, na necessidade de evitarmos – por uma questão de emissões de CO2 e alterações climáticas – a viatura particular e atendermos mais a meios públicos e coletivos. Pois toma: agora a gasolina subiu, os rendimentos diminuíram e a população envelheceu, e está tudo por fazer e com muitas contas por pagar, incluindo os juros do capital a que recorremos para fazer porcarias que têm que ser “abatidas” por inúteis e prejudiciais. E em que ficamos? As mesmas pessoas que criaram o presente estado de coisas vêm-nos propor que lhe renovemos o voto e a confiança para solucionar os problemas… E sabem-no? Se sim, como nos querem fazer crer, então porque deixaram chegar isto onde chegou?&lt;br /&gt;Repeti incondicionalmente como era imprescindível que se atendessem as diretivas para o ensino e educação portugueses enunciadas no&lt;em&gt; Relatório para a UNESCO da Comissão Internacional sobre Educação: Educação – um Tesouro a descobrir&lt;/em&gt;, vulgarmente conhecido pelo Relatório Jacques Delors, que faz incidir a aprendizagem sobre os quatro pilares – ou saberes fundamentais – do saber-fazer, saber-aprender/ensinar, saber-ser e saber-estar. Pois bem, continuaram a transmitir a mesma lateirice anterior do na terra do bom viver faz-se o que se vê fazer, e agora andam a contas com o mais elevado número de desordens e crimes, assaltos e atividades agressivas das franjas indesejáveis e psico e sociopatias de que há memória em Portugal.&lt;br /&gt;Insisti na criação e fomento de Comunidades de Leitores e/ou Grupos de Leitura, e desde que me conheço já frequentei diversas que acabaram por falta de quórum e meios financeiros. Porque a literacia não é saber soletrar mas também interpretar, analisar e valorizar um texto. Pois bem: há pessoas com cursos superiores que não conseguem entender um texto sem bonecos com mais 1000 carateres. Acham muito. E que se perdem a partir da terceira linha.&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/-ANMHBzwoQbY/TaGi1xcT3mI/AAAAAAAAD04/EEEXkudvNmY/s1600/pec.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px 10px 10px 0px; width: 278px; height: 400px; float: left; cursor: pointer;" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5593931256859713122" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-ANMHBzwoQbY/TaGi1xcT3mI/AAAAAAAAD04/EEEXkudvNmY/s400/pec.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Contudo, os corporativistas e mentores da ignorância continuam a jurar que o culpado dos seus problemas sou eu, por ser radical, pobre, honesto e transparente, e porque em vez de enaltecer e propagandear o pormenorzito que têm de bom, prefiro apontar o incalculável volume de asneiras e montanha desperdícios que caraterizou os seus PEC’s, PRODEP’s, PDM’s, PIDAC’s, OE’s, etc.,etc. e QREN’s, por exemplo. As suas negociatas entre sectores públicos e privados, a que chamam parcerias, quando não o são, mas sim favorecimentos financeiros avulso branqueados por PIN’s e quejandos. Que os problemas atuais só são problemas porque são vistos e contados por alguém, pois caso contrário, se ninguém os denunciasse até seriam virtudes dos nossos imaculados e bem-formados dominadores da República. Ora, imaculem-se!  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(1) Na gíria policial/detectivesca “literária” presunto significava cadáver.  &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33470272-1684167498307445257?l=escribalistas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escribalistas.blogspot.com/feeds/1684167498307445257/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33470272&amp;postID=1684167498307445257&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33470272/posts/default/1684167498307445257'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33470272/posts/default/1684167498307445257'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escribalistas.blogspot.com/2011/04/com-o-perdao-de-v-exas.html' title='Com o perdão de V. Exas.'/><author><name>joaquim maria castanho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13601095424407490659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/SL6Sv6k9KBI/AAAAAAAAA-E/Z5b-jAk0_lE/S220/quim.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-zapK2krvL5I/TaGkXT4tWWI/AAAAAAAAD1I/wLYfnDYgJbo/s72-c/S%25C3%25A1bado%2Btodo%2Bo%2Bdia%2B008.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33470272.post-1623474472637466381</id><published>2011-04-02T07:28:00.000-07:00</published><updated>2011-04-02T14:07:01.915-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crónicas dos Luís Não Vás'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crónicas do (E)Leitor'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crónicas (In)divisas'/><title type='text'>Genialidades</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-55mQQ7dNLSs/TZc5F9bMPDI/AAAAAAAADwY/Oi8f_QdKIYY/s1600/Cr%25C3%25B3nica%2Bimagens%2B001.JPG"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 400px; FLOAT: right; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5591000236954500146" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-55mQQ7dNLSs/TZc5F9bMPDI/AAAAAAAADwY/Oi8f_QdKIYY/s400/Cr%25C3%25B3nica%2Bimagens%2B001.JPG" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;As Receitas e o Estilo&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;"&lt;em&gt;E, no entanto, já Horácio se referia a tal trabalho através da alegoria da abelha que recolhe o néctar de todas as flores. Esta exegese plural irá ao encontro de um princípio que se designa por &lt;/em&gt;multiplex imitatio&lt;em&gt;, ao qual hão-de ser favoráveis os movimentos humanistas que tão receptivos foram aos clássicos; mas acaba por ganhar outras implicações quando se admite que na referencialidade literária temos que considerar o envolvimento cultural da obra. É a escrita própria do seu tempo, os compromissos retóricos, a estilização paródica, as citações, a recorrência das figuras, enfim todo um conjunto de referências ao&lt;/em&gt; corpus &lt;em&gt;literário em que tal obra se situa. Falaríamos de intertextualidade. E a intertextualidade é também memória. Há reminiscências ou vestígios diversos que se actualizam: e o sentido de uma obra resultará desses múltiplos e emergentes sentidos.&lt;/em&gt;"&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;– In Fernando Guimarães, &lt;em&gt;A Obra de Arte e o Seu Mundo&lt;/em&gt; (pp 45,46) &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;"&lt;em&gt;Tal como a abelha pousa de flor em flor, lhe retira o néctar, o pólen e a seiva, para depois a abandonar sem lhe ter provocado qualquer dano, assim o sábio passeia pela aldeia.&lt;/em&gt;" &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;– Provérbio Popular Chinês (PPC) &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Há quem insista, pessoas bem formadas, a tal ponto que chegam a ser formadores de (de)formadores, que as estórias apenas são válidas, quiçá preciosas, pela sua inutilidade didáctica e pedagógica, moral e socialmente, ética e esteticamente. Não porque à semelhança do sábio do PPC vão recolhendo os seus autores entre as gentes remotas lições de vida, costumes e atitudes, que depois lhe devolvem em obras de arte por palavras compostas, mas sim porque pensam que o grau zero de qualquer coisa é a máxima (perfeição) metafórica da sua &lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-fGy5oICZNnQ/TZc4LOQpEaI/AAAAAAAADwQ/RpJBzmp5CGA/s1600/Cr%25C3%25B3nica%2Bimagens%2B006.JPG"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 400px; FLOAT: right; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5590999227861373346" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-fGy5oICZNnQ/TZc4LOQpEaI/AAAAAAAADwQ/RpJBzmp5CGA/s400/Cr%25C3%25B3nica%2Bimagens%2B006.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;carreira, do seu carácter, do seu conhecimento e do seu ideal. Fazem na tela, como na vida, um borrão de tinta amarela, sobre a qual colocam de seguida quatro pintelhos, a que chamam adivinha &lt;em&gt;do qual é a coisa qual é ela&lt;/em&gt;, e não se evitam, nem hesitam, em propalar que essa miscelânea é o suprassumo do bom gosto e do bom senso, sabendo todos nós, quantos calcorreámos os campos à procura de espargos ou tortulhos, que a isso que eles apelidam de arte, demos muitas vezes pontapés, por não passarem de bufas-de-lobo *.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Ora, esta acuidade intelectual é o néctar de que se alimentam as almas do pão sem sal, os apologistas do quando não percebo marro, ou do não me comprometas que o meu narcisismo já me dá trabalho de sobra, com que tentam impingir a sua falta de saber estar e saber ser, justificando-a pelo esforço que despenderam quando tentaram aprender a fazer e aprender a aprender que lhes garantiu a cátedra. Carência essa, aliás, que foi gerada precisamente pelo não consumo dessas estórias que tanto condenam, o que facilitou a formação de &lt;em&gt;Quasimodos&lt;/em&gt; em vez de pessoas socialmente desejáveis. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A literatura, os contos, as pequenas narrativas, não apareceram por acaso. Foram a escola da noite quando as crianças eram uma mão-de-obra imprescindível às famílias, como às comunidades, que se sentavam ao redor de quem as contava junto ao fogo, se era Inverno, ou ao Luar se pela estação quente. Fizeram com que a humanidade se tornasse mais humana, expedita e funcional. Ensinaram-lhe o valor do outro como o reconhecimento de si. Povoaram-lhe o imaginário, como lhe edificaram os sonhos e &lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-u4JUxW4C4DY/TZc3AKlauFI/AAAAAAAADwI/__nQ2jR-mBU/s1600/Cr%25C3%25B3nica%2Bimagens%2B002.JPG"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 300px; FLOAT: left; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5590997938384582738" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-u4JUxW4C4DY/TZc3AKlauFI/AAAAAAAADwI/__nQ2jR-mBU/s400/Cr%25C3%25B3nica%2Bimagens%2B002.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;utopias. Trouxeram-lhe a vida para além da realidade. Transportaram para esta coisas que eram da fantasia e do espírito, e criaram ideias e formas essenciais com elementos da realidade que depois elevaram à categoria de "coisas" espirituais, como as noções de ética e de moral, de mensagem e conteúdo, de significado e referente. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Portanto, deixem de impingir o vosso gosto e prazer em macaquear a vacuidade insana, como se ela fosse a bandeira da sabedoria, uma vez que ela não passa de um farrapo de mediocridade parasitária intelectualóide. Sejam homens e mulheres e deixem as crianças aprender a sê-lo também. Que mal pode haver numa estória que tem como fundo a própria História senão dá-la a conhecer, propô-la nas discussões e na ordem do dia? É preferível contar e ouvir estórias, edificando sociedades e indivíduos, do que gerar filhos da puta enquanto clones da má-formação dos formadores de (de)&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-ckH_VR2vMVM/TZc1-bjBgbI/AAAAAAAADwA/PSIcxuHaLsg/s1600/Cr%25C3%25B3nica%2Bimagens%2B004.JPG"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 400px; FLOAT: right; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5590996809066578354" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-ckH_VR2vMVM/TZc1-bjBgbI/AAAAAAAADwA/PSIcxuHaLsg/s400/Cr%25C3%25B3nica%2Bimagens%2B004.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;formadores. Deixem zunir as abelhas e metam os insecticidas no canudo que os habilitou a serem inúteis – mas bem pagos por isso. Pagos por uma sociedade que compra assim a sua própria destruição e insustentabilidade.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;E, convenhamos, é engraçado haver uma comunidade que assalaria indivíduos que ensinem "doutores" para destruí-la... Só mesmo cá! &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Ah, calino: é de génio! &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;*Bufa, do italiano &lt;em&gt;buffo&lt;/em&gt; (jocoso, cómico), foi o nome dado às operas burlescas, cujo género musical foi criado por S. Landi, com &lt;em&gt;La Morte d'Orfeo&lt;/em&gt;, e seguidamente muito cultivado pelo teatro napolitano, tendo alcançado a sua maior perfeição nas obras de Pergolesi e Alexandre Scarlatti.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33470272-1623474472637466381?l=escribalistas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escribalistas.blogspot.com/feeds/1623474472637466381/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33470272&amp;postID=1623474472637466381&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33470272/posts/default/1623474472637466381'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33470272/posts/default/1623474472637466381'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escribalistas.blogspot.com/2011/04/genialidades.html' title='Genialidades'/><author><name>joaquim maria castanho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13601095424407490659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/SL6Sv6k9KBI/AAAAAAAAA-E/Z5b-jAk0_lE/S220/quim.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-55mQQ7dNLSs/TZc5F9bMPDI/AAAAAAAADwY/Oi8f_QdKIYY/s72-c/Cr%25C3%25B3nica%2Bimagens%2B001.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33470272.post-4138030347475161429</id><published>2011-03-28T06:29:00.000-07:00</published><updated>2011-03-28T12:48:18.115-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crónicas dos Luís Não Vás'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crónicas do (E)Leitor'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sem Metros Barreiras'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crónicas (In)divisas'/><title type='text'>Muito Pode Quem Não cala</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-adXzUi6b7Dg/TZCRPlIkYyI/AAAAAAAADuA/SBm3fwoIpQE/s1600/Futuro_de_Sustentabilidade_Entalada.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 320px; FLOAT: right; HEIGHT: 240px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5589126834418901794" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-adXzUi6b7Dg/TZCRPlIkYyI/AAAAAAAADuA/SBm3fwoIpQE/s400/Futuro_de_Sustentabilidade_Entalada.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;color:#663333;"&gt;O Poder da Fala&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;color:#663333;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;"&lt;em&gt;É preciso um espírito muito especial para analisar o que é óbvio.&lt;/em&gt;" &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;– A. N. Whitehead &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Entre o provérbio e o verbo pró (ou contra), não há apenas o conceito de espaço-quando, nem sequer a manifesta intenção de acondicionar o saber de experiência feito numa embalagem linguística passível de ser acatada pelo maior número possível de utilizadores – ou falantes –, mas antes a noção ética que reflecte na íntegra o inconsciente colectivo que o gerou, nas mais profundas e arreigadas inspirações da criação engajada numa civilização, demonstrando assim a qualidade semântica de uma tese que, por si só, não obstante os registos "literários" em que eclodiu, detonou também a antítese que lhe corresponde e a síntese que é o produto de ambas. Logo, ao analisar os provérbios de um povo, de uma língua, de uma cultura, de uma região, de uma espiritualidade, nós não obtemos somente o espelho &lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;vivo &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;desse povo, dessa cultura, dessa mentalidade, dessa língua, desse território ou desse universo de sentidos e conteúdos, como igualmente a sua capacidade de gerar modelos de pensamento, lições de vida e constructos mentais úteis no futuro, garantindo consequentemente a sustentabilidade da civilização que comporta. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Quem ateia fogo à noite, de manhã respira-lhe as cinzas. E ninguém está fora dos provérbios por mais cursos que tenha e não obstante as áreas curriculares que estes abranjam. Podem tergiversar, argumentar em contrário quanto lhes aprouver, e ainda que esporadicamente a mentira dita, possa ser tão bem arquitectada, em estilo nobre, cimentado, lógico e convincente, que por assim mesmo a consideremos merecer ser verdade, não há de ser por isso que em tal se tornará. Pois não é pelo facto de a sabedoria ser popular que deixa de ser sabedoria, nem um qualquer provérbio que nasceu das práticas e observações milenares por obsoleto fique, e isto aconteça simplesmente porque a nossa modernidade e falta de experiência o não reconhece, nem &lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-Xa-vG4gAHDM/TZCQx7LQ2MI/AAAAAAAADt4/4aa4F-hhGdI/s1600/Flores%2Bdo%2BLitoral%2BAlentejano.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 220px; FLOAT: left; HEIGHT: 165px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5589126324939708610" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-Xa-vG4gAHDM/TZCQx7LQ2MI/AAAAAAAADt4/4aa4F-hhGdI/s400/Flores%2Bdo%2BLitoral%2BAlentejano.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;valor lhe atribua. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Os homens e as mulheres sabem-no, independentemente de lhe ter acontecido, ou não. Principalmente as mulheres, a quem as consequências dos seus actos, lhe ficam vincadas no corpo como na alma, apesar de quantos avisos e contracepções a que tenham recorrido. Ou a Lua as omita da vigilância natural com que lhes ferve as hormonas ao lume brando do mistério na congeminação da vida. Bem como os adultos de todos os continentes que devem aquilo que verdadeiramente são às crianças que foram e educação que receberam, cuja qualidade enquanto seres humanos reflecte o saber fazer e o saber aprender que os habilitou para as suas profissões, é inegável, ou o saber ser e saber estar que lhes providenciou o estatuto social que actualmente estão a usufruir – e desempenhar. E muito mais que uma sentença, uma determinação do destino, uma conclusão inevitável, eis que essa sabedoria geral se lucubra* na multidisciplinariedade (curricular ou envolvente) que lhe dirige o sentido comum, como cliché ou frase feita, é óbvio, não porque o uso a desgaste e o abuso a esvazie de acutilância crítica, porventura diminuindo-lhe a sagacidade, pertinácia e agudeza de espírito, senão porque o seu peso significativo é tão grande que passou a ser aplicada por tudo e por nada, conforme as necessidades de cada um e em resultado do seu limitado conhecimento, ou desconhecimento, já que as pessoas lhe recorrem e a aplicam em lugar de outras e outros de que não se "lembram" ao momento. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Até pode ser consequência directa das derivas polissémicas que fomenta e inspira, uma espécie de &lt;em&gt;boomerang&lt;/em&gt; sofrido por almejar estender o seu significado (extensão) muito para além do reduto sémico em que eclodiu (intenção). Caprichou; lixou-se! Todavia, ao prestar-se como metáfora – aquela palavra ou frase que mete o seu significado fora de si, no ainda além da Taprobana da lusofonia –, enxertando a raiz com um garfo que lhe é estranho, embora não lhe seja adverso, explícita exemplarmente a sua riqueza lexical, denuncia o ensejo colonial e expansionista de uma cultura, que reside inequivocamente na tentativa de &lt;/span&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-0n1nmq-CiX0/TZCQGX--sOI/AAAAAAAADtw/0pvlQbV1QZM/s1600/Escolinha%2Bem%2Bvida.jpg"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 400px; FLOAT: right; HEIGHT: 317px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5589125576758571234" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-0n1nmq-CiX0/TZCQGX--sOI/AAAAAAAADtw/0pvlQbV1QZM/s400/Escolinha%2Bem%2Bvida.jpg" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;monopolizar tudo quanto se possa dizer acerca de um assunto, recorrendo-lhe. Obrigando ao reconhecimento geral de que a totalidade das coisas ditas e enunciados sobre aquilo que está em causa, somente o corroboram – e sublinham. Pelo que, imbuirá de idêntico poder ao que detém, o falante que o emprega, transportando para essa pessoa o seu poder, força que lhe advém dos resultados estatísticos, originando com que aquele que fala diga o que um sem-número de pessoas pensa. Porque esse é o mister da democracia, ou quando a vontade de todos é expressa pela boca de um – o seu líder. Em resumo, um provérbio que ecoa repetindo as mentalidades da generalidade pela fala de cada um. E quando cada qual emite o seu parecer, está a partilhar e participar simultaneamente, contribuindo com o seu voto para melhorar as decisões do seu povo ou da sua pátria. Que o mesmo é afirmar, muito pode quem não cala! &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;*Lucubrar: 1 – trabalhar ou estudar de noite; 2 – meditar profundamente; 3 – dedicar-se a longos trabalhos intelectuais&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33470272-4138030347475161429?l=escribalistas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escribalistas.blogspot.com/feeds/4138030347475161429/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33470272&amp;postID=4138030347475161429&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33470272/posts/default/4138030347475161429'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33470272/posts/default/4138030347475161429'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escribalistas.blogspot.com/2011/03/muito-pode-quem-nao-cala.html' title='Muito Pode Quem Não cala'/><author><name>joaquim maria castanho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13601095424407490659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/SL6Sv6k9KBI/AAAAAAAAA-E/Z5b-jAk0_lE/S220/quim.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-adXzUi6b7Dg/TZCRPlIkYyI/AAAAAAAADuA/SBm3fwoIpQE/s72-c/Futuro_de_Sustentabilidade_Entalada.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33470272.post-1539168251590724706</id><published>2011-03-21T06:33:00.000-07:00</published><updated>2011-03-28T07:11:15.491-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='matrizes'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sem Metros Barreiras'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Lendas e Narrativas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>Conto do Dia da (falta de) Poesia</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-Z5I_Cu89LE8/TYdXEblO7ZI/AAAAAAAADtQ/2snoJ_b5Yug/s1600/rosa%2Bpensativa%255B1%255D.JPG"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 320px; FLOAT: right; HEIGHT: 227px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5586529596411407762" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-Z5I_Cu89LE8/TYdXEblO7ZI/AAAAAAAADtQ/2snoJ_b5Yug/s400/rosa%2Bpensativa%255B1%255D.JPG" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;color:#336666;"&gt;Negócios Corruptos&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;“O melhor favor é o que se faz o mais depressa possível.” &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;Provérbio egípcio &lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:180%;color:#990000;"&gt;N&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;ão há justiça nenhuma neste mundo… Um soneto tão bem esgalhado, e &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#cc6600;"&gt;aquela criatura &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;só me pagou 0,50€ por ele, dinheiro esse que afinal era meu, que eu tinha investido no sector dos transportes, camionagem e obras lúdicas, em que só não conto quanto &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ffcc33;"&gt;&lt;em&gt;não me diverti&lt;/em&gt; nelas&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; por vergonha e pudor, e ela, essa abominável carantonha da franja em onda para surfistas mal instruídos, ainda teve o descaramento de tripudiar em cima do meu desalento e infortúnio, acrescentando-lhe como juros uns míseros 0,03€ ao investimento, juros esses que nem chegam aos calcanhares daqueles que a portugalidade vai ter que pagar pela dívida a quem lha comprou. Francamente! Se isto não é martírio, o que é que vamos chamar à Páscoa? Pois. Sobretudo porque entre o culto da água e a água do (o)culto, existe uma enorme diferença que nada tem a ver com questões de liquidez – nem igual grau de pureza ou salubridade: é nela que germina a vida, sendo assim os bastidores e &lt;em&gt;&lt;span style="color:#993300;"&gt;staff &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;operacional da Primavera. Para nos renovarmos como povo e língua, bebê-la é apenas o primeiro passo para uma recuperação (dolorosa) prolongada mas duradoura. Portanto quando recuperei do desastre sofrido na mesa redonda do ajuste de contas, tentei manifestar o meu pesar, outorgando-me vítima magoada das suas ocultas mas destiladas suspeitas. Armei em melindrado, pus nas ventas aquele semblante de poucos amigos que acompanha as tragédias mais tenebrosas do narcisismo molestado, e disse-lhe confrangido que «foste demasiado dura comigo. Aquele sonetinho não tinha mais que catorze versos de cavalheirismo bem-intencionado, de elogio à alegria e beleza, e tu inventaste uma ameaça nele, incluindo um romper de compromissos assumidos em diversas circunstâncias» como se advogasse, não uma defesa da dignidade ofendida, mas antes um direito à inocência e ao usufruir de uma liberdade garantida – e inalienável. Só que tu eriçaste-te, reagiste de supetão com o verbo afiado reclamando que «essa &lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-5jPN4odfog0/TYdW1BIFUwI/AAAAAAAADtI/WLxP_V4xykU/s1600/William_Orpen_Portrait_of_Clara_Hughes.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 327px; FLOAT: left; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5586529331611783938" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-5jPN4odfog0/TYdW1BIFUwI/AAAAAAAADtI/WLxP_V4xykU/s400/William_Orpen_Portrait_of_Clara_Hughes.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;coisinha dos sonetos é mais grave do que parece, meu menino. Não me venhas cá com arrevesadas de vitimização, pois não colam comigo – e já devias sabe-lo. O soneto é apenas a parte superior visível do icebergue das tuas intenções e tendências, submersas no inconsciente, contudo refletidas nas tuas atitudes e comportamentos dos últimos dias. Quando estás à rasca, frágil, a precisar de colo e com a identidade nublosa, eis que vens simpático e prestativo, com prendas e recompensas, solícito, meigo, amistoso, que é uma ternura ver-te nos modos e sensibilidade, palavras e sorrisos. Todavia, mal recuperas do abalo e o ânimo regressa, o equilíbrio recuperado, ficando capaz do prazer e da alegria, então é um regalo ver-te a cirandar de &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#cc6600;"&gt;flor&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;em &lt;/em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#cc6600;"&gt;flor&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, na galhofa, a arreganhares-te para tudo quanto veste saias, ou mesmo não as vestido, evidencia sob as calças os dotes do belo género, como se tudo em ti tivesse nascido precisamente para tal, fosse gentileza donjuanina, expedita e sedutora, oferta generosa de sexo e prazer, maravilha e sonho, realização plausível de todas as fantasias, incluindo as mais ousadas, inauditas, exóticas e recônditas. Em resumo, para te reerguer o ego e reconstruir a confiança, a autoestima e espírito de iniciativa, recorres a mim e à minha ajuda; agora, para usufruir dos prazeres que essa boa-disposição proporciona, preferes recorrer a qualquer&lt;em&gt;&lt;strong&gt; gaja&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;, qualquer uma, menos a mim. A mim evitas-me, até no olhar, mostras as trombas características de que toda gente te deve e ninguém paga, fazes-te caro, fino e quezilento, e isso quando não evidencias enorme enfado ou desgosto ao ver-me, mal me aproximo de ti, seja pelo que for. Para te ajudar, sirvo e cá estou; mas para foder e gozar, dispensas bem, e seria a última pessoa de que te lembrarias para o efeito. Quem não cuida e preza aquilo que tem, arrisca-se a perdê-lo, mais tarde ou mais cedo, como tu sabes muito bem. E esta é uma das poucas certezas que este mundo de incertezas tem, como constante. Ok?» Fiquei sem pinga de sangue. Onde é que ela ia buscar aquelas conclusões? Um soneto, um simples e alegre sonetinho, podia sugerir isso tudo! Shara não podia socorrer-me ali, disso tinha noção, sobretudo porque desconfiava que ela te estava a guiar ditando-te as palavras e inspirando-te nas conclusões… Enfim, estava entre a espada e a parede, e se uma tinha a lâmina afiada, a outra era feita de espinhos bicudos e inquebráveis. Para ganhar tempo fui fazer dois cafezinhos, não daqueles intensos e apaladados, antes suaves, de sabor adocicado e subtil, delicado, dois &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;deliQatus&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; da &lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;strong&gt;Delta Q&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;, período durante o qual me lembrei do sermão que tua mãe me dera a propósito da sua escolha e variedade sublinhada, onde demorei aquela parte da eternidade que à eternidade ainda falta, e nos faz ansiar para que o tempo voe, o que é um contrassenso, considerando que quanto mais depressa ele passar mais depressa também a nossa durabilidade expirará, quando fui salvo – é exatamente esse o termo apropriado! – pela entrada em casa de teu pai, que nesse sexta-feira saíra do serviço mais cedo &lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-kFiR_hFEWQY/TYdWi89J-dI/AAAAAAAADtA/stRnEOOAxsQ/s1600/Portrait%2Bof%2Ba%2BBoy%2BReading.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 296px; FLOAT: right; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5586529021254564306" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-kFiR_hFEWQY/TYdWi89J-dI/AAAAAAAADtA/stRnEOOAxsQ/s400/Portrait%2Bof%2Ba%2BBoy%2BReading.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;precisamente por ser o Dia do Pai, e reparou no meu ar macambúzio se solidarizou imediatamente comigo, prontificando-se a levar os dois cafés para ti e tua mãe, e propondo-me acompanhá-lo numa cervejola preta, fresquinha e saborosa, como nunca tinha bebido até àquele momento. Aceitei com alívio na alma. Porém desconfio que quando ele as foi buscar à cozinha, levando na ida o café de tua mãe, ela deve tê-lo alertado para a gravidade das circunstâncias, visto que voltou de lá com um sorriso de quem estava a par das novidades, dizendo depois, enquanto erguíamos as &lt;em&gt;bejeckas&lt;/em&gt; num brinde de empáticas condolências, «meu rapaz, agora tiveste a honra de reconhecer, e padecer, que aquilo que eu digo sobre o ir com elas às compras não é mentira nenhuma. Quando me calha a mim, perco em duas ou três horas muitos anos de vida, e tenho a certeza que grande parte destes cabelos brancos foi ganha nessas idas. Por cada vez que isso sucedeu, a vida nunca mais me foi o que antes fora. Como eu te compreendo…» Tu ouviste tudo mas nem pestanejaste com a confidência. Sequer lhe respondeste, defendo-te ou defendendo-a, a tua mãe, que por retirada na despensa não ouvira o que ele dissera. Eu fixei-te à Benfica, sobretudo quando lhe chamam glorioso depois de sofrida substancial derrota, com vontade de te aplicar o típico «vês, escuta aqui a voz da razão, ou toma lá esta que é de borla», a sondar os efeitos da solidariedade numa refrega de dois contra um, que, como minha avó costumava afirmar, metem-lhe uma palha no cu. Porque fora essa a vantagem que auferiras na viatura, e logo de seguida, em casa, quando me chacinaste com as divagações sobre o género poético em formato de soneto. Jamais o esquecerei. Então, a minha surpresa aumentou descomunalmente, pela reação do teu pai, que insistiu em abraçar-me reparando «venham para cá esses ossos, companheiro. A partir de hoje sei que testemunhaste o meu martírio de mais de 32 dois anos, e que não lhe és indiferente» para, ao mesmo tempo que me jungia segredar-me «preciso de um favor teu. Que vás ao café, e digas lá ao meu pessoal que não contem comigo no petisco desta noite, pois elas as duas com a história do Dia do Pai, armaram-me a &lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-f8MPNa7W8RA/TYdWNbsBt4I/AAAAAAAADs4/UIAkC9clx-I/s1600/desenho%2Bde%2Bt%25C3%25A2nia.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 308px; FLOAT: left; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5586528651547096962" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-f8MPNa7W8RA/TYdWNbsBt4I/AAAAAAAADs4/UIAkC9clx-I/s400/desenho%2Bde%2Bt%25C3%25A2nia.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;arapuca. Vais?» E eu anui, abanando a cabeça no &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#cc6600;"&gt;sim-sim&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; do costume com que as mulas comem a ração. E fui, dando por desculpa, ir meter o &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ffcc33;"&gt;Euromilhões&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;. &lt;em&gt;Uma mão lava a outra, e com as duas lavamos a cara&lt;/em&gt;, como é apanágio do sentimento mafioso mais antigo que a Serra de Ossa, e que devia ter vindo para cá precisamente na altura em que essa montanha era uma mina romana de extração de metais. Tinha sido corrompido, não havia a mínima dúvida, e fechado negócio por uma cervejinha, à semelhança da cumplicidade tasqueira entre dasafortunados do mesmo destino, pagando o favor que ele me fizera, com o cumprimento imediato de outro favor que em troca me pedira. Era a política à portuguesa a ajeitar os laços familiares e matrimoniais… E ainda antes de irmos viver para S. Mamede, homónimo local ao que tivera a batalha que determinou a nossa origem, e foi o princípio de quase nove séculos de História. Seria isso um prenúncio, ou uma repetição das tragédias familiares que, de crise em crise, temos vindo a assistir, numa novela muito mal contada, onde as Xarazades se revezam a contá-la. À História, claro. Até quando estão com ela! &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33470272-1539168251590724706?l=escribalistas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escribalistas.blogspot.com/feeds/1539168251590724706/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33470272&amp;postID=1539168251590724706&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33470272/posts/default/1539168251590724706'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33470272/posts/default/1539168251590724706'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escribalistas.blogspot.com/2011/03/conto-do-dia-da-falta-de-poesia.html' title='Conto do Dia da (falta de) Poesia'/><author><name>joaquim maria castanho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13601095424407490659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/SL6Sv6k9KBI/AAAAAAAAA-E/Z5b-jAk0_lE/S220/quim.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-Z5I_Cu89LE8/TYdXEblO7ZI/AAAAAAAADtQ/2snoJ_b5Yug/s72-c/rosa%2Bpensativa%255B1%255D.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33470272.post-4525807061513941220</id><published>2011-03-17T04:39:00.000-07:00</published><updated>2011-03-17T04:58:03.898-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='matrizes'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sem Metros Barreiras'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Lendas e Narrativas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>Conto da Semana - Os Cêntimos Contados</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-ypmLXCdQxDM/TYH3PQPEgVI/AAAAAAAADsI/SvLEUtxnYyI/s1600/exhibition202bsp7.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 313px; FLOAT: right; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5585016854344401234" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-ypmLXCdQxDM/TYH3PQPEgVI/AAAAAAAADsI/SvLEUtxnYyI/s400/exhibition202bsp7.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-size:180%;color:#663300;"&gt;&lt;strong&gt;Tudo Por Uns Trocos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;“A ocupação de poeta&lt;br /&gt;É nobre por natureza;&lt;br /&gt;Mas todo o ofício tem ossos,&lt;br /&gt;E os deste são a pobreza.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Nicolau Tolentino, 1740-1811&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;color:#990000;"&gt;A&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;rrumadas as compras no porta-bagagem, apressei-me a sentar-me no lugar do morto, de copiloto na navegação em melhores horas, do pendura ou daquele que à boleia se aventura, mas que ao instante, a primeira função assentava na perfeição, dado que me sentia, à vontade e por defeito no arredondamento, dez furos abaixo de jumento em vias de virar cadáver putrefacto.&lt;br /&gt;«Estás tão macambúzio, porquê… O que é que se passa?», quiseste saber mal nos instalámos no carro, enquanto tua mãe foi estacionar o carrinho das compras entre as baias para o efeito, e recuperar os 0,50€ com que eu entrara para o respetivo frete.&lt;br /&gt;«Não se passa &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;absolutamente&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; nada.»&lt;br /&gt;«Nada?!?», estranhou Shara através do teu sorriso matreiro de gozada expressão ou de circunspecta diversão.&lt;br /&gt;«Pronto» consenti eu, elucidando a jovem inquisidora em que te transformaras momentaneamente. «É que&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt; ali&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;a senhora&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;», e apontei para tua mãe que vinha na nossa direção, «também já ganhou a mania, de me chamar de Joaquim Maria!»&lt;br /&gt;«Eh, pá! Então, a coisa foi grave: mas o que é que tu fizeste desta vez??»&lt;br /&gt;«Nada, já disse» uma vez que a tua teimosia é um baluarte, sobretudo quando se trata de arrancar-me respostas indizíveis sobre questões inconfessáveis, e volto agora a repeti-lo para que conste publicamente a natureza do meu martírio e os contornos de tortura pidesca que o enquadram. «Absolutamente nada», mas tu não ficaste pelos ajustes, e logo que D. Catarina se acomodou no banco traseiro, eis que a inquiriste sobre as modalidades de convívio com ela na tua ausência.&lt;br /&gt;«Vá minha mãe, conte lá, que tal lhe decorreu a tarde pelo estabelecimento da sua predileção… Aqui o freguês, portou-se bem?»&lt;br /&gt;«Oh, claro, claro. Aí o pendura, portou-se à altura.» &lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-ZczEEVVx2FU/TYH3DPauf5I/AAAAAAAADsA/-RuUVcLRp88/s1600/esculturas%2Bvivas%2Be%2Bnaturais.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 400px; FLOAT: right; HEIGHT: 390px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5585016647966424978" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-ZczEEVVx2FU/TYH3DPauf5I/AAAAAAAADsA/-RuUVcLRp88/s400/esculturas%2Bvivas%2Be%2Bnaturais.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;«À altura?!?», indignei-me defendendo a geração, porém à rasca verifiquei, que a maioria vigente não ligou a mínima atenção à manifestação de protesto com que as brindei.&lt;br /&gt;«Sim, à altura… Das funções. Fez-me muito boa companhia, como qualquer Joaquim Maria»&lt;br /&gt;«Faria», aproveitaste tu, para reforçar a rima, ainda assim não caísse ela em soneto mal escondido e com as sílabas ao léu.&lt;br /&gt;Eu suei, nesse entrementes, que nem um Cristo na subida ao Calvário da Paixão e da Agonia, qual Senhor dos Passos com afrontamentos de andropausa, procurando a todo o custo outro rumo prà conversa que tinha enveredado pelo pior dos piores atalhos nas azinhagas existenciais. Até fiz ouvidos de mercador. Colei os mirantes à risca do centro da estrada e contei carros amarelos, azuis e vermelhos, todavia sem nenhum resultado na abstração, considerando que passavam em vertigem e dado me esquecer da cor de cada um no imediato à sua passagem, cruzando-se connosco nesta viagem de ida (e volta atormentada) ao hipermercado das conduções entre o labirinto das iguarias e demais substâncias nutritivas, calóricas e com 10% de desconto, consumindo-me os tutanos e a paciência, coisa que não afectou minimamente as duas, mãe e filha, que se conheciam há tanto tempo que uma nem precisava de dizer mata para a outra esfolar imediatamente e sem quaisquer contemplações.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-PFzwXmwYVxI/TYH2ovOv67I/AAAAAAAADr4/fAf-vjV9T7k/s1600/DSC08313.JPG"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 400px; FLOAT: left; HEIGHT: 266px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5585016192649653170" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-PFzwXmwYVxI/TYH2ovOv67I/AAAAAAAADr4/fAf-vjV9T7k/s400/DSC08313.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;Entretanto arquitetei um plano de recuperar a autoestima e galhardia. Não trazia grandes garantias de sucesso, porém estava à mão e, se não me facilitasse um ascendente racional sobre elas, pelo menos, oferecia uma hipótese de ganhar tempo para melhores estratégias na luta pela recompostura face à descompostura sofrida. «Ah, D. Catarina… Não se está a &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;esquecer&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; de nada, pois não? A moedinha do carrinho quem a investiu fui eu… Pode ficar com os juros, mas devolva-me o investimento, se faz favor. Ou será que anda a treinar para administradora do BPN?»&lt;br /&gt;«Não, não esqueci. Só que esta moeda faz-me falta. E ela» apontou para a condutora, «lá em casa, dá-te os cinquenta cêntimos. E os juros!»&lt;br /&gt;«Ai, pois dou. Está descansado. Temos que pôr as contas em dia…»&lt;br /&gt;Mau! A minha alma encarquilhou-se de consternado temor e mau-pressentimento. Apalpei a testa e pareceu-me deveras quente, com sintomas de febre. Estaria a chocar alguma gripinha manhosa? O povo inventou essa de um mal nunca vir só, mas sendo eu povo como sou, desconfio das invenções por defeito, pois que, desde manhã até ao fim da tarde unicamente me aconteceram desgraças.&lt;br /&gt;Portanto, assolapei-me. O trânsito, pelas horas que eram, demonstrava o frenesim típico do fim de um dia de trabalho, embora o tráfego fluísse com desenvoltura e sem contratempos, nem precisão de manobras perigosas ou desvios suplementares. E como a distância entre a casa de Shara e o hipermercado rondava o par de quilómetros, a viagem resumiu-se apenas a alguns minutos de cu tremido, sobretudo na Estrada da Ponte, onde os paralelos formam socalcos notórios e uma trepidação constante. Mas finalmente aportámos, termo aliás exato, uma vez que tu estacionaste precisamente em frente à portas de casa, isto é, no nº 32 da Rua da Igreja, paredes meias com o Tonel Bar, que é a melhor tasca de Casal Parado, terra de tradição tasqueira, e localidade onde tudo acontece daquilo que não sucede em nenhum outro lugar (nacional ou estrangeiro). Porque não querem, ou porque não podem, essa será outra questão que não é prà’qui chamada.&lt;br /&gt;No transporte dos produtos do carro para casa cruzámo-nos os três diversas vezes com o vaivém, sem que nenhum pormenor de monta mereça ser contado, excepto &lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-DOF57zPLxSw/TYH2AzK6KxI/AAAAAAAADrw/Hm1J_6hFSIk/s1600/DSC08150.JPG"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 400px; FLOAT: right; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5585015506512522002" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-DOF57zPLxSw/TYH2AzK6KxI/AAAAAAAADrw/Hm1J_6hFSIk/s400/DSC08150.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;quando me lamentei acerca do fato, de quer uma, como a outra, deixarem sempre os sacos mais pesados para mim, lamento esse que D. Catarina ouviu muito bem, aproveitando a ocasião para renovar as suas suspeitas quanto à maneira com que costumas tratar-me das frescuras, aconselhando-me «’tá com essas lamúrias, ‘tá, que se ela ouve, arranjas a fresca!», o que resultou de pleno, porquanto durante o resto do acarreto jamais abri o bico, nem sequer para bafejar as mãos que esfriaram no balanço.&lt;br /&gt;Porém, o petisco já estava ao lume de há muito, brandamente congeminado pela tua cabecinha maquiavélica e maléfica, e não tive que esperar “demasiado” para que me fosse servido com esmero e requintadamente.&lt;br /&gt;«Mãezinha, arrume isto como só você sabe, que aqui apenas atrapalhamos, e nós vamos para a sala conferir as faturas, ok?»&lt;br /&gt;«Vai lá, vai lá, que isto agora, até ao jantar, ainda demora na arrumação. Esta vida é mesmo um tirar e pôr… Foi primeiro das prateleiras prò carrinho, do carrinho prò carro, do carro prà cozinha, e agora da cozinha para os armários e estantes. Nestes dias pareço uma fiel… de armazém!»&lt;br /&gt;Fomos. Quer dizer, ela foi para a sala, e levou-me a reboque. Ainda tentei resistir, mas para não agravar o contencioso, fi-lo com pouco convicção e sem empenho na refrega. Sentámo-nos à &lt;em&gt;mesa &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;redonda&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;, tu puseste o porta-moedas entre os dois, com a mão direita sobre ele, como se estivesses a jurar sobre a Bíblia, e começaste a prédica mais arrevesada que alguma vez te ouvi: «Meu menino», conforme a tua fórmula habitual para os puxões de orelhas, «&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;meu menino&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, a minha amiga &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ffff00;"&gt;X9&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;», e aqui confesso ter retirado ao discurso dela o nome próprio que mencionou, apenas para salvaguarda dessa pessoa, diga-se a propósito «veio contar-me, que uma amiga dela lhe contou que lhe enviaste um soneto, por sinal muito expedito, escorreito e galhardo, onde lhe retratavas excelentemente o &lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-4jzXG9wjsVc/TYH1arWCsII/AAAAAAAADro/bOl3pKJuxCI/s1600/DSC08047.JPG"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 300px; FLOAT: left; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5585014851576705154" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-4jzXG9wjsVc/TYH1arWCsII/AAAAAAAADro/bOl3pKJuxCI/s400/DSC08047.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;sorriso e as covinhas das faces – entre outros dotes “&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#663366;"&gt;espirituais&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;”. Foi obradura de qualidade e preceito a que ninguém pode botar defeito. Porém, uma coisa tinha já sido esclarecida e definida entre nós: que tinham findado os sonetos. O que tu prometeste fazer, com evidente relutância, é óbvio, mas que te comprometeste a cumprir em nome da harmonia, salutar e agradável convivência entre nós. Esse conto que a minha amiga me contou, é só fantasia ou tem algum fundamento verídico?»&lt;br /&gt;De sístole em diástole o meu sistema circulatório convulsionou-se confusamente, dando àquilo a que chamamos vulgarmente por ritmo de pulsação, uma espécie de tempestade sob controversos e contraditórios movimentos dos elementos naturais, com suores frios e quentes, que me invadiam avassaladoramente, e que me atirou num mar de aflições que nunca julguei possível existir, nem mesmo nas minhas deambulações literárias pelo géneros fantásticos do suspense e do terror, da aventura e do misticismo paranormal. Portanto, de tanto querer fugir dali o corpo colou-se à cadeira, a língua colou-se ao céu-da-boca e a vermelhidão facial, característica de uma pele em brasa, latiu que nem mil cães infernais num ardor demoníaco. E, claro, não respondi.&lt;br /&gt;«Sim, que dizes?», insististe. E eu continuei de bico fechado.&lt;br /&gt;«Ora, é verdade, não é? Quem cala consente.»&lt;br /&gt;Filosofias!&lt;br /&gt;E reiterou: «Mas considerando que foi uma &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;obra&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; bem esgalhada, vou abrir a exceção que se impõe. Em vez do castigo que mereces, vou antes brindar-te com um pequeno tesouro, que não duvido estimarás, amealhando-o para piores dias. Aqui tens – e porque é de um soneto que falamos, passo a especificar o valor de estrofe na estrutura: pela primeira quadra, 15 cêntimos, em moedinhas de um cêntimo cada; pela segunda quadra, outros 15 cêntimos, sendo seis moedinhas de dois cêntimos, e as restantes três de um cêntimo cada; pelo primeiro terceto, quatro moedas de dois cêntimos e duas de um; e finalmente, porque a melhor das estrofes é indubitavelmente o segundo terceto, como que a fechar com chave de ouro, que neste caso é níquel de primeiríssima qualidade, cinco moedas de dois cêntimos. No todo, perfaz exatamente os 50 cêntimos que a minha mãe te devia. E agora, mais estes três cêntimos de juros pelo investimento que fizestes. Satisfeito com o conto das contas? Hum?!?»&lt;br /&gt;A contabilidade tinha água no bico, disso não me restava a menor dúvida. Peguei nas moedas sem levantar ondas, e enfiei-as no bolso. Punhada a punhada, a farpela &lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-csMMnfk2_UI/TYH01Jt8COI/AAAAAAAADrg/A73r92fWwGU/s1600/DSC08046.JPG"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 400px; FLOAT: right; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5585014206894967010" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-csMMnfk2_UI/TYH01Jt8COI/AAAAAAAADrg/A73r92fWwGU/s400/DSC08046.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;ficava-me cada vez mais pesada. A minha faceta petrarquiana tinha sofrido forte abalo, e reconheci como é dolorosa a incompreensão da arte e dos artistas. Até as pessoas mais chegadas a tratam com desprezo. Todavia, o pior mesmo, foi o ter consciência, que catorze versos não valiam mais que 6% de €, o que vistas as condições e os juros sobre a venda da dívida portuguesa, ainda lhe ficam muito aquém. É como um fado camoniano – nenhum engenho e arte vai além da Taprobana por mais esforçados que os poetas da portugalidade sejam, ou perigos e guerras que atravessem. E a história repetia-se, enfim…&lt;br /&gt;Tanto mar, tantos mundos ao mundo, ao desbarato de três tostões. O que equivale a dizer, tanta sílaba soletrada, tanta métrica perfeita, tanta música perdida… e tudo, só por uns trocados! &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33470272-4525807061513941220?l=escribalistas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escribalistas.blogspot.com/feeds/4525807061513941220/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33470272&amp;postID=4525807061513941220&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33470272/posts/default/4525807061513941220'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33470272/posts/default/4525807061513941220'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escribalistas.blogspot.com/2011/03/conto-da-semana-os-centimos-contados.html' title='Conto da Semana - Os Cêntimos Contados'/><author><name>joaquim maria castanho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13601095424407490659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/SL6Sv6k9KBI/AAAAAAAAA-E/Z5b-jAk0_lE/S220/quim.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-ypmLXCdQxDM/TYH3PQPEgVI/AAAAAAAADsI/SvLEUtxnYyI/s72-c/exhibition202bsp7.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33470272.post-101494324656767358</id><published>2011-03-12T08:45:00.000-08:00</published><updated>2011-03-15T03:58:33.124-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='matrizes'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sem Metros Barreiras'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Lendas e Narrativas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>Conto de Amanhã, dia 13, dia da Estrela</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;A Pequena Estrela&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; (&lt;em&gt;&lt;span style="color:#ff6666;"&gt;&lt;strong&gt;cor-de-rosa&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-6z6gLdaJS_M/TXupkhrVV5I/AAAAAAAADrY/sNIAzbp52aY/s1600/com%2Bos%2Bolhos%2Bda%2Balma%2Bacesa.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5583242608036370322" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-6z6gLdaJS_M/TXupkhrVV5I/AAAAAAAADrY/sNIAzbp52aY/s400/com%2Bos%2Bolhos%2Bda%2Balma%2Bacesa.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;“Em nada à verdade falto,&lt;br /&gt;A dor me aviva a memória;&lt;br /&gt;E, por não entrar de salto,&lt;br /&gt;Deixai, Senhor, que esta história&lt;br /&gt;Tome o fio de mais alto.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;In &lt;em&gt;Memorial a Sua Alteza&lt;/em&gt;, de Nicolau Tolentino&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“A brisa vaga no prado,&lt;br /&gt;Perfume nem voz não tem;&lt;br /&gt;Quem canta é o ramo agitado,&lt;br /&gt;O aroma é da flor que vem.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;In &lt;em&gt;Voz e Aroma, Folhas Caídas&lt;/em&gt;, de Almeida Garrett&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Estamos disponíveis para nós mesmos se aos demais convocamos como desejáveis, preferidos e imprescindíveis. Até insubstituíveis. Nenhuma pessoa é como outra pessoa. Há algo que identifica aquela pessoa como favorita se lhe conhecemos o pormenor ínfimo que a diferencia da multidão de aqueloutras iguais a si, sem destrinça de cor ou feitio, fala ou cultura, costumes e trajes, princípios e atitude social, pessoal ou ideológica. A preferência dissolve-se e multiplica-nos depois como desejados e… inevitáveis à vida de quem assim nos rotulou. Marcou. Inventou. Assumiu. E acolheu.&lt;br /&gt;Mas não é fácil sê-lo. Principalmente quando nos nomeiam soletrando o nome de alto a baixo, vincando cada sílaba como se estivessem a bater sola de ruim defunto. E D. Catarina fê-lo pelo menos quatro vezes, que foram as que mais “doeram”. A primeira, foi na sequência de me ter incumbido de escolher os pimentos. Fi-lo com galhardia e desenvoltura. Alegre e contente, cantando e rindo. Três exemplares escorreitos, imaculados de um verde não muito carregado, elegantes no porte e esguios no formato. E foi um queres vê-la a matraquear-me o juízo com «mas que é isto, Joaquim Maria?! Pedi-te pimentos e tu trazes-me palmilhas de pantufa quase transparentes que nem um cortinado de pilheira? Anda cá, a ver se aprendes!»&lt;br /&gt;Eu fui, sob protesto mas fui, que era para tanto que ali estava e a acompanhava. Afinal, D. Catarina era o general em campo da filha. E quando chegámos aos frescos enxuguei calado na audição da mestra.&lt;br /&gt;«Vê bem: pega num pimento dos que escolheste, e agora neste. Qual a diferença?»&lt;br /&gt;«No peso, na cor, até na forma… Este parece um cepo de vide, contorcido e atarracado. Pelo peso, como é maior, e isto paga-se a peso, também será mais caro. Pois» argumentei eu, para ela ficar ciente de que nisso do saber rústico e rural não me faltavam estudos – nem sentenças. Mas ela engalfinhou-se no «errado valdevinos! Este pimento está feito, está formado, logo tem todas as qualidades desenvolvidas, sabor, textura, sementes, odor, e começa a ganhar aquela pigmentação vermelha que lhe atesta a maturidade. Por conseguinte, dará o respetivo aroma e sabor &lt;/span&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-dTrgmsnAZZo/TXuo1mBhQhI/AAAAAAAADrQ/JgCBT7ZH_OQ/s1600/biodiversidade.jpg"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5583241801749316114" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 158px; CURSOR: hand; HEIGHT: 211px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-dTrgmsnAZZo/TXuo1mBhQhI/AAAAAAAADrQ/JgCBT7ZH_OQ/s400/biodiversidade.jpg" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;aos cozinhados, conforme se espera que faça. Compreendido?»&lt;br /&gt;«Claro. Tem razão, eu precipitei-me na escolha, foi o que foi.»&lt;br /&gt;«Ótimo. Então, agora traz aí umas laranjas.»&lt;br /&gt;Fui-me a elas. Havia-as em barda, avulso e em caixas, daqui e dali, em sacos de rede, umas grandes e outras pequenas, com o laranja mais desbotado ou carregado, mas todas, sem exceção, que nisso primavam pela unanimidade, todas cor-de-laranja, ainda que algumas se aparentassem na vestimenta com limões azedos. Calculei que as mais em conta seriam umas, rechonchudas, redondas de fazer inveja ao pôr-do-sol, casca encorpada e volumosa, e meti no saco de plástico, à vontade, quatro/cinco quilitos delas, rumando depois à viatura das mercadorias, na qual tinha investido 0,50€ só para armar em cavalheiro perante a mãe da dama dos meus celtiberos enredos. E foi com notório júbilo que as empunhei no ar, antes de as acomodar no carrinho, exibindo-as à generalíssima pessoa, tentando recuperar o amor-próprio abalado na anterior demanda. E aí a coisa deu-se. Dona Catarina dos meus tormentos, pôs as mãos na cabeça como quem se aflige por algum flagelo incontornável e lamentou-se num rogo condoído às criaturas divinas mais propícias ao lugar:&lt;br /&gt;«Meu Deus; mas o que é isso, Joaquim Maria? &lt;span style="color:#ff6600;"&gt;&lt;strong&gt;Isso &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;são lá laranjas! Achas que vamos comer cascabulho à sobremesa? Achas?»&lt;br /&gt;Era óbvio que não achava, porém se lho confessasse que adiantaria? Quando ela se põe a rogar às alturas que intercedam em compaixão e dó para lhe melhorar a sua vida nesta terra, não há como ficarmos desatendidos e desadmirados ou des-surpreendidos com a tamanha fé e devoção que ela coloca nas suas preces. A minha cara de orgulho, antes, desceu num ápice às profundidades da vergonha, cujo semblante ensombreceu como se uma nuvem negra e tempestuosa tivesse cruzado os tetos da grande superfície e ofuscado as lâmpadas fosforescentes que os habitam. Ainda atalhei «mas D. Catarina, que mal pode haver em frutinhas tão vistosas e desempenadas…?», contudo ela cortou-me o pio com «não há &lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;mas&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, nem meio &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;mas&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;. Isto não presta, e não vou permitir que se leve para casa, fruta inchada que passou sede na sua criação, tal e qual como a barriga dos meninos do terceiro mundo, que se tornam barrigudos à força da fome que sofreram. Percebido?»&lt;br /&gt;Amuei, e nem respondi. Responder o quê? Ainda não tinha enxugado a cara da última &lt;/span&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-dVYgxQ14owk/TXun_g4ZLEI/AAAAAAAADrI/QkP1HdDXoXg/s1600/banho%2Breconstansubstancializador.jpg"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5583240872655924290" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 262px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-dVYgxQ14owk/TXun_g4ZLEI/AAAAAAAADrI/QkP1HdDXoXg/s400/banho%2Breconstansubstancializador.jpg" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;ensaboadela, ia logo de seguida arriscar-me a levar outra, por causa da resposta… Vai lá, vai!&lt;br /&gt;Todavia, ela nem sequer notou o cuidado com que evitava demais agruras, e adiantou-se para as pedagogias levando-me a reboque que nem charrueco empanado. «Olha só: estas laranjas, têm muita casca, são airosas, mas não têm sumo nenhum. Já estas, vês, de casca fininha, pouco enrugada, como camisas agarradas ao corpo, são pesadas e, se forem doces, como suponho que sejam, serão bastante sumarentas, dando para comer gomo a gomo, como em sumo, para acompanhar as refeições… Vês a diferença?»&lt;br /&gt;Vocês viram? Assim vi eu! Porém, não tugi nem mugi, que as sondagens não andavam lá muito abonatórias prò meu lado, ultimamente. Ainda me passou pela cabeça sublinhar o momento de carinho (idílio) familiar com o típico «obrigado, mamã» dos famosos óscares da cinefilia, contudo meti a viola no saco, temendo ser mal compreendido na gratidão e reconhecimento invocados. Deambulámos em par por entre estantes e prateleiras, na estiva da transferências de garrafas e enlatados prò veículo, ela fazendo reparos, eu ouvindo atento e compenetrado, sem novidade significativa.&lt;br /&gt;Não obstante, a terceira nomeação não se fez rogada na demora. E foi dura. «Enquanto vou ali à carne, vai tu buscar o café, senão ela há de sair do serviço e nós com metade das compras por fazer. Ok?»&lt;br /&gt;Fui. Escolhi seis embalagens do &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ffcc00;"&gt;Delta Q&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, que é a máquina de serviço, tanto na casa dela como na minha, três &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;Qalidus&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, intensidade máxima, e três &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Qharacter&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, com intensidade 9, imediatamente inferior à do &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Qalidus&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, e acondicionei-as junto às restantes mercearias. E quase recuperei o ânimo quando D. Catarina voltou, depositando os sacos com as carnes em &lt;em&gt;sus sítio&lt;/em&gt;, como seria lógico que fizesse. Fomos ambos aos queijos, ovos e restantes lacticínios, sem a mínima altercação. Contudo, quando ela me explicava precisamente porque convinha levar mais latas de tomate cortado aos cubinhos do que em polpa ou somente pelados, eis que reparou nos cafés e pronto, deflagrou outro aceso discurso sobre o benefício da diversidade. «Joaquim Maria, para que é que queremos seis embalagens só de dois lotes e sabores? Não respondas, que eu sei bem porque é: porque é só desses que tu costumas beber. Esqueces, meu menino, que lá em casa não és só tu que bebes café, além do que nem somente bebemos café depois das refeições, e que durante a tarde ou as manhãs, com um biscoito ou bolachas, também molhamos o bico com este estimulante, sobretudo quando precisamos de arejar um pouco do que se está a fazer. E que nessas alturas, o conveniente, é baixarmos a intensidade à beberagem, nomeadamente para um &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;aQtivus&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;Qonvictus&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;Qonvivium&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, e até um &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;deQafeinatus&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, se preferirmos abster-nos de excitações contraproducentes. Se a grande vantagem deste tipo de máquinas está em podermos variar nas preferências porque é que vamos usar sempre o mesmo sabor, intensidade e aroma? Para isso tínhamos comprado uma máquina daquelas em que seja qual for o café que se mete no cachimbo sai sempre igual. Ou não?»&lt;br /&gt;Não faço a mínima ideia da cara com que fiquei… Mas suponho que a terei contorcido numas quantas caretas de dor e sofrimento, consternação e angústia, bem esclarecedoras do tormento que se abatera sobre mim, porquanto a tua mãe se condoeu a pontos de me perguntar «estás bem? Estás doente? O que é que se passa contigo?» que me obrigou a descansá-la com o tradicional «não é nada. São só umas cólicas intestinais, se calhar causadas pelo almoço, em que abusei um pouquinho do tintol», fato plausível se atendermos às migas engolidas à pressão de copo repetidamente cheio pelos 14,5º de volume na velocidade do enquanto o diabo esfrega um olho.&lt;br /&gt;E a coisa não tinha sido grave se não tivéssemos entrado no capítulo da portugalidade gastronómica. Coisa tradicional, o bacalhau, havia de me dar – finalmente – hipótese de brilhar. Havia mas não &lt;em&gt;haveu&lt;/em&gt;, porque não deu! Eu conto: saído a salvo pelas ventas, salvo-seja: pelas expressões faciais, foi a vez de irmos ao peixe, incumbindo-me a excelsa senhora de entrar na fila do fiel amigo para nos aprovisionarmos do mesmo. Calhou-me, e eu esmerei-me. Fui-me ao mais caro, mais alto e de maior “copa”. Branquinho de pureza e salgadinho de quase fresco, ainda húmido. Estava já com ele na mão para entregar à empregada prò pesar e cortar em postas, quando D. Catarina me abordou com o «deixa ver, se vale a pena», e então o&lt;em&gt; tsunami&lt;/em&gt; aconteceu. A pena virou vergasta e acertou-me no ego na máxima pujança. «Joaquim Maria, Joaquim Maria, então tu foste escolher a pior coisa que havia na banca? Tu não vês que vais pagar água e sal ao preço do bacalhau, e que este depois de cozido se esfiará como estopa para atacar cartuchos de bacamarte? Não vês que além de não estar curado é alto e depois leva dois dias, pelo menos, a dessalar cada posta? O bacalhau quer-se creme, seco, daquele que depois de cozido a posta se separará em lascas de gomosa espessura, saborosas e sem sal de assoprar nas tensões arteriais… Ok?»&lt;br /&gt;Eu okezei de anuimento, disse que sim que entendia, mas tinha-me distraído com qualquer coiseca, fora o que fora, todavia ela suspirou um «ora, ´ta-se mesmo a ver que foi isso» de quem não acreditou nadinha nas desculpas, o que reiterou o combalimento de que ainda não recuperara. E implorei para que Shara aparecesse. Não ajoelhei implorando, mas pouco faltou. Até que as preces foram ouvidas e tu entraste no meu ângulo de visão, equipada a preceito com o teu gabão cor-de-rosa, a mala a tiracolo, as chaves do carro na mão esquerda, o dedo indicador direito sobre os lábios, &lt;/span&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-3l4VjMoVVfk/TXumwAkDrxI/AAAAAAAADrA/5tWykv9U32c/s1600/EM_OFERTA.jpg"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5583239506771029778" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 319px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-3l4VjMoVVfk/TXumwAkDrxI/AAAAAAAADrA/5tWykv9U32c/s400/EM_OFERTA.jpg" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;num gesto pensativo, reflexivo, atenteando entre as fileiras de produtos à nossa procura. Não resisti. Chamei-te a plenos pulmões. Era como se no firmamento das minhas preocupações tivesse surgido uma estrela anunciadora, uma Boa Nova de libertação entre os enlatados e a bruma que evoluía dos congelados.&lt;br /&gt;«Olha, olha, estamos aqui!»&lt;br /&gt;E estávamos. Pelo menos eu estava, reconhecido e grato pela aparição. Podias ser um cometa, algo que aparece e desaparece seguidamente, mas não eras. Eras um raio luminoso na minha esperança fortemente vergastada pelas circunstâncias intempestivas da experiência consumidora que se tornou saber.&lt;br /&gt;Calado agradeci às profundidades da alma ter-te por perto. E ao beijar-te, na saudação de boas-vindas, demorei a respirar o odor do teu cabelo e o “aroma” do teu olhar de alegria. Em verdade, o ramo (familiar) agitado que tanto, durante toda a tarde, cantara era o de tua mãe, mas a felicidade que me preenchera no fim dela, esse, sim, era totalmente teu, e por mais que tivesse a ver com o seu canto, nunca perderia o encanto que há em reencontrar-te.&lt;br /&gt;E essa seria a singela novidade que Shara haveria de ter em conta quando te contasse a partida que me pregara – através das tuas ordens e chefia. Porque, pese embora, eu estranhar quando me tratas por Joaquim Maria, tu tinhas dias que nunca o fazias, e semanas até sem recorreres ao citado nomeamento. O que já não se podia dizer de tua mãe, que numa só tarde, quer dizer: duas horitas dela, por tal me nomeara pelo menos quatro vezes, e de forma bem sublinhada na soletração.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33470272-101494324656767358?l=escribalistas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escribalistas.blogspot.com/feeds/101494324656767358/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33470272&amp;postID=101494324656767358&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33470272/posts/default/101494324656767358'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33470272/posts/default/101494324656767358'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escribalistas.blogspot.com/2011/03/conto-de-amanha-dia-13-dia-da-estrela.html' title='Conto de Amanhã, dia 13, dia da Estrela'/><author><name>joaquim maria castanho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13601095424407490659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/SL6Sv6k9KBI/AAAAAAAAA-E/Z5b-jAk0_lE/S220/quim.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-6z6gLdaJS_M/TXupkhrVV5I/AAAAAAAADrY/sNIAzbp52aY/s72-c/com%2Bos%2Bolhos%2Bda%2Balma%2Bacesa.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33470272.post-5094011141257545010</id><published>2011-03-10T07:58:00.000-08:00</published><updated>2011-03-10T10:20:32.945-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='matrizes'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sem Metros Barreiras'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Lendas e Narrativas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>Conto para os dias úteis</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-NA9rNLuW5O0/TXj64tBcDVI/AAAAAAAADqo/xE1wHB1Vnbk/s1600/o_saracotear_de_Sara.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 400px; FLOAT: right; HEIGHT: 287px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5582487590190976338" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-NA9rNLuW5O0/TXj64tBcDVI/AAAAAAAADqo/xE1wHB1Vnbk/s400/o_saracotear_de_Sara.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Quando a Razão nos Observa&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“E daí? – Daí, a história&lt;br /&gt;Não deixou outra memória&lt;br /&gt;Dessa noite de loucura,&lt;br /&gt;De sedução, de prazer…&lt;br /&gt;Que os segredos da ventura&lt;br /&gt;Não são para se dizer.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;In &lt;em&gt;Aquela Noite!&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Folhas Caídas&lt;/em&gt;, de Almeida Garrett&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;13.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;"Quando eu, senhora, em vós os olhos ponho,&lt;br /&gt;E vejo o que não vi nunca, nem cri&lt;br /&gt;Que houvesse cá, recolhe-se a alma a si,&lt;br /&gt;E vou tresvaliando, como em sonho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isto passado, quando me desponho&lt;br /&gt;E me quero afirmar se foi assi,&lt;br /&gt;Pasmado e duvidoso do que vi,&lt;br /&gt;M’espanto às vezes, outras m’envergonho;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que, tornando ante vós, senhora, tal,&lt;br /&gt;Quando m’era mister tant’outr’ajuda,&lt;br /&gt;De que me valerei, se a alma não val?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esperando por ela que me acuda,&lt;br /&gt;E não me acode, e está cuidando em al,&lt;br /&gt;Afronta o coração, a língua é muda."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sá de Miranda – Coimbra, 1481 – S. Martinho de Carrazedo, 1558&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;color:#ffcc00;"&gt;A &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;cada qual o seu suplício, mas não há ninguém a quem seja alheio (e desconhecido) o meu martírio: não tenho vontade, que não seja influência sua; sou falho de sentir felicidade, desde que não seja ela a contribuir e determinar a sua existência; e de onde quer que seja que Shara se omita, se desinteresse, eu aí, simplesmente, torno-me nulo e insignificante. Sem o mínimo brio ou talento para o mister em causa, falho de capacidades e competências nessa área (e funcionalidades). Se sofre, sofro; se alegre e contente, rejubilo de satisfação e contentamento. Uns, podem chamar-lhe vício e dependência, outros, até obsessão; contudo, reclamo e pergunto: se viver não é isto, então o que é? Há outra maneira de viver que melhor se coadune com a natureza (humana) e a vida? Vá, digam lá: há? Pois. Era o que eu pensava!&lt;br /&gt;Quando sorris assim reconheço-a em ti, aberta e espontânea, sem enigmas nem cuidados supérfluos. As aspas laterais aos lábios, a alegria espelhada como um desafio que não queres ocultar, os olhos a romperem o castanho das lentes dos óculos de sol, como se estas não fossem capazes de conter e filtrar a intencionalidade brilhante das pupilas pertinazes e cintilantes. A testa marmorínea e ogival sob a franja de onda a enformar tubo, o pescoço esguio mas forte, confiante e de porcelana, onde a sombra dos cabelos caídos de corda húmida, rasgam o outeiro da paisagem alentejana amputando-lhe a solidão rupestre e ancestral. Era eu quem queria estar sempre do outro lado da objetiva a registar cada segundo, cada instante, em que ambas vivem numa só pessoa. E nisso, até dela sinto ciúmes, por poder ser-te como se em si mesma ela fosse tu própria. O segredo, todavia, é esta espera de vê-la assomar, emergir num &lt;em&gt;insight&lt;/em&gt;, espreitar a &lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-Ya1uiYdslG8/TXj6V1xBZOI/AAAAAAAADqg/wyS0YdSoKs0/s1600/PD-CountryGirl.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 400px; FLOAT: right; HEIGHT: 380px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5582486991242618082" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-Ya1uiYdslG8/TXj6V1xBZOI/AAAAAAAADqg/wyS0YdSoKs0/s400/PD-CountryGirl.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;realidade através das tuas ações, esgares, gestos, atitudes, e capturá-la se para tanto me permitirdes no abraço a sofreguidão imperiosa do indizível e inaudito, a vencer, a diluir a indiferença do socialmente correto. É a ventura e o milagre da síntese, ante a eclosão da circunstância ocasional. Diária. Desatenta. Frugal. Desprevenida. Sem pose estudada nem jogada intencional. &lt;em&gt;Clic &lt;/em&gt;de detalhe que tudo altera, que apaga a escuridão dos momentos de tédio e os ilumina transformando-os no incontornável cintilar que suspende na surpresa que nos faz esquecermo-nos de nós, de agir, de respirar, de falar, de pestanejar, enfim, de ouvir o tempo a marcar-nos o ritmo da pulsação à desfilada. Scherzando sobre as páginas vertida e convertida em melaço com significado translúcido dos fios das linhas (e dos cabelos castanho-escuros) escritas em sinapses que crepitam (e faíscam) arrebatamento. Como sinais. E como hinos de condão.&lt;br /&gt;Foi dessa forma que sorriste quando cheguei ao teu serviço. “Exatamente assim”, precisamente com a desentupida manifestação de quem vê confirmadas as expectativas criadas. E desmentidas quaisquer suspeitas ou contrariedades.&lt;br /&gt;Por conseguinte, sob o descaramento inerente aos vitoriosos, declaraste que «sempre soube do prazer que sentes em cumprir &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;o que te ordeno&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;. Mas hoje caprichaste» também em sublinhá-lo, fazê-lo notado, pondo-o em relevo de comprovada verificação perante as tuas colegas de trabalho, para que registassem quiçá que o quanto afirmaras antes era apenas metade do que à realidade calhava verdadeiro. Os seus modos denunciaram-no, porém eu fiz-lhes vista grossa, e não afetei a mínima mossa, pelo contrário, ajudei à festa sentenciando mais uma palissada(1) de incontestável efeito nos humores gerais: «pudera. Tu também só me impões tarefas e obrigações que sugeri com manifesto entusiasmo, e sabes serem do meu agrado. Assim qualquer chefe é sempre obedecido, pois sabe escutar o coração dos seus súbditos, os mais profundos anseios dos seus vassalos. &lt;em&gt;Voilá&lt;/em&gt;!»&lt;br /&gt;Houve gargalhada geral. O êxito e reconhecido sucesso do relacionamento entre nós contagiou quantos e quantas estavam. Contagia sempre e inevitavelmente, porque somos capazes de brincar com o que nos é superiormente profundo e íntimo sem nunca nos trairmos ou condenarmos. Sabemos os defeitos – mentira: as particularidades sensíveis de cada um –, mas não os usamos como argumento de persuasão ou cavalo de batalha para garantir qualquer tipo de ascensão sobre o outro. Não jogamos os segredos como trunfos no relacionamento mútuo. Nem pomos na cara o quer que seja que tenhamos feito a pedido do outro. Fazemos o que fazemos pelo que é feito, não como estratégia de conseguir seja mais o que for.&lt;br /&gt;«Então, e o &lt;em&gt;Magalhães&lt;/em&gt;… Deixaste-o em casa? Parece mentira! Logo agora que estava a &lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-dHBfjuISi7w/TXj5f9nzCcI/AAAAAAAADqY/9WFXVVDml8g/s1600/No%2Brefresco%2Bda%2Btarde%252C%2Bo%2Bpasseio%2Bse%2Bpublica.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 300px; FLOAT: left; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5582486065638476226" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-dHBfjuISi7w/TXj5f9nzCcI/AAAAAAAADqY/9WFXVVDml8g/s400/No%2Brefresco%2Bda%2Btarde%252C%2Bo%2Bpasseio%2Bse%2Bpublica.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;pensar em romper o noivado por &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;adultério &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;com ele, eis que preferiste a minha companhia à dele. Sinto-me defraudada», registaste tu, como rodapé copulativo à risada de todos os presentes, o que lhes renovou os ânimos e a chacota. A alfinetada deveu-se sobretudo ao fato de levar incondicionalmente comigo o portátil minorca a onde quer que me desloque, como se ele fosse – e que efetivamente é – uma extensão complementar do meu cérebro e braço. Porque é nele que escrevo e leio, ouço música e vejo filmes, crio e navego, pesquiso e comunico, via correio electrónico (e-mail) com os meus conterrâneos de afinidades comuns.&lt;br /&gt;«Pois deves sentir, e com razão. Porque quando estou com a tua mãe, ao contrário de quando estou só contigo, nem lhe sinto a falta. É uma senhora com quem dá extraordinário prazer privar e conviver!»&lt;br /&gt;«Ai, é!? Então ‘bora: vou-te acoplar a ela toda tarde, para saberes o que é bom prà tosse!»&lt;br /&gt;«E eu ralado! Creio mesmo que é bem melhor do que ficar arrumado entre quatro paredes no convívio com uns quantos chatos que só falam &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;no &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;trabalho…»&lt;br /&gt;Não obstante, fiquei por ali na contenda, já que a hora podia estar a requentar os tutanos, que estariam em fritura lenta desde as duas horas da tarde, somando portanto, 120 minutos de esturricação lenta, o que acarreta danos em qualquer córtex por mais inanimado que estivera. Logo, desandei a trote à tua frente, a romper caminho, antes que o caldo entornasse.&lt;br /&gt;Normalmente a conjuntura é-me favorável quando cumpro a tarefa de substituir-te junto de D. Catarina. É uma situação cómoda, confortável, admito, não só por estar a fazer o que determinaras que eu devia fazer, como igualmente por ser algo que consolida o espírito de família que deve cimentar as relações entre pessoas que têm um projeto de vida em comum, e se veem como estratégia de uma ordem superior, a da vida, que nos escolhera para alcançar a eternidade. Ou podia ter escolhido, quem sabe!, independentemente da nossa apetência para tal.&lt;br /&gt;Consequentemente, preparei-me para desfrutar ao máximo da companhia de tua mãe. E empenhei-me em proporcionar-lhe momentos agradáveis, se é que alguns podem existir, numa simples e ordinária ida ao hipermercado do burgo, empurrando um carrinho rangente e aramado entre filas e estantes carregadas com embalagens, cujos rótulos, se estivessem escritos em chinês, não significariam positivamente mais nada para mim. D. Catarina estava à porta, esperando, pelo que não perdemos tempo, dirigindo-nos à superfície comercial. Foi também a primeira a descer do carro, ficando nós a sós por escassos segundos, mas os suficientes para aconselhares: «acompanha-a e aprende, que há coisas que não vêm nos livros. Como saber discernir entre um peixe fresco e outro menos fresco, por exemplo. Um queijo apaladado, ainda que tenha um aspecto [menos] atrativo. E um cheiro incomum. E isso também nos vai fazer falta, quando ela cá não estiver, para o fazer por nós. Ok?»&lt;br /&gt;«Certo», respondi, pese embora me tenha ficado a língua muda, perante uma razão que&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-AETYAj4Ymrk/TXj4gUDBeyI/AAAAAAAADqQ/7RRfUi8vmhA/s1600/uma%2Bfolha%2B%25C3%25A0%2Btona%2Bda%2Bfala.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 400px; FLOAT: right; HEIGHT: 240px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5582484972146621218" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-AETYAj4Ymrk/TXj4gUDBeyI/AAAAAAAADqQ/7RRfUi8vmhA/s400/uma%2Bfolha%2B%25C3%25A0%2Btona%2Bda%2Bfala.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; o coração nem sempre entende como suficiente, mas que nos observa diletante. E ela que além de nos ver, igualmente nos conserva… Como uma folha que nos defende da própria boca!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;(1) Dito do género &lt;em&gt;o morto estava outrora vivo&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;ainda não acontecido antes de acontecer&lt;/em&gt;, etc., coisa que derivou do facto deste general (Jaques de Chabanes, Senhor de La Palice) ter sido contemplado com uma canção de caserna depois de ter morrido gloriosamente na batalha de Pavia, na qual foi feito prisioneiro o rei Francisco I pelo imperador Carlos V: “Monsieur de La Palice est mort / Mort devant Pavie / Un quart d’heure avant / Il etait encore en vie.” &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33470272-5094011141257545010?l=escribalistas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escribalistas.blogspot.com/feeds/5094011141257545010/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33470272&amp;postID=5094011141257545010&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33470272/posts/default/5094011141257545010'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33470272/posts/default/5094011141257545010'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escribalistas.blogspot.com/2011/03/conto-para-os-dias-uteis.html' title='Conto para os dias úteis'/><author><name>joaquim maria castanho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13601095424407490659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/SL6Sv6k9KBI/AAAAAAAAA-E/Z5b-jAk0_lE/S220/quim.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-NA9rNLuW5O0/TXj64tBcDVI/AAAAAAAADqo/xE1wHB1Vnbk/s72-c/o_saracotear_de_Sara.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33470272.post-7554566792822391367</id><published>2011-03-05T07:34:00.000-08:00</published><updated>2011-03-10T06:51:18.976-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='matrizes'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Jóias da Época'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sem Metros Barreiras'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Lendas e Narrativas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>Conto da Semana -- Entre os Rios, a Memória</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-MYzb5rNWPcc/TXJadaaDwKI/AAAAAAAADqI/mCpDBy_EGpA/s1600/Deleite_entre_formas.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 304px; FLOAT: right; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5580622349616791714" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-MYzb5rNWPcc/TXJadaaDwKI/AAAAAAAADqI/mCpDBy_EGpA/s400/Deleite_entre_formas.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Entressonhando nos Mundos Paralelos&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;“Teu nome, só para mim,&lt;br /&gt;Sabendo-o conhecido de toda a gente […]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei-o de trás para diante&lt;br /&gt;Anterior ou partindo do meio,&lt;br /&gt;Repetido como refrão constante&lt;br /&gt;Atreito ao brilho do diamante&lt;br /&gt;Como às espigas do trigo e do centeio. “&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;In Joaquim Castanho, &lt;em&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Nova Razão: Velha Aliança&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;T&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;emos sete sentidos e não apenas cinco, como nos admoestaram no ensinamento da escolástica. Além da empatia e propriocepção, há os comuns cinco das sebentas: visão, tato, gosto, audição e cheiro. Normalmente, esquecemo-nos dos dois primeiros porque os temos como garantidos ou incómodos. A propriocepção que faculta levarmos o garfo à boca quando comemos um bom bife, em vez de o metermos nas orelhas ou nos olhos, por exemplo, que tal como o equilíbrio e o ar, só lhe notamos a existência quando lhes sentimos a falta, se os perdemos; e a empatia, ou reconhecimento do outro, apenas se o outro demonstra não nos reconhecer (como devia), pela via sinuosa do melindre e narcisismo frustrado ou, então, quando nos sucede algo cujo efeito minorámos aos demais, no trajeto natural de um arrependimento fora de prazo. Todavia, porque fiquei com umas contas pendentes contigo, alterei a ementa do almoço, dando-lhe aquele toque provinciano que te havia de torturar na digestão: prato único – migas de pão com costado e linguiça fritos, cenouras cozidas cortadas às rodelas em vinagre e sal, azeitonas retalhadas e cebolinhas em vinagre, vinho tinto (e aí o esmero agudizou-se, porque na parte da tarde irias trabalhar e darias pela pertinácia da graduação…) com 14,5 º, marca &lt;em&gt;Monte Maior&lt;/em&gt;; por fruta, uma manga madura, bem cheirosa, de polpa aveludada e sumarenta; o café, imprescindível nestes momentos de vitória, de máxima intensidade, um &lt;em&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;Qalidus&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; fumegante e vulcânico da &lt;em&gt;&lt;span style="color:#330033;"&gt;&lt;strong&gt;Delta Q&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;, a rematar com dois Bombons de Figo com Chocolate, para te contorcer de remorsos pela afronta que me dispensaras de manhã e a frieza com que te despediras na saída. E tudo isto a provar que nem sempre a melhor vingança se serve fria!&lt;br /&gt;Shara havia de rubescer irada quando reconhecesse o valor calórico do almocinho, e de como ele se propunha a derrubar pela base a dieta de emagrecimento que se impusera para adelgaçar a silhueta. (Hhhuuuau!, cá se fazem, cá se pagam.)&lt;br /&gt;Portanto aprimorei-me nos detalhes, pus a mesa com a simetria perfeita, para um tete-à-tete de que não queria perder pitada, com apenas uma jarrinha ao centro, onde coloquei três rosas rubras cujos debruns nas pétalas raivam o negro, a fim de não interferir minimamente no frente-a-frente coreografado: só nós dois, ante uma refeição altamente reconstansubstancializadora. (Pimba: vai buscar!!)&lt;br /&gt;Sei que nunca é difícil, quer a Shara como a ti, “adivinhar” o que penso nem quais são as minhas intenções, a propósito seja do que for. Conheces-me demasiado bem e nestes últimos nove anos apuraste a técnica, tornando-te numa exímia mestra da antecipação acerca de mim. Reconheço que facilitei bastante nesse sentido, pese embora, ainda que tardiamente, tenha treinado exercícios de escapar-te às infiltrações e invasões de "espionagem" existencial. E consigo-o de forma sofrível, principalmente quando andas ocupada com algo absorvente e fundamental, como a saúde da tua mãe, as questões laborais, as exigências do curso. Contei com esses aliados para dissolver a tua acutilância…&lt;br /&gt;Quando chegaste acabara de descascar as mangas, guardando-as no frigorífico para não oxidarem. A conversa andou pelo blá-blá circunstancial e servi-te as migas, fumegantes e aromáticas, numa mescla de alho, loureiro, azeite e pão. Depois de umas garfadas, verti o vinho com subtileza, pondo menos no teu copo do que no meu, dando-te oportunidade de notar a ocorrência. Tu, caíste no visco da encenação, ingerindo-o de um só trago, e renovaste a dose, desta vez ao nível daquilo que tinha deitado no meu copo. E entraste no assunto da celeuma.&lt;br /&gt;«Quim, está na hora de saber porque sonhei contigo ontem, a tentar dobrar &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;aquela &lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#33cc00;"&gt;esquina &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;entre as palavras ditas e as por dizer. O que se passou &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;realmente &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;ontem, antes de te deitares? Vá!»&lt;br /&gt;«Ora, nada. Foi assim: tocou a campainha, fui ver quem era, pediu-me emprestados poemas sobre Arina e na devoção À Deus, e eu voltei a casa, tirei um exemplar dos dez que imprimi anteontem e dei-lho. Quando acabar a leitura dar-me-á a sua opinião sobre o que leu, o que duvido que faça, como é costume com toda a gente. Podia ter debatido a possibilidade de o oferecer a alguém, mas suponho que isso estava subentendido no fato de ter imprimido mais que dois, um para mim, outro para ti, conforme seria se estivesse estipulado que o livro não era &lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-xvfiZ178CWs/TXJZ2601r7I/AAAAAAAADqA/rx0qouvIh44/s1600/A_Tecedeira_de_Sonhos.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 400px; FLOAT: left; HEIGHT: 388px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5580621688304152498" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-xvfiZ178CWs/TXJZ2601r7I/AAAAAAAADqA/rx0qouvIh44/s400/A_Tecedeira_de_Sonhos.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;acessível a terceiros. E pronto, foi tudo. A seguir deitei-me, dormindo até pouco antes de teres chegado.»&lt;br /&gt;«Isso sei eu, pateta. O que quero saber &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;agora,&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; é o que sonhaste!»&lt;br /&gt;Prontifiquei-me a renovar o vinho nos copos de ambos. Mastigando, mas sem tirar os meus olhos dos teus, avaliando-te o grau de concentração e contrariedade. Mantinhas-te serena e confiante…&lt;br /&gt;Repetiste a pergunta salientando a pessoa inquirida pelo «que sonhaste Joaquim Maria?», o que me pôs alerta quanto à gravidade da inculca.&lt;br /&gt;«Hum… Mal me lembro! Umas fantasias quaisquer sobre ambientes exóticos, meio árabes, meio ciganos, meio espanhóis, sei lá! Estava escuro, e era de noite!»&lt;br /&gt;«Graçolas, &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;não&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, meu menino. O humor é despropositado neste enredo. &lt;em&gt;Humor&lt;/em&gt; deriva do latim, e significa humidade no olho. Portanto, revela esse filme.»&lt;br /&gt;Engasguei-me. A coreografia desmoronou como um castelo feito com baralhos de cartas. Ela &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;sabia&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;. O meu esforço tinha sido em vão, e esconder-lho uma ousadia inglória. &lt;em&gt;Arrefinfei-lhe&lt;/em&gt; o copo duma assentada, sem sequer me preocupar em reencher o dela. Planeara com sofisticado empenho a evasiva, a manobra de diversão, contudo a debalde, ela – ou Shara, vá-se lá saber! – atalhara e cortar-me a retirada. Porém contar-lhe o que sucedera estava fora de questão. Morreria no campo de batalha mas jamais lhe entregaria a bandeira. O estandarte. A divisa indivisível. Nunca!&lt;br /&gt;«Diz.»&lt;br /&gt;«Diz.»&lt;br /&gt;Garfada a garfada as migas e o costado sumiram-se. A garrafa do vinho evaporou-se – por minha resumida influência, confesso. A fruta deslizou pelo palato imergindo na &lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-lvZveZhV2ug/TXJZCKUI8PI/AAAAAAAADp4/lRG_uw8msZQ/s1600/amanhecer.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 400px; FLOAT: right; HEIGHT: 299px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5580620781928902898" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-lvZveZhV2ug/TXJZCKUI8PI/AAAAAAAADp4/lRG_uw8msZQ/s400/amanhecer.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;garganta. Mas ela não arredou pé da intenção, reiterando com intervalos regulares o «diz» que não admitia qualquer tergiversão.&lt;br /&gt;«Diz.»&lt;br /&gt;E eu disse.&lt;br /&gt;De uma só vez.&lt;br /&gt;Como se disparasse de rajada.&lt;br /&gt;E estivesse numa esquina sem tempo a perder.&lt;br /&gt;«Sonhei que estava no palácio de Entre-os-Rios (Mesopotâmia) onde decorria um baile de letras, todas trajadas com sedas e tules, com adereços de ouro e prata, pulseiras, coroas, colares, diademas, contorcendo-se como mulheres em ritmo indo-iraniano, persa, turco, de feiticeiras muito antigas, de cujas, as principais eram quatro letras minhas conhecidas, muito minhas conhecidas, que estão no pórtico da eduba de Uruk, alinhadas aleatoriamente formando étimos a que desconheço a significação, na minha frente, hipnotizando-me, encantando-me quase, distorcendo-me os sentidos, ouvindo com olhos e vendo com a língua, nada era comum ao que acontece no dia-a-dia, nada estava no seu lugar reservado, próprio e determinada, convecional, até que essas letras entraram num frenesim descomunal e me arrastaram para o meio de si, nessa babel incandescente, e fizeram comigo quanto nem a própria brisa consegue. Voei. Voei. Voei. E perdi o sentido da mortalidade, do tempo, da consciência de mim. Fui para lá do lá e voltei numa só noite. Que mais posso dizer?...»&lt;br /&gt;«Vês, não doeu nada. Porque estavas com tantas fintas e esquivas? Depois do café, hoje vou querer três figuinhos achocolatados. Ainda há que cheguem?»&lt;br /&gt;«Claro. Guardei dois para cada um, mas bebi tanto vinho, que dispenso um.»&lt;br /&gt;«Ok. Depois de lavares a louça vai ter comigo ao serviço, para irmos buscar a minha mãe, para ires ao hipermercado com ela. Fazes-lhe companhia e ajuda-la nas compras. Passamos o serão com ela, que o meu pai regressa tarde. De Lisboa a Casal Parado ainda é um esticão, e ele só sairá de lá depois das dez.»&lt;br /&gt;Nem retruquei. Sair de fininho destes enredos destorce as inquietações e põe-nos fora de outras aflições. Principalmente comigo, a quem as letras perderam todo o respeito e às vezes se insurgem criando palavras, sobretudo nomes, a dançar, a gingar, a despirem-me da névoa loquaz da realidade. Correr mais riscos, para quê?&lt;br /&gt;«Tá», respondi. Só enfim, quando a acompanhei ao carro, reparei que a janela estava com as persianas corridas. Tu acompanhaste o meu olhar, reparaste no que reparei, e resumiste: «põe-te a pau, que estamos atentas ao que fazes e sentes. Eu, e &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;elas&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;.»&lt;br /&gt;Então vi, tive a certeza, que [&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;não&lt;/span&gt;] tinhas sido tu quem almoçara comigo, mas &lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;ela&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;. E &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;ela&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; que, &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;por sinal&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, durante a noite disfarçara seu nome numa dança de letras maravilhosamente inebriante. Ao que os meus sete sentidos, de sobreaviso e com intensa acuidade, bastaram para reconhecer,como excecionalmente reais e autênticos, superiormente reais do que foram a própria realidade.&lt;br /&gt;Somos tão pequenos e distraídos neste mundo de lugares, que não raramente esquecemos a importância dos não-lugares. Mas a lição marcara-me… &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33470272-7554566792822391367?l=escribalistas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escribalistas.blogspot.com/feeds/7554566792822391367/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33470272&amp;postID=7554566792822391367&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33470272/posts/default/7554566792822391367'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33470272/posts/default/7554566792822391367'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escribalistas.blogspot.com/2011/03/conto-da-semana-entre-os-rios-memoria.html' title='Conto da Semana -- Entre os Rios, a Memória'/><author><name>joaquim maria castanho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13601095424407490659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/SL6Sv6k9KBI/AAAAAAAAA-E/Z5b-jAk0_lE/S220/quim.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-MYzb5rNWPcc/TXJadaaDwKI/AAAAAAAADqI/mCpDBy_EGpA/s72-c/Deleite_entre_formas.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33470272.post-762554275355392500</id><published>2011-03-02T06:46:00.000-08:00</published><updated>2011-03-02T07:59:11.826-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crónicas do (E)Leitor'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sem Metros Barreiras'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Bucólicas e Sadias'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política criativa'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crónicas (In)divisas'/><title type='text'>O Êxito e as Promessas</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-GUlfys7BjkQ/TW5ao6DEoPI/AAAAAAAADpI/Gv8dH5XfKIE/s1600/socrates-rir-assembleia-republica.png"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 326px; FLOAT: left; HEIGHT: 230px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5579496647182033138" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-GUlfys7BjkQ/TW5ao6DEoPI/AAAAAAAADpI/Gv8dH5XfKIE/s400/socrates-rir-assembleia-republica.png" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;As Cortes da Galhofa &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"O êxito está cheio de promessas até que os homens o alcançam: e então verifica-se que é um ninho do ano passado que os pássaros abandonaram."&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;– H. Beecher&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Quase toda a gente diz disparates. Bom... exagero: das pessoas que eu conheço, muita delas, fazem-no. Incluindo eu!&lt;br /&gt;O disparate é inerente à comunicação entre indivíduos de manifesta e declarada intenção social. E ele até não faz grande mal ao mundo, não atrofia a vida de ninguém, não avoluma a densidade e a estatísticas do &lt;em&gt;errare humanum est&lt;/em&gt; (errar é próprio do homem), não destrói a natureza nem esgota os recursos naturais, e se polui o ambiente, é apenas nocivo a quem falhou o filtro de barbaridades, a que comummente chamamos sentido crítico, enquanto genuíno antivírus de prevenção contra as canalhices da governação, da vizinhança e da coleguia profissional, que é outra espécie de máfia na panelinha do safe-se quem puder. Porém, não reconhecer os próprios disparates ou branquear os dos demais, devido a qualquer sentimento de preferência, isso já se afigura deveras grave e prejudicial ao presente de cada um e futuro de todos nós. &lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-dnsELmKq72A/TW5aIxxetiI/AAAAAAAADpA/Y_mtEtG0OgE/s1600/parlamento2.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 400px; FLOAT: right; HEIGHT: 266px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5579496095204947490" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-dnsELmKq72A/TW5aIxxetiI/AAAAAAAADpA/Y_mtEtG0OgE/s400/parlamento2.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;A oratória da Assembleia da República, neste capítulo, é o suprassumo dos exemplos nocivos ao in/consciente coletivos da portugalidade vigente, enquanto pontapé de saída para o jogo do desenvolvimento no pano verde da sustentabilidade, alvitrando que no futuro nos espera um dominó enlouquecido com o qual teremos que dançar (cair/tombar) no dia-a-dia das lides do bem-estar, harmonia e sobrevivência. Uns dizem disparates, para os outros se rirem; e os que se riram, dizem depois outros disparates, em amena competição e &lt;em&gt;faire play&lt;/em&gt;, para aqueles que antes os disseram, também se poderem rirem. É uma galhofa pegada, o que já sabíamos, pois desde há muito desconfiávamos que o deleite desses senhores e senhoras era, e é, o prejuízo que vão provocando em cada qual daqueles que os elegeu. As marafonas fazem teatrinhos, e os pinóquios capricham no donjuanismo consequente. Anima-se o regabofe do salão com os cantares e descantes da corte, anunciando uns para desanunciar outros, apresentando como decretos-lei os projetos-lei que jamais foram, atirando ao mar de seguida a pescada que nunca o foi. Mas a plateia ri-se, e o povo paga-lhes o divertimento, que é para isso mesmo que serve o orçamento!&lt;br /&gt;Recapitulemos.&lt;br /&gt;A cada qual a parte de ridículo que lhe cabe, por direito e conquista; que o saber de experiência feito, cabe sempre num ponto de vista. Contudo suspeito, que de entre todos os deputados que representam a nação, não haja um único sequer, que possa pôr sobre o peito a sua própria mão – sem se queimar de culpa (antes de um ato de contrição). Aliás, perguntamo-nos de que mais será capaz, aquele que não sente pudor nem vergonha por enganar um pobre?&lt;br /&gt;Foi implantado e implementado – com pompa e circunstância – o célebre Plano Tecnológico, que se supunha vir a ser a vanguarda administrativa do progresso e &lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-diaMyQGylls/TW5Zo0prc8I/AAAAAAAADo4/6jwG_EJ1RKc/s1600/PLANOT%257E1.JPG"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 400px; FLOAT: left; HEIGHT: 356px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5579495546221720514" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-diaMyQGylls/TW5Zo0prc8I/AAAAAAAADo4/6jwG_EJ1RKc/s400/PLANOT%257E1.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;desenvolvimento. Ninguém esquece o apanágio dessa "reforma" de excelentíssima expectativa e significado. Porém... Nas últimas eleições, milhares quiseram votar, mas não puderam exercer o seu direito que a constituição consagra também como dever de cidadão, porquanto o plano cumpriu a sua meta na complicadex expressão da cidadania democrática, porque o novo número estava lá mas não estava, não sendo omisso do cartão era todavia oculto, isto é, de consequências mágicas na subtração da identidade ao cidadão.&lt;br /&gt;Por outro lado, empunhando o mesmo cartão, se tivermos isenção de taxas moderadoras e nos deslocarmos, por exemplo, a um hospital distrital (!!! – pasme-se...), temos que levar uma carta do Centro de Saúde a confirmar que somos quem somos e estamos isentos, pois no hospitalzinho não há uma máquina que descodifique/leia as informações configuradas no dito Cartão de Cidadão, que ao que parece a cuja cidadania ninguém passa cartão. Tem lá tudo: NID, NIF, NSS, NUS e de Eleitor – mas é o mesmo que não ter, pois ninguém o pode testemunhar, testar ou ler. Mas quando foi tirado pagámos 12 € por ele. É caso de Defesa do Consumidor (DECO), porquanto nos venderam um produto infuncional sob publicidade enganosa. De que mais será capaz quem engana um pobre?&lt;br /&gt;Fácil resposta. Esse pobre que adoeça e vai ver como elas lhe mordem, desde que não seja a sorte favorece-lo no azar que teve e a coisa lhe passe com umas aspirinas... Porque se não for, então morre, de desespero, de desilusão e de falta de cuidados. E mais uma vez é do plano: está tramado. Se precisar de ir a um Centro de Saúde, então pode recorrer à Internet, e lá encontrará o site/portal do Centro que procura. O design é magnífico, as cores (re)laxantes, o letring magistral, as imagens bastante asséticas. As informações é que não são fiáveis pois, por exemplo, se quisermos saber a que horas terminam as consultas de recurso no fim-de-semana, seja ao sábado, então, estamparam lá que é às 20:00 horas mas se lá formos depois das 14:00 horas batemos com o nariz no portal. Isto é, tiveram verba para cumprir o plano mas depois esqueceram-se de actualizar os conteúdos num "reino" onde a única coisa &lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-g_dhSMOusuQ/TW5ZFNetuRI/AAAAAAAADow/1af9XEJjsK8/s1600/ilogo_plano_tecnologico_1.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 232px; FLOAT: right; HEIGHT: 161px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5579494934411327762" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-g_dhSMOusuQ/TW5ZFNetuRI/AAAAAAAADow/1af9XEJjsK8/s400/ilogo_plano_tecnologico_1.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;que não muda nunca é a constante mudança, a elevada dose de incerteza e entropia que alimenta a governaça e nos destrói a segurança.&lt;br /&gt;Mas tem uma vantagem de inegável valor calórico que nos agasalha o ânimo: as promessas que o Plano nos trouxeram foram um êxito estrondoso e imorredoiro. Continuam ativas. Continuam atuantes. Continuam promessas. E isso também está em qualquer plano. Sobretudo naqueles que não contemplam a respetiva e inerente avaliação. Posto que é esta a mais-valia dos planos. Então se não é aquilo que é porque lhe chamam plano?&lt;br /&gt;Quem é capaz de enganar um pobre, o que não fará às outras pessoas?&lt;br /&gt;Garante-lhe um ninho – mas das eleições passadas. Que os passarões abandonaram, por estar fora de prazo e vencida validade, como dirá H. Beecher. Ou como diria, se assistisse à galhofeira nacional da casa da portugalidade, onde parecem todos estar muito satisfeitos e bem servidos sem nada que fazer. E todos equipados com a tecnológica dignidade do plano... Então, porque não a aproveitam, e aos cómodos climatizados, modernos, reparados, para atualizar os simples conteúdos das instituições a que o aplicaram. Aí está, até podiam manter o mesmo número que não baixavam na qualidade (cortesã). Continuariam muitos, mas a fazer qualquer coisa útil a quem os elegeu, para que lhe não caísse a cruz em democracia rota de cidadania vã! &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33470272-762554275355392500?l=escribalistas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escribalistas.blogspot.com/feeds/762554275355392500/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33470272&amp;postID=762554275355392500&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33470272/posts/default/762554275355392500'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33470272/posts/default/762554275355392500'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escribalistas.blogspot.com/2011/03/o-exito-e-as-promessas.html' title='O Êxito e as Promessas'/><author><name>joaquim maria castanho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13601095424407490659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/SL6Sv6k9KBI/AAAAAAAAA-E/Z5b-jAk0_lE/S220/quim.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-GUlfys7BjkQ/TW5ao6DEoPI/AAAAAAAADpI/Gv8dH5XfKIE/s72-c/socrates-rir-assembleia-republica.png' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33470272.post-3909121356680007486</id><published>2011-02-24T02:59:00.000-08:00</published><updated>2011-03-03T03:54:13.234-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='matrizes'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literárias e Divinas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sem Metros Barreiras'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Lendas e Narrativas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>Conto da Semana - Nem Vale a Pena Contar</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-ZIDqTzgHeG0/TWZAOM8i6pI/AAAAAAAADoY/0YUbHdC4ZSU/s1600/hipathiaiii.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 182px; FLOAT: right; HEIGHT: 298px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5577215801282456210" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-ZIDqTzgHeG0/TWZAOM8i6pI/AAAAAAAADoY/0YUbHdC4ZSU/s400/hipathiaiii.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Nem Vale a Pena Contar!... &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#336666;"&gt;&lt;strong&gt;“Era a noite da loucura,&lt;br /&gt;Da sedução, do prazer,&lt;br /&gt;Que em sua mantilha escura&lt;br /&gt;Costuma tanta ventura,&lt;br /&gt;Tantas glórias esconder. “&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;In &lt;em&gt;Aquela Noite&lt;/em&gt;, de &lt;em&gt;Folhas Caídas&lt;/em&gt;, por Almeida Garrett&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;color:#cc0000;"&gt;O &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;s olhos faiscantes de Shara acompanharam-me e perduraram na noite enquanto me dirigia para casa, atravessando a única rua que precisava de ser atravessada para o efeito. E pese embora, em Casal Parado, elas não sejam assim tão largas como avenidas, creio que essa passagem durou muito mais do que seria plausível, esticando cada minuto além da sua extensão própria de sessenta segundos, quase pude assistir (intacto) a um autêntico concerto de estrelas despencando dos alto cimos do breu, como uma chuva de fogo-de-artifício, que somente findou quando a luz se acendeu, de repente, no quarto da vizinha sob a moldura encortinada da janela, cujo reposteiro de tule e seda azul-turquesa, bordados com motivos geométricos em dourado e prateado, partindo do centro superior descia afastando-se dele, até à base, no parapeito, formando um triângulo – ou delta luminoso – mais iluminado dentro do quadrado da caixilharia. Então nele, no preciso momento em que metia a chave na fechadura da minha porta de casa, surgiu, apareceu nele, a minha vizinha casualmente perscrutante e perscrutando a rua antes de correr as persianas.&lt;br /&gt;Não me recordo agora do nome dela, mas ninguém me tira da ideia de que ela é uma aliada tua, uma personagem do quotidiano de forte afinidade com os teus desejos e estratégias, invariavelmente inoportuna como uma súbdita que me vigia e põe à prova &lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-wVPxJn64eCc/TWY_pENm3MI/AAAAAAAADoQ/KjoHQaNCN-I/s1600/P1010010.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 400px; FLOAT: left; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5577215163282939074" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-wVPxJn64eCc/TWY_pENm3MI/AAAAAAAADoQ/KjoHQaNCN-I/s400/P1010010.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;entre as tuas ausências assaz pertinazes. Algo se repetia, pois é inquestionável a impressionante semelhança entre esta rapariga e a outra da história que me contaste, para me convenceres a acompanhar a tua mãe ao médico, com êxito, e a propósito, o que me pôs de sobreaviso, já que quando as circunstâncias se replicam ou duplicam é lógico concluir que os mesmos resultados se verifiquem. O que não tem a mínima prestidigitação ou ilusionismo, antes advém do determinismo positivista como qualquer sociologia. É pragmático e protocolar.&lt;br /&gt;Digamos que &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;essa&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; que aparecia à janela, não sendo visão ou espectro, alucinação nem Maia, coincidia com uma pessoa real mas que &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;esta&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, por sua vez, se colava em autenticidade a uma outra que tu criaras para figurar numa alegoria expressamente dirigida aos meus sentidos, através da tua narrativa. Seja. Difícil de engolir, e de fraca substância além da metafórica, sobejamente refutável, mas enfim, credível, se não nos afundarmos – aprofundando – excessivamente na factualidade lógica e racional. Todavia, o pior ainda estava para vir… Porque ao infinito, à suprema felicidade, à máxima ventura, como à Utopia, nunca se chegará, pois uma vez aí chegados então &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;elas&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; deixarão de o ser, que todo o brilho se lhe oculta e a atração perdem, pelo que tudo quanto sofremos e penámos para as alcançar vão se tornará, ganhando foros de ninharia.&lt;br /&gt;Por conseguinte, e atalhando, depois de ter aberto a porta, entrado, feito o que é comum fazer antes de me deitar, tomado um &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;em&gt;Red Q de rooibos&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, petiscado umas bolachinhas com &lt;em&gt;Mel de Elvas&lt;/em&gt; e dois bombons de figo com chocolate, anotado os itens de assunto para a palimpsestura do dia seguinte, lido mais um capítulo do livro combinado no Grupo de Leitura, tomado banho, lavagem dentária, etc., eis que a campainha tocou, num &lt;span style="color:#ffff00;"&gt;&lt;strong&gt;trrrim&lt;/strong&gt;!&lt;/span&gt; breve de picada subtil, um quer-não-quer que soa, não obstante convicto quanto à eficácia para o efeito, que resumido era o de ter-se feito ouvir por mim. Estremeci. Não era hábito ter visitas àquela hora nem o toque me era familiar. Nem tu nem Shara assim tocaram alguma vez e, de resto, além dos vendedores disto &amp;amp; daquilo, durante o dia, raramente me visitavam ali, na minha casa, que era simultaneamente biblioteca, escritório, cozinha e dormitório de comedidos cómodos. Um &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ffff00;"&gt;trrrim!&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; seco e rápido, agudo, afiado, acutilante e estridente, apenas.&lt;br /&gt;Abri a porta de casa em roupão, desci as escadas até à porta do prédio, e sem surpresa alguma deparei com a minha vizinha, exatamente aquela que surgira na janela e em quem reparara a perscrutar a rua enquanto entrava no patim do rés-do-chão prédio de casa. «Boa noite, desculpa incomodar-te a horas tão tardias…» atalhou. «Mas soube hoje que escrevias poemas de devoção a Arina, e &lt;em&gt;estou em pulgas&lt;/em&gt; para os conhecer. Podes emprestar-me alguns?»&lt;br /&gt;Sorri vaidoso e radiante. Que coincidência! Precisamente há três dias atrás fizera uma brochura de um livro de poemas, intitulado &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Nova Razão: Velha Aliança&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, uma edição caseira de dez exemplares, sem qualquer motivo especial para isso, nem que &lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-tO0K9ZonzRI/TWY-27AAJQI/AAAAAAAADoI/YF5obtXX5PQ/s1600/DSC08218.JPG"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 400px; FLOAT: right; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5577214301816497410" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-tO0K9ZonzRI/TWY-27AAJQI/AAAAAAAADoI/YF5obtXX5PQ/s400/DSC08218.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;alguém mo tenha sugerido, e que julguei ser um desperdício de dinheiro e tempo, e agora deparava com a hipótese de o mostrar, na calada da noite a uma conhecida quase desconhecida, e com quem não trocara mais que raríssimos bons-dias ou boas-tardes, que as circunstâncias dos vaivéns diários propiciaram… Porém, não estranhei nada, e além de me rejubilar com a oportunidade, respondi de imediato «tenho sim, e um livro mais ou menos acabado, que te dou, e de que serás o primeiro leitor, quer dizer, leitora. Queres entrar ou preferes que o vá buscar?»&lt;br /&gt;«Não. Eu fico aqui, à espera» ouvi enquanto me virava com galhardia para retornar a casa e trazer-lho.&lt;br /&gt;Voltei num ápice, como um Camões de braço erguido salvando o manuscrito do naufrágio, gravura que parece ter sido peta do marketing e da propaganda, embora desta vez traga algo de verdade e autêntico, porquanto o estava eu a salvar, não como manuscrito mas como edição impressa por meios electrónicos, não das águas frias e obscuras do temeroso mar, mas sim das turbulentas e maviosas angústias do ostracismo e anonimato, da solidão e incompreendida saga que acompanha, inevitavelmente, qualquer primeira obra de um autor &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;sobejamente&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; desconhecido – até da família. E entreguei-lho sublinhando que «não é emprestado, é dado. Será uma prova da empatia que existe entre nós, ok?», coisa bizarra que me saiu sem o mínimo sentido, mas de que só me dei conta depois de ela ter agradecido num &lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-GSY-3FFLia0/TWY9VHZYzbI/AAAAAAAADoA/03NrU9j9_TU/s1600/sarah_bernhardt.JPG"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 396px; FLOAT: left; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5577212621517016498" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-GSY-3FFLia0/TWY9VHZYzbI/AAAAAAAADoA/03NrU9j9_TU/s400/sarah_bernhardt.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;«certo. Obrigada. Depois digo-te o que achei dele, se tiver achado alguma coisa, como deves entender… Boa noite!»&lt;br /&gt;E este &lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;boa-noite&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; misturou-se no &lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;até amanhã&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; de Shara quando me despedi de ti. Vida complicada a minha!... Nada me acontece por menos, refleti, entrementes, ao subir lentamente os degraus de regresso ao quarto, numa escalada de sobressalto em sobressalto, como se girasse num torvelinho de sensações contraditórias e reconhecidas contradições de náufrago ao-deus-dará.&lt;br /&gt;A vida, e o mundo nela, é mesmo um entroncamento de surpresas e variáveis inesperadas, onde basta um &lt;strong&gt;&lt;em&gt;clic&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, um &lt;em&gt;&lt;strong&gt;trrrrim!&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;, um olhar, um ato, um gesto, uma palavra, para que tudo quanto era verdade e certo se tornar ilusão e engano, ou vice-versa, ou o monótono e melancólico, fatídico e previsível, se mostrar inconcebível e turbulento. Se adormecemos, sonhamos. Se ficamos acordados, alguém nos desperta e amplifica os sentidos para além do suportável…&lt;br /&gt;Podia contar-vos o desassossego que foi a minha noite. Mas nem tento: ninguém acreditaria! &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33470272-3909121356680007486?l=escribalistas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escribalistas.blogspot.com/feeds/3909121356680007486/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33470272&amp;postID=3909121356680007486&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33470272/posts/default/3909121356680007486'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33470272/posts/default/3909121356680007486'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escribalistas.blogspot.com/2011/02/conto-da-semana-nem-vale-pena-contar.html' title='Conto da Semana - Nem Vale a Pena Contar'/><author><name>joaquim maria castanho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13601095424407490659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/SL6Sv6k9KBI/AAAAAAAAA-E/Z5b-jAk0_lE/S220/quim.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-ZIDqTzgHeG0/TWZAOM8i6pI/AAAAAAAADoY/0YUbHdC4ZSU/s72-c/hipathiaiii.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33470272.post-736869580206180398</id><published>2011-02-19T07:33:00.000-08:00</published><updated>2011-02-23T03:23:41.832-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='matrizes'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literárias e Divinas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sem Metros Barreiras'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>Conto da Semana</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-DLM1lpF7ksA/TV_mLG3RcbI/AAAAAAAADno/9BIweQwrnzE/s1600/pray____by_mehmeturgut_large.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 233px; FLOAT: right; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5575427942203355570" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-DLM1lpF7ksA/TV_mLG3RcbI/AAAAAAAADno/9BIweQwrnzE/s400/pray____by_mehmeturgut_large.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Nos Condomínios do Cálice Único&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Mais tarde estenderam se sobre a cama amigavelmente com o calor da tarde lá fora, ele a ler e ela com os auscultadores do seu minigravador (o teu diadema; chamava lhe ele) enterrado no cabelo húmido e puxado para trás como gavinhas de videira à volta dos dedos dele que giravam distraidamente. De vez em quando, sem falar, ela tirava de repente os auscultadores e encostava um ao ouvido dele, fechando os olhos e cerrando a sua boca macia, arrebatada pelo que estava a ouvir.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;In &lt;em&gt;A História de Meu Filho&lt;/em&gt;, de Nadine Gordimer&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Rosas sem fim. Flores caídas&lt;br /&gt;Num chão amassado por rodas,&lt;br /&gt;Sem outras forças para lidas&lt;br /&gt;Que não as que nos restam, tidas&lt;br /&gt;Como perdidas, quase todas.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;In &lt;a href="http://escribalista.blogspot.com/"&gt;http://escribalista.blogspot.com/&lt;/a&gt;, de Joaquim Castanho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Pressinto que nunca conseguirei trair-te. Até quando o faço contigo mesma, quando me dirijo a ti para dizer coisas a Shara, ou vice-versa, quando lhe digo algo que te é exclusivamente dirigido, toma-me um mal-estar insuportável que apenas consigo superar porque me convenço, de forma determinada, incontestável e incontroversa, que se assim o não fizer, então jamais o escutarás, uma vez que esses conteúdos não estão na tua linha de prioridades e só a curiosidade de saberes como Shara lhe reage te leva a atendê-los e considera-los, o que é igualmente verdade da parte dela, pois dificilmente os escutaria se lhos dissesse diretamente.&lt;br /&gt;Creio que os casais que buscam ajuda exterior para se manterem casados, recorrendo a amantes ou encontros fortuitos, as chamadas escapadelas ou facadinhas no matrimónio, se servem de idêntico artifício embora aquilo que lucram em flexibilidade e comunicação o percam, em grau agravado, com o acrescido sentimento de culpa daí advindo e notório rombo na autoestima. É inevitável. Sobretudo quando a manobra acarreta prazer, onde a culpabilidade lhe resulta inversamente proporcional, &lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-uejP0HhAxds/TV_lwo1tL_I/AAAAAAAADng/7UF1jh9zUsE/s1600/Three-Graces.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 400px; FLOAT: left; HEIGHT: 336px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5575427487467122674" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-uejP0HhAxds/TV_lwo1tL_I/AAAAAAAADng/7UF1jh9zUsE/s400/Three-Graces.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;no típico &lt;em&gt;contentamento descontente&lt;/em&gt; que a poesia camoniana traduz (exemplarmente).&lt;br /&gt;Todavia, nesse falar à tua imagem para que só tu ouças, às vezes o jogo vai muito para além do racional e plausível. Porque o descobriste, e te fazes passar amiúde por ela, ou leva-la a substituir-te e representar-te, iludindo-me. Assim, não raro dirijo-me à fantasia e é a realidade quem me responde. Shara atua em teu nome, veste-se no rigor da modernidade, vai para o teu trabalho em teu lugar, assume e faz tudo quanto só a ti diz respeito e ninguém nota, principalmente eu, que sou quem melhor conhece as diferenças entre ambas. As Maias celebradas na cidade também se acotovelam para encarnar nas raparigas que as representam, mas findos os festejos regressam ao seu mundo onírico e fantástico do qual se ausentaram por invocação humana, com intensidade e durabilidade marcada. Tu, não. Tu insurgiste-te ativa e depois permaneces nesse universo conforme a performance que determinaste manter.&lt;br /&gt;Foste tu quem nos deixou no consultório médico, a tua mãe e a mim, mas foi Shara quem depois do serviço nos veio buscar e lanchou connosco, na pastelaria em frente do consultório, antes de regressarmos a casa – tenho a certeza. Suponho que foi por temeres a verdade acerca dos resultados das análises, caso eles tivessem confirmado o pior. Mandaste-a à frente como tua batedora pessoal, a ver o que encontrarias e como deverias preparar-te para lhe responderes a contento. Reconheci-a porque não trazias os óculos de sol, que sempre usas, resguardando-te da luminosidade do dia como do nosso olhar inquiridor, tão comum aos dois, e sob o mesmo propósito de espiolhar o teu estado de espírito, ou o ânimo que o habita. «Então, que novidades?», perguntaste ainda antes de te sentares à mesa, sem a manifesta ansiedade que acompanha os casos iguais.&lt;br /&gt;«Tudo normal» respondi, carregando maior ênfase no «mas tem que voltar ao médico mensalmente, renovar os exames e análise de três em três meses, e estar com atenção redobrada quanto a nódulos e erupções de pele», o que não é propriamente novidade nenhuma, já que têm sido esses os comportamentos estipulados do último ano. Ela fitou-me; quer dizer, tu contraíste as pálpebras numa fita fina de concentrada acuidade, medindo e avaliando o meu envolvimento emocional e afetivo na declaração, confirmando as expectativas depositadas, pelo menos a considerar pelo sorriso que esboçaste de seguida, acentuando com o «isso vai ser fácil, e não te estorvará os afazeres minimamente» que o decreto continuava em vigor, e que a minha missão só expiraria consoante as melhoras definitivas de D. Catarina, o que me fez desejá-las mais intensamente, não só por a considerar uma pessoa extraordinária que merecia tudo do melhor que a vida reserva aos afortunados, mas também porque assim me veria liberto da função de acompanhante privilegiado. Mas contendo-me em &lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-YxKLMR60PH4/TV_k_W4wt6I/AAAAAAAADnY/8eOd_F9jgfY/s1600/widescr_paxton051235cf.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 314px; FLOAT: left; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5575426640834508706" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-YxKLMR60PH4/TV_k_W4wt6I/AAAAAAAADnY/8eOd_F9jgfY/s400/widescr_paxton051235cf.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;manifestar essa vertente, pois caso ela a adivinhasse me concederia (indubitavelmente, e por consequência) reprimenda requintada. Homem avisado tem o êxito reservado!&lt;br /&gt;«E tu?» quis saber. «Conseguiste trabalhar bem?»&lt;br /&gt;«Claro. Acho que rendeu muito mais do que se tivesse ficado fechado em casa. Menos concentrado e com algumas interrupções, mas deveras proveitoso e sem stress. Com prazer, até…» O que não pode ser visto como uma capitulação, mas como uma nova experiência que resultou positivamente. Pensar, ler, escrever, criar, é mais produtivo e reflete melhor a vida quando quem o faz está envolvido e misturado também nela. A clausura intelectual é redundante e viciosa. Custa mais enveredar pelo disparate, todavia uma vez entrados nos seus condomínios, estes tornam-se labirínticos, e dificilmente de lá sairemos – ilesos. Resolutos. E inspirados. A boa companhia humana é higiénica e asséptica se queremos evoluir na qualidade da criação artística. Não há génios literários onde a comunicação apenas se alimenta da desértica solidão do amor-próprio e do narcisismo niilista. É essencial viver-se em sociedade quando nos queremos dirigir à sociedade e criar mais-valia socializadora, aprofundar da natureza humana e ser prazenteiramente útil a quem nos paga as facturas da sobrevivência, aperfeiçoamento, modernização técnica e valorização pessoal.&lt;br /&gt;Portanto, reconhecer benefício e gratidão para com Shara e a mãe dela, não era uma derrota minha, antes um favor que me fizeram permitindo-se partilhar um momento difícil comigo, um voto de confiança e de aceitação em suas vidas. O caminho mais eficaz, rápido e sustentável, para o filho da mulher é o reconhecimento aprazível da sua mãe, e da maternidade que ambas (com)partilham; eis o segredo ancestral que originou a humanidade.&lt;br /&gt;Depois de nos banquetearmos com as iguarias conventuais típicas do nosso interior provinciano, decidimos passar o resto do dia em casa, na cozinha tagarelando sobre tudo e nada, discutindo os pormenores sempre intrigantes e inerentes ao fazer coisa nenhuma, excepto o estarmos juntos pelo gosto que isso nos dá. O teu pai juntou-se-nos pouco antes do jantar, trazendo uma dose reforçada de novidades sobre o quotidiano das redondezas. Do café, o futebol, a política e os desmandos matrimoniais ou extramatrimoniais deste e daquela. Do trabalho, a crise económica e os seus efeitos diretos e indiretos. Tu, regressaras entretanto, afastando Shara do meio doméstico a que não está tão habituada como tu, e que a deixa circunspecta e expectante, indecisa mesmo, de arredia espontaneidade e propensa a frequentes hesitações.&lt;br /&gt;Não podia queixar-me. A vida corria-me de feição, e às vezes ainda me recompensava com umas lasquinhas da tua afeição. Toques subtis, afagos naturais e desintencionados, o cheiro do teu cabelo, pequenos beijos nos olhares que se encontram (afloram) casualmente, o calor das tuas coxas que se demora quando nos aproximamos nisto e &lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-7YS7rVW6wdw/TV_kJKn66kI/AAAAAAAADnQ/Ou1OxfIvXfA/s1600/Yuri%2BKrotov.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 150px; FLOAT: right; HEIGHT: 212px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5575425709829712450" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-7YS7rVW6wdw/TV_kJKn66kI/AAAAAAAADnQ/Ou1OxfIvXfA/s400/Yuri%2BKrotov.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;naquilo que o periquitar familiar nos exige, as tarefas propõem e a atenção mútua e redobrada sublinham. Nada de sobrenatural nem exorbitante, porém recheado de detalhes ínfimos ultrassignificativos. Apenas latência e atração num desejo que se prolonga até às fronteiras do (in)suportável.&lt;br /&gt;E quando enfim os teus pais me desejaram boas-noites, despedindo-se e despedindo-me (muito diplomaticamente, como é óbvio e costume), sugerindo-me a retirada, vieste comigo à porta. Seguraste-me contra ti, fixando-me no fundo dos olhos, retendo-me numa distância suficientemente discernível para a transformação que ia acontecer, sem receios nem excentricidades. Primeiro reconheci a incandescência do teu olhar e vi que já não era o teu, mas o dela. Depois, a voz que me segredou «até amanhã» como se viesse das entranhas inquestionáveis da alma. Em seguida, o sentido imortal que transpareceu nos lábios ao beijar-te, como se aflorasse pétalas de aveludada sofreguidão. E finalmente o terno e doce aroma que se soltou do teu corpo num estremecido e morno abraço, deram-me provas irrefutáveis que tu eras ela nesse momento. Que Shara tinha voltado, e a sua recordação me acompanharia até casa, me habitaria o sonho durante o tempo que nos separava do novo dia. Jamais duvidei dessa hipótese, sobretudo porque todo o meu ser e consciência estavam despertos e acesos nessa inequívoca certeza.&lt;br /&gt;Indesmentível. Mesmo que a minha fé se vertesse por outros cálices! &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33470272-736869580206180398?l=escribalistas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escribalistas.blogspot.com/feeds/736869580206180398/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33470272&amp;postID=736869580206180398&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33470272/posts/default/736869580206180398'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33470272/posts/default/736869580206180398'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escribalistas.blogspot.com/2011/02/conto-da-semana.html' title='Conto da Semana'/><author><name>joaquim maria castanho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13601095424407490659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/SL6Sv6k9KBI/AAAAAAAAA-E/Z5b-jAk0_lE/S220/quim.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-DLM1lpF7ksA/TV_mLG3RcbI/AAAAAAAADno/9BIweQwrnzE/s72-c/pray____by_mehmeturgut_large.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33470272.post-8345032823332002924</id><published>2011-02-14T07:08:00.000-08:00</published><updated>2011-02-14T07:41:53.689-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literárias e Divinas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sem Metros Barreiras'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Bucólicas e Sadias'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Lendas e Narrativas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>Conto da Semana - e do dia 14!</title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Petrarca Reincidente II &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E nas noites a terra pesada cai&lt;br /&gt;De todas as estrelas para a solidão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos caímos. Esta mão cai&lt;br /&gt;E olha os outros: está em todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E contudo há Alguém que detém,&lt;br /&gt;Infinitamente suave, este cair nas suas mãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Excerto de um poema de Rainer Maria Rilke, incluído por Nadine Gordimer, no seu romance &lt;em&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Um Mundo de Estranhos&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;É nas alturas menos convenientes, quando a solidão rasga seus sulcos entre os minutos da espera, e ecoam as últimas palavras que nos dissemos, que os olhos se perdem no infinito como se este fosse a sua primeira casa, o estado de origem a que a matriz nos reporta na impaciência do reencontro. Quando demoras a passar sou &lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-e323M_iq2Vo/TVlL8M3BAxI/AAAAAAAADmo/X-f0G9K3gew/s1600/Uliana_Lopatkina_muchos_mejor_bailarina_mundo.JPG"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 340px; FLOAT: left; HEIGHT: 250px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5573569511463912210" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-e323M_iq2Vo/TVlL8M3BAxI/AAAAAAAADmo/X-f0G9K3gew/s400/Uliana_Lopatkina_muchos_mejor_bailarina_mundo.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;eu quem fica sem jeito, aquele que te trai com Shara, e que trai Shara contigo, embora tu e ela a mesma pessoa sejam. O acaso me dita que medite nesta constatação irrevogável… Contudo, tenho que reconhecer, que as duas muitas vezes se unem contra mim, fazendo-me sentir a dolorosa mão pesada de uma solidão duplamente solitária!&lt;br /&gt;Reconheço igualmente que sou egoísta, extremamente egoísta contigo, e que me roo de inveja das pessoas com quem convives diariamente, deixando-me isso acabrunhado, sorumbático, aflito, inseguro e danado por seres capaz de me trocar – sim “trocar” é o termo exato e preciso na medida do que sinto – por quem não te adora e admira como só eu sei que faço e acho que mais ninguém é digno de fazer, não raro deixando-me abalado e remoendo despeitos vários, que somente não explodem em desaforos e pedidos de reparação porque, enfim, temo que não haja depois soneto que me salve e recupere da emenda. Tanto mais que nos dias seguintes sublinharás o deslize repetindo-o até à exaustão, exatamente com essas pessoas, reiterando quanto és vítima das minhas monstruosidades solicitando-lhes razão no «mas que mal é que tem eu querer-me relacionar &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;também&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; com gente civilizada e não só com mentecaptos como ele, para quem tudo tem faltas e todos são indesejáveis, ninguém está à altura do seu nível de sensatez e boas-intenções», ao que as pessoas em causa aproveitam para retribuir o favor que ela lhes faz, acentuando que sou mil vezes pior do &lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-cO5VCkfkS4k/TVlLekoRmJI/AAAAAAAADmY/i5KNe-CAdHQ/s1600/Friedrich%2Bvon%2BAmerling%2B%25281803-1887%2529.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 178px; FLOAT: left; HEIGHT: 220px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5573569002448459922" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-cO5VCkfkS4k/TVlLekoRmJI/AAAAAAAADmY/i5KNe-CAdHQ/s400/Friedrich%2Bvon%2BAmerling%2B%25281803-1887%2529.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;que supõe, já que se antes de casar me considero um ditador intolerante, então depois é que vão ser elas, dando-lhe a adivinhar o inferno que lhe está reservado, exclusivamente pelo meu feitio, aptidões malfazejas e possessivas, ou agressividade perante a frustração.&lt;br /&gt;Ela anui. Satisfeitíssima com os resultados sorris, rejubilas no contentamento altamente científico de quem vê confirmadas todas as suas mais pertinazes, inconcebíveis e incongruentes hipóteses, e pondo em evidência quanto azar te cabe como recompensa em teres afeto e respeito por quem é ingrato e não reconhece o bem que lhe querem. Noutras alturas essas desavenças seriam motivo e conteúdo de belos e exemplares sonetos, se não me tivessem sido proibidos… Sonetos de amor feito com ganas, na raiva doce das diástoles, prolongando as sílabas breves até ao infinito da voz, esticando a urgência e imperiosidade da fala até ao insustentável da respiração, ao esgotamento do fôlego num único verso. Encurtando as longas até ao subtil pormenor de um &lt;em&gt;clic&lt;/em&gt;, de um &lt;em&gt;insight&lt;/em&gt; sonoro, fonema seco e sem eco. Todavia, impotente, calo-me na expectativa da borrasca anunciada e ansiando pela oportunidade de dar-te o troco numa recusa de olhar, virar-te as costas sem responder às perguntas que me faças, fazer orelhas moucas ao que disseres acerca de quaisquer assuntos que sejam, importante ou triviais, que em tempo de “guerra” não se limpam armas.&lt;br /&gt;Que surge sempre. Sempre, desde que estejamos atentos. Suficientemente lúcidos e objetivos para a descortinarmos entre a espontaneidade de quem não se preocupa nem teme seja o que for da nossa parte, cujo atração, ternura e entrega é aquela garantia de segurança que jamais se dissolverá esmorecendo.&lt;br /&gt;Mas que ocorre irremediavelmente num relacionamento se para tanto nos assistir a paciência da espera, coisa em que estou supimpamente treinado, graças àquelas intermináveis horas dos longos dias, meses e anos em que esperei por ti, primeiro por ela é claro, pois Shara suponho terá nascido (primeiro e) comigo, não ao mesmo tempo, mas assim que reconheci que não era o único ser que habitava o centro do mundo, e depois por ti, logo que te conheci, por &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;considerar &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;– não, o termo próprio é mais &lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;acreditar&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; – que eras ela, não ideal e ancestral como Shara, mas real e presente, atual e em carne e osso como viva atualização dela. Incarnada e igualmente soberana.&lt;br /&gt;Portanto, esse momento chegou de seguida, sem rogo nem demoras, sob o apelo inequívoco dos necessitados que penam no desespero de uma reparação. Quase em simultâneo com a saída de casa, exatamente essa que me deixou em carne viva, me arrancou quanta pele tinha e me defendia no contacto com o exterior, pondo-me a alma a nu e insuflando todos os sentidos até à sua insuportável constatação, esquartejando-a para a mergulhar no álcool puro da tua voz, quando te sentaste ao volante do carro e mencionaste que a tua mãe, D. Catarina, a ilustre senhora com quem simpatizo excecionalmente e por quem nutro aquele autêntico carinho e empatia típicos de alguém que se sente como se seu próprio filho fosse, ia nessa tarde ao médico, para consulta e saber o resultado dos exames que fizera na semana anterior, logo, na semana passada, e preferias que eu ficasse com ela, a fazer-lhe companhia, enquanto aguardava a consulta e depois, até que saísses do serviço, porque ficavas mais descansada comigo junto dela, pois os resultados poderiam inquietá-la ou assustá-la, conforme o grau de gravidade que declarassem.&lt;br /&gt;Porém, eu tinha os “&lt;em&gt;fones&lt;/em&gt;” nos ouvidos e não manifestei ter-te ouvido, o que te irritou notoriamente exigindo «tira essas coisas das orelhas quando falo contigo, &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;por favor&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, ok? Afinal já não és nenhum &lt;em&gt;teenager&lt;/em&gt; com necessidade de afirmação, para quem tudo aquilo que as pessoas, os adultos e responsáveis, dizem, é uma seca» inoportuna, é óbvio, a representação da surdez, uma vez que nem estava o som ligado, embora tenh&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-lA_oXUF_vys/TVlLwUABklI/AAAAAAAADmg/JE1ShpOekEo/s1600/romaine%2Bbrookx%252C%2Bmulher%2Bcom%2Bflores.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 362px; FLOAT: right; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5573569307222315602" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-lA_oXUF_vys/TVlLwUABklI/AAAAAAAADmg/JE1ShpOekEo/s400/romaine%2Bbrookx%252C%2Bmulher%2Bcom%2Bflores.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;a sido suficientemente expressivo no atendimento dando ênfase à desatenção num «o quê? Que estás a dizer?» em voz bem alta de quem veio de outros decibéis e &lt;em&gt;está nem aí&lt;/em&gt; para o que lhe disseram.&lt;br /&gt;Notei o consequente rilhar de dentes e os pés jogaram de raiva no acelerar e travar com rispidez, indo a puxar até às curvas para depois refrear mesmo em cima delas, numa gáspea inusitada. «Fera à solta: cuidado», apeteceu-me avisar os transeuntes, mas disfarcei assobiando &lt;em&gt;As Pombinhas da Cat’rina&lt;/em&gt; a ver se ela saía fora de mão, dando-me motivo para uma reprimenda exemplar. Porém, e ao contrário do que supunha, Shara abrandou, encostou à direita numa &lt;em&gt;box&lt;/em&gt; de estacionamento livre, e desenrolou os pergaminhos que lhe dão jus ao nome, contando-me uma história, sem ponta por onde se lhe pegue, é evidentíssimo, mas a que o indicativo não permitia quaisquer dúvidas acerca do enredo que arrastaria consigo no «&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;era uma vez um menino que se considerava muito esperto&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;. Tinha alguma inteligência, pelo menos a suficiente para discernir que sem trabalho, preparação, estudo e planeamento nada se consegue. E vai daí, esmerou-se na aplicação, tornou-se objetivo e direto, perspicaz e sucinto. Um belo dia, com o sol a despontar entre o esfiapado encastelamento das raras nuvens, a temperatura de uma primavera morna e bucólica, ao sair de sua casa, reparou que aquela rapariga que ele todos os dias via e o observava intrigada, ainda que apenas estranhamente curioso, na janela da casa fronteira à sua, tinha um penteado diferente do habitual, e na sobre a fronte, jungindo as madeixas castanho-escuras dos cabelos ondeados, um diadema de prata com a lua em quarto crescente, do qual pendia um diminuto rubi em forma de gota, talvez lágrima, quiçá cristal sanguíneo, cujos reflexos pareciam disparar em todas as direções, num leque luminoso de concha marinha. Estes emaranhavam-se quase com os cabelos, dando a impressão de se prolongarem como raízes ou trama de &lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-LCNea1GWjGk/TVlKcLcBDyI/AAAAAAAADmQ/CfKYzbCuFpE/s1600/DSC08208.JPG"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 400px; FLOAT: right; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5573567861814791970" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-LCNea1GWjGk/TVlKcLcBDyI/AAAAAAAADmQ/CfKYzbCuFpE/s400/DSC08208.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;teia assimétrica» e eu tentei descortinar isso nela, mirando-lhe o penteado que lhe emoldurava o rosto miúdo onde o seu olhar acutilante, incisivo, impertinente, no castanho-escuro ainda mais escurecido do que o habitual, me fisgava medindo as reações. Avaliando o interesse, a atenção, a sede, enfim, o efeito direto da sua narrativa.&lt;br /&gt;E continuou «surpreendido e intrigado sobre visão proporcionada, uma vez que desde há muito a conhecia e via, quase diariamente, por sinal, mas nunca lhe tinha notado qualquer encanto, enquanto caminhava, descendo a rua, esforçando-se por mantê-la ao alcance da vista, inclinando a cabeça, até deixar de a ver, consequência da dobra da esquina com a rua transversal por onde seguiu adiante. Todavia, desaparecida que lhe foi da vista o mesmo não aconteceu do coração, deixando-o ensimesmado e a vê-la na sua frente, numa imagem vivaz e duradoura que insistia em não apagar-se com o distanciamento. Que perdurava para além do sensato e racional, sensível e fatual. Quis desfazer-se da imagem, escorraçar a lembrança, diminuir a intensidade da alucinação positiva com que se debatia, contudo sem o menor êxito, porquanto se viu frente a frente com ela nas vidraças das montras, nos vidros dos autocarros, nos espelhos por que passou. Então, corroído pelo prazer que esta lhe causava, mas contrariado e aflito pela falta de controlo que a ela o ligava, decidiu fechar os olhos com todas as forças e concentração que lhe foram possíveis, durante o resto do trajeto que faltava para o fim da viagem no autocarro que apanhara para a Estrada da Ponte, e com &lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-qjI-QMCDcic/TVlIrOtElPI/AAAAAAAADmI/bcXgtO2ySE8/s1600/DSC01288.JPG"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 400px; FLOAT: left; HEIGHT: 265px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5573565921366414578" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-qjI-QMCDcic/TVlIrOtElPI/AAAAAAAADmI/bcXgtO2ySE8/s400/DSC01288.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;destino preciso na ponte desta estrada. E tanta força fez, tão intensa concentração auferiu, que quase conseguiu “matar” essa aparição incontrolável. Foi então que ouviu uma voz, inconfundível e que identificou com a da dita vizinha, que lhe dizia: nenhuma estrela se apagará com o sopro humano, e nem mesmo as candentes, param de brilhar quando passam para o outro lado da terra.»&lt;br /&gt;Depois calou-se e pôs a viatura em andamento, sem demonstrar que a história terminara. Não obstante eu, que intentara vingar-me, fitei-a com manifesta timidez e receio, confirmando «está bem. Nos consultórios médicos também se pode ler, e hoje não tenho mais nada para fazer. Quando ela estiver despachada mando-te uma mensagem com os resultados. Gostava que lanchássemos todos juntos. De acordo?»&lt;br /&gt;«Ótimo. Tentarei chegar o mais cedo possível.»&lt;br /&gt;E foi tudo. Nada ficara por esclarecer. Apenas a leve sensação que faltavam algumas notas à música que vinha de fora, quando parámos nos semáforos junto à Fonte do Rossio… Mas não parecia ser nada grave! &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33470272-8345032823332002924?l=escribalistas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escribalistas.blogspot.com/feeds/8345032823332002924/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33470272&amp;postID=8345032823332002924&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33470272/posts/default/8345032823332002924'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33470272/posts/default/8345032823332002924'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escribalistas.blogspot.com/2011/02/conto-da-semana-e-do-dia-14.html' title='Conto da Semana - e do dia 14!'/><author><name>joaquim maria castanho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13601095424407490659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/SL6Sv6k9KBI/AAAAAAAAA-E/Z5b-jAk0_lE/S220/quim.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-e323M_iq2Vo/TVlL8M3BAxI/AAAAAAAADmo/X-f0G9K3gew/s72-c/Uliana_Lopatkina_muchos_mejor_bailarina_mundo.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33470272.post-1162353656670168463</id><published>2011-02-14T05:48:00.000-08:00</published><updated>2011-02-14T06:13:56.110-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crónicas dos Luís Não Vás'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crónicas do (E)Leitor'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sem Metros Barreiras'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política criativa'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crónicas (In)divisas'/><title type='text'>Os Liliputianos e o Fado: Ai, Mouraria!</title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/--teg57YvUr0/TVk4EOHuWBI/AAAAAAAADmA/0IW5nhkbOe0/s1600/DSC08315.JPG"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 400px; FLOAT: left; HEIGHT: 266px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5573547659008825362" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/--teg57YvUr0/TVk4EOHuWBI/AAAAAAAADmA/0IW5nhkbOe0/s400/DSC08315.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;Os Liliputianos das Grandezas &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;“E entretanto, deixe-se que a polícia e a tropa negoceiem, de um modo mais eficaz, com os grevistas e os manifestantes, com os eloquentes agitadores, pretos e brancos, dentro do país. E se não conseguirem, há porém outra maneira de negociar: nunca apanhar aqueles que eliminam os agitadores, matando por detrás de rostos tapados e disparando de carros em andamento.”&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;In &lt;em&gt;A História de Meu Filho&lt;/em&gt;, de Nadine Gordimer&lt;/span&gt;, pág. 244.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Nem tudo o que se diz é luz. Embora o silêncio cúmplice e tácito acerca de todas as matérias que incomodam o &lt;em&gt;status quo&lt;/em&gt;, seja ainda mais negro que o ignaro breu, mais escuro que toda a ignorância oriunda das trevas do Hades da Antiguidade Clássica, precisamente aquela que gerou e foi causa direta do obscurantismo (escolástico) medieval. Naquele tempo ainda só havia bons e maus, e o grande desígnio nacional – ou patriótico! – residia em conseguir agremiar os bons num clube, ginásio, partido, associação, escola, castelo, convento, quartel, repartição, café, corrente de estética, comissão, directório ou bairro, para, todos juntos, numa data estudamente marcada, os bons armados do que houvesse ou a lei deixasse passar, irem fazer mal aos maus. Os maus eram sempre – e nisso o tempo não mudou! – notoriamente mais frágeis, mais pobres, mais feios, mais dependentes e mais desprevenidos, não obstante que em menor número, menos corporativistas e até muito mais trabalhadores, expeditos, objetivos, lúcidos, responsáveis, conscientes, francos, transparentes e insistentes. Porém, tal não os desculpabilizava de nada, nem os redimia da herança genética, por cuja a má índole lhes coubera por completo, uma vez que já os seus trisavôs, bisavós, avós e pais foram, eram e são igualmente maus. E é desse tempo que sentem saudades os bons, pois podiam ser maus por uma boa causa, tentando continuamente restaurar a ordem e a lei e o progresso plantando as suas bandeiras onde o chão ainda o permitisse, sabendo demasiado bem que o melhor solo para esse plantio era a educação, o sistema de ensino, quintal onde florescia menina e menino, criando colégios de excelência em que o cultivo melhor rentabilidade oferecia.&lt;br /&gt;Portanto desiludam-se aqueles e aquela gente que pensou que iria ler uma crónica da actualidade, porque não é sobre os dias de hoje que aqui se vai tergiversar, mas acerca daquele tempo em que havia bons e maus, bons com distinção e medíocres, muito bons e muito maus – e eram todos santificadamente felizes no assim-assim que a vida lhes oferecia, Deus dava, o Destino lhes reservara e as Igrejas prometiam. Desse tempo em que não era deveras hilariante verificar como é que pessoas que nem um livro liam por mês – quando liam! Que não raro passavam-se anos e anos sem tocar em &lt;em&gt;book&lt;/em&gt;, a não ser para vender, impingir ou queimar… – eram as primeiras a saber como os outros, aqueles que liam dois ou três livros por semana, deviam ler, interpretar e analisar o que liam, bem como o que era aconselhável e desejável lerem. «Mistérios!» exclamará quem daquele tempo não for, talvez proclamando a rogo de Hefesto que &lt;em&gt;em casa de ferreiro espeto de pau&lt;/em&gt;, coisa que nem ele nem Afrodite mereciam, quer pelo exemplo de Eros, o seu primeiro filho, quer pelas maneiras de Antero, que se lhe seguiu, dando ênfase à atitude desse tipo de gente que tudo sabe, tudo tem ou tudo tem de sobra, e a quem não incomoda nem estorva o mínimo resquício de consciência, civismo e consideração pelos demais, enfim, como dizem do outro lado do oceano, gente que não se manca nem quando a maka (mentira) é grande.&lt;br /&gt;Elemento dessa Mocidade a que se chamou Portuguesa, não obstante a descarada metonímia da parte pelo todo transpire em cada sílaba, Liliputo Sonso foi uma dessas &lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-U_7OMOBy3vw/TVk2R6EKElI/AAAAAAAADl4/617KHCK5sfc/s1600/DSC08051.JPG"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 300px; FLOAT: right; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5573545695120069202" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-U_7OMOBy3vw/TVk2R6EKElI/AAAAAAAADl4/617KHCK5sfc/s400/DSC08051.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;afortunadas crianças a quem os calções cor de café com leite assentaram que nem luva por medida em mão pródiga de ilusionista em &lt;em&gt;part-time&lt;/em&gt;. Prodígio insuspeitável, conseguia as melhores notas da turma sem pegar num livro, jamais estudou para um ponto, dispensou a todos os exames, nunca copiou e se o fez, foi por algum colega tendo nota superior à dele, coisa que considerou deveras justa uma vez que lhe passara a limpo, revira e corrigira o saber. Faltas e futebol foram feitos de honra na finta aos tutores e encarregados de educação, porquanto se umas eram renovadas no outro eram repetidas (vitórias). E Fátima renovou-lhe a esperança e carregou-lhe as baterias da fé se, coisa muito pouco provável, alguma vez ousou duvidar pondo em causa a supremacia da espécie e a superioridade do género. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Portanto, este Liliputo, da família dos Sonsos à portuguesa, na baixa tensão das artérias do progresso e do desenvolvimento, passou a vida profissional à espera da reforma, que foi o objetivo primeiro da sua existência, do seu curso e de todos os sacrifícios inscritos no típico &lt;em&gt;deitar cedo e cedo erguer, dá saúde e faz crescer&lt;/em&gt;, com preocupação fundamental no aposentar-se ainda em bom estado e com perspetivas de duração, garantindo o total reembolso de quanto descontara, mês após mês para a segurança Social, com o juro na devida correção monetária, durante o tempo de exercício da profissão. Todavia, um dia acordou &lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-5JzMgB4kWNQ/TVk1uONltDI/AAAAAAAADlw/wkrAdqMFFrw/s1600/DSC08065.JPG"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 300px; FLOAT: left; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5573545082053047346" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-5JzMgB4kWNQ/TVk1uONltDI/AAAAAAAADlw/wkrAdqMFFrw/s400/DSC08065.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;assustado, sob as expectativas badaladas da falência e insustentabilidade do sistema… Um sistema que, tal como a velha senhora terá falecido sem que ninguém lhe notasse a falta ou tivesse agido de forma a saber o que lhe sucedera, e só depois de 8/9 anos da sua morte, 13 insistentes visitas/participações à Justiça por parte de um familiar, inúmeras diligências promovidas por diversas pessoas junto das autoridades de segurança civil (PSP) e paramilitar (GNR), e que apenas viera a ser encontrada morta porque lhe venderam os tarecos ou bens, sem a sua autorização, nomeadamente o imóvel que não tinham permissão legal para abrir mas da qual não precisaram a fim de a leiloar. Um sistema que está moribundo a ponto de já não ser capaz de reconhecer o seu estado de saúde. Que comete crimes inacreditáveis, inauditos e hediondos mas que já nem se envergonha disso, e onde a culpa morrerá inevitavelmente solteira, porque as corporações envolvidas na situação precisam de defender o seu bom nome e o dos membros diretamente responsáveis pela omissão de segurança, caprichando no branqueamento e no esquecimento da ocorrência.&lt;br /&gt;A notícia abalou-o e viu-se numa fona para recuperar o apetite. Esmiuçou-se, emagreceu, encarquilhou-se na pele e no ânimo. Sofreu cólicas terríveis em diversos órgãos, ardeu-lhe a bexiga de tanto urinar-se, e esvaiu-se numa diarreia abundante e contínua. A tez antes esbelta e altiva, luzidia e imaculada, ficou-lhe de dia para dia parda e enrugada com propensões para a de tartaruga velha a que nenhum creme gorduroso ofereceu perspetivas de melhoria. De bilioso azedou, tornou-se avarento, vingativo e picuinhas. De ressentido inventou defeitos e vícios nos demais, sobretudo nos vizinhos, colegas e familiares que não lhe viraram as costas com descaro e ostensivamente, respeitando-o na esperança de que pagasse na mesma moeda, a &lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-_Y-6PwPe1FA/TVk0odAonKI/AAAAAAAADlo/S-4kp1mPpio/s1600/DSC08046.JPG"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 400px; FLOAT: right; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5573543883434400930" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-_Y-6PwPe1FA/TVk0odAonKI/AAAAAAAADlo/S-4kp1mPpio/s400/DSC08046.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;debalde claro está, que quanto maior foi o défice maior se tornou a ofensa e ressentimento por crédito. Assim como se de tão evidente lhe sentira a frustração, melhor evidenciara a agressividade da resposta que lhe dava, odiando tudo e todos, fazendo de cada minuto uma guerra fria e de cada hora um resgate de espoliado.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Então, empunhou a bandeira do patriotismo e aspergiu com os santos óleos o chão fronteiro às Necessidades e a S. Bento, gritou ser uma condenação e uma hipoteca sobre o futuro não contribuir para o privilégio de uns com o desmérito dos demais, principalmente dos que depois hão de competir com eles na busca de emprego e melhores condições de vida, configurando a justiça social sob a bitola da injustiça, argumentando com o costumeiro se sempre assim foi por que não há de continuar a ser, porquanto os radicalismos demoníacos são agentes de mudança que nenhum liberal tem por benfazejos. E o que cria a ordem, gera o progresso, alimenta o &lt;em&gt;status quo&lt;/em&gt; é precisamente o tudo na mesma como dantes no quartel de Abrantes, onde qualquer &lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-i-LtAxkCa1s/TVk0Jp4KnWI/AAAAAAAADlg/EDDsBK2BlG0/s1600/DSC08064.JPG"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 300px; FLOAT: left; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5573543354312596834" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-i-LtAxkCa1s/TVk0Jp4KnWI/AAAAAAAADlg/EDDsBK2BlG0/s400/DSC08064.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;pátria resguarda a sua elite e propala a fé desengonçada em pulos e cantares, palha e outros manjares, nas capas das gaiatas e dos tunantes. Ora pois. Que se já não tem a farda da Mocidade (à portuguesa) muito lhe sobra noutras iguarias do trajar desde que queira contra os iguais marchar, marchar.&lt;br /&gt;E a pergunta que se põe, para remate de conversa sobre o tempo de outros tempos, é, com certeza, saber se no presente vamos ter de pagar a educação e o instruir daqueles que com os nossos filhos vão competir? Se sim, está encontrada a resolução, para quê atrás desses tempos outros tempos hão de vir, uma vez que a condição dos nascidos sem condição não muda por mais que façam para dela querer sair? E ser pequeno em Liliput é que é ser normal, tendo sonhos de grandeza para que nunca seque esta vontade de regar a realeza: façam os bons mal aos maus, que o ataque é a melhor defesa! &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33470272-1162353656670168463?l=escribalistas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escribalistas.blogspot.com/feeds/1162353656670168463/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33470272&amp;postID=1162353656670168463&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33470272/posts/default/1162353656670168463'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33470272/posts/default/1162353656670168463'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escribalistas.blogspot.com/2011/02/os-liliputianos-e-o-fado-ai-mouraria.html' title='Os Liliputianos e o Fado: Ai, Mouraria!'/><author><name>joaquim maria castanho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13601095424407490659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/SL6Sv6k9KBI/AAAAAAAAA-E/Z5b-jAk0_lE/S220/quim.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/--teg57YvUr0/TVk4EOHuWBI/AAAAAAAADmA/0IW5nhkbOe0/s72-c/DSC08315.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33470272.post-5908282874779682971</id><published>2011-01-18T02:55:00.000-08:00</published><updated>2011-01-19T07:30:41.001-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='matrizes'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sem Metros Barreiras'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>Petrarca Reincidente</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/TTV1ImnUraI/AAAAAAAADh8/eWXohx7sZ7M/s1600/vermelho%2Bpiano.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; FLOAT: left; HEIGHT: 302px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5563481705350999458" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/TTV1ImnUraI/AAAAAAAADh8/eWXohx7sZ7M/s400/vermelho%2Bpiano.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;“&lt;em&gt;Assim tinham adormecido: o olhar dele estava fixo nos lírios. Flores que ele lhe tinha comprado a um vendedor de rua no dia antes de aquilo ter acontecido – a purificação das sepulturas. Na semana passada tinham sido as rosas. Rosas vermelhas, enroladas como guarda-chuvas; as rosas têm o cheiro do sexo, disse ela, os lírios têm a forma: ele descobria todas essas delícias enquanto estava com ela. Aproximaram-se um do outro, sob sentidos amplificados&lt;/em&gt;.”&lt;br /&gt;In &lt;em&gt;A História de Meu Filho&lt;/em&gt;, de Nadine Gordimer, tradução de Ana Patrão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Q &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;uando Shara decide algo sobre mim, não há meio de contornar a questão nem desobedecer-lhe. Ela diz que não é obediência, sequer fidelidade, vassalagem, mas a sensatez que afluiu para reparar os danos da minha obtusidade (momentânea). Não o creio, deveras. E sinceramente; todavia, nunca lho disse abertamente, talvez por temer a contra-argumentação que lhe advirá. Aliás, a experiência recente aconselha-me prudência e tino, caso não queira ver-me espoliado, além dos sonetos e das fotos dela, como já fui, de outras predileções que ainda me restam, por secretas serem e escondidas dela as manter. Tenho as minhas razões…&lt;br /&gt;Por conseguinte, o que importa reter neste &lt;span style="color:#ff0000;"&gt;àparte&lt;/span&gt;, sendo obediência ou não, desta confissão se infere facilmente que a minha vida é um martírio. Se digo que gosto de uma coisa, ela enquanto não me veda o acesso a essa coisa, não descansa. E pelo contrário, se proclamo não gostar de alguém, então faz dessa pessoa a sua companhia favorita e incondicional, elegendo-a como alvo de todos os seus elogios, incluindo os diminutivos mais carinhosos, sempre que se lhe &lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/TTV0KjwgIdI/AAAAAAAADhc/QbG2EJ5BD5c/s1600/bg_6245678.JPG"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 247px; FLOAT: left; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5563480639432303058" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/TTV0KjwgIdI/AAAAAAAADhc/QbG2EJ5BD5c/s400/bg_6245678.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;refere, a chama ou a indica como testemunha e cúmplice do seu bom gosto. Por motivos que desconheço e razões que não enxergo, nada lhe dá maior prazer do que contrariar-me e proporcionar-me desprazer.&lt;br /&gt;Com uma particularidade indesmentível: cria armadilhas, encontros, afinidades várias, acontecimentos em que sou obrigado a partilhar a presença e convívio com “essa gente” que, muito atempadamente e bem!, eu classificara de indesejável ou fora de prazo. «É um treino de amadurecimento, queridinho» respondeu-me ela quando &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;corajosamente&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; a interpelei acerca da sua conduta neste capítulo. O que pode ser tão absolutamente verdade como relativamente autêntico, posto que nunca plenamente ou sequer em definitivo, tendo em conta que mal passo a simpatizar com &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;essas pessoas&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, logo ela lhe encontra defeitos gravíssimos que, saliente-se, «há bastante tempo tinha notado, e esperava pacientemente que também os detectasses; só que, como sempre, andas a leste e a ler por linhas tortas, aquilo que simplesmente se vê nas direitas», reportas tocando em sol maior de discurso avisado, apenas para meu governo, «já que em certos assuntos insistes em ser lerdo e demorado», como gosta de salientar se a oportunidade lhe surge a talho de foice.&lt;br /&gt;Não obstante, se a circunstância surge, o latinório do &lt;em&gt;de gustibus non est disputandum&lt;/em&gt; revela-se um importante recurso assim que, por qualquer motivo, enalteço feitos deste ou daquela, atos ou políticas, comportamentos ou silhuetas: «ora, não me apoquentes nem sarrazines a veneta, que bem sabes que os gostos não &lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/TTVz2I3mU9I/AAAAAAAADhU/0pZg6ZXR87o/s1600/Marta%2BShmatava00.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 150px; FLOAT: right; HEIGHT: 186px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5563480288616928210" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/TTVz2I3mU9I/AAAAAAAADhU/0pZg6ZXR87o/s400/Marta%2BShmatava00.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;são discutíveis, embora recentemente, e a este propósito, te tenhas repetidamente manifestado de um &lt;em&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;mau gosto&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ffff00;"&gt;exorbitante&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;. Como consegues fazer isso? Será que não te ouves? Há prà’i alguma disfunção entre a boca e ouvido, a língua e o cérebro? És disléxico mental? Ou estás unicamente empenhado a lembrar-me que quanto imagino que tens de bom, além de se perder e degradar a olhos vistos, nasceu em mim por falta de ponderação? Arrependo-me!» de lhe pespegar nos acintes e dar-lhe também pela medida grossa, dizer-lhe umas quantas que me andam &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;aqui&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; atravessadas há longa data, todavia as alturas vão-se derreando na inoportunidade circunstancial, remetendo-se invariavelmente para mais tarde, quando estivermos sem ninguém por perto, ou tiver digerido totalmente os reparos, num &lt;em&gt;a vingança serve-se fria&lt;/em&gt; que comummente me congela a vontade e o ânimo, adiando-a, adiando-a, adiando-a até finalmente a esquecer – definitivamente.&lt;br /&gt;Ademais, de pouco me serviria… Cada qual nasce prò que nasce, e a minha vida tem sido um tormento inglório. Tento chamar-lhe a atenção para a sua falta de decoro em relação à forma como me trata, a indelicadeza dos seus apartes, as notas de rodapé imerecidas que me aplica &lt;em&gt;por dá cá aquela palha&lt;/em&gt;, a inconveniência e inexatidão da maioria das suas críticas, mas a debalde: se mal estava, pior fico, e caiem-me as prédicas no saco roto dos maus ouvintes, daqueles que fazem questão em escutar de cabeça muito direitinha, para que mal as palavras entrem por um ouvido possam sair, &lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/TTVzeg1leTI/AAAAAAAADhM/BwCWuTmb8Cw/s1600/maurie_denis_poetic_arabesques_1892.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 299px; FLOAT: left; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5563479882734074162" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/TTVzeg1leTI/AAAAAAAADhM/BwCWuTmb8Cw/s400/maurie_denis_poetic_arabesques_1892.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;à mesma velocidade senão maior, de imediato pelo outro.&lt;br /&gt;Por exemplo, ainda antes de sairmos de casa, após o raspanete que me pregou sobre as fotografias, todas dela, pois: todas tuas!, não se coibiu de judiar do meu semblante cabisbaixo e consternado, triturando-me o ânimo com outro discurso sem fim acerca das mesmas, onde vociferou entredentes sem pundonor, num sussurro azedo que «tudo o que é demais, é moléstia. Meu menino: Uma, duas, quanto muito, três fotografias minhas, selecionadas e atualizadas, ainda vá que não vá, e eu até te podia ajudar na escolha. Algumas são fidedignas, e espelham extraordinariamente bem a minha personalidade, com discrição e qualidade. E uma vez que vais, &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;que vamos&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, continuar com esta casa, por estar mais perto do meu serviço, e onde tu tens a tua tralha de intelectual, não vejo nenhum obstáculo a que me sintas por perto e atenta, nos períodos em que estejamos “desencontrados” desenvolvendo as atividades profissionais sem as quais nunca poderemos passar. Não somos ricos, nem cultivamos o ócio. Portanto, começa a pensar nas fotografias que preferes manter à vista e dá sumiço às restantes. Ok?»&lt;br /&gt;Meneei a cabeça fazendo «tsche-tsche» com a língua a bater no palato, como quem coça o céu-da-boca duma comichão insuportável, despreguei os olhos do chão, com que varria o soalho à procura de insectos, poeira ou nódoas libertadoras do recado, suspirei atrapalhado e tentei sossegá-la prometendo «fica descansada, que amanhã, assim que aqui chegar, vai ser a primeira coisa que faço. Quando vieres almoçar, já podes escolher aquelas que preferes que tenha de ti. Eu gosto particularmente de duas ou três, mas depois, durante a refeição, faremos a nossa “acareação” de pareceres. Vais ver, que os nossos gostos não diferem tanto como supões…»&lt;br /&gt;Sai-me bem. Não é para me gabar, mas vislumbrei-lhe na face um tique, um breve estremecimento, de quem sustém um sorriso. Apeteceu-me dar um pinote e socar a atmosfera num «Hhhuuuaaaaauuuu!!!!!...» reconstansubstancializador mas evitei-me, sim, apenas para lhe fazer notar que a birra ainda não tinha passado totalmente, &lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/TTVzORlckbI/AAAAAAAADhE/8RkH4F7BDQk/s1600/maurie_denis_women_in_a_park_1893.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 318px; FLOAT: right; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5563479603761942962" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/TTVzORlckbI/AAAAAAAADhE/8RkH4F7BDQk/s400/maurie_denis_women_in_a_park_1893.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;e que quando se prende o burro não se desata a corda de repente.&lt;br /&gt;Abri a porta para sairmos com a respiração em suspenso, e desviei-me subtilmente para ela passar. Fê-lo lentamente, muito lentamente, demorando cada gesto da passada, esticando-os até aos limites do suportável, o braço direito a rasar-me o peito, quase a tocar-me sem tocar, contudo obrigando-me a sentir o calor de um contacto pré-anunciado, desejado, embora que na pronúncia acesa das palavras supérfluas e indizíveis. E eu tremi, estremeci sem controlo, tentando esconder a constatação inequívoca de que não me pertenço. Que a vontade que me anima, que essa ideia cujo melhor nome que encontrámos para nomear chamamos “alma”, pode ser a minha, mas habita outro querer. Num amplificado reconhecimento, a que se acrescia a noção exata da minha impotência para contrariar este estado, esta tomada de sentido em toda a sua consciência! &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33470272-5908282874779682971?l=escribalistas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escribalistas.blogspot.com/feeds/5908282874779682971/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33470272&amp;postID=5908282874779682971&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33470272/posts/default/5908282874779682971'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33470272/posts/default/5908282874779682971'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escribalistas.blogspot.com/2011/01/petrarca-reincidente.html' title='Petrarca Reincidente'/><author><name>joaquim maria castanho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13601095424407490659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/SL6Sv6k9KBI/AAAAAAAAA-E/Z5b-jAk0_lE/S220/quim.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/TTV1ImnUraI/AAAAAAAADh8/eWXohx7sZ7M/s72-c/vermelho%2Bpiano.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33470272.post-5568678091604494974</id><published>2011-01-15T07:25:00.000-08:00</published><updated>2011-01-18T03:12:10.821-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='matrizes'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sem Metros Barreiras'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>Segundo Conto da Saga Petrarquiana</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/TTG-_K0zxsI/AAAAAAAADg8/BtW0l3iljbk/s1600/peter%2Bpan%2Bdas%2Bondas.JPG"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 267px; FLOAT: right; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5562437007226160834" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/TTG-_K0zxsI/AAAAAAAADg8/BtW0l3iljbk/s400/peter%2Bpan%2Bdas%2Bondas.JPG" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;A Curva em Desnível&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;“Eis aqui se descobre a nobre Espanha,&lt;br /&gt;Como cabeça ali de Europa toda,&lt;br /&gt;Em cujo senhorio e glória estranha&lt;br /&gt;Muitas voltas tem dado a fatal roda;&lt;br /&gt;Mas nunca poderá, com força ou manha,&lt;br /&gt;A Fortuna inquieta pôr-lhe noda&lt;br /&gt;Que lha não tire o esforço e ousadia&lt;br /&gt;Dos belicosos peitos que em si cria.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Luís de Camões, in &lt;em&gt;Os Lusíadas&lt;/em&gt;, Canto Terceiro, Estrofe 17)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;A &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;inda mal me tinha levantado quando a campainha tocou. Eram precisamente dez horas, e o sol entrava pela janela da sala como se fosse um dia de primavera. Mas não o era. Estávamos no pinho do inverno e, lá fora, a temperatura rondava os dois graus negativos.&lt;br /&gt;Portanto, quando sem pressas me dirigi à porta para ver quem assim tocara, estava longe de imaginar que pessoa metera o dedinho no botão, deixando-o lá esquecido na demora de uma eternidade estridente. Insistentemente. Ansiosa. Porque, se nos propusermos ouvir as tonalidades dos toques, distinguimos perfeitamente o estádio de ânimo de quem carrega do outro lado. Eu distingo, e às vezes até sei quem é, dado que os timbres se tornam caracteristicamente identificáveis.&lt;br /&gt;E ao ver-me, assarapantado, Shara sorriu-me de orelha a orelha, num desafio direto à contrariedade chapada no meu rosto. Porém, não se fez minimamente achada ou arrependida, e estampou-me nas ventas um «então queridinho, ainda de ressaca com as novidades de ontem?», que me arrepiou de alto a baixo num estertor de choque eléctrico, semelhante àqueles apanhados à sorrelfa e na calada da noite, quando se assalta o frigorífico ou tenta arrombar o mealheiro do filho mais novo, e se é apanhado com a boca na botija.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;As novidades&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; a que se referia estavam relacionadas com a conversa a quatro que tivéramos sobre a nossa vida a dois, durante o jantar em casa dos pais dela… E diziam respeito ao ter-me posto em banho-maria com o meu claro consentimento. O estranho é que a anuência nem tivera a interferência alcoólica, ou a nota persuasiva de uma fraqueza visível. Não estava bêbado nem fragilizado quando dissera que sim, pondo fim à minha liberdade de solteiro e bom rapaz.&lt;br /&gt;Há coisas que nos sucedem sem querermos, outras porque não queremos mas também não nos importamos, e ainda outras, porque além de as querermos fazemos tudo para que nos aconteçam. O jantar não foi nenhuma delas. E a conversa anexa idem. Como diz o povo, tantas vezes vai o cântaro à fonte até que um dia… parte-se!&lt;br /&gt;É claro que de inesperado não tinha nada. E a complacência que me acompanhara na decisão, também não indicava que fora esperada. Mas isso, de me terem sido “proibidos” os sonetos, acho que foi uma exagerada e elevadíssima pena para tão &lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/TTG-tku_s8I/AAAAAAAADg0/FSJYSDKq_sk/s1600/leighton-14%255B1%255D.JPG"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 258px; FLOAT: right; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5562436704943453122" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/TTG-tku_s8I/AAAAAAAADg0/FSJYSDKq_sk/s400/leighton-14%255B1%255D.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;ínfimo e insignificante falta: a de dizer o que sinto por catorze versos. Há quem o faça mais barato, é claro, como se de um haiku se tratasse, porém estas modalidades não fazem muito o meu género…&lt;br /&gt;Bom: o que é certo, afiançado e garantido, é que ela estava ali na minha frente, com cara de grande divertimento na intenção, clara e declarada, de sondar como tinha eu feito a digestão das &lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;novidades &lt;/strong&gt;sofridas&lt;/span&gt;, se tinha feito ou ainda precisava de algum auxiliar – de memória? Farmacológico? Corretivo? – que me facilitasse o engolimento das decisões tomadas acerca da minha vontade e estado civil, como de espírito. «Ora, tu bem sabes, que tudo o que decidires, está decidido, e eu não ponho qualquer obstáculo…», fiz-lhe saber, desviando-me da entrada para que Shara atravessasse a ombreira da porta. Dá mau aspecto esse serôdio hábito oitocentista, essa coisa de se discutirem os sonetos em público…&lt;br /&gt;«Mas nada de fintas, verónicas e chicuelinas, que os meus pais têm muito apreço e estima por ti, e desiludi-los será um duro golpe de que dificilmente recuperarão», remataste tu, aquela que possui o nome que é também a chave do meu destino, cuja sorte foi ditada e escrita muito antes do homem ser homem, ou até do menino ser menino.&lt;br /&gt;«Claro» garanti, «podes ficar descansada, que nunca da minha parte haverá a menor razão de queixa, e tudo farei para continuar a merecer a confiança e apreço deles», tentando dar um ar oficial ao juramento para melhor me livrar do teu olhar acutilante, perscrutador e irreverente. Quase irónico, e veladamente ameaçador…&lt;br /&gt;É óbvio que a tua intenção, quer dizer, a intenção de Shara era outra, de subtil natureza e contorcido engenho, que nestas coisas da vontade o feminino não pode passar nunca sem aquele requinte de matreira índole que os incautos e desprevenidos tomam por sedução. Por perspicácia. Salero. Coquetearia. O &lt;em&gt;vos estes sal terrae&lt;/em&gt; sem o qual os dias nos seriam tediosamente sonsos. Imagino! Porque é apenas um supor, considerando que até quando não estás me anda inquieta a alma por entre os destroços em que me fica a existência se tal sucede…&lt;br /&gt;Assim, tentei desviar a conversa para outros destinos, visto que a fatalidade me pusera a cabeça à roda, com o fito de equilibrar as ideias e o ânimo num degrau acessível ao amor-próprio sem me esticar muito. «Olha: já reparaste que limpei a casa e arrumei os livros &lt;em&gt;quase &lt;/em&gt;todos? Não notas a diferença?» Mas na ânsia de a encaminhar para outros azimutes, descurei milimetricamente a guarda, mostrando-lhe as prateleiras onde eles se enfileiravam, embora que com as lombadas tapadas pelas inúmeras fotografias tuas, quer dizer: dela, nas mais variadas circunstâncias, trajes, fundos, poses, que ao longo dos anos fui colecionando, emoldurando e expondo, desde que houvesse algum espaço vago, ou que ainda não &lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/TTG-Q2wEiGI/AAAAAAAADgs/g1n4t03yaFw/s1600/Miguel%2BCoelho%252C%2BCasa%2Bde%2Bch%25C3%25A1%2Bda%2Bboa%2BNova%252C%2BMatosinhos%252C%2BPortugal%252C%2BArq.%2B%25C3%2581lvaro%2BSiza.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 400px; FLOAT: left; HEIGHT: 266px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5562436211563595874" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/TTG-Q2wEiGI/AAAAAAAADgs/g1n4t03yaFw/s400/Miguel%2BCoelho%252C%2BCasa%2Bde%2Bch%25C3%25A1%2Bda%2Bboa%2BNova%252C%2BMatosinhos%252C%2BPortugal%252C%2BArq.%2B%25C3%2581lvaro%2BSiza.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;tivesse sido ocupado por uma. Uma vez chegaste mesmo a ironizar, perguntando-me se a figura que se via por toda a casa, tão insistentemente decorativa não seria «alguma Santa a que és devoto, a que prestas culto… Não te sabia tão dado às coisas da fé e da religião!», fazendo-te desentendida sobre quem era essa que somente Shara encarna sem se notar qualquer desacerto nas linhas, suturas e reminiscências.&lt;br /&gt;Lembro-me que te paguei na mesma moeda e não afectei o toque, sem remoque e indiferença. Foi então, enquanto recordava a situação, que me atiraste outro balde água fria, ainda pior do que a proibição dos sonetos, coisa que eu pensava ser a mais terrível e desafortunada que me podia acontecer, e isto depois de teres passado revista aos móveis e estantes, avaliando a decoração, o estado de preenchido anafórico, de onde brotavas como um refrão que se repete a esmo por toda a glosa, sem curvas de desnível, de forma a esfregar com detergente eficaz outra nódoa que ainda me maculasse a alma, o comportamento e a motivação, determinando que «isto não pode continuar assim, durante muito mais tempo. Trata de desfazer, de arrumar esta tralha toda. Faz um álbum, mete-as numa caixa de camisas ou sapatos que tenhas prà’i, no quer que seja. Desenrasca-te. E se tivermos filhos, onde vamos pôr as fotografias deles? És tonto, ou quê?»&lt;br /&gt;Na boca, a língua entaramelou-se, quando tentei ripostar, e nem um pio me saiu dela mal a abri, deixando-a à banda. Ficara de rastos, a corda partida, a pilha gasta, a alma num esfregão. Tudo quanto eu mais temia me estava acontecer. Um &lt;em&gt;tsunami&lt;/em&gt; não teria provocado maior devastação. A cara devia ser o espelho da consternação e tempestade que se abateram sobre mim, todavia Shara não evidenciara a menor comoção, pena e dó. Olhei as alturas implorando socorro a todas as divindades, mas nenhuma me atendeu. Fitei o abstrato de nada que é ponto aceso a brilhar no vazio &lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/TTG97hjdq6I/AAAAAAAADgk/iDt0kFRzMW4/s1600/Nova%2Bimagem.JPG"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 276px; FLOAT: right; HEIGHT: 214px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5562435845096319906" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/TTG97hjdq6I/AAAAAAAADgk/iDt0kFRzMW4/s400/Nova%2Bimagem.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;infinito, e nem uma luzinha me piscou no pestanejar da esperança, precisamente no momento em que até um pirilampo me consolaria. Mas nada. Da desfaçatez do cosmos não vieram quaisquer grânulos luminosos ou grãos de pó… o mínimo sinal de esperança ou réstia de razão.&lt;br /&gt;E dada a evidência, contrito e aflito reconheci, que tudo quanto para Petrarca fora somente maldição, calhava-me a mim a dobrar – é que &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;um soneto nunca vem só! &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33470272-5568678091604494974?l=escribalistas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escribalistas.blogspot.com/feeds/5568678091604494974/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33470272&amp;postID=5568678091604494974&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33470272/posts/default/5568678091604494974'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33470272/posts/default/5568678091604494974'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escribalistas.blogspot.com/2011/01/segundo-conto-da-saga-petrarquiana.html' title='Segundo Conto da Saga Petrarquiana'/><author><name>joaquim maria castanho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13601095424407490659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/SL6Sv6k9KBI/AAAAAAAAA-E/Z5b-jAk0_lE/S220/quim.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/TTG-_K0zxsI/AAAAAAAADg8/BtW0l3iljbk/s72-c/peter%2Bpan%2Bdas%2Bondas.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33470272.post-2607016598630191961</id><published>2011-01-15T07:18:00.000-08:00</published><updated>2011-01-15T07:22:58.937-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crónicas dos Luís Não Vás'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crónicas do (E)Leitor'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política criativa'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crónicas (In)divisas'/><title type='text'>Males de uma idade maior... Ou crise de crescimento?</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/TTG7xUER5eI/AAAAAAAADgc/KzhfRKFVvYs/s1600/Proteger%2Bos%2Bcaminhantes%2B2%255B1%255D.JPG"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 400px; FLOAT: left; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5562433470653916642" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/TTG7xUER5eI/AAAAAAAADgc/KzhfRKFVvYs/s400/Proteger%2Bos%2Bcaminhantes%2B2%255B1%255D.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;O Regozijo Nacional&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Os males da idade são postes de sinalização e não destino."&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;L. Kronenberger&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Fico muito contente por saber que os melhores de entre todos nós não valem um pataco, havendo mesmo quem não sequer dê três vinténs por eles. E ninguém me tira da ideia que a pegada social de cada homem há de abranger muito para além de seus filhos e netos, porquanto também comporta a sua pegada ecológica e da sua família, durante bastante tempo depois de morrer e ela se extinguir, deveras contundente na violação das fronteiras e limites, sejam temporais como no espaço, indubitavelmente inerentes ao grupo, comunidade ou povo a que pertence. O nosso está de parabéns. Temos uma nata a toda a prova, incluindo a de sensatez. Ora vamos lá ver: o que prejudica ou não ajuda absolutamente nada este país, não são as conjeturas e alvitres sobre o possível pedido de auxílio à Europa (FEE) ou ao FMI, deste ou daquele civil mais ou menos magoado, e ressentido, com os desmandos da governação, e o estado precário e insustentável da nossa situação geral, é sim a falta de ações concretas e eficazes da parte do Estado e do governo para contrariar a atual situação económica, cultural, social, política e financeira. Esse é que é o maior e mais prejudicial défice de todos... E esse também sabemos todos nós muito bem onde nasceu e quem o fomenta!&lt;br /&gt;Das agruras recentes e da qualificação deste ou daquele candidato, não restam agora as menores dúvidas que quem muito se cala não é só por lhe faltar argumento credível, é para não se comprometer ainda mais do que já se sente estar, receando dizer algo que prejudique ainda mais a sua defesa do que o ficar calado defenderia. Nem sequer é tabu, como aconteceu noutras circunstâncias. E se de estratégia se &lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/TTG7iVJcc0I/AAAAAAAADgU/WNAMapxmmVI/s1600/cavaco.JPG"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 400px; FLOAT: left; HEIGHT: 394px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5562433213245977410" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/TTG7iVJcc0I/AAAAAAAADgU/WNAMapxmmVI/s400/cavaco.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;tratar, então bateu com os burrinhos na lama, uma vez que dia a dia, está a perder notoriamente as vantagens competitivas que o desempenho anterior do cargo lhe conferiu. Os portugueses, daqueles cuja filosofia era o comer e calar, que &lt;em&gt;ovelha que berra é bocado que perde&lt;/em&gt;, já restam muito poucos, e desses, e nesses, o descrédito nos políticos e na política, para além das dificuldades de locomoção, a carestia de vida, agravamento das condições de saúde, a abstenção sobe em acelerado contínuo, na razão diretamente inversa ao seu descontentamento e perda de fé. Estão a ficar-se aos magotes como S. Tomé, querem ver para crer, ouvir para acreditar, e do silêncio gritante que ecoa nos seus aparelhos multimédia apenas soçobra o ruído das dificuldades crescentes no quotidiano.&lt;br /&gt;Ninguém perde dúvidas com faltas de esclarecimentos, e aquela arrogância de que foram acusados alguns outros, nomeadamente o candidato à esquerda melhor posicionado, está a assentar como luva através do quem cala consente que acoita todos os desmandos, desde os menores aos mais graves. Em democracia não quem esteja inquestionavelmente acima de qualquer fato, e os fatos que perduram são sempre aqueles que não foram debatidos, escamoteados e esclarecidos. Mandar as pessoas que nem sequer sabem usar com presteza o telemóvel, para ligar aos filhos e netos, consultar o site na internet, e dizer-lhes cara a cara que não conta com eles e prescinde dos seus votos, pois que a única maneira plausível de se manterem informados é ouvir nas rádios e verem nas televisões, aonde esse tipo de informação foi sonegado.&lt;br /&gt;Portanto, se acontecer alguma surpresa, não venham depois com modas de apelidar o povo de ingrato, que para pagar na mesma moeda é que ainda vai rebuscando no fundo dos bolsos os raros níqueis trocados, pois que quando faz perguntas e não ouve respostas, já não acredita logo que está a ficar velho e duro de ouvido, mas antes sim conclui que anda alguém a tentar fazer-lhe o ninho detrás da orelha – outra vez! &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33470272-2607016598630191961?l=escribalistas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escribalistas.blogspot.com/feeds/2607016598630191961/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33470272&amp;postID=2607016598630191961&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33470272/posts/default/2607016598630191961'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33470272/posts/default/2607016598630191961'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escribalistas.blogspot.com/2011/01/males-de-uma-idade-maior-ou-crise-de.html' title='Males de uma idade maior... Ou crise de crescimento?'/><author><name>joaquim maria castanho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13601095424407490659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/SL6Sv6k9KBI/AAAAAAAAA-E/Z5b-jAk0_lE/S220/quim.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/TTG7xUER5eI/AAAAAAAADgc/KzhfRKFVvYs/s72-c/Proteger%2Bos%2Bcaminhantes%2B2%255B1%255D.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33470272.post-3151467669494906121</id><published>2011-01-11T05:21:00.000-08:00</published><updated>2011-01-11T05:35:54.853-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poemas Alheios'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='matrizes'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sem Metros Barreiras'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Publicações Avulsas'/><title type='text'>Para Além de Outro Oceano, de Coelho  Pacheco</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/TSxb5DsfW5I/AAAAAAAADfM/QC_CDsErH8k/s1600/Frantis%25C3%25A9k%2BDrtikol%252C%2BDancers%252C%2B1930.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 400px; FLOAT: right; HEIGHT: 284px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5560920675698301842" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/TSxb5DsfW5I/AAAAAAAADfM/QC_CDsErH8k/s400/Frantis%25C3%25A9k%2BDrtikol%252C%2BDancers%252C%2B1930.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Com a Alma num Puzzle&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;"NUM SENTIMENTO de febre de ser para além doutro oceano&lt;br /&gt;Houve posições dum viver mais claro e mais límpido&lt;br /&gt;E aparências duma cidade de seres&lt;br /&gt;Não irreais mas lívidos de impossibilidade, consagrados em pureza e em nudez&lt;br /&gt;Fui pórtico desta visão irrita e os sentimentos eram só o desejo de os ter&lt;br /&gt;A noção das coisas fora de si, tinha-as cada um adentro&lt;br /&gt;Todos viviam na vida dos restantes&lt;br /&gt;E a maneira de sentir estava no modo de se viver&lt;br /&gt;Mas a forma daqueles rostos tinha a placidez do orvalho&lt;br /&gt;A nudez era um silêncio de formas sem modo de ser&lt;br /&gt;E houve pasmos de toda a realidade ser só isto&lt;br /&gt;Mas a vida era a vida e só era a vida."&lt;br /&gt;– In &lt;em&gt;Para Além de Outro Oceano&lt;/em&gt;, de Coelho Pacheco (1)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Quem se esfarela até morrer, corre em riacho de muito seixo e pouca ternura (alcança), que o silêncio do nu apressado, ainda que vertido em multidões de espasmos e suspiros, nunca outra coisa lhe trará do que a solidão de si entre tantos, ilha sem pontes nem portos seguros que no vasto e perdido oceano lhe há de ficar. Ao buscarmo-nos fora de nós, como metáfora matriz do universo, desde Bhavicyottarapuräna ("água, tu és a fonte de todas as coisas e de toda a existência") ao Alcorão ("Não vêem os infiéis [...] que com a água demos vida a tudo?"), quer para nos purificarmos como para nos regenerarmos, é impossível que não caiamos no intempestuoso oceano da dúvida, da lágrima, da representação ou do júbilo, numa tentativa de retornarmos às águas primordiais, ao líquido amniótico, precisamente aquelas que antecederam a (nossa) realidade, a notificaram e convocaram para dela ajuizarmos, lhe mataram a sede e a dissolveram na fantasia e no sonho, no conto e teoria de vida, onde se estabeleceram e formataram os sentidos e veículos/ferramentas para a sua conveniente apropriação, que é, enfim, a vida de cada qual. Esporadicamente nessa tomada de posse, tivemos que saltar fora de nós (heteronímia), para nos podermos ver e observarmos (uns aos outros) como outros, capazes das ousadias que temíamos, enquanto mergulhávamos no líquido original e genesíaco, pré-diluviano, bem como quais eram os gestos peculiares e expressões com que reiniciávamos essa navegação essencial. O outro que nós éramos, experimentava assim aquilo que podíamos – ou queríamos – ser, sem correr os riscos e adversidades consequentes ao salto no escuro cometido, e sem perdermos da mão o telecomando imaginário com que nos iludíamos de ter sob controlo essa perigosa constatação de existir, que raiando o desdobramento da personalidade toca explicitamente as margens da loucura. Estávamos ali de corpo e alma, de fato e (e)feito indesmentível, porém, dela o víamos a cumprir os desígnios ordenados como se fossem por ele estipulados e decididos, leis executadas sem apelo nem agravo duma vassalagem indecorosa mas irresistível.&lt;br /&gt;Coelho Pacheco – ou Fernando Pessoa, quem sabe?!?... – descreve/exemplifica um desses momentos de mergulho sem escafandro com que o homem-rã se propõe a submergir nas suas próprias águas. A dificuldade deste tipo modalidade ou de exercício de natação não está no peso da bagagem, escafandro e profundidade que almejamos, mas na qualidade e natureza das águas, porquanto elas são as nossas, revoltosas umas vezes, calmas e serenas outras, porém sempre turvas e a que a nossa lente de autoestima, disponibilidade, lucidez, objetividade e ideal/teoria de vida não acrescenta nenhuma transparência, antes as obscurece mais de acordo com a medida da nossa ansiedade e insegurança. E a corda bamba de Nietzsche, e Zaratustra, neste panorama não passa de uma brincadeira de crianças superprotegidas para quem o risco reside na correspondência direta com o volume do alarido de aviso, ou aconselhamento, que o bando protetor emite por alerta e prevenção.&lt;br /&gt;É óbvio que depois de passarmos por semelhante experiência, voo ou mergulho que seja, tendo-nos acontecido o mesmo que sucede quando acordamos de um pesadelo infernal, o riso e o alívio serão quase inevitáveis, como quando vencemos uma barreira intransponível sem a mínima beliscadura, em que não obstante o pior já ter passado, o que é certo, é que jurámos jamais metermo-nos noutra igual para conseguir coragem e alento, e até ajuda divina, e não temos a certeza se essa emersão salvadora das aflições em que estávamos, se deveu aos nossos esforços e força de músculo, capacidade intelectual e motivação, se à &lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/TSxboZWJGTI/AAAAAAAADfE/FeVM9tkQY8Q/s1600/ivan%2Bstefanek%2B3.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 180px; FLOAT: right; HEIGHT: 152px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5560920389452372274" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/TSxboZWJGTI/AAAAAAAADfE/FeVM9tkQY8Q/s400/ivan%2Bstefanek%2B3.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;intervenção divina para a qual implorámos e nos encomendámos, numa dívida inegável. Quando &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ffcc33;"&gt;os sentimentos são só o desejo de os ter&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; dificilmente saberemos se são reais ou apenas hipotéticos, consentidos ou imperiosos, inevitáveis ou relevantes, se são nossos ou de outrem, estão activos ou não passam de recordação, fantasia e alucinação, pondo-nos em igual plano com a suscetível irrealidade, pelo que deixamos de saber com certeza quem somos, se somos reais ou imaginados, autênticos ou fictícios, seres nomeáveis ou reclusos de uma maldição qualquer, emitida para corromper o espírito de outros seres, esses sim capazes de sentir e usufruir de sentimentos. E ninguém merece, por maior e mais hediondo que tenha sido o seu crime, tamanha condenação!&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ffcc33;"&gt;Febre de ser para além doutras águas&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, não destas que lavam e purificam, não destas que são genesíacas e originais, não destas que compõem os oitenta e tal por cento do nosso corpo, nem da superfície terrena ou global, que todas são impuras e normais, mas onde a pureza e a nudez se diluem lívidas de impossibilidade. Onde fica isso, que mares e oceanos são esses? O Purgatório tem alguma liquidez nessa perceção? Bom... Qualquer leitura atenta da totalidade do poema, creio, deve bastar para responder a esta questão.&lt;br /&gt;E se não responder?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;FICÇÕES DO INTERLÚDIO/3:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;PARA ALÉM DO OUTRO OCEANO&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;DE &lt;em&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;C[OELHO] PACHECO&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;NUM SENTIMENTO de febre de ser para além doutro oceano&lt;br /&gt;Houve posições dum viver mais claro e mais límpido&lt;br /&gt;E aparências duma cidade de seres&lt;br /&gt;Não irreais mas lívidos de impossibilidade, consagrados em pureza e em nudez&lt;br /&gt;Fui pórtico desta visão irrita e os sentimentos eram só o desejo de os ter&lt;br /&gt;A noção das coisas fora de si, tinha-as cada um adentro&lt;br /&gt;Todos viviam na vida dos restantes&lt;br /&gt;E a maneira de sentir estava no modo de se viver&lt;br /&gt;Mas a forma daqueles rostos tinha a placidez do orvalho&lt;br /&gt;A nudez era um silêncio de formas sem modo de ser&lt;br /&gt;E houve pasmos de toda a realidade ser só isto&lt;br /&gt;Mas a vida era a vida e só era a vida.&lt;br /&gt;O meu pensamento muitas vezes trabalha silenciosamente&lt;br /&gt;Com a mesma doçura duma máquina untada que se move sem fazer barulho&lt;br /&gt;Sinto-me bem quando ela assim vai e ponho-me imóvel&lt;br /&gt;Para não desmanchar o equilíbrio que me faz tê-lo desse modo&lt;br /&gt;Pressinto que é nesses momentos que o meu pensamento é claro&lt;br /&gt;Mas eu não o oiço e silencioso ele trabalha sempre de mansinho&lt;br /&gt;Como uma máquina untada movida por uma correia&lt;br /&gt;E não posso ouvir senão o deslizar sereno das peças que trabalham&lt;br /&gt;Eu lembro-me às vezes de que todas as outras pessoas devem sentir isto como eu&lt;br /&gt;Mas dizem que lhes dói a cabeça ou sentem tonturas&lt;br /&gt;Esta lembrança veio-me como me podia vir outra qualquer&lt;br /&gt;Como por exemplo a de que eles não sentem esse deslizar&lt;br /&gt;E não pensam em que o não sentem&lt;br /&gt;Neste salão antigo em que as panóplias de armas cinzentas&lt;br /&gt;São a forma dum arcaboiço em que há sinais doutras eras&lt;br /&gt;Passeio o meu olhar materializado e destaco de escondido nas armaduras&lt;br /&gt;Aquele segredo de alma que é a causa de eu viver&lt;br /&gt;Se fito na panóplia o olhar mortificado em que há desejos de não ver&lt;br /&gt;Toda a estrutura férrea desse arcaboiço que eu pressinto não sei por quê&lt;br /&gt;Se apossa do meu senti-la como um clarão de lucidez&lt;br /&gt;Há som no serem iguais dois elmos que me escutam&lt;br /&gt;A sombra das lanças de ser nítida marca a indecisão das palavras&lt;br /&gt;Dísticos de incerteza bailam incessantemente sobre mim&lt;br /&gt;Oiço já as coroações de heróis que hão de celebrar-me&lt;br /&gt;E sobre este vício de sentir encontro-me nos mesmos espasmos&lt;br /&gt;Da mesma poeira cinzenta das armas em que há sinais doutras eras&lt;br /&gt;Quando entro numa sala grande e nua à hora do crepúsculo&lt;br /&gt;E que tudo é silêncio ela tem para mim a estrutura duma alma&lt;br /&gt;É vaga e poeirenta e os meus passos têm ecos estranhos&lt;br /&gt;Como os que ecoam na minha alma quando eu ando&lt;br /&gt;Por suas janelas tristes entra a luz adormecida de lá de fora&lt;br /&gt;E projeta na parede escura em frente as sombras e as penumbras&lt;br /&gt;Uma sala grande e vazia é uma alma silenciosa&lt;br /&gt;E as correntes de ar que levantam pó são os pensamentos&lt;br /&gt;Um rebanho de ovelhas é uma coisa triste&lt;br /&gt;Porque lhe não devemos poder associar outras ideias que não sejam tristes&lt;br /&gt;E porque assim é e só porque assim é porque é verdade&lt;br /&gt;Que devemos associar ideias tristes a um rebanho de ovelhas&lt;br /&gt;Por esta razão e só por esta razão é que as ovelhas são realmente tristes&lt;br /&gt;Eu roubo por prazer quando me dão um objeto de valor&lt;br /&gt;E eu dou em troca uns bocados de metal. Esta ideia não é comum nem banal&lt;br /&gt;Porque eu encaro-a de modo diferente e não há relação entre um metal e outro objeto&lt;br /&gt;Se eu fosse comprar latão e desse alcachofras prendiam-me&lt;br /&gt;Eu gostava de ouvir qualquer pessoa expor e explicar&lt;br /&gt;O modo como se pode deixar de pensar em que se pensa que se faz uma coisa&lt;br /&gt;E assim perderia o receio que tenho de que um dia venha a saber&lt;br /&gt;Que o pensar eu em coisas e no pensar não passa duma coisa material e perfeita&lt;br /&gt;A posição dum corpo não é indiferente para o seu equilíbrio&lt;br /&gt;E a esfera não é um corpo porque não tem forma&lt;br /&gt;Se é assim e se todos ouvimos um som em qualquer posição&lt;br /&gt;Infiro que ele não deve ser um corpo&lt;br /&gt;Mas os que sabem por intuição que o som não é um corpo&lt;br /&gt;Não seguiram o meu raciocínio e essa noção assim não lhes serve para nada&lt;br /&gt;Quando me lembro que há pessoas que jogam as palavras para fazerem espírito&lt;br /&gt;E se riem por isso e contam casos particulares da vida de cada um&lt;br /&gt;Para assim se desenfastiarem e que acham graça aos palhaços de circo&lt;br /&gt;E se incomodam por lhes cair uma nódoa de azeite no fato novo&lt;br /&gt;Sinto-me feliz por haver tanta coisa que eu não compreendo&lt;br /&gt;Na arte de cada operário vejo toda uma geração a esbater-se&lt;br /&gt;E por isso eu não compreendo arte nenhuma e vejo essa geração&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/TSxa5qmPfhI/AAAAAAAADe8/Y-vEJavssHA/s1600/Cristina%2BMarsi%2B%2Bthe%2Bbirth%2Bof%2Bvenus.JPG"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 400px; FLOAT: left; HEIGHT: 286px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5560919586629451282" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/TSxa5qmPfhI/AAAAAAAADe8/Y-vEJavssHA/s400/Cristina%2BMarsi%2B%2Bthe%2Bbirth%2Bof%2Bvenus.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;O operário não vê na sua arte nada duma geração&lt;br /&gt;E por isso ele é operário e conhece a sua arte&lt;br /&gt;O meu físico é muitas vezes causa de eu me amargurar&lt;br /&gt;Eu sei que sou uma coisa e porque não sou diferente de uma coisa qualquer&lt;br /&gt;Sei que as outras coisas serão como eu e têm de pensar que eu sou uma coisa comum&lt;br /&gt;Se portanto assim é eu não penso mas julgo que penso&lt;br /&gt;E esta maneira de me eu acondicionar é boa e alivia-me&lt;br /&gt;Eu amo as alamedas de árvores sombrias e curvas&lt;br /&gt;E ao caminhar em alamedas extensas que o meu olhar afeiçoa&lt;br /&gt;Alamedas que o meu olhar afeiçoa sem que eu saiba como&lt;br /&gt;Elas são portas que se abrem no meu ser incoerente&lt;br /&gt;E são sempre alamedas que eu sinto quando o pasmo de ser assim me distingue&lt;br /&gt;Muitas vezes oculto-me sensações e gostos&lt;br /&gt;E então elas variam e estão em acordo com as dos outros&lt;br /&gt;Mas eu não as sinto e também não sei que me engano&lt;br /&gt;Sentir a poesia é a maneira figurada de se viver&lt;br /&gt;Eu não sinto a poesia não porque não saiba o que ela é&lt;br /&gt;Mas porque não posso viver figuradamente&lt;br /&gt;E se o conseguisse tinha de seguir outro modo de me acondicionar&lt;br /&gt;A condição da poesia é ignorar como se pode senti-la&lt;br /&gt;Há coisas belas que são belas em si&lt;br /&gt;Mas a beleza íntima dos sentimentos espelha-se nas coisas&lt;br /&gt;E se elas são belas nós não as sentimos&lt;br /&gt;Na sequência dos passos não posso ver mais que a sequência dos passos&lt;br /&gt;E eles seguem-se como se eu os visse seguirem-se realmente&lt;br /&gt;Do fato deles serem tão iguais a si mesmo&lt;br /&gt;E de não haver uma sequência de passos que o não seja&lt;br /&gt;É que eu vejo a necessidade de nos não iludirmos sobre o sentido claro das coisas&lt;br /&gt;Assim havíamos de julgar que um corpo inanimado sente e vê diferentemente de nós&lt;br /&gt;E esta noção pode ser admissível demais seria incómoda e fútil&lt;br /&gt;Se quando pensamos podemos deixar de fazer movimento e de falar&lt;br /&gt;Para que é preciso supor que as coisas não pensam&lt;br /&gt;Se esta maneira de as ver é incoerente e fácil para o espírito?&lt;br /&gt;Devemos supor e este é o verdadeiro caminho&lt;br /&gt;Que nós pensamos pelo fato de o podermos fazer sem nos mexermos nem falar&lt;br /&gt;Como fazem as coisas inanimadas&lt;br /&gt;Quando me sinto isolado a necessidade de ser uma pessoa qualquer surge&lt;br /&gt;E redemoinha em volta de mim em espirais oscilantes&lt;br /&gt;Esta maneira de dizer não é figurada&lt;br /&gt;E eu sei que ela redemoinha em volta de mim como uma borboleta em volta de uma luz&lt;br /&gt;Vejo-lhe sintomas de cansaço e horrorizo-me quando julgo que ela vai cair&lt;br /&gt;Mas de nunca suceder isso acontece eu estar às vezes isolado&lt;br /&gt;Há pessoas a quem o arranhar das paredes impressiona&lt;br /&gt;E outras que se não impressionam&lt;br /&gt;Mas o arranhar das paredes é sempre igual&lt;br /&gt;E a diferença vem das pessoas. Mas se há diferença entre este sentir&lt;br /&gt;Haverá diferença pessoal no sentir das outras coisas&lt;br /&gt;E quando todos pensem igual duma coisa é porque ela é diferente para cada um&lt;br /&gt;A memória é a faculdade de saber que havemos de viver&lt;br /&gt;Portanto os amnésicos não podem saber que vivem&lt;br /&gt;Mas eles são como eu infelizes e eu sei que estou vivendo e hei de viver&lt;br /&gt;Um objeto que se atinge um susto que se tem&lt;br /&gt;São tudo maneiras de se viver para os outros&lt;br /&gt;Eu desejaria viver ou ser adentro de mim como vivem ou são os espaços&lt;br /&gt;Depois de comer quantas pessoas se sentam em cadeiras de balanço&lt;br /&gt;Ajeitam-se nas almofadas fecham os olhos e deixam-se viver&lt;br /&gt;Não há luta entre o viver e a vontade de não viver&lt;br /&gt;Ou então — e isto é horroroso para mim — se há realmente essa luta&lt;br /&gt;Com um tiro de pistola matam-se tendo primeiro escrito cartas&lt;br /&gt;Deixar-se viver é absurdo como um falar em segredo&lt;br /&gt;Os artistas de circo são superiores a mim&lt;br /&gt;Porque sabem fazer pinos e saltos mortais a cavalo&lt;br /&gt;E dão os saltos só por os dar&lt;br /&gt;E se eu desse um salto havia de querer saber por que o dava —&lt;br /&gt;E não os dando entristecia-me&lt;br /&gt;Eles não são capazes de dizer como é que os dão&lt;br /&gt;Mas saltam como só eles sabem saltar&lt;br /&gt;E nunca perguntaram a si mesmos se realmente saltam&lt;br /&gt;Porque eu quando vejo alguma coisa&lt;br /&gt;Não sei se ela se dá ou não nem posso sabê-lo&lt;br /&gt;Só sei que para mim é como se ela acontecesse porque a vejo&lt;br /&gt;Mas não posso saber se vejo coisas que não aconteçam&lt;br /&gt;E se as visse também podia supor que elas sucediam&lt;br /&gt;Uma ave é sempre bela porque é uma ave&lt;br /&gt;E as aves são sempre belas&lt;br /&gt;Mas uma ave sem penas é repugnante como um sapo&lt;br /&gt;E um montão de penas não é belo&lt;br /&gt;Deste fato tão nu em si não sei induzir nada&lt;br /&gt;E sinto que deve haver nele alguma grande verdade&lt;br /&gt;O que eu penso duma vez nunca pode ser igual ao que eu penso doutra vez&lt;br /&gt;E deste modo eu vivo para que os outros saibam que vivem&lt;br /&gt;Às vezes ao pé dum muro vejo um pedreiro a trabalhar&lt;br /&gt;E a sua maneira de existir e de poder ser visto é sempre diferente do que julgo&lt;br /&gt;Ele trabalha e há um incitamento dirigido que move os seus braços&lt;br /&gt;Como é que acontece estar ele trabalhando por uma vontade que tem disso&lt;br /&gt;E eu não esteja trabalhando nem tenha vontade disso&lt;br /&gt;E não possa ter compreensão dessa possibilidade?&lt;br /&gt;Ele não sabe nada destas verdades mas não é mais feliz do que eu com certeza&lt;br /&gt;Em áleas doutros parques pisando as folhas secas&lt;br /&gt;Sonho às vezes que sou para mim e que tenho de viver&lt;br /&gt;Mas nunca passa este ver-me de ilusão&lt;br /&gt;Porque me vejo afinal nas áleas desse parque&lt;br /&gt;Pisando as folhas secas que me escutam&lt;br /&gt;Se pudesse ao menos ouvir estalar as folhas secas&lt;br /&gt;Sem ser eu que as pisasse ou sem que elas me vissem&lt;br /&gt;Mas as folhas secas redemoinham e eu tenho de as pisar&lt;br /&gt;Se ao menos nesta travessia eu tivesse um outro como toda a gente&lt;br /&gt;Uma obra-prima não passa de ser uma obra qualquer&lt;br /&gt;E portanto uma obra qualquer é uma obra-prima&lt;br /&gt;Se este raciocínio é falso não é falsa a vontade&lt;br /&gt;Que eu tenho de que ele seja de fato verdadeiro&lt;br /&gt;E para os usos do meu pensar isso me basta&lt;br /&gt;Que importa que uma ideia seja obscura se ela é uma ideia&lt;br /&gt;E uma ideia não pode ser menos bela do que outra&lt;br /&gt;Porque não pode haver diferença entre duas ideias&lt;br /&gt;E isto é assim porque eu vejo que isto tem de ser assim&lt;br /&gt;Um cérebro a sonhar é o mesmo que pensa&lt;br /&gt;E os sonhos não podem ser incoerentes porque não passam de pensamentos&lt;br /&gt;Como outros quaisquer. Se vejo alguém olhando-me&lt;br /&gt;Começo sem querer a pensar como toda a gente&lt;br /&gt;E é tão doloroso isso como se me marcassem a alma a ferro em brasa&lt;br /&gt;Mas como posso eu saber se é doloroso marcar a alma a ferro em brasa&lt;br /&gt;Se um ferro em brasa é uma ideia que eu não compreendo&lt;br /&gt;O descaminho que levaram as minhas virtudes comove-me&lt;br /&gt;Compunge-me sentir que posso notar se quiser a falta delas&lt;br /&gt;Eu gostava de ter as minhas virtudes gostosas que me preenchessem&lt;br /&gt;Mas só para poder gozar e possuí-las e serem minhas essas virtudes&lt;br /&gt;Há pessoas que dizem sentir o coração despedaçado&lt;br /&gt;Mas não entrevistam sequer o que seria de bom&lt;br /&gt;Sentir despedaçarem-nos o coração&lt;br /&gt;Isso é uma coisa que se não sente nunca&lt;br /&gt;Mas não é essa a razão por que seria uma felicidade sentir o coração despedaçado&lt;br /&gt;Num salão nobre de penumbra em que há azulejos&lt;br /&gt;Em que há azulejos azuis colorindo as paredes&lt;br /&gt;E de que o chão é escuro e pintado e com passadeiras de juta&lt;br /&gt;Dou entrada às vezes coerente por demais&lt;br /&gt;Sou naquele salão como qualquer pessoa&lt;br /&gt;Mas o sobrado é côncavo e as portas não acertam&lt;br /&gt;A tristeza das bandeiras crucificadas nos entrevãos das portas&lt;br /&gt;É uma tristeza feita de silêncio desnivelada&lt;br /&gt;Pelas janelas reticuladas entre a luz quando é dia&lt;br /&gt;Que entorpece os vidros das bandeiras e recolhe a recantos montões de negrume&lt;br /&gt;Correm às vezes frios ventosos pelos extensos corredores&lt;br /&gt;Mas há cheiro a vernizes velhos e estalados nos recantos dos salões&lt;br /&gt;E tudo é dolorido neste solar de velharias&lt;br /&gt;Alegra-me às vezes passageiramente pensar que hei de morrer&lt;br /&gt;E serei encerrado num caixão de pau cheirando a resina&lt;br /&gt;O meu corpo há de derreter-se para líquidos espantosos&lt;br /&gt;As feições desfar-se-ão em vários podres coloridos &lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/TSxaPl3Bj1I/AAAAAAAADe0/zOC2XBPEZaw/s1600/cascata.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 286px; FLOAT: right; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5560918863803158354" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/TSxaPl3Bj1I/AAAAAAAADe0/zOC2XBPEZaw/s400/cascata.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;E irá aparecendo a caveira ridícula por baixo&lt;br /&gt;Muito suja e muito cansada a pestanejar&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;FIM&lt;br /&gt;DE "PARA ALÉM DOUTRO OCEANO DE C[OELHO] PACHECO"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(1) Pacheco é um episódio heterónimo de Fernando Pessoa de quem se não conhece mais nenhuma produção. Estas notas que assina, com&lt;br /&gt;uma técnica quase futurista de disposição e pontuação, seguem estranhamente próximo o tipo de raciocínio, forçosamente linear e de associações, de Alberto Caeiro. O conteúdo é, no entanto, mais de um gosto, ainda indiscriminado, a Álvaro de Campos. Não é uma composição de primeiro plano, nem como sentido poético nem como expressão estética. Porque não está datado, nada se pode concluir da sua feitura. O estar dedicado à memória de Alberto Caeiro pode apenas querer significar que a tal foi destinado à altura da publicação de Orpheu 3. Mais do que uma influência concreta de Alberto Caeiro, esta composição parece antes um quase e indistinto proto-Caeiro-Campos. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33470272-3151467669494906121?l=escribalistas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escribalistas.blogspot.com/feeds/3151467669494906121/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33470272&amp;postID=3151467669494906121&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33470272/posts/default/3151467669494906121'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33470272/posts/default/3151467669494906121'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escribalistas.blogspot.com/2011/01/para-alem-de-outro-oceano-de-coelho.html' title='Para Além de Outro Oceano, de Coelho  Pacheco'/><author><name>joaquim maria castanho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13601095424407490659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/SL6Sv6k9KBI/AAAAAAAAA-E/Z5b-jAk0_lE/S220/quim.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/TSxb5DsfW5I/AAAAAAAADfM/QC_CDsErH8k/s72-c/Frantis%25C3%25A9k%2BDrtikol%252C%2BDancers%252C%2B1930.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33470272.post-201012109637061884</id><published>2011-01-07T07:10:00.000-08:00</published><updated>2011-01-07T08:55:34.731-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crónicas dos Luís Não Vás'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política criativa'/><title type='text'>Assim a modos da fala no sentir da gente...</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/TScyujQzwdI/AAAAAAAADeE/7TEI6ojKoho/s1600/DSC01091.JPG"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 400px; FLOAT: right; HEIGHT: 265px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5559468040333279698" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/TScyujQzwdI/AAAAAAAADeE/7TEI6ojKoho/s400/DSC01091.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;As Maneiras de Dizer&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Não vás ao monte, Nise, com teu gado,&lt;br /&gt;Que lá vi que Cupido te buscava;&lt;br /&gt;Por ti somente a todos perguntava,&lt;br /&gt;No gesto menos plácido que irado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele publica, enfim, que lhe hás roubado&lt;br /&gt;Os melhores farpões de sua aljava;&lt;br /&gt;E com um dardo ardente assegurava&lt;br /&gt;Trespassar esse peito delicado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fuge de ver-te lá nesta aventura,&lt;br /&gt;Porque, se contra ti o tens iroso,&lt;br /&gt;Pode ser que te alcance com mão dura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas ai! Que em vão te advirto temeroso&lt;br /&gt;Se à tua incomparável formosura&lt;br /&gt;Se rende o dardo seu mais temeroso!&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Luís Vaz de Camões&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Quando pretendemos meter as mãos nos bolsos de alguém, tripudiar sobre o seu carácter, modos de comportamento ou personalidade, integridade física e moral, dignidade, crenças e valores, afirmamos qualquer coisa sobre essa pessoa que se enquadra naquelas expressões (clichés) a que é comum chamar «&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;maneiras de dizer&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;».&lt;/span&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/TScxecmvVBI/AAAAAAAADd8/AFwJoIEl0nc/s1600/DSC01289.JPG"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 400px; FLOAT: right; HEIGHT: 265px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5559466664156681234" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/TScxecmvVBI/AAAAAAAADd8/AFwJoIEl0nc/s400/DSC01289.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Fazemos de conta que quanto dizemos não é o que queríamos afirmar mas outra coisa &lt;span style="color:#cc0000;"&gt;muito diferente&lt;/span&gt; e ala, cá vai mais uma daquelas que até os cães enjeitam. Alguns dirão que se enquadra no universo das expressões idiomáticas usuais, e que é uma forma de ser comedido, de levar com jeito alguém a escutar coisas que de outro modo não consentiria ouvir, como na Beira Baixa, se costuma indicar, ou que é dar um jeito-maneiras na conversa, à semelhança do que no português do brasil se comete, faltando ainda esmiuçar o que dirão os demais países da Comunidade dos falantes de Língua Oficial Portuguesa, mas que não deve andar muito longe do nosso linguajar.&lt;br /&gt;É um modo de falar, pois então! É um supor, quero eu recomendar, pois quase nunca é assim que sucede. É, é sempre ao contrário… A bem dizer! Aquilo que queremos fazer, na realidade, é atirar lama à parede, sujar com os nossos formulários preconceituosos, a imagem que de si essa pessoa cultiva, autocriou ou fomentou durante a sua existência, ou parte dela. Atiram os petardos e depois fazem-se esquerdos, finos, desentendidos, lucas, alonsos, de novas, de sonsos e inocentes, com rapapés, gagos e gagas, põem manto de seda (parda) sobre o dito, metem-se na moita, dão-se ares de rasoura encarecida, fazem vista grossa à reação de quem não esteve pelos ajustes, chegando mesmo a ofenderem-se, melindrarem-se, vitimarem-se, quando lhes pagam igual moeda. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/TScwNvBaYII/AAAAAAAADd0/hM_-jq7ayU0/s1600/DSC01180.JPG"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 400px; FLOAT: left; HEIGHT: 266px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5559465277530988674" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/TScwNvBaYII/AAAAAAAADd0/hM_-jq7ayU0/s400/DSC01180.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Fazer orelhas moucas a este tipo de dichotes e seus “dichotizadores”, não me parece a melhor estratégia a seguir, se queremos um relacionamento franco e aberto com os nossos concidadãos, e entre quem em português se entende. Querem lixar o parceiro, estão no seu direito, claro está, mas vão fazê-lo com quem tem obrigação de os/as aturar, vão sarrazinar a pata que os/as pôs. Se fizeram de suas vidas uma aberração ignota e visceral, então que comam as suas tripas envenenadas, abjetas e nojentas. Portanto, na cadeia de sentidos consequente às suas aspirações, digamos, quer dizer: digo eu!, que sejam todas e todos muito felizes, mas que não me incluam como participante, nem testemunha dessa suma felicidade que os inebria e encanta. Exato. Sejam tudo quanto queiram e puderem, mas não me incluam como seus cúmplices na tramoia que edificaram.&lt;br /&gt;As maneiras de dizer refletem invariavelmente as maneiras de ser. É inolvidável que entre umas e outras, não há nenhum diferencial correlativo. Aquele que fala sem se ouvir não existe mentalmente nem em termos de humanidade. Não goza de consciência e responsabilidade suficientes para o podermos considerar «gente». É-se em direto aquilo que parecemos em diferido, por mais que representemos ser de outro jeito. A solução está em dizer quanto queremos sem recorrermos a maneiras e afectações para o fazermos, a frio e sem subterfúgios marginais à humana condição.&lt;br /&gt;No tempo em que os homens e mulheres não sabiam falar, ou não podiam por motivos de poder ou religião, é que era preciso recorrer a esses meios de dizer uma coisa para afirmar outra. Hoje isso está fora de moda, é inútil e apenas reflete a personalidade contorcida e atrofiada de quem pratica tamanha modalidade – asnidade, se faz favor, acrescentarão os mais expeditos e lampeiros. Quer dizer que outra pessoa é assim ou assado, então sujeita-se às consequências da sua afirmação. Não há meio-termo, nem tergiversões maneiristas. O sim é &lt;span style="color:#cc0000;"&gt;sim&lt;/span&gt;, o não é &lt;span style="color:#cc0000;"&gt;não&lt;/span&gt;, e o sopas é sopas. Quem não pode viver sob esta constatação inalienável, então que resolva a situação a favor da humanidade, omitindo-se dela, subtraindo-se a ela, e deixando de a atrapalhar na evolução que merece, e os restantes mortais aliviados das suas manhosices. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/TScu3dQ2mHI/AAAAAAAADds/YWddvYlonqo/s1600/DSC01173%255B1%255D.JPG"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 400px; FLOAT: right; HEIGHT: 266px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5559463795295164530" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/TScu3dQ2mHI/AAAAAAAADds/YWddvYlonqo/s400/DSC01173%255B1%255D.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Luís de Camões, ainda foi do tempo em que para dizer aquilo que queria dizer, se era obrigado a recorrer a formatos poéticos, épicos ou trovadorescos, e mesmo sendo exímio naquilo que fazia, como o futuro veio a confirmar, foi parar com os costados às Índias e aos cárceres da fidalguia. Camilo Castelo Branco mais tarde não teve melhor sorte. Porém, quando nos vemos com o exemplo de Cuba e somos anticubanos porque havemos de andar de reynaldas às escâncaras?&lt;br /&gt;Agora que a República está a fazer um século, coisa que é já ser velhinha – maneira de dizer! – pese embora sem precisar de bengala, também lhe podíamos acrescentar um transplante de qualidade e transparência, a ver se não adoecia como à porca do Bordalo Pinheiro, por tantos andarem a mamar nela, desde os negócios legítimos com a banca ilícita até aos direitos ilegais com a banca legal. E desguardarmos os bigodes retorcidos ao regime, aonde até as mulheres já montam e fazem o render (da guarda), aconselhando-a como o poeta fez à Inês, que naqueles encómios se chamava Nise: &lt;em&gt;Fuge de ver-te lá nesta aventura, / Porque, se contra ti o tens iroso, / Pode ser que te alcance com mão dura! &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33470272-201012109637061884?l=escribalistas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escribalistas.blogspot.com/feeds/201012109637061884/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33470272&amp;postID=201012109637061884&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33470272/posts/default/201012109637061884'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33470272/posts/default/201012109637061884'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escribalistas.blogspot.com/2011/01/assim-modos-da-fala-no-sentir-da-gente.html' title='Assim a modos da fala no sentir da gente...'/><author><name>joaquim maria castanho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13601095424407490659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/SL6Sv6k9KBI/AAAAAAAAA-E/Z5b-jAk0_lE/S220/quim.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/TScyujQzwdI/AAAAAAAADeE/7TEI6ojKoho/s72-c/DSC01091.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33470272.post-2922064180237934642</id><published>2011-01-02T11:07:00.000-08:00</published><updated>2011-01-05T03:52:53.146-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crónicas dos Luís Não Vás'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crónicas do (E)Leitor'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política criativa'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crónicas (In)divisas'/><title type='text'>Ecos do Escurecer...</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/TSDQKZwGanI/AAAAAAAADc0/eul9N3ARfNk/s1600/O%2BPrisioneiro%2BDesconfiado%2Be%2BCircunspecto.JPG"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 400px; FLOAT: right; HEIGHT: 265px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5557670817305094770" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/TSDQKZwGanI/AAAAAAAADc0/eul9N3ARfNk/s400/O%2BPrisioneiro%2BDesconfiado%2Be%2BCircunspecto.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;As Vozes de Nuphar&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;(1) &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: right" class="MsoNormal" align="right"&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 115%; FONT-FAMILY: 'Times New Roman', 'serif'font-family:Gungsuh;font-size:12;"  &gt;“(Sim, queremos perceber o que se passa à nossa volta, organizar o mundo, e por isso nos fazemos espertos e rimos, descobrindo, porque pensar é um gozo: juntamos uma coisa a outra e outra e no fim há um desenho que aparece. Provavelmente será assim com tudo, o universo deve estar cheio de indícios, como sinais numa floresta.)”&lt;?xml:namespace prefix = o /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: right" class="MsoNormal" align="right"&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 115%; FONT-FAMILY: 'Times New Roman', 'serif'font-family:Gungsuh;font-size:12;"  &gt;Teolinda Gersão, in &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;A Árvore das Palavras&lt;/i&gt;, pp 88&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Há quem insista (obtusamente) em atribuir a José Saramago as virtudes da Madre Teresa de Calcutá, esquecendo que se ele também era um humanista antropocêntrico como essa religiosa e demais almas afetas ao catolicismo, leigas ou iniciadas/ordenadas, ele era-o, ou fora-o, apenas por acréscimo semântico e técnico da sua condição de escritor engajado, ou comprometido com forças ideologicamente sustentadas, e terá sido exatamente por essas circunstâncias que foi laureado com o Nobel e outros “reconhecimentos” internacionais e ibero/lusófonos, de nomeada e apregoada humanidade …, à falta de melhor definição e terminologia, mas que nunca o terão levado a passar tanto tempo de joelhos como essa santa e canonizada mulher. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/TSDPWlZ03jI/AAAAAAAADcs/gdmudHMSa54/s1600/a%2Bm%25C3%25A1rtir%2Bde%2Buma%2BOdisseia.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 400px; FLOAT: left; HEIGHT: 225px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5557669927079697970" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/TSDPWlZ03jI/AAAAAAAADcs/gdmudHMSa54/s400/a%2Bm%25C3%25A1rtir%2Bde%2Buma%2BOdisseia.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Se poderá inferir, portanto, que o reparo acarreta consigo a incontingência de uma reposição da ordem no caos, propositadamente criado por muitos, que não encontrando outras maneiras como denegri-lo, tentaram agremia-lo às suas hostes, seitas e corporações, sobretudo depois de já não precisarem do seu consentimento para fazê-lo, considerando que falecido é e está, por mais documentários e biografias que agora lhe façam e teçam, em consonância com o rifão popular do &lt;em&gt;quando não os conseguires vencer, então junta-te eles&lt;/em&gt;, ou, neste caso, específico&lt;em&gt; junta-o a ti&lt;/em&gt;, posto que esse «ti» são todos quantos não conseguiram engolir o sapinho mas agora consideram que Portugal também já tem um Prémio Nobel da Literatura.&lt;br /&gt;O importante é que o amor-próprio e autoestima se mantenham intocáveis e incontestavelmente desenxovalhados. O fomos vítimas de uma injustiça, mas sobrevivemos-lhe e reparámo-la definitivamente, compensa-nos das agruras e batráquios custosamente mastigados, que embaçaram na digestão, concedendo-nos o derradeiro vómito “curativo” da indisposição sofrida, essa mesma que nos azedou os humores e infetou o fígado social na destilação do (amargo) fel da existência (gregária). Sentimo-nos enfim capazes de outra – salvo seja!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/TSDNwi3aL_I/AAAAAAAADck/CbXodXcH8kE/s1600/Caminhada%2BSolit%25C3%25A1ria.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 400px; FLOAT: right; HEIGHT: 225px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5557668174051815410" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/TSDNwi3aL_I/AAAAAAAADck/CbXodXcH8kE/s400/Caminhada%2BSolit%25C3%25A1ria.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Porém, há ainda muito quem nisso fervilhe os tutanos, e considere ser possível usar a percepção motivada como forma de procuração para ajuizar do comportamento dos demais, conforme acha que eles obrigatoriamente têm de ser e de pensar, na mira de garantir que o seu estado de ânimo – e felicidade narcísica – se mantenha dentro dos limites do suportável, continue fiel ao preconceito em que habita e chafurda cantando e rindo. Por exemplo, afirmando ser provocação o uso de um capuz, carapuço ou gorro para quem se resguarde do frio sentido nas instituições onde o ar condicionado só dá vento, se utiliza um “Magalhães” para escrever em público, ou defende e argumenta em favor e resguardo da sustentabilidade e biodiversidade, nas atitudes que envolvem a sociedade, lhe usam o erário e aplicam recursos que não são exclusiva propriedade desta geração. Creio que estas florinhas dos pântanos, do lodo em que suas almas se reproduzem e defecam a obtusidade preconceituosa de que se alimentam hoje, e em que se amamentaram na sua doutoral formação, utilizam a língua não para se expressarem e criarem comunicação, mas a bifurcaram de viperina índole, para envenenar todos quantos à sua volta se mexem contra quem aproveita e cria com os equipamentos e potencialidades que [eles] não sabem usar, mas de que dispõem como se fossem propriedade sua, quiçá outorgada por divina concessão à supremacia dos seus genes, da complacência e laxismo com fundamento corporativista, ou por mérito missionário de arregimentados no mesmo credo dos caciques locais.&lt;br /&gt;Podia ter dó e sentir pena dessa gente. Podia falar-lhe no dia-a-dia como se nada tivesse acontecido. Todavia, se assim me comportasse e agisse estaria simplesmente a estimular a sua reprodução maléfica, por imitação e hipocrisia, dando ao seu ar de supremacia antropocêntrica um estandarte de qualidade que não têm mas de que se outorgam, e com se que pavoneiam, e exibem, gloriosamente desde as natalícias quadras às mirras dos magos que viram estrelas onde os restantes mortais apenas vislumbraram planetas.&lt;br /&gt;Por conseguinte, apenas me apraz esclarecer, a todos quantos ouvirem considerações a meu respeito, classificando e denegrindo as minhas atitudes e ações, vestuário e condição física, que não precisam de levar a sério tais comentários, pois não passei qualquer procuração a essas bestas para os emitirem, nem me incomoda o que qualquer filho da puta diga acerca de mim. Obrigado, e aproveitem a quadra natalícia e Ano Novo para seguir o conselho que a Madre Teresa de Calcutá dava aos políticos deste mundo (e do outro): passem mais tempo de joelhos – que há muitas lotarias que lhes podem sair, mesmo sem terem jogado. A sorte grande cabe a todos e todas – se estiverem na posição certa para recebê-la! &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:0;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:21;"&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 115%; FONT-FAMILY: 'Arial', 'sans-serif'font-family:Gungsuh;" &gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Normalmente, quem se mistura com gente sacana, tanto se dá, até que se dana. Todavia, temos tendência para branquear os sinais, alimentando a esperança, pondo o ênfase na possibilidade de estarmos errados, sermos paranoicos ou pessimistas. Insistimos teimosamente em recuperar a crença – caprichosa e ingénua, é claro – de que as pessoas, sobretudo aquelas com quem convivemos quase diariamente, e que frequentam os mesmos sítios que nós, são menos animais que as rústicas e grosseiras, menos vis que os australopitecos da humanidade pré-histórica… Pois bem: é mentira, ainda o são mais. Aqueles eram bestas por necessidade, na luta constante pela sobrevivência. As de agora, são-no por malvadez e inveja, por vício de destruir o próximo e sede de domínio. E as suas vozes respiram a estagnação infeta da febril podridão com que querem lambuzar o mundo, para que entre ele e elas o desenho não destoe, nem sintam necessidade de mudar, adaptando-se, uma vez que estão no seu habitat natural. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 115%; FONT-FAMILY: 'Arial', 'sans-serif'font-family:Gungsuh;" &gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O que apenas é lamentável, não mais, nem menos que isso!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;(1) Planta da família das Ninfeáceas, representada em Portugal pela espécie &lt;em&gt;Nuphar Lutea&lt;/em&gt; (golfão-amarelo), hidrófilo rizomatoso com folhas flutuantes e submersas, flores com grandes pétalas amarelas expandindo-se acima do nível da água, que aparece em águas de corrente fraca ou quase estagnada. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33470272-2922064180237934642?l=escribalistas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escribalistas.blogspot.com/feeds/2922064180237934642/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33470272&amp;postID=2922064180237934642&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33470272/posts/default/2922064180237934642'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33470272/posts/default/2922064180237934642'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escribalistas.blogspot.com/2011/01/ecos-do-escurecer.html' title='Ecos do Escurecer...'/><author><name>joaquim maria castanho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13601095424407490659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/SL6Sv6k9KBI/AAAAAAAAA-E/Z5b-jAk0_lE/S220/quim.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/TSDQKZwGanI/AAAAAAAADc0/eul9N3ARfNk/s72-c/O%2BPrisioneiro%2BDesconfiado%2Be%2BCircunspecto.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33470272.post-5671847485652819156</id><published>2010-12-23T09:36:00.000-08:00</published><updated>2010-12-30T04:01:45.948-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='matrizes'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literárias e Divinas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Lendas e Narrativas'/><title type='text'>A Maldição de Petrarca (conto)</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/TROM6HFpxxI/AAAAAAAADcI/j17jrTWZt1c/s1600/b0012.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 400px; FLOAT: right; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5553937695441012498" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/TROM6HFpxxI/AAAAAAAADcI/j17jrTWZt1c/s400/b0012.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; “O que mais prejudicou Petrarca aos olhos de Laura – foram os &lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;strong&gt;Sonetos&lt;/strong&gt;.&lt;/span&gt;”&lt;br /&gt;- Eça de Queirós, in &lt;em&gt;Cartas d’Amor / Correspondência de Fradique Mendes&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A falta de algo é apenas um reconhecimento de quanto “esse alguma coisa” é deveras importante para quem assim sente a dita ausência, quase imperiosa ou momentaneamente fundamental, que o carecido encarece, se afoita no universo dos não-seres como se tanto fosse uma primazia assaz valorizada. Se for pessoa, posto que todas são além de seres indiscutíveis, também indivíduos com direitos e identidade inalienáveis, a carência mistura-se com outros sentimentos de diferente motivação, significado e afectividade, indo desde a saudade à impotência fatal, a que nunca serão alheios a ética e a biologia, a formação e a natureza, ou a personalidade dos sujeitos que tomaram a nomeada consciência como circunstância evidente e, quiçá, incontornável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/TROMCcUrMtI/AAAAAAAADcA/d43u7ag1pFo/s1600/DSC01145.JPG"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 400px; FLOAT: left; HEIGHT: 265px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5553936739068490450" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/TROMCcUrMtI/AAAAAAAADcA/d43u7ag1pFo/s400/DSC01145.JPG" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Ao fenecer do dia, se escurece, quando o lusco-fusco se volatiliza em negritude, aquilo que registamos não é a invasão do negrume mas a falta de claridade. (Pelo menos, comigo é o que sucede!...) Antes víamos mais ou menos nitidamente, porém deixámos de o conseguir, e os contornos facilmente definíveis das coisas ou a intensidade das cores, dos brilhos e das formas aparentes, prescreveu, esgotou-se e esvaiu-se como um prazo a que expirou a autenticidade, notando nós que o demais que vier, se de igual intensidade ou semelhante, então pertencerá ao reino do fantasmagórico, que é condomínio da fantasia e da alucinação, patim comum às escaladas do sonho. Impreterivelmente. Porque a nossa contabilidade pessoal e especial está imbuída do lucro na aquisição do novo sem prescindirmos da conservação do velho, no cumprimento imediato duma mudança racionalizada, e que subscreva igualmente a imutabilidade do anteriormente adquirido, que ganha foros de definitivo. É a herança da primazia do herdado sobre o conseguido, do inato sobre o aprendido. Somos isto ou aquilo, de entre tudo o que alguns de nós podemos pensar ser, não só sociais e gregários, mas também atreitos a hábitos, e ao menor esforço consequente, que pouparmo-nos na existência tida, muito melhor é que sacrificarmo-nos continuamente por uma identidade e essência vindoura, ainda do hemisfério do desconhecido, por muito que seja ansiada e preferida.&lt;br /&gt;Tecemo-nos no entretecimento das teias do destino, da conjectura sobrenatural para que fomos convocados mas não ouvidos, crendo sempre que do quanto nos coube em sorte, nem metade é daquilo que merecemos, sobrevalorizando o passado do esfarelado barro que nos constitui, mesmo quando o presente – e o futuro! – se avizinham a um El Dourado insofismável. Nada se compara ao que fomos, havendo até quem justifique a felicidade da insuficiência da infância como o suprassumo da existência, se comparada com a fortuna de uma reforma sem preocupações substanciais, nem qualquer tipo de necessidades por satisfazer. Ou seja, ainda que tenha-mos vivido no limiar da sobrevivência até ao dia anterior, só pelo facto dessa circunstância difícil já ter sido ultrapassada com êxito e relativo sucesso, então tudo tem de superiormente apetecível se o comparamos às facilidades antevistas para os dias de hoje ou de amanhã.&lt;br /&gt;Enfim, o realmente ideal é o inconseguível e inalcançável, seja utopia ou sentido prático no terra-a-terra semeado e colhido, e isto porque já passou, pois tudo o que foi jamais se repetirá ou voltará a ser, que essa é a suprema evidência para quem se atém a ver a História como um processo de evolução, e não como um estado de estagnada criação através dos tempos e do tempo, dos homens e do universo, no contínuo afiar o bico à alma para escrever a biografia de cada qual.&lt;br /&gt;Portanto, quando me sentei à espera que regressasses da escola, a que foras apresentar um trabalho, conjuntamente com os restantes membros do grupo que te calhou, por acaso ou velhacaria do prof., como me veio posteriormente à ideia, ironicamente, estava muito longe de imaginar o que me havias de propor, confirmando que «está na hora de alterar isto», conforme determinaste, aclarando a voz, para que não tivesse a mínima dúvida de que estava a ouvir precisamente aquilo que dizias, e não outra coisa qualquer, pondo a ênfase no fato de ser mais que tempo de «vivermos na mesma casa, dormirmos na mesma cama, e ter apenas por amigos os que forem do agrado de ambos», uma vez que «está cada vez mais difícil estar seja onde for, sabendo que podes estar ou não estar à minha espera». «Pronto», disseste rematando como um «disse» de quem acabou o discurso na confraria da urbanidade próxima. «Mas eu estou» retorqui, na esperança de que invertesses caminho, retrocedesses na intentona de alterar a nossa condição de celibatários sob mútua ajuda e consentimento, porém atiraste um «porque queres, ou não tens mais nada para fazer, como se eu fosse um comprimido para matar o tédio, não por compromisso e garantida maturidade» complementaste, ao que empederni ressentido, mas não adiantou nada, já que aperraste os dentes e me olhaste de esguelha nas horas que se seguiram, talvez atirando-me facas pelas fisgas das pestanas, faiscando irritação e contrariedade.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/TROLNjuba_I/AAAAAAAADb4/APloFHWnEIM/s1600/DSC01316.JPG"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 400px; FLOAT: right; HEIGHT: 265px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5553935830522489842" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/TROLNjuba_I/AAAAAAAADb4/APloFHWnEIM/s400/DSC01316.JPG" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt; Voltaras decidida a mudar-me a vida, e a mudar-me com ela. Achavas que era um privilegiado ímpar, o que era inadmissível à luz das leis e do destino, das criaturas celestes e dos desígnios humanos. Inesperadamente. E para meu desconsolo e inquietação adiantaste que «amanhã falo com os meus pais para me disponibilizarem a casa na Serra, já que raramente é ocupada, nem em férias lá vamos, apenas nos dias de faxina, anualmente, limpando-a para que os bichos-de-conta não se sintam totalmente desprezados na sua fé de cerzir os murmúrios das noites invernais», como se eu não pudesse reclamar outra hipótese, apelar para a lógica e sensatez do diálogo negocial (e democrático), ou sugerir uma solução menos radical.&lt;br /&gt;O semblante carregado e circunspecto dos momentos de dúvida e incerteza, coisa frequente de há meses a esta parte, dava-te aquela ténue sombra de frieza que acompanha o mármore nas tardes chuvosas e nebuladas, em que as paredes ficam baças gemendo humidade na brancura polida dos entes deslocados, subtraídos ao seu habitat natural, no subterrâneo filão das escarpas abruptas e rectas a que foram extraídas. Receei a irascibilidade adivinhada, tentando adiar uma discussão que não poderíamos evitar, nem esconder na roupagem camuflada do isto passa depois de uma noite de sono profundo e reparador. Fiquei na esquina entre o não saber que fazer nem pensar, balançando como um soldadinho de chumbo em versão de sempre-em-pé, dlim-dlam, dlim-dlam, de um lado para o outro, agora penso, agora faço, agora sinto, agora ajo, porém não saía dali nem tomava qualquer decisão, calado e calando, que o mesmo é dizer, consentindo, se o ditado ainda estiver em vigor no dicionário das expressões idiomáticas ou das frases feitas.&lt;br /&gt;Tenho a certeza que, embora arreliada, sabias exatamente o que se passava na minha cabeça, vias as faíscas que me estralejavam nos píncaros dos tutanos a que vulgarmente chamamos cérebro, uns, os armados com a bagagem das experiências científicas ou posologias das farmacopeias compendiadas, e alma, outros, decididos a en-contrar a fé em todo o lado, sobretudo no corpo humano, mesmo nos sítios onde essa busca mais difícil se torna, por fora como por dentro, a que por única via de acessibilidade é a venosa, e o venenoso impulso da imaginação sob os auspícios de Delfos no &lt;i&gt;descobre-te a ti próprio&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;«Tá; se é o que queres, então vai ser isso que faremos», ouvi-me eu dizer, como se a voz não fosse minha mas com a certeza absoluta de que era ela. «Com calma, sem pressas ou afogadilhos, que o tirar o pai da forca já está fora de prazo» entre os desesperados afrontamentos duma andropausa precoce. Não via como é que uma felicidade se pronunciava pela unilateralidade das decisões, contudo, porque a vontade me entrara naquele fim de lusco-fusco onde a obscuridade se mede pela falta de clareza e frontalidade, lucidez e objectividade. «Estou disposto a correr qualquer risco para não te ver desiludida e acabrunhada» sentenciei, crendo-me sincero, e discreto, sem no entanto perder o sorriso de gentil afeição que ela me inspirava, nem temer que viesse a usar a confissão futuramente, como argumento, noutras demandas.&lt;br /&gt;Satisfeita com o rumo (e a anuência) da “negociação” (ausente), Shara resumiu e rematou com um «então, vamos jantar a minha casa, que minha mãe disse que hoje ia fazer uma miolada com rins, daquelas que tu tanto gostas», o que me levou a concluir que a história tinha alicerces antigos e fundeados no logradoiro da família. Opor-me estava fora de questão, que quando os familiares se unem em torno de uma decisão do tipo “é o melhor para os filhos”, entra em vigor o estado do vale tudo, e o escolher fica a ser apenas um anexo sem importância no capítulo do tem-que-ser, e por conseguinte, se passa de imediato à modalidade do escolher obrigatório, ou do voluntariado à força. E adormeci os olhos no seu rosto, que me embalavam pestanejando subtilmente, onde ressuscitava o brilho dos instantes áureos, de quando inventávamos pretextos para nos encontrarmos, infiltrando-nos nas atividades um do outro ou desenfiando-nos das obrigações a que particularmente tínhamos sido convocados. Descansei-os com o alívio de uma inquietação pressentida que se acoitou na perspectiva de ser infundada, revendo as ordens como simples apreciações sobre fatos, talvez opiniões similares ao estado do tempo, como se não tivessem demais consequências do que confirmar estar um lindo dia, ainda que nada visível corrobore tal constatação.&lt;br /&gt;Provavelmente estaria a acatar as determinações de um hábito antigo, nascido e reforçado pelas repetições de outras esperas, sobremaneira frequentes e justificadas pelas diretivas dos adultos que nos forçavam a acompanhá-los para onde quer que fossem, sabendo muito bem que isso era a última coisa que desejávamos na vida. Contrariedade lógica, como é óbvio, porquanto se queríamos aprender a viver, devíamo-lo fazer conforme as expectativas do futuro e não conforme os ditames e emaranhações ancestrais, que para nós não possuíam uma ancestralidade muito remota, pois redundavam apenas à pré-história (infância) dos nossos progenitores e avós.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/TROJ9FT2BnI/AAAAAAAADbw/SlY9xQen6BY/s1600/P1000708.JPG"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 400px; FLOAT: left; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5553934447968388722" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/TROJ9FT2BnI/AAAAAAAADbw/SlY9xQen6BY/s400/P1000708.JPG" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Conhecia-a quando fez, em Maio, seis anos, e agora já tem vinte e quatro, que é o produto da multiplicação por quatro da idade do primeiro dia. Longo currículo de esperas e desencontros, por sinal, em abono dos comportamentos adquiridos através da repetição que viram hábitos. Suponho que não serei o único a quem isso aconteceu, todavia não me serve de consolo nenhum reconhecer que outros andaram – ou andam – também nesta barca, atravessando o purgatório sem minimamente se questionarem acerca da justiça e legitimidade quanto ao percurso. E à navegação. É-lhes inerente, é-me incluído (acoplado, embutido) na própria vida e faz parte integrante da motivação e vontade de viver. Escutá-la, através do silêncio e da espera é tão-só uma versão diferente da fala – da sua fala –, da música – da sua música –, daquela que ela escolhe para ouvir e dar-me a ouvir, dos filmes – dos seus filmes –, precisamente aqueles que decide ver comigo e depois discutimos ambos, livros, cozinhados, fotografias, quadros, paisagens, e por aí fora, numa longa lista de usufrutos comuns.&lt;br /&gt;Se há cumplicidade não se manifesta de nenhuma forma específica, tão-só praticamos a comunhão e a partilha, de uma maneira espontânea, senão automática, naturalmente, por não haver outra maneira de estarmos e convivermos, ou desconhecemo-las, e sem pensar nela, pô-la em causa, verificá-la ou fazê-lo propositadamente. Esporadicamente, se precisamos de interferir em defesa um do outro, perante terceiros, no convívio diário ou em família, não nos evitamos de concretizar essa peleja de imediato, sem qualquer pedido de autorização nem toque a rebate, ostentar ou exibir qualquer espécie de procuração especial, uma vez que a ninguém passa pela cabeça haver alternativa ou outra modalidade plausível. É categórico protegermo-nos das investidas exteriores, considerando que sempre assim foi desde que nos lembramos de quem somos, seja numa memória recente como remota, de há duas dúzias de anos. Supor que haja diferente modo de agir é já de si uma blasfémia impensável. Acreditar que nem todos os casais, civis ou oficiais, casados ou simplesmente unidos de fato, uma fantasia excêntrica, uma imaginação de inconcretizada hipótese, superlativamente hipotética além de profundamente remota.&lt;br /&gt;Mas, retórica à parte, deposta a teoria, vamos ao que aqui me trouxe: a comunicação das intenções de Shara aos pais confrontando-os com o meu assentimento. E fizeste-o logo que entrámos em casa, como se precisasses de justificar a minha presença ali, nesse momento e no seguinte, durante o jantar.&lt;br /&gt;«O Quim janta cá, para conversarmos sobre o que fazer quanto ao nosso futuro», avisaste a tua mãe, ainda com os casacos por pendurar no cabide, atrás da porta. O Quim sou eu! – Restos da infância que, afinal, foi prolongada com afinco e cultivada por ti, que insistes em tratar-me pelo nome do primeiro encontro.&lt;br /&gt;«Futuro… Que futuro?», conjecturei de mim para comigo, a pensar «que tipo de futuro pode haver numa vida em que até hoje ainda não fiz outra coisa, a não ser estar disponível e tão perto quanto possível de ti?», porém, se bem o pensei, melhor o calei, e recalquei pressionando para o fundo dos fundos, temendo que tu, Shara, o adivinhasses, coisa que sucede frequentemente, sobretudo quando notas haver no meu semblante aquela sombra de receio e dúvida a que comummente chamamos, talvez confundidos, de circunspecção.&lt;br /&gt;O jantar, é o costume: tu vais para a cozinha, conversar e acabar a confecção dos acepipes, eu fico a ver televisão com o teu pai, a fazer sala, entabulando uns reparos de ocasião sobre política e futebol, sobre o comércio local e a carestia de vida, que nos vão espremendo os cobres – e os cromados. Às vezes D. Catarina – eis como se chama a mãe de Shara, não sei porquê, nem por que influências, embora desconfie que tem a ver com uma gravura da monarquia que havia em casa dos avós – deita a cabeça à porta da sala, perguntando-nos se queremos isto ou aquilo, deste ou doutro jeito. A cozinha sempre foi o seu império. Costuma dizer que «é a melhor dependência da casa», e desconfio bem que sim, principalmente no Inverno. Quente, acolhedora, repleta de aromas e motivos campestres: as cebolas e alhos em réstias assépticas e decorativas, sobre o friso da chaminé alguns utensílios de cobre, de concavidade ampla e larga, de lume de chão, raramente aceso, é certo, dava à vontade para oito pessoas ao borralho, uma bancada para preparar os ingredientes e uma mesa redonda, firme, pesada e robusta, com saia e cobertura grossa e fofa, sob as quais pode ser aposta uma braseira – de picão! – para conforto na tomada do caldo, nas refeições sem visitas. Um guarda-prata em madeira maciça de castanheiros, escura e rústica. O sofá virado para a estante, onde fica também a televisão. É o sítio ideal para ler e escrever, trocar impressões acerca do quotidiano e vizinhança, porquanto transpira cumplicidade por todos os cantos e móveis.&lt;br /&gt;Foi aí, assim que a tua mãe foi para a sala de jantar, pôr a mesa e nela a refeição, que tu, ela, me chamou à cozinha e me questionou se estava de acordo e se era realmente o que queria e pretendia da vida. Eu disse imediatamente «claro, como podes pensar que me passou, sequer, pela cabeça alguma coisa diferente disso? Olha, até te fiz um soneto», e retirei-o do bolso, onde o poema estava, para ler-to. Ficaste concentrada ao ouvi-lo, atenta e contrita, enquanto disparava os versos numa rajada, quase violenta, e incontida. Achaste-o bom. «A sério, foi o melhor poema que escreveste até hoje…» e senti-me nas nuvens, finalmente compreendido e aceite.&lt;br /&gt;Porém, remataste: «Ok, então estamos de acordo, e vamos em frente. Mas uma coisa – a partir de hoje, acabaram-se os sonetos. Tá?»&lt;br /&gt;Fiquei sem palavras. Também não eram precisas, que os silêncios às vezes são mais construtivos que a melhor argamassa. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33470272-5671847485652819156?l=escribalistas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escribalistas.blogspot.com/feeds/5671847485652819156/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33470272&amp;postID=5671847485652819156&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33470272/posts/default/5671847485652819156'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33470272/posts/default/5671847485652819156'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escribalistas.blogspot.com/2010/12/maldicao-de-petrarca-conto.html' title='A Maldição de Petrarca (conto)'/><author><name>joaquim maria castanho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13601095424407490659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/SL6Sv6k9KBI/AAAAAAAAA-E/Z5b-jAk0_lE/S220/quim.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/TROM6HFpxxI/AAAAAAAADcI/j17jrTWZt1c/s72-c/b0012.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33470272.post-1547135576295203532</id><published>2010-12-22T10:13:00.000-08:00</published><updated>2010-12-22T10:24:32.842-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poemas Alheios'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/TRJCO6HPrvI/AAAAAAAADbo/4n4n0NR2V1k/s1600/DSC01326.JPG"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 400px; FLOAT: right; HEIGHT: 265px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5553574114386489074" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/TRJCO6HPrvI/AAAAAAAADbo/4n4n0NR2V1k/s400/DSC01326.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;color:#660000;"&gt;Idílio (1)&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Praias que banha o Tejo caudaloso,&lt;br /&gt;Ondas que sobre a areia estais quebrando,&lt;br /&gt;Ninfas que ides escumas levantando,&lt;br /&gt;Escutai os suspiros de um saudoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E vós também, ó côncavos rochedos,&lt;br /&gt;Que dos ventos em vão sois combatidos,&lt;br /&gt;Ouvi o triste som dos meus gemidos,&lt;br /&gt;Já que de amor calais tantos segredos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ai, amada Tirceia, se eu pudera&lt;br /&gt;Os teus formosos olhos ver agora,&lt;br /&gt;Que depressa o pesar, que esta alma chora,&lt;br /&gt;No gosto mais feliz se convertera!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oh, como então ficaras conhecendo&lt;br /&gt;Quanto te amo, se visses a violência&lt;br /&gt;Com que estão dos meus olhos, nesta ausência,&lt;br /&gt;As saudosas lágrimas correndo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tanto neste pesar, que estou sentindo,&lt;br /&gt;O triste coração se desfalece,&lt;br /&gt;E tanto me atormenta, que parece,&lt;br /&gt;Que ao sofrimento a alma vai fugindo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas oh! Qual há de ser a crueldade&lt;br /&gt;Deste terrível mal em que ando envolto,&lt;br /&gt;Se a qualquer parte, enfim, que os olhos volto&lt;br /&gt;Imagens estou vendo de saudade!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma serena tarde, já sol-posto,&lt;br /&gt;Te vi sobre esta penha estar sentada;&lt;br /&gt;Ali naquela fonte prateada (2)&lt;br /&gt;Estiveste banhando o alvo rosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dali de quando em quando os olhos belos&lt;br /&gt;Movidos com tal gesto me voltavas,&lt;br /&gt;Que em cada movimento asseguravas&lt;br /&gt;Uma nova esperança a meus desvelos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ali na branca areia se estão vendo&lt;br /&gt;Ainda, doce bem, tuas pisadas,&lt;br /&gt;Que entre outras, que vejo assinaladas,&lt;br /&gt;Estou distintamente conhecendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vê como vivamente andas impressa&lt;br /&gt;Nesta alma, que por ti se abrasa, amante!&lt;br /&gt;Mas nem amor ao meu há semelhante,&lt;br /&gt;Nem outra que contigo se pareça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por ti sempre dos olhos desatando&lt;br /&gt;As lágrimas estou nestes retiros;&lt;br /&gt;Entre soluços mil e mil suspiros&lt;br /&gt;Em vão ando o teu nome derramando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesta praia não há, nem pelo prado,&lt;br /&gt;Rústica penha ou árvore sombria,&lt;br /&gt;Tenra flor, duro tronco, a fronte fria,&lt;br /&gt;A quem por ti não tenha perguntado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez se visses quanto sinto, ausente,&lt;br /&gt;Tivesses dó de ver-me em tal tormento;&lt;br /&gt;Mas que importa que vejas meu lamento (3),&lt;br /&gt;Se já teu peito ingrato amor não sente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vem colher deste prado as belas flores,&lt;br /&gt;Vem gozar destas sombras a frescura;&lt;br /&gt;Mostra-me ao menos tua formosura,&lt;br /&gt;Inda que armada de cruéis rigores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qual a confusa névoa, que escurece&lt;br /&gt;Na luz da madrugada os horizontes (4)&lt;br /&gt;Que logo dos floridos e altos montes&lt;br /&gt;Com a vista do sol desaparece,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim eu, neste mísero desgosto,&lt;br /&gt;O pranto que desato pela terra&lt;br /&gt;De meus saudosos olhos se desterra,&lt;br /&gt;Quando o sol aparece de teu rosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah! Se pudesses ver, doce inimiga (5),&lt;br /&gt;O estrago que me causa esta saudade,&lt;br /&gt;Pode ser que o impulso da piedade&lt;br /&gt;Te obrigasse ao que o amor te não obriga!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;(1) O presente Idílio, independentemente da “desgraça” que acarreta, foi endereçado por Domingos dos reis Quita à sua Tirceia, nome poético pelo qual ficou identificada Teresa Teodora de Aloim, admirável mulher que, não obstante, casada, viúva, e seguidamente recasada, protegeu e recolheu o poeta, na miséria como na doença (tuberculose), até ao dia em que finalmente faleceu. Quanto à ausência enunciada, supõe-se derivar da distância que ia de Lisboa à Quinta de Santo António, na Moita, onde morava Tirceia durante o tempo de (ainda) solteira.&lt;br /&gt;(2) Conforme anotação de Rodrigues Lapa, a fonte prateada é um cliché clássico, a cujos modelos (do classismo) o autor terá recorrido “servilmente”, mas sem trazer qualquer novidade para a poesia, além de alguma brandura, certa melancolia, próprias das almas e corpos fragilizados ou combalidos.&lt;br /&gt;(3) Neste vejas meu lamento está patente que o ver inclui também o ouvir porquanto o autor se refere à leitura em voz alta dos seus lamentos escritos.&lt;br /&gt;(4) Nítido tributo – mais um! – ao classicismo.&lt;br /&gt;(5) Oximoro igualmente “herdado” dos inimitáveis clássicos…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/TRJAx7ntfKI/AAAAAAAADbg/d6YxeTklYk4/s1600/DSC01291.JPG"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 400px; FLOAT: right; HEIGHT: 265px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5553572517063261346" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/TRJAx7ntfKI/AAAAAAAADbg/d6YxeTklYk4/s400/DSC01291.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Domingos dos Reis Quita &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;– Nasceu em Lisboa em 1728, filho de um comerciante arruinado viu-se forçado a seguir no ofício de cabeleireiro, aos 13 anos, para ajudar a sustentar a família. Nos ócios da oficina, tomou-se de amores pelas letras, lendo com entusiasmo, principalmente Rodrigues Lobo. Começou por experimentar a poesia, adquirindo alguma popularidade, fazendo passar essas primeiras composições como sendo da autoria de um frade que habitava nas Ilhas. Como poeta cabeleireiro frequentava a casa de um amigo, por cuja filha, de seu nome, Teresa Teodora de Aloim, se apaixonou, fez dela a sua musa, dirigindo-se-lhe sob o nome poético de Tirceia. Esta porém casou com outro, e o pobre Quita desfez-se em lamentações.&lt;br /&gt;O terramoto de 1755 deixou-o sem recursos. Então, Tirceia, já viúva, recolheu-o em sua casa, pondo-o ao abrigo da mendicidade. O conde de S. Lourenço, que se interessava igualmente por ele, recomendou-o a Pedro António Correia Garção, tutelar da Arcádia, para onde entrou sob o pseudónimo de Alcino Micénio.&lt;br /&gt;Em 1761 contraiu tuberculose, mas Tirceia, que terá casado novamente, com um médico, intercedeu junto do marido, fazendo-o interessar-se pelo seu caso, promovendo a cura. Essa obra de piedade durou mais nove anos, ao fim dos quais, em 1770 sucumbiu, correndo o rumor (boato mais ou menos infundado) que fora o marido, desvairado pelo ciúme, quem o envenenara, pondo termo à excentricidade caridosa da mulher. A obra de Quita, vertida nos moldes clássicos, não tem energia nem originalidade, e é falha de cultura; todavia, nota-se nela, por vezes, um tom brando, langoroso e melancólico, que anuncia a nova disposição das almas. Sendo, dos árcades, o menos classificado para tal, ensaiou-se também na tragédia e no drama pastoril, compondo Hermione, A Castro e Licore, que resultaram frouxas e sem vincado delineamento de caracteres. &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33470272-1547135576295203532?l=escribalistas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escribalistas.blogspot.com/feeds/1547135576295203532/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33470272&amp;postID=1547135576295203532&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33470272/posts/default/1547135576295203532'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33470272/posts/default/1547135576295203532'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escribalistas.blogspot.com/2010/12/idilio-1-praias-que-banha-o-tejo.html' title=''/><author><name>joaquim maria castanho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13601095424407490659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/SL6Sv6k9KBI/AAAAAAAAA-E/Z5b-jAk0_lE/S220/quim.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/TRJCO6HPrvI/AAAAAAAADbo/4n4n0NR2V1k/s72-c/DSC01326.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33470272.post-2427094808428486522</id><published>2010-12-14T07:59:00.000-08:00</published><updated>2010-12-14T08:03:44.674-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poemas Alheios'/><title type='text'>Cantata de Dido</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Já no roxo ambiente branqueado,&lt;br /&gt;As prenhes velas da troiana frota&lt;br /&gt;Entre as vagas azuis do mar dourado&lt;br /&gt;Sobre as asas dos ventos se escondiam.&lt;br /&gt;A misérrima Dido&lt;br /&gt;Pelos paços reais vaga ululando (1)&lt;br /&gt;C’os turvos olhos inda em vão procura&lt;br /&gt;O fugitivo Eneas.&lt;br /&gt;Só ermas as ruas, só desertas praças&lt;br /&gt;A recente Cartago lhe apresenta.&lt;br /&gt;Com medonho fragor, na praia nua,&lt;br /&gt;Fremem de noite as solitárias ondas;&lt;br /&gt;E nas douradas grimpas (2)&lt;br /&gt;Das cúpulas soberbas&lt;br /&gt;Piam noturnas, agoureiras aves.&lt;br /&gt;Do marmóreo sepulcro,&lt;br /&gt;Atónita imagina&lt;br /&gt;Que mil vezes ouviu as frias cinzas&lt;br /&gt;Do defunto Siqueu, com débeis vozes,&lt;br /&gt;Suspirando chamar: -- Elisa! Elisa! (3)&lt;br /&gt;D’Orco (4) aos tremendos numens&lt;br /&gt;Sacrifícios prepara;&lt;br /&gt;Mas viu, esmorecida,&lt;br /&gt;Em torno dos turícremos (5) altares&lt;br /&gt;Negra escuma ferver nas ricas taças,&lt;br /&gt;E o derramado vinho&lt;br /&gt;Em pélagos de sangue converter-se.&lt;br /&gt;Frenética delira,&lt;br /&gt;Pálido o rosto lindo,&lt;br /&gt;A madeixa subtil desentrançada;&lt;br /&gt;Já com trémulo pé entra sem tino&lt;br /&gt;No ditoso aposento,&lt;br /&gt;Onde do infido amante&lt;br /&gt;Ouviu, enternecida,&lt;br /&gt;Magoados suspiros, brandas queixas.&lt;br /&gt;Ali cruéis Parcas lhe mostraram&lt;br /&gt;As ilíacas roupas que, pendentes&lt;br /&gt;Do tálamo dourado, descobriam (6)&lt;br /&gt;O lustro pavês, a teucra (7) espada.&lt;br /&gt;Com a convulsa mão, súbito, arranca&lt;br /&gt;A lâmina fulgente da bainha,&lt;br /&gt;E sobre o duro ferro penetrante&lt;br /&gt;Arroja tenro, cristalino peito;&lt;br /&gt;E em borbotões de espuma murmurando,&lt;br /&gt;O quente sangue da ferida salta:&lt;br /&gt;De roxas espanadas rociadas,&lt;br /&gt;Tremem (8) da sala as dóricas colunas.&lt;br /&gt;Três vezes tenta erguer-se,&lt;br /&gt;Três vezes desmaiada, sobre o leito&lt;br /&gt;O corpo revolvendo, ao céu levanta&lt;br /&gt;Os macerados olhos.&lt;br /&gt;Depois, atenta (9) na lustrosa malha&lt;br /&gt;Do prófugo dardânico (10),&lt;br /&gt;Estas últimas vozes repetia,&lt;br /&gt;E os lastimosos, lúgubres acentos,&lt;br /&gt;Pelas áureas abóbadas voando,&lt;br /&gt;Longo tempo depois gemer se ouviam:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Doces despojos&lt;br /&gt;Tão bem logrados&lt;br /&gt;Dos olhos meus,&lt;br /&gt;Enquanto os fados,&lt;br /&gt;Enquanto Deus&lt;br /&gt;O consentirem,&lt;br /&gt;Da triste Dido&lt;br /&gt;A alma aceitai,&lt;br /&gt;Destes cuidados&lt;br /&gt;Me libertai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Dido infelice (11)&lt;br /&gt;Assaz viveu;&lt;br /&gt;Da alta Cartago&lt;br /&gt;O muro ergueu;&lt;br /&gt;Agora, nua,&lt;br /&gt;Já da Caronte (12),&lt;br /&gt;A sombra sua&lt;br /&gt;Na barca feia,&lt;br /&gt;De Flegetonte&lt;br /&gt;A negra veia&lt;br /&gt;Surcando (13) vai.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Pedro António Correia Garção, in &lt;em&gt;Obras Poéticas&lt;/em&gt;, pp 259-261; Lisboa: 1778.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(1) Ululando, soberba expressão que traduz admiravelmente o que a paixão de Dido tem de frenético e de selvagem.&lt;br /&gt;(2) Também Virgílio fala no canto agoureiro do bufo, mas Garção acrescenta-lhe uma pincelada de cor com aquelas «douradas grimpas».&lt;br /&gt;(3) Elisa era o primeiro nome da rainha. Dido foi o cognome que lhe puseram depois da fundação de Cartago. Significava «errante», alusão aos trabalhos que passou, ao vir de Tiro para Cartago.&lt;br /&gt;(4) Orco era o deus dos infernos.&lt;br /&gt;(5) Turícremos: onde se queimava o incenso quando se depunha as oferendas nos altares.&lt;br /&gt;(6) Descobriam – faziam realçar.&lt;br /&gt;(7) Teucra – troiana.&lt;br /&gt;(8) Tremem: o sentido é duvidoso – ou este tremer representa qualquer sinal misterioso da di-vindade, ou alude aos gritos que se levantaram no palácio e por toda a cidade, mal se soube do suicídio de Dido. Virgílio insiste nesse clamor desesperado: It clamor ad alta / atria – «o clamor sobe até aos altos pórticos».&lt;br /&gt;(9) Atenta – com os olhos pregados.&lt;br /&gt;(10) Dardânico – troiano.&lt;br /&gt;(11) Infelice – infeliz, termo literário muito corrente em toda a época clássica.&lt;br /&gt;(12) Caronte – o barqueiro do Inferno que conduzia as sombras dos mortos.&lt;br /&gt;(13) Surcando – sulcando, na sua forma clássica.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33470272-2427094808428486522?l=escribalistas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escribalistas.blogspot.com/feeds/2427094808428486522/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33470272&amp;postID=2427094808428486522&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33470272/posts/default/2427094808428486522'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33470272/posts/default/2427094808428486522'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escribalistas.blogspot.com/2010/12/cantata-de-dido.html' title='Cantata de Dido'/><author><name>joaquim maria castanho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13601095424407490659</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/SL6Sv6k9KBI/AAAAAAAAA-E/Z5b-jAk0_lE/S220/quim.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33470272.post-268967285359859756</id><published>2010-11-19T06:35:00.000-08:00</published><updated>2010-11-20T08:18:24.179-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crónicas dos Luís Não Vás'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crónicas do (E)Leitor'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sem Metros Barreiras'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Bucólicas e Sadias'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política criativa'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crónicas (In)divisas'/><title type='text'>Entre Bocas e Bocanas, assim passam as semanas</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 400px; FLOAT: left; HEIGHT: 248px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5541273442429272194" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/TOaO1kNNgII/AAAAAAAADa4/YpcSONtRLHQ/s400/morte%2Ba%2Bmetro%2Be%2Bblume.jpg" /&gt;Entre Semanas, Bocas e Bocanas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;"Estava-se nessas desconformidades quando surgiu em nossa frente um cabrito malhado. O bicho destoava das solenidades. O administrador arreganhou em surdina:&lt;br /&gt;– Quem é esse cabrito?&lt;br /&gt;– De quem é... – o secretário corrigiu, discreto.&lt;br /&gt;– Sim, de quem é essa merda?&lt;br /&gt;– Esse cabrito não será dos seus, Excelência?"&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;In &lt;em&gt;O Último Voo do Flamingo&lt;/em&gt;, de Mia Couto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Há &lt;span style="color:#cc0000;"&gt;bocanas&lt;/span&gt; e bocanas. E se cada um é como cada qual, sendo no todo ou em parte diferente do outro, seu semelhante, posto que ímpar e sem igual, no feitio como nas atitudes, o que é certo, é que são todos uma cambada de sacanas. Incapazes de sentir empatia, abespinham os demais, desde que em algo eles sobressaiam daquilo com que os rotularam, ou a ideia que deles fizeram, cultivaram, difundiram e admiraram. Insistiram e determinaram. Atribuíram como única possível, concebível e lógica.&lt;br /&gt;Por exemplo, quando desgostam de uma pessoa, mas gostam/simpatizam com outra, que é sua familiar ou irmã, e se esta, a quem atribuem sempre tudo o que é mal feito ou indesejável no seio de uma família, faz algo de apreciável mérito e notório, então, para lhe retirarem o talento e os louros do feito, justificam a feitura às qualidades do outro, que nunca lhe pertencerão a não ser por cópia ou &lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/TOaOVEv4f-I/AAAAAAAADaw/mfuWAlGSzos/s1600/monet-claude-la-gare-saint-lazare-3100549.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 400px; FLOAT: right; HEIGHT: 298px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5541272884228947938" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/TOaOVEv4f-I/AAAAAAAADaw/mfuWAlGSzos/s400/monet-claude-la-gare-saint-lazare-3100549.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;imitação, afirmando que o fulano, nessa etiqueta ou quadrante, «sai ao irmão», como se isso fosse possível, uma vez que a herança dos genes jamais será transversal e fraterna, mas de linha directa por descendência, como sucede de avós para pais e destes para os filhos. Se um cabrito nasce no seio de uma família branca tudo quanto faz de mal é herança do sangue negro que há nele, e se, pelo contrário, algo de louvável pratica, então foi a sua quota-parte de brancura que veio ao de cima. Ao invés, desde que nascido numa família predominantemente negra, tudo quanto é indesejável no seu comportamento será consequência directa do sangue branco que lhe ainda corre nas veias, e de bom, se algum houver, resquícios emergentes da sua negritude. Quando para uns casos é pessoa (cabrito de cor), para outros é animal(cabrito, filhote de cabra).&lt;br /&gt;Em Tizangara, ambiente social e lugar onde se desenrola a ação, no livro acima citado, de Mia Couto, a situação, aliás comum às famílias e meios provincianos do interior português, essa &lt;span style="color:#ff6600;"&gt;clareza&lt;/span&gt; tem nome para as entidades oficiais, chamando-lhes merda, para evitar subsequentes equívocos. A crueldade criancista de nomear as coisas pelo nome, assim o exige, exorcizando a tendência civilizada para os eufemismos, contudo, não podemos negar que as nomeações nada acrescentam nem retiram aos seres e pareceres sociais, já que não é por este ou aquele indivíduo desafetar a carga pejorativa a alguns rótulos que o veneno das discriminações deixa de produzir os seus efeitos, e muito menos, se considerarmos que até podemos dizer que um fulano é um "querido" quando pretendemos chamar-lhe "filho da puta", ou que é &lt;span style="color:#ff6600;"&gt;engraçado&lt;/span&gt; se nos apetecer denominá-lo de &lt;span style="color:#ff6600;"&gt;bobo&lt;/span&gt; e bocana. A fluência das significações é muito superior à estirpe lexical que as sustenta, considerando que cada língua, cada vocabulário, particulariza apenas parte daquilo que a expressão generaliza, o sentimento humano, a emoção, a racionalidade, a sublimação, e a espiritualidade universalizam. Ter raiva a, ou sentir inveja de alguém, existe no seio de diversas culturas em diferentes modos, com significados normalmente aspergidos numa panóplia semântica que apelidamos facilmente de polissemia, pondo na esfera polissémica de um termo, numa língua, termos e significados que pertencem à esfera de outro ou outros, independentemente da linearidade, e correspondência literal, das traduções. "Um pai galinha" em português é um pai extremoso, atencioso, dedicado aos filhos, porém se o interpretarmos de acordo com o universo de significação brasileiro, é um indivíduo mulherengo, um D. Juan, e que se preocupa mais com o fornicar muitas mulheres do que ajudar-lhes a criar, proteger e educar os filhos, por exemplo.&lt;br /&gt;Mas a minha televisão já tomou providências e começou a tratar do assunto, pondo nova ordem no aferir significativo das cores, confirmando quanto importa aos multimédia tomar decisões que visem concertar, dissolver e harmonizar os conflitos que a sociedade gerou para evoluir, mas que impreterivelmente tem que ultrapassar se quiser continuar essa evolução: alterou automaticamente, e sem qualquer &lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/TOaN9_YFoFI/AAAAAAAADao/NFtLTGq8qqg/s1600/ManRay-Return-to-Reason-1923.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 314px; FLOAT: left; HEIGHT: 240px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5541272487649976402" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/TOaN9_YFoFI/AAAAAAAADao/NFtLTGq8qqg/s400/ManRay-Return-to-Reason-1923.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;possibilidade de retorno ou reparação, a paleta de cores, dando a ver verde, naquilo que era – e é – vermelho, azul no que antes foi verde, lilás no amarelo, rosa-choque no que antes fora azul, o castanho virou creme, e assim por diante, com tal magnificência e pertinácia, que eu passei também a ver a realidade conforme esta matriz de tons, uma vez que passo mais tempo a ver televisão do que a andar na rua, e a achar que a realidade, as paisagens e quadros vivos do quotidiano, andam mal pintados ou debaixo uma luz deveras sinestésica - e suspeita. A princípio tive dúvidas de que a máquina tivesse uma propositada intenção na baralhação das cores, julgando tratar-se de avaria, comentando de mim para mim «esta, está a dar o badagaio!...», não obstante, depois do contato com o técnico local de TVs, testes com aparelhómetros vários, o diagnóstico foi o sem espinhas «não tem qualquer problema, e está em melhor forma do que muitas das novas que ali tenho para venda ao público», vi-me na incontingência de aceitar o fato como capricho consumado de um ente que reivindicava participar na formação – e formatação – do mundo que espelhava, reproduzia e muito ajudara a criar. Ver os telhados das casas verdes quando cobertas do canelado mourisco, inicialmente, foi confuso e digno de tenaz resistência, repetindo a mim mesmo, oral e mentalmente, que eles, os telhados, eram &lt;span style="color:#ffcc00;"&gt;sim&lt;/span&gt;, mas vermelhos, desde que não fossem de vidro ou de placas de “&lt;em&gt;lusalite&lt;/em&gt;” com amianta memória. Depois, porque isto não é tempo de andar a mudar constantemente de electrodomésticos, engoli a mudança nos cambiantes por ela impostos, como quem assobia prò lado perante uma contrariedade corriqueira, e deixei de inculcar a memória cromática mal me apercebia de que a bandeira portuguesa tinha ganho &lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/TOaNjlAaHnI/AAAAAAAADag/ZV2PCGR2G1A/s1600/DSC08313.JPG"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 400px; FLOAT: right; HEIGHT: 266px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5541272033894735474" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME/TOaNjlAaHnI/AAAAAAAADag/ZV2PCGR2G1A/s400/DSC08313.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;outras cores e humores, flanando com verde, azul e lilás com o igual empertigamento de antanho onde o vermelho e o amarelo tinham notória presença. E idem para o estandarte da UE, a quem o rosinha com estrelas lilases dava um requinte feminino, porquanto primeiro foi estranho depois se entranhou, e afinal, mais consentâneo e conforme à felicidade do lar num casamento a vinte e sete... E agora, que fazer?&lt;br /&gt;Nada. Conformei-me. Já não admito que a realidade queira pintar o real realmente de outras cores que não aquelas que aprendi a ver como reais. As árvores são azuis. Os telhados verdes. Os pretos são brancos, e vice-versa. Os mulatos são cremes. E os cabritos, se alguns vejo, cor de tijolo quando cai, que os muros e paredes se foram criados levaram caiação moderna com mestiçagem às avessas, deixaram de ser biombos de resguardo das espécies e raças, e passaram a ser elos de ligação e unidade entre gentes separadas, que cultivavam a simetria como perfeição.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_N_CXMcLN2ME
