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As Eleições continuam a fazer-se à moda antiga...

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Vergonhosamente lamentável! A Lei (Eleitoral) 14/79, de 16 de Maio, reflete a mentalidade e sentido prático já obsoletos na época da sua redação, em que a divulgação da informação político-administrativa se fazia nos adros, rossios, tabernas e mercearias, através de editais ou recados estampados nas portas. Vai daí, algumas juntas de freguesia para lixar a concorrência e pôr os partidos menores em notória desvantagem competitiva, resolveram segui-la à letra, excluindo-os das reuniões de delegados em que seriam apresentados os nomes das pessoas propostas para as mesas de voto, que é a mais elementar das participações democráticas remuneradas. Entre elas figura, lamentável e vergonhosamente, a Junta de Freguesia em que estou recenseado – a Junta de Freguesia da Sé, em Portalegre. Devo, porém, salientar que esta apenas foi mais uma das muitas deste algures do Alentejo profundo que assim procederam, uma vez que só as Juntas de Freguesia de S. Lourenço, Alagoa, Reguengo e S. Julião, se dign...

A Lei dos Profetas

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Pôr o Peixe a Render... “Não faças aos outros aquilo que não queres que te façam a ti” – Regra de Ouro (Universal) – Diálogos de Confúcio , XV, 23 Quando temos de fazer uma escolha e a preterimos ou adiamos, estamos necessariamente já a escolher algo que não é lana-caprina a respeito do conteúdo profundo dela, mas antes a operar na esfera da sua contabilidade e na medida exata dos preconceitos e resistências envolvidas nessa decisão que, em si mesma, é causa e consequência dessa escolha. Os meus avós diziam que quem não quer ser lobo não lhe veste a pele, e contavam uma história com moral acerca dessa atitude, com a devida ilustração retirada à vida real, quiçá temendo que um dia eu viesse a cair na mesma patetice. Fizeram bem, foi uma escolha acertada, pois se assim não me tivessem avisado, muito dificilmente lhe teria dado ouvidos, e talvez agora nem já existisse para cronicar sobre esta ou possíveis, como restantes, momentos e versões da História. Sobretudo porque parece que há po...

Graças a Deus

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Constitucionalidades… – e quem as não quer! Houve um “célebre” constitucionalista português que se pronunciou recentemente acerca daquilo que outros governantes e parlamentares de outros países da EU pensam sobre os nossos governantes e parlamentares, dando o principal destaque ao fato de estes não se entenderem na Assembleia da República, bem como à circunstância de que o governo como o maior partido da oposição tudo terem feito de quanto estava ao seu alcance para não convergirem no quer que seja, sobretudo no quanto à aprovação do PEC 4 dizia respeito, numa tentativa (já serôdia) de amenizar o impacto da entrada do FEIF/FMI na nossa economia e qualidade de vida. Estava no seu direito, porquanto o melindre nacionalista de versão estalinista como hitleriano ainda funcionam no equívoco da defesa patriótica, porém não podemos deixar de notar que os políticos desses países não os atiraram para uma crise económica prenunciada pelo despesismo, nem criaram depois uma crise política provoca...

Com o perdão de V. Exas.

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Os Imaculados do Sistema… Os Loucos Há vários tipos de louco. O hitleriano, que barafusta. O solícito, que dirige o trânsito. O maníaco fala só. O idiota que se baba, Explicado pelo psiquiatra gago. O legatário de outros, O que nos governa. O depressivo que salva O mundo. Aqueles que o destroem. E há sempre um (O mais intratável) que não desiste E escreve versos. Não gosto destes loucos. (Torturados pela escuridão, pela morte?) Gosto desta velha senhora Que ri, manso, pela rua, de felicidade. In A Ignorância da Morte , de António Osório “A mensagem é o médium .” Mac Luhan “Por vezes, ouvimos falar de um processo por danos contra o médico incompetente que deformou um membro partido em vez de o tratar. Mas o que dizer das centenas de milhares de espíritos deformados para sempre pelos inaptos insignificantes que pretendiam formá-los!” Charles Dickens (em 1848) Conforme tem vindo a lume ultimamente, Portugal está prestes a virar presunto (1) histórico, isto é, país que não obstante os seus...

Genialidades

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As Receitas e o Estilo " E, no entanto, já Horácio se referia a tal trabalho através da alegoria da abelha que recolhe o néctar de todas as flores. Esta exegese plural irá ao encontro de um princípio que se designa por multiplex imitatio , ao qual hão-de ser favoráveis os movimentos humanistas que tão receptivos foram aos clássicos; mas acaba por ganhar outras implicações quando se admite que na referencialidade literária temos que considerar o envolvimento cultural da obra. É a escrita própria do seu tempo, os compromissos retóricos, a estilização paródica, as citações, a recorrência das figuras, enfim todo um conjunto de referências ao corpus literário em que tal obra se situa. Falaríamos de intertextualidade. E a intertextualidade é também memória. Há reminiscências ou vestígios diversos que se actualizam: e o sentido de uma obra resultará desses múltiplos e emergentes sentidos. " – In Fernando Guimarães, A Obra de Arte e o Seu Mundo (pp 45,46) " Tal como a abelha...

Muito Pode Quem Não cala

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O Poder da Fala " É preciso um espírito muito especial para analisar o que é óbvio. " – A. N. Whitehead Entre o provérbio e o verbo pró (ou contra), não há apenas o conceito de espaço-quando, nem sequer a manifesta intenção de acondicionar o saber de experiência feito numa embalagem linguística passível de ser acatada pelo maior número possível de utilizadores – ou falantes –, mas antes a noção ética que reflecte na íntegra o inconsciente colectivo que o gerou, nas mais profundas e arreigadas inspirações da criação engajada numa civilização, demonstrando assim a qualidade semântica de uma tese que, por si só, não obstante os registos "literários" em que eclodiu, detonou também a antítese que lhe corresponde e a síntese que é o produto de ambas. Logo, ao analisar os provérbios de um povo, de uma língua, de uma cultura, de uma região, de uma espiritualidade, nós não obtemos somente o espelho vivo desse povo, dessa cultura, dessa mentalidade, dessa língua, desse terr...

Conto do Dia da (falta de) Poesia

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Negócios Corruptos “O melhor favor é o que se faz o mais depressa possível.” Provérbio egípcio N ão há justiça nenhuma neste mundo… Um soneto tão bem esgalhado, e aquela criatura só me pagou 0,50€ por ele, dinheiro esse que afinal era meu, que eu tinha investido no sector dos transportes, camionagem e obras lúdicas, em que só não conto quanto não me diverti nelas por vergonha e pudor, e ela, essa abominável carantonha da franja em onda para surfistas mal instruídos, ainda teve o descaramento de tripudiar em cima do meu desalento e infortúnio, acrescentando-lhe como juros uns míseros 0,03€ ao investimento, juros esses que nem chegam aos calcanhares daqueles que a portugalidade vai ter que pagar pela dívida a quem lha comprou. Francamente! Se isto não é martírio, o que é que vamos chamar à Páscoa? Pois. Sobretudo porque entre o culto da água e a água do (o)culto, existe uma enorme diferença que nada tem a ver com questões de liquidez – nem igual grau de pureza ou salubridade: é nela ...

Conto da Semana - Os Cêntimos Contados

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Tudo Por Uns Trocos “A ocupação de poeta É nobre por natureza; Mas todo o ofício tem ossos, E os deste são a pobreza.” Nicolau Tolentino, 1740-1811 A rrumadas as compras no porta-bagagem, apressei-me a sentar-me no lugar do morto, de copiloto na navegação em melhores horas, do pendura ou daquele que à boleia se aventura, mas que ao instante, a primeira função assentava na perfeição, dado que me sentia, à vontade e por defeito no arredondamento, dez furos abaixo de jumento em vias de virar cadáver putrefacto. «Estás tão macambúzio, porquê… O que é que se passa?», quiseste saber mal nos instalámos no carro, enquanto tua mãe foi estacionar o carrinho das compras entre as baias para o efeito, e recuperar os 0,50€ com que eu entrara para o respetivo frete. «Não se passa absolutamente nada.» «Nada?!?», estranhou Shara através do teu sorriso matreiro de gozada expressão ou de circunspecta diversão. «Pronto» consenti eu, elucidando a jovem inquisidora em que te transformaras momentaneamente....

Conto de Amanhã, dia 13, dia da Estrela

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A Pequena Estrela ( cor-de-rosa ) “Em nada à verdade falto, A dor me aviva a memória; E, por não entrar de salto, Deixai, Senhor, que esta história Tome o fio de mais alto.” In Memorial a Sua Alteza , de Nicolau Tolentino “A brisa vaga no prado, Perfume nem voz não tem; Quem canta é o ramo agitado, O aroma é da flor que vem.” In Voz e Aroma, Folhas Caídas , de Almeida Garrett Estamos disponíveis para nós mesmos se aos demais convocamos como desejáveis, preferidos e imprescindíveis. Até insubstituíveis. Nenhuma pessoa é como outra pessoa. Há algo que identifica aquela pessoa como favorita se lhe conhecemos o pormenor ínfimo que a diferencia da multidão de aqueloutras iguais a si, sem destrinça de cor ou feitio, fala ou cultura, costumes e trajes, princípios e atitude social, pessoal ou ideológica. A preferência dissolve-se e multiplica-nos depois como desejados e… inevitáveis à vida de quem assim nos rotulou. Marcou. Inventou. Assumiu. E acolheu. Mas não é fácil sê-lo. Principalmente q...

Conto para os dias úteis

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Quando a Razão nos Observa “E daí? – Daí, a história Não deixou outra memória Dessa noite de loucura, De sedução, de prazer… Que os segredos da ventura Não são para se dizer.” In Aquela Noite! , Folhas Caídas , de Almeida Garrett 13. "Quando eu, senhora, em vós os olhos ponho, E vejo o que não vi nunca, nem cri Que houvesse cá, recolhe-se a alma a si, E vou tresvaliando, como em sonho. Isto passado, quando me desponho E me quero afirmar se foi assi, Pasmado e duvidoso do que vi, M’espanto às vezes, outras m’envergonho; Que, tornando ante vós, senhora, tal, Quando m’era mister tant’outr’ajuda, De que me valerei, se a alma não val? Esperando por ela que me acuda, E não me acode, e está cuidando em al, Afronta o coração, a língua é muda." Sá de Miranda – Coimbra, 1481 – S. Martinho de Carrazedo, 1558 A cada qual o seu suplício, mas não há ninguém a quem seja alheio (e desconhecido) o meu martírio: não tenho vontade, que não seja influência sua; sou falho de sentir felicidade, de...

Conto da Semana -- Entre os Rios, a Memória

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Entressonhando nos Mundos Paralelos “Teu nome, só para mim, Sabendo-o conhecido de toda a gente […] Sei-o de trás para diante Anterior ou partindo do meio, Repetido como refrão constante Atreito ao brilho do diamante Como às espigas do trigo e do centeio. “ In Joaquim Castanho, Nova Razão: Velha Aliança T emos sete sentidos e não apenas cinco, como nos admoestaram no ensinamento da escolástica. Além da empatia e propriocepção, há os comuns cinco das sebentas: visão, tato, gosto, audição e cheiro. Normalmente, esquecemo-nos dos dois primeiros porque os temos como garantidos ou incómodos. A propriocepção que faculta levarmos o garfo à boca quando comemos um bom bife, em vez de o metermos nas orelhas ou nos olhos, por exemplo, que tal como o equilíbrio e o ar, só lhe notamos a existência quando lhes sentimos a falta, se os perdemos; e a empatia, ou reconhecimento do outro, apenas se o outro demonstra não nos reconhecer (como devia), pela via sinuosa do melindre e narcisismo frustrado ou, ...