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Clímax, de Dick Haskins

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" Uma coisa é acertarmos, quando apontamos a chave à fechadura de uma casa que nos é familiar – a nossa. Outra coisa é não acertarmos com a fechadura, mesmo quando a casa nos é familiar. Uma coisa é chegar a casa sóbrio, outra é chegar bêbado. Mas outra coisa ainda é chegar a casa sóbrio, acertar com a fechadura, entrar no átrio, ficar bêbado no segundo imediato e consciente no segundo que se segue ao imediato." DH, in Clímax , p. 63 Eis três colecções diferentes da Edições DH DêAgá – Romance, Espionagem e Enigma –, que têm em comum o facto da capa ser do mesmo autor, Andrade Albuquerque, dirigidas por A. Andrade Albuquerque, que é nem mais nem menos do que António Andrade Albuquerque, aliás, Dick Haskins (DH). DH não só é o autor como personagem importante, protagonista, mais precisamente um dos detectives com parte activa no desfecho das narrativas, isto quando em folga do seu principal mister nelas, que é desempenho de narrador "omnipresente", aquele que tudo o...
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Desfloramento Venho das noites escuras e aprendi a ver nas trevas e a ler nas trevas. Venho das noites escuras e sei o grande soluço das sombras e os cânticos impotentes dos peregrinos. Venho das noites escuras daí o meu amor imenso pela luz! Quanto mais treva era a treva melhor eu aprendia a amar a luz do sol e dos meus olhos sempre mais e mais abertos a luz interior irradiando aniquilava as sombras... E sendo sempre noite já a pouco e pouco era mais manhã. E cada vez mais enorme e definitiva amanhã subia apesar da treva apesar do silêncio apesar de tudo! O negrume da noite era uma incandescência prenhe. A flor romântica das trevas esfolhou-se-me nos dedos. E então nasci. E então vi que estava nu e alegrei-me por estar nu enfim! Sorvi os frutos da terra e já não me souberam a papel impresso! Sacudi a poeira que me tinham ensinado e comecei então a saber. Sob as palavras surgiu enfim a voz e a canção ardente da vida já não encontrou algodão nos meus ouvidos. Ah! só quem vem das trevas ...

Haja também um que suba, carago!

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Muito sinceramente desconheço as razões que alegas Qual o lambel que te cobre e o escabelo que almejas Para esperar pelo futuro sabendo que ele chegou ontem, Ainda não eram nove horas à estação das línguas cruzadas Junto ao cais entre colunas de vapor e hodiernos cheiros Mal o apito da asma social nas emergências se fez ouvir E as ambulâncias azuis dos fornecedores de oxigénio a turnos Encetaram o giro da noite, passaram revista às faltas crónicas Leram as recomendações médicas sob o candeeiro da banca, Se aplicaram como exactos bombeiros da modernidade que são Incensadores de políticas oficiais, planos nacionais de leitura Incineradores de ideias livres mas apóstolos da propaganda Intentados atentatórios da mudança para o já falho de sentido Tão velho mas tão velho, que até o esquecimento se esqueceu Que o esquecera num compêndio perdido que esquecido ardeu, Fahrenheits 451 em stress por excesso de censura e contágio, Vulneráveis a quem o sistema imunitário os exige sistemáticos Emb...

Grupo de Leitura READCOM, de Portalegre

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Malta: Pròs que preferem estar em cima do acontecimento do que por baixo dele, e queiram acompanhar os trabalhos à distância (de um clic), a leitura corrente do Grupo de Leitura READCOM, de Portalegre, para a sessão de 13 de Fevereiro, no sítio do costume e à hora exacta, é – tatatam-tatatam!!... –, nem mais nem menos, do que A Minha Tia É Uma Baleia (mentira, não é nada, pelo contrário, é bem jeitosinha, como sabeis todos e todas que com ela conviveis ... 'Tá é usadota!), de Anne Provoost, que, segundo o veiculado pelo google "é uma escritora flamenga que na última década se tornou um nome incontornável na literatura neerlandesa e que através das traduções das suas obras vai também ganhando uma projecção internacional cada vez maior. Já não se pode dizer que é uma autora totalmente desconhecida em Portugal, porque um fragmento do seu segundo romance foi publicado pela Afrontamento na antologia Lá longe, a paz, A guerra em histórias e poemas (2001). Anne Provoost nasceu em P...

Que lugar é esse, o da literatura, enquanto experiência humana?

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A gente ao princípio começa por ir lá aos pouquinhos, para se distrair, para descansar da realidade, para se divertir secretamente, para ter um lugar onde só possam entrar os nossos amigos íntimos, onde as coisas aconteçam por diferentes razões daquelas que em família, na escola, ou na rua, as causam e justificam; para evadir-se do dia a dia, para esconder-se da timidez com que nos debatemos, para surripiar uma frase inteligente de que precisamos, para desentorpecer as nossas inquietações, por birra, e até mesmo para buscar auxílio e ajuda na resolução dos problemas que nos assolam. Às vezes entra-se lá pela mão de alguém mais experiente e crescido, uma avó, uma professora que nos cativou sobremaneira, um irmão, companheiro de classe ou simplesmente alguém que contou uma história para adormecermos, comermos a sopa e entreter-nos enquanto o nosso adulto responsável está ocupado por tarefas inadiáveis. Outras por que aquele ou aquela que nos acompanha no acaso das circunstâncias não está...

A Suciadade dos Associais e Assuciados

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A pintura de entrada (o mural, portanto, que enforma a moral da prédica) é do Paulo Moreira, e reflecte exemplarmente o ambiente underground que precede e sustenta a formação social dos nossos quadros superiores, forjados na escolaridade académica da competição, das notas para abichar notas, notória vantagem competitiva para os que querem ser o número UM seja no que for, o que importa é que sejam os melhores da altura, no crime, na loucura, na turma, na dança, na matemática, no levar no cu, no atletismo, no futebol, na cultura, na ciência, na política, na pureza como na pecação, quais cavalos a abater em sacrifício das parangonas, que vêem na sociedade um conjunto de combatentes, se estes lhe não baterem palmas a propósito de tudo e de nada, ou de aliados cujo principal valor é o de ajudarem o narciso a conquistar o podium dos ídolos, a sua suprema obsessão, logo a súcia claque do objectivo maior daqueles que essencialmente almejam acertar sempre no centro, incluindo no alvo das coisa...

A Liberdade Também Se Aprende

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" A todos os escribas e artistas e praticantes de magias através dos quais estes espíritos se têm manifestado... NADA É VERDADE; TUDO É PERMITIDO. " William S. Burrougs, in Cidades da Noite Vermelha A Um deus desconhecido É Ele Quem nos faz respirar e a força é dádiva Sua. As altas divindades respeitam os Seus mandamentos. A Sua sombra é Vida, a Sua sombra é morte; Quem é Ele, a Quem oferecemos o nosso sacrifício? Apesar do Seu poder, tornou-se senhor da vida e do mundo resplandecente. E governa o mundo, os homens e as bestas. Quem é Ele, a quem oferecemos o nosso sacrifício? Da Sua força as montanhas tomaram forma, e também o mar E o distante rio; Quem é Ele, a Quem oferecemos o nosso sacrifício? Fez o Céu e fez e a Terra e, pela Sua vontade, ocuparam os seus lugares, Contudo, olham-No e estremecem. O sol nascente brilha sob a Sua vontade. Quem é Ele, a Quem oferecemos o nosso sacrifício? Olhou sobre as águas que entesouram o Seu poder e engendraram a imolação. É o Deus dos ...

Sono de Homem

Quando "isso" – um homem quer lutar, pode lutar sem tréguas Dias e dias, léguas após léguas, O corpo a apodrecer, mas a alma no olhar. Mais pode resistir que a máquina mais firme Do desgaste, até ao último limite Quem ele tem em si qualquer coisa, em verdade, Que o ilumina Porque ele – o homem, floresce em claridade. Um homem, se amargurado E sem remédio destroçado Fica em suor, arquejante, imundo E não se sabe o que resta no fundo Dele; talvez, a aurora, a tremer, da besta, o essencial... Seu olhar abandona as fontes de altos fundos Para contemplar, dias a fio, sua mão que julgara imortal. Quando vencido e a dormir, um homem verdadeiro Dorme com a boca em terra Na primitiva argila e nu, sobre o mato rasteiro Braços em cruz contendo seus desertos. Tão frágil é, sepultado no sono Como no mar profundo Que a respirar não faz tremer vermelhas sombras E somente seus dedos, cheios de relva, se colam sempre ao mundo. Mas às vezes o vencido que dorme solta um grito Profundo de tormen...

Dick Haskins - O Último Fim

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Desde os 25 anos que escreve e, agora com 77, já vendeu sete milhões de livros. Alguns deles, pelas mesmas mãos que os criou, viraram "filme", e considera o género policial, não um espécimen das literaturas fantásticas, tal como a acção, aventura, western , espionagem, terror, ficção científica, cor-de-rosa, para apenas citar os mais conhecidos desta literatura falsamente apelidada de menor, mas sim que o policial é um género sério, quase a chave-mestra da narrativa, uma vez que os "escritores policiais escrevem qualquer tipo de livro, ao passo que os chamados escritores do outro género tentaram o policial e nunca o conseguiram", como afirmou em entrevista a Isabel Lucas, publicada no Diário de Notícias , de 29 de Junho de 2007. Provavelmente esquecendo nomes como Umberto Eco, José Rodrigues Miguéis, Ursula K. LeGuin, Eça de Queiroz/Ramalho Ortigão e Isaac Asimov, quiçá omitindo-os propositadamente para melhor defender a sua dama. De qualquer forma, géneros à parte,...

Mário-Henrique Leiria - Tradutor

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O Pião Digital Além de escritor, o surrealista Mário-Henrique Leiria, autor dos Contos do Gin, tónico revigorante para qualquer um que tenha engolido muito óleo de fígado de bacalhau literário, a quem a boca ainda lhe ande pastosa dos indigestos palimpsestos, traduziu também e tão-só três, pelo menos que eu saiba, de entre as vinte melhores obras de ficção científica (FC) do século passado: Fahrenheit 451, de Ray Bradbury; o Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley; e O Declínio de Marte, de Alex Tolstoi. O primeiro para a Livros do Brasil, o segundo para a Unibolso/Livros do Brasil e o terceiro para a Ulisseia. Todos de capa mole não plasticizada, embora depois tenham vindo a receber melhorias e estampa em diferentes chancelas. Três "livrinhos" de escritores razoavelmente consagrados nos meandros literários, considerados maiores e mais sérios, mas com notáveis incursões e consequentes recaídas na FC, género apelidado (erradamente) por muitos bárbaros (e gentios) como subdivis...

Menu Para o Tempo de Caça

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Ele é um pombo correio e de papo brilhante – pois claro! Ela uma vulgar pomba branca, de olhos inquietos e periclitantes – isso mesmo... E um dia – como não podia deixar de ser! – encontraram-se nos desaustinados voos de "por uma vida melhor", e ficaram sem saber que pensar – ???? Mas partiram em sentidos diferentes – quem diria!... Quando se supuseram sozinhos, deram por si a cogitar no acontecido e sentiram um "não sei quê" que os desesperou – coitadinhos! Fizeram mil e um malabarismos com a lógica, torceram e distorceram o raciocínio – que despeito! –, procuram razão onde não a havia, enveredaram pela múltipla insensatez de encontrar uma solução viável e plausível para os seus casos – até no amor há política... Todavia, sem o mínimo sucesso. Exactamente inútil. Se, por um lado, verificaram o desejo de voltar atrás e tentar compreender o que lhe sucedera, pelo outro – Oh!... –, acharam que isso não teria qualquer importância, farejando em si mesmos uma tão parca ...

Cantiga de Abril - Jorge de Sena

Às Forças Armadas e ao povo de Portugal "Não hei-de morrer sem saber qual a cor da liberdade" Jorge de Sena Qual a cor da liberdade? É verde, verde e vermelha. Quase, quase cinqüenta anos reinaram neste país, e conta de tantos danos, de tantos crimes e enganos, chegava até à raíz. Qual a cor da liberdade? É verde, verde e vermelha. Tantos morreram sem ver o dia do despertar! Tantos sem poder saber com que letras escrever, com que palavras gritar! Qual a cor da liberdade? ...

Leitura do mês - Sugestão Livre da Biblioteca READCOM

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O Estranho Caso do Cão Morto Mark Haddon O nome do narrador é uma metáfora – Christopher, ou Cristóvão, padroeiro dos jornalistas, almocreves e carroceiros –, e significa aquele que transportou Cristo, cujas origens nos transportam, a nós, a S. Cristóvão que carregou como o Messias às costas para que este atravessasse um rio, daqueles rios não atreitos a milagres, nem permitia que lhe caminhassem sobre as águas, com ou sem pranchas de surf. E é um ser a quem as pessoas confundem por duas razões: porque falam, falam, sem usar quaisquer palavras e porque quando as usam dão-lhe sempre outro sentido que não aquele que vulgarmente têm, fazendo delas metáforas. Daí que a vida para ele seja um enigma, um complicado puzzle onde apenas a matemática é capaz de fornecer algumas soluções. Mas... Que digo eu? Um enigma!... Dois, quatro, cinco, sete, oito, pelo menos dez, e limpinhos. Sem ossos nem espinhas! Excepto quando ela é, de caras, a vida de outrem. E então deixa de ser sorrateiramente um e...

A Metáfora da Ética e da Moral

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(Controversas ambiguidades para a alegoria do apagamento) "Neste Carnaval Em que estamos A melhor máscara Para usar Seria tirar A que nos está a tapar" Carnaval de Papel , de Jaime Crespo In A Rabeca , 1981 A problemática da moral e da ética, na sociedade de comunicação e filosofia da actualidade, é de natureza dupla, o que sem dúvida a faz enfermar de duplicidade bipolar. Primeiro, porque sendo dois temas "queridos" da filosofia social contemporânea exemplarmente (e originalmente) distintos, merecem tratamentos diferentes na caracterização e definição objectiva; segundo porque, potencialmente diferenciados, até nas suas raízes etimológicas (moral, deriva do latim mores , "costumes"; e ética do grego tá éthe , "os costumes"), eles têm assento de igual destaque à mesa do entendimento comum, na expressão popular como erudita: ambos são enunciados como disciplinas do dever do costume, ou costume do dever, que enformam os comportamentos sociais, mel...