RETALHOS DE OUTRAS OUTRAS ÉPOCAS, OUTROS MOTIVOS ÉCLOGA DE JANO E FRANCO (extrato) Dizem que havia um pastor Entre Tejo e Odiana, Que era perdido de amor Per ûa moça Joana. Joana patas guardava Pela ribeira do Tejo, Seu pai acerca morava, E o pastor, de Alentejo Era e Jano se chamava. Quando as fomes grandes foram, Que Alentejo foi perdido, Da aldeia que chamam o Torrão Foi esse pastor fugido. Levava um pouco de gado, Que lhe ficou doutro muito Que lhe morreu de cansado: Que Alentejo era enxuito D’água e mui seco de prado. Toda a terra foi perdida; No campo do Tejo só Achava o gado guarida: Ver Alentejo era um dó! E jano, para salvar O gado que lhe ficou Foi esta terra buscar; E um cuidado levou, Outro foi além achar. BERNARDIM RIBEIRO ( Bernardim Ribeiro , considerado por muitos o patriarca da ficção portuguesa, nasceu na vila do Torrão, em 1482. Passou a infância em Castela, onde o seu pai se exilara dev...