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Culpas Velhas

Velhas São as Culpadas Culpas Foi há intermináveis páginas, tantas e quantas, que já mal me lembravam... Contudo, assim que constatei pelas notícias, que andavam a circular e cirandar por algumas bibliotecas públicas da nossa interioridade diversos contadores de histórias, espalhando, difundindo e contaminando bastas dezenas de criancinhas deste torrão caprichoso com o vírus da palavra lúdica, espevitei e espetei as orelhas, pus-me de atalaia e não pude conter-me de sábia indignação: «Olha, lá andam outra vez os adultos a lixar a vida aos mais pequenos! E para seu bem, formação e prazer, dizem eles», como me disseram a mim, sempre que se dispunham a enfiar-me o barrete, pensei eu. A razão é firme, forte, experimentada e poderosa. É que foi precisamente por aí, pelo continuado ouvir de histórias e lendas que a minha avó me contava à noitinha, quase diariamente, à lareira, se de Inverno, no pátio do Monte, em caso de Verão, sentados ambos à fresca do serão, ela na cadeira de bunho, eu no...

Olho Neles, de Margarida Oliveira

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Olho Neles Margarida Oliveira 134 Páginas Embora exista uma enorme diferença entre pessoas e personagens, porquanto as pessoas sejam reais e vivam concretamente, com dignidade e integridade respeitáveis, em liberdade e livre-arbítrio, mas as personagens se vejam apenas confinadas ao universo estético, no caso da literatura ao condomínio da artificialidade criativa, em que o enredo, o conteúdo e estrutura narrativa as justifica, o que é certo, é que há formas tão legítimas das pessoas viverem as personagens como das personagens reviverem as pessoas, pelo que se umas saíram das outras, estas só serão totalmente compreendidas e respeitadas se criadas elas mesmas a partir delas próprias. É aqui que reside, portanto, o núcleo fulcral, da literatura viva... Dito isto, o livro que ora aqui vai, cuja autora não é famosa nem tem nome reconhecido nos anais do palimpsesto nacional ou universal, não é filha do Jet Set intelectual nem pivot de proa em qualquer canal televisivo, não é nenhum exemp...

Aprenda a Viver Com os Seus Genes

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Aprenda a Viver Com os Seus Genes Dean Hamer e Peter Copeland Trad. J. Santos Tavares O assunto principal deste livro é o temperamento, entendido ele como parte fixa da personalidade, da qual à faceta adquirida se chamará carácter, e que aqui se exclui sobremaneira, porquanto os genes não se compram nem se vendem, não se alugam nem por diploma, e somente se alteram, ou mudam, para ser mais preciso, sobretudo e através do erro – e por repetição. Composição temática fundamentada nas "descobertas" da genética e da psicofisiologia dos finais do século passado, pretende apetrechar-nos com as bases sólidas que nos facilitem entender a genética actual, bem como o chegarmos ao conhecimento de nós mesmos pela via mais segura, a multidisciplinar, onde a nossa entidade é revelada não só em termos biológicos, mas contemplando igualmente as vertentes do relacionamento com os outros, o ambiente, a química e o tempo. Os homens, por desconhecerem quem deveras são, passam normalmente a sua e...

NA FRONTEIRA DO UNIVERSO: EM BUSCA DO FIM DA IDADE DAS TREVAS

O Serviço de Ciência da Fundação Calouste Gulbenkian, em colaboração com a Ciência Viva, realiza no Auditório 2 da Fundação Calouste Gulbenkian (Av. de Berna, 45 A) a conferência – NA FRONTEIRA DO UNIVERSO: EM BUSCA DO FIM DA IDADE DAS TREVAS – que terá lugar no dia 16 de Julho (quarta-feira), às 18h00, e será proferida pelo Prof. Doutor José Manuel Afonso, do Observatório Astronómico de Lisboa. Teria muito gosto em que estivesse presente nesta iniciativa. Após milhares de anos a estudar o céu, numa história que é tão velha como o próprio Homem, encontramo-nos hoje prestes a assistir a uma revolução no conhecimento. Pela primeira vez, o Homem prepara-se para observar o nascimento da primeira luz do Universo, e finalmente compreender como se deu a formação das primeiras estruturas do Cosmos. Sabemos que pouco após o Big Bang, uma escuridão fundamental se terá instalado. Sabemos também que hoje o Universo é rico em luz, sendo as estrelas uma das suas origens. Como se deu a transição da ...

Tempestades Épicas

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Tempestades Épicas Vergílio, Ovídio, Homero, Camões e Ariosto Organização, introdução e elaboração de fichas de Fernando Lemos 140 Páginas A antologia ora apresentada nasce da actividade didascálica – e perdoe-se o palavrão pelo bem que sabe!... –, assim como pretende responder às necessidades de estudo, ou cognitivas, que circunstanciam as unidades curriculares de Cultura Clássica e Latim. A didascália, conforme todos sabeis e eu também (não), era, além da instrução que os actores gregos recebiam dos poetas, também o comentário, a anotação ou a crítica de peça teatral, nos meandros da latinidade. E, porque as tempestades já não são aquilo que eram, pode mesmo esta colectânea ser considerada um instrumento de trabalho, para quem se queira aperceber dos efeitos que elas tiveram, ou produziram, nas narrativas da ancestralidade. Além de facilitar a compreensão da catástrofe e da perseguição como patamares incontornáveis da escrita imaginativa, sobretudo aquela que apela para a natureza ép...

O Poeta, de Michael Connelly

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O Poeta Michael Connelly Trad. Eduardo Saló 480 Páginas " A escrita exerce em mim o mesmo efeito que o conteúdo desse copo em ti. Se conseguir escrever sobre o caso, é porque o compreendo. Nada mais me interessa. " " Queria ser escritor e afinal tornei-me jornalista. " " Uma pessoa tenta reconstruir um puzzle em conformidade com o que tem na mente. " " – Vou escrever sobre o meu irmão – anunciei. (...) Depois disso tudo se alterou na minha vida. " " A morte é o meu negócio. É dela que vivo. Baseia-se nela a minha reputação profissional. Trato-a com a precisa paixão de um agente funerário – grave e consolador perante os enlutados e artesão eficiente com ela, quando estou só. Sempre achei que o segredo para me ocupar da morte consistia em a manter a uma distância prudente. É a regra de ouro. Não permitir que o seu alento me atinja a cara. " Sob o modelo narrativo das "bonecas russas", matrioscas , ou das caixinhas que têm uma ca...

Para as Minhas Filhas Com Amor, de Pearl S. Buck

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Para as Minhas Filhas Com Amor Pearl S. Buck Trad. Virgínia Mota 248 Páginas Embora tenham sido as mulheres quem, quer por motivo inspirador, quer como utilizador final do produto literário, quer por a ela, à arte literária, como às línguas que a veiculam terem dedicado grande parte da sua vida, como ao dever-se-lhes as maiores modificações dentro do discurso narrativo, e aqui estou a lembrar-me, por exemplo, de uma Carson McCullers, que neste capítulo é incontornável, o que é certo, é que se contam pelos dedos quantas foram laureadas com o Nobel da Literatura. Algumas delas, foram de tal forma importantes, que conseguiram arrebatá-lo, ao prémio, digo eu, de um universo literário fortemente sexista, no século mais masculinizado da história humana, o século passado, como Selma Lagerlöf, Gabriela Mistral ou Peral S. Buck. To My Daughters With Love é, queiram ou não, os apaniguados defensores da cozinha de autor, ou aqueles que ainda sublinham que não obstante serem as mulheres quem mais...

Mefisto, de Klaus Mann

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Mefisto Klaus Mann Trad. Maria Assunção Pinto Correia 400 Páginas "Obra maldita, romance incómodo, Mefisto é sem sombra de dúvida um dos títulos mais importantes da literatura alemã" do século passado, cujo autor, filho de outro jurássico e consagrado escritor, Thomas Mann, se suicidou em Cannes, a 21 de Maio de 1949, em resultado de várias "causas" e factores misteriosos, embora por demais estudados, conhecidos e vulgares no nosso tempo, por alguns "ainda" considerados estritamente pessoais, como a dependência das drogas duras e da homossexualidade, mas para outros de cariz vincadamente social, ideológico e político, como a crescente desilusão e pessimismo perante os rumos da Alemanha do pós-guerra e a Europa do Futuro. Nascido em Munique, a 18 de Novembro de 1906, é na sequência da tomada do poder pelos nacional socialistas empurrado para o exílio, em 1933, pelo que sofreu destes, em retaliação, o retirarem-lhe a cidadania alemã em 1934. Atrás de si dei...

Ainda Somos Humanos

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Resolução da Assembleia da República n.º 24/2008 Divulgação às futuras gerações dos combates pela liberdade na resistência à ditadura e pela democracia A Assembleia da República resolve, nos termos e para os efeitos do n.º 5 do artigo 166.º da Constituição, recomendar ao Governo que crie condições efectivas, incluindo financeiras, que tornem possível a concretização dos projectos das autarquias e da sociedade civil, nas suas variadas formas de organização, designadamente: 1) Apoio a programas de musealização, como a criação de um museu da liberdade e da resistência, cuja sede deve situar-se no centro histórico de Lisboa (antiga instalação da Cadeia do Aljube), enquanto pólo aglutinador que venha a configurar uma rede de núcleos museológicos, podendo aproveitar-se outros edifícios que sejam historicamente identificados como relevantes na resistência à ditadura a par da valorização e apoio ao Museu da Resistência instalado na Fortaleza de Peniche. O Museu da Liberdade e da Resistência de...

A Refeição Ganha

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Há rios e Rios; uns correm, outros, fazem correr... Naquele tempo, ainda o tempo era o que era. Embora prenúncio de Primavera (marcelista) que não passou de Outono, as alterações climáticas apenas se faziam sentir no aquecimento interno dos ambientes políticos. Sabíamos sempre em que estação estávamos, e se chovia, ventava ou nevava com frio de caramelo, então não havia dúvida nenhuma e estávamos no Inverno (do nosso descontentamento, dizem alguns... maldizentes); agora, se sentíamos o ar a estralejar lentejoulas, havia aquele calor abafado e seco, que nos impede o correr ligeiro na retouça das férias (grandes), isso significava que o Verão viera – e para durar. Entrementes, amenizadas as têmperas, ao aprazível florido das plantas ou chilrear tagarela do passaredo, o cabriolar da criação e o esgaravatar cacarejante das aves de chão com ninhada, ensinando aos pio-pios como se tratava de vida, o óbvio tornava-se certeza, porque Primavera, enquanto se o assim-assim da queda das folhas col...

Mar Santo, de Branquinho da Fonseca

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Mar Santo Branquinho da Fonseca 160 Páginas " Aqui, q'ando não há pêxe, há bailhe, pra enganar... " " Vestidos com as camisas de quadrados de várias cores, ceroulas de fazenda idêntica, atadas em baixo, no tornozelo, na cabeça um barrete preto, comprido, tombado para trás, as costas contra o bojo do barco, empurravam-no para a praia. E a pesada embarcação deslizava sobre as grossas pranchas de madeira – os panais –, que lhe iam atravessando na frente. Um rapazito, "o velho da terra", corria em volta com uma bola de sebo na mão, a esfregar a quilha do batel. Soprava um vento fresco, carregado de maresia, dum cheiro de algas e de sal, que dilatava o peito. " Desta obra, ilustrada ao lado pela capa da 1ª Edição (popular) – sim, digo bem: popular , pois que dela terão havido três primeiras tiragens: uma excepcional, em papel pluma, de cinco exemplares, numerados de I a V, que ficara fora do mercado; outra de 50 exemplares, cada um deles numerados de 1 a 5...

A Vida do Prazenteiro Mestre-Escola Maria Wutz em Aventhal

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A Vida do Prazenteiro Mestre-Escola Maria Wutz em Aventhal Jean Paul Tradução, Notas e Posfácio de Fernanda Gil Costa 82 Páginas “um romance é uma biografia enobrecida ” " Mesmo em troca de uma pensão vitalícia o chantre seria incapaz de imaginar uma casa, na terra inteira, em que nesse instante não fosse domingo e não houvesse sol e alegria. Impossível! " Quem de me dera a mim saber o que são "sílfides transparentes" para as poder convocar a fim de nos permitirem acompanhar a corrente de emoções, sob as quais baterá o coração de cada um, que se arriscar a ler este livro. Sobretudo porque falar de Jean Paul, aquele que foi considerado por muitos o Jean-Jacques Rousseau alemão, embora aqui me lembre melhor do Cândido , de Voltaire, como contraponto, é reportarmo-nos ao Weimar do século XVIII, berço daquele peculiar romantismo que resvalou para os nossos Herculano e Garrett através de Madame Stäel e Henrich Heine. Pseudónimo, aparecido em 1792, de Johan Paul Friedric...

O Homem Ilustrado

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O Homem Ilustrado Ray Bradbury Trad. Eurico da Costa 216 Páginas Os contos que compõem esta colectânea, embora se sucedam de forma inesperada e imprevista, ou cuja não é superintendida por nenhum encadeamento lógico, funcionam estruturalmente como flashbacks extraídos à experiência ilustrada de um homem tatuado com imagens tridimensionais. É no seu corpo/tela que elas se observam e se movem; e cada parte dele, cada centímetro de pele pergaminho, relata uma história inaudita e diferente. Ao narrador, a quem esse homem se junta para passar a solidão da noite, mais não compete que contar o que vê nele; mas o discurso é de Ray Bradbury, recheado de fantasmagorias marcianas – seja lá o que isso for e signifique –, prosopopeias, animismos, projecções irónicas, imagens e demais alucinações típicas do figurativo literário, que abastecem o universo da retórica inebriante surrealista, e nos conduz aos antípodas da estranheza, principalmente daquela que é logicamente possível em ficção científic...

Sherlock Holmes Contra Jack, O Estripador

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Sherlock Holmes Contra Jack, O Estripador Ellery Queen Trad. Eduardo Saló 192 Páginas O plano de fundo que sustenta a presente obra, é das maiores confusões que já alguma vez a literatura engendrou: dois primos (Frederic Dannay e Manfred B. Lee – 1905-1982 –, ambos redactores publicitários, e não obstante tenham passado a vida a discutir), criaram de parceria um narrador-detective, a atender pelo chamamento de Elery Queen, que não só veio a tornar-se mais famoso que os seus criadores como a sobreviver-lhe, porquanto continuam a sair novelas suas, ou da outra parelha suplente (Manford Lepofsky e Manfred Bennington Lee – 1905-1971),sabe-se lá!, que, auxiliado por um playboy com o aristocrático e principesco nome de Grant Ames III, se insurge contra a autoridade de Sir Athur Conan Doyle e sus muchachos , nada mais, nada menos que Sherlock Holmes e Dr. Watson, para a identificação desmascaramento do cruel serial killer londrino, Jack, de cognome, O Estripador . Imaginosamente – ou nem ta...

Vergílio Ferreira, por Maria Joaquina Nobre Júlio

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O Discurso de Vergílio Ferreira Como Questionação de Deus Maria Joaquina Nobre Júlio 350 Páginas Tese de doutoramento da autora, este livro enuncia uma perspectiva teológica de abordagem à obra de Vergílio Ferreira, perspectiva essa que, já em desuso nas análises literárias, ainda se justifica, e é mesmo a mais adequada, em determinados autores onde a presença de Deus, não só pela inquietação ou apaziguamento que lhes facultou, se fez veio ou filão de verve. Portanto, percorrendo todo o corpus literário daquele que, em língua portuguesa, para além de Aquilino Ribeiro, claro está, foi quem mais mereceria o Nobel – sem obstaculizar ao existente e na minha humildíssima opinião –, descobre, raspa, revela, escrutiniosamente, ou como por escrutínio, a questão essencialista do linguajar vergiliano, que é a de decidir se Deus existe ou não, como se estas fossem duas respostas que andassem continuamente a girar na tômbola, havendo tanto para o "sim" como para o "não" as mes...

Um Bilhete de Lotaria, de Júlio Verne

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Um Bilhete de Lotaria Júlio Verne Trad. J. Lima da Costa 264 Páginas A ficção de Júlio Verne não é apenas mais um registo literário de antecipação e ficção científica; é também, e principalmente, uma narrativa de costumes e tradições, um apanhado etnográfico, um relembrar do passado sob o pretexto do futuro, e uma reactualização dos valores humanos tão essenciais, quão comuns ao nosso tempo, como a família, a fidelidade, a fraternidade e a amizade, a responsabilidade e o compromisso, o trabalho e a sabedoria, a entre-ajuda e a partilha, a gratidão e a tenacidade, a fé e a esperança. (Que ainda continua verde, como sabeis!) À parte disto, é inclusivamente, um autêntico tratado de psicologia infantil. Mas um manual muito especial, porquanto a terminologia, a linguagem em que se enuncia e expressa, o vocabulário que utiliza, obriga a uma leitura activa, de atenção contínua às prolepses e analepses, com bastantes retomadas de ponto e constantes consultas ao dicionário, tornando-a mais conv...

Grupo de Leitura READCOM, de Portalegre

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O Estranho Caso do Cão Morto Mark Haddon A próxima sessão do Grupo de Leitura READCOM-IPP, de Portalegre , a realizar no lugar costumeiro, e à hora de sempre (18 horas), no dia 18 de Junho, excepcionalmente uma quarta-feira, incidirá sobre os temas Relacionamentos , Literatura de Transição e Ser Diferente , tendo por ponto de partida e motivo principal, o livro de Mark Haddon, O Estranho Caso do Cão Morto , o que, nem de propósito, é igualmente um híbrido multifacetado, oscilando continuamente entre o policial, o cor-de-rosa, o drama psicologista, a novela realista, Banda Desenhada e o romance de ficção científica, cuja actualidade e pertinência tem suscitado tanto interesse como pertinaz polémica, além de inúmeras edições em diversos idiomas. No dizer do autor, em oportuna entrevista, uma criação que lhe surgiu inspirada pela "imagem de um cão morto trespassado por um garfo", ela mesma símile do típico "há cachorros quentes", dístico com que frequentemente se anun...

Os Tambores dos Dragões

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Os Tambores dos Dragões ( Dragondrums ) Anne McCaffrey Trad. Eduardo Saló 256 Páginas Depois de impressionar um lagarto de fogo, há que alimentá-lo, cuidá-lo e protegê-lo. Mas depois de crescido, é ele quem nos protege, pois está melhor adaptado, e familiarizado, com as circunstâncias ambientais, ou às variações e perigos do ecossistema. Em troca da alimentação e afecto despendidos na sua formação, executará todas as tarefas de que o incumbirmos, principalmente as relacionadas com a recolha e transmissão de informações. Eis as bases práticas da simbiose mantida entre os colonos terrestres e os autóctones do "Planeta dos Dragões". Piemur é um jovem solista, soprano, que perdeu a aguda fineza da voz com a mudança de idade. Oriundo de um meio social e económico pouco esclarecido e referenciado, uma aldeia de pastores, que o individualiza e caracteriza, emprestando-lhe aquela rusticidade peculiar aos desfavorecidos mesmo quando dotados de talento, é porém senhor de extraordinária...

A Terra é Uma Boa Ideia, de James Blish

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A Terra é Uma Boa Ideia James Blish Trad. Alexandre Tavares 2 Volumes: 192+192 Páginas No futuro intergaláctico, ou mundo interestelar, as cidades itinerantes, para sobreviverem, têm que recorrer aos produtos e matérias-primas dos planetas, principalmente aos fármacos e combustíveis. Para os adquirirem, pagam-nos em dinheiro ou em trabalho. Estabelecem contratos com as sociedades hospedeiras. Se os não cumprem integralmente, então tornam-se proscritas. E passam a ser denominadas por cidades-vagabundas (que fugitivas da polícia aportam novos mundos ou são exploradas como mão-de-obra barata), ou cidades-piratas, por se abastecerem à custa das outras cidades e planetas, através do saque e da vigarice. Mas ao espaço-quando universal, em que os homens e mulheres são quase eternos – graças aos antiágicos ou medicamentos antimorte – e as cidades voadoras, que milhares de anos envelheceu e desgastou, avizinha-se o caos e a crise estrutural e organizativa, facultando e permitindo a formação de...

A Face Oculta de Kennedy

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A Face Oculta de Kennedy Seymour M. Hersh Trad. Clarisse Tavares 469 Páginas. Kennedy era sexista, mulherengo, vingativo, despótico, drogado, arrivista e (potencialmente) homicida. Fidel Castro, se JFK não tivesse sucumbido no atentado de Dallas, em 22 de Novembro de 1963, a mais negra sexta-feira americana, provavelmente ainda hoje estaria (por razões pessoais) sobre a mira dos “mafiosos” do presidente, que nunca lhe perdoou o fracasso da Baía dos Porcos/Operação Mangusto. E um homem que, a intervalos regulares de seis horas, dava a si mesmo injecções, mas que os mass media transformaram num mito, não só para os seus compatriotas, como também para uma das partes acinzentadas do mundo a preto e branco dos imperialismos. Oriundo de uma família bem instalada no establishment, cujo lema era NÃO SE IRRITEM – DESFORREM-SE, capazes de tudo para atingirem os seus objectivos, ou de optarem pelo errado desde que conveniente e lucrativo, viciados em sexo e poder, racistas, que passaram mais de...