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A Lição de Burke

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Da Teoria Missionária e Expansionista dos Rústicos e Campónios... "Eles defendem os seus erros como se estivessem a defender uma herança." E. Burke É bastante comum depararmos com gente que parece regular mas, passados momentos, como às maçãs vistosas em cujo interior mina a lagarta da fruta, notamos que estão estragados, ou estragadas, por dentro, precisamente naquele pomo que mais importa à (com)textura da alma, que é a mentalidade. Merecem a nossa compaixão, é certo, a nossa pena e dó, é indubitável, todavia deve ter-se cuidado quando nos aproximamos, não por isso ser contagioso, ou veicular pessonha, antes sim para os não levarmos a sério nem termos em conta quanto dizem ou fazem, pois se o fizermos estaremos indiscutivelmente em sarilhos, sobretudo com eles e elas, porquanto ouvir e respeitar uma pessoa que não se ouve e muito menos se respeita é acto perigoso do qual pode resultar dano grave, a quem não se precaver atempadamente. Porque não aprenderam a estar e a ser, e...

O Condão dos Mírdeas!

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"– E isto, conheces? Conhecer apenas metade é perigoso. Bebe até não poderes mais ou não bebas da fonte das Musas. Aí, as águas de superfície intoxicam o cérebro, mas se bebes à saciedade, receberás a lucidez . Pope, no mesmo ensaio. Então, como te sentes, depois disto? Montag mordeu o lábio. " Ray Bradbury, in Fahrenheit 451 Agora que a Espanha é campeã mundial, não restam dúvidas nenhumas: eles, os espanhóis, até quando estão mal são muito melhores do que nós, em tudo, da economia ao desporto, da cultura à democracia, uma vez que não se deixam intimidar por quaisquer laranjinhas bichadas que andem a abrir sites de conteúdo pornográfico nas bibliotecas, escolas e locais públicos de Internet, só para terem o prazer de carregar de vírus os attaches de quem mais frequente esses organismos ou instituições, cujo fim, último e primeiro, é o de partilhar facultando aceder ao conhecimento, propiciando a sociedade para todos e a participação democrática, em igualdade e enraizado e...

Todas as Revoluções Começam com Flores...

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No jardim da Celeste: Giroflé-giroflá "Também é dos livros, que todos os comandantes em chefe, entre as lutas que sempre perdem, ganham e planeiam." – Lídia Jorge, in O Cais das Merendas Conforme o fait-divers do Público 2, de sexta-feira passada, ontem, dia 9 do mês de Júlio César, do ano da (des)graça PEC, os jasmins, essas odorosas gardénias galegas hermafroditas de flores brancas ou purpurescentes – ai credo, cruzes-canhoto!... –, além de vistosas podem pôr um homem a dormir só com o efeito de uma lufada, porquanto são senhoras de um mecanismo molecular de acção sobre o cérebro humano igual ao dos barbitúricos e ansiolíticos mais correntes, cujo efeito é tão forte como o dessas drogas, proclama o dito jornal, por assim o ter constatado no Journal of Biological Chemistry , e na sequência da descoberta de duas fragrâncias nesta flor, pela equipa de Hanns Hatt, da Universidade de Ruhr, na Alemanha. A notícia por si só é já um portento, agora o maior impacto deve-se sobretu...

Para Esse Peditório Já Dei

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E Viva a República! "Quando vi a víbora cegui os olhos. Alavanti a saia, brandi a cana, uma, duas, três, sete e vinte vezes, sobre a cabeça da bicha. Ela era azul, castanha e delgada. Assim. (...) Parecia um pensamento. Ali no chão. Di-lhe bem umas trinta canadas sobre a espinha e cabeça." In O Dia dos Prodígios , de Lídia Jorge. É significativamente lamentável que aquelas pessoas que tão veementemente se insurgiram contra os teores e conteúdos das minhas Crónicas (In)Divisas , saídas então no jornal portalegrense Fonte Nova , sobretudo quando nelas me referia a actos de gestão da coisa pública, em que salientava a necessidade de se estabelecerem voluntariamente medidas e políticas concretas com vista a objectivar a sustentabilidade, a contemplá-la, garanti-la e reforçá-la, porquanto corríamos o risco de num futuro próximo virmos a fazê-lo obrigatoriamente , pela pertinácia pouco esclarecida e forçosa do tem-que-ser que, como todos muito bem sabemos, tem muita força, não v...

As Tentações do Je Ne Sais Quoi

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As Tentações do Je ne sais quoi! Esse escorreito e rudimentar, senão atalho malévolo, esse não-sei-quê com que se pretende reduzir (na qualidade) as obras de arte à banalidade de um mistério, ou (in)definição de (in)suspeitável gosto, espécie de "se não percebo então é porque deve ser bom", que muitos exibem como pedra-de-toque para avaliar as demais por essas, atirando para o redil do surrealismo quantas se imbriquem na associação livre da imagética e da sinestesia, pondo de um lado as que têm esse não-sei-quê que nos arrebata pela incompreensão delas, e do outro, as estruturadas mas simples, por acaso consideradas menores, uma vez que explicam ao contrário das primeiras, que confundem, complicam, expressando fusões inconcebíveis entre parafraseados inconfundíveis, que desde o jazz ao Kusturica foram expulsos pela ecolália Dada, dos paraísos dos direitos de autor, bem como do das parangonas multimédias e escaparates maiores, como quem assenta os alfabetos com o tijolo e c...

Camisola Nova Para Enredos Velhos

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"O filme é uma música que chega até nós através da vista." Élie Faure Sim, desta vez é que eu mudo para a social democracia, porque agora sim tenho um partido onde posso ser eleito para depois governar sem oposição interna (e externa), o que é um verdadeiro filão de boas ideias para implantar a ditadura com que sempre sonhei, tornar-me o salvador da minha espécie e ídolo garantido das demais, mesmo da pátria (dissolvente), se a tanto vierem a mim os bravos de antanho rejuvenescidos, sim, cantando e rindo, levados pela bruma no nevoeiro da memória. Porque o que de melhor e mais atractivo tem a nossa democracia, são estas mudanças de alterne que nos facultam os seus partidos, porquanto um deles, e dos maiores, consegue ser tudo quanto há nos compêndios de história – e de anatomia do Estado – ao mesmo tempo, o PSD, que na Assembleia da República é anarquista, abstendo-se frequentemente na votação dos itens fundamentais à governância, estalinista no Congresso onde aprova regras s...

Torcer o Rabo à Porca

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A bem da nação, os deputados aprovaram, ontem, sexta-feira 12.03.2010, recorrendo à abstenção, o catecismo da actividade governamental até à próxima rectificação orçamental, adiando-a mas não evitando-a, que ninguém lhe paga para fazerem aquilo que podem e unicamente quanto querem, garantindo mais um ano sem fumeiro às famílias votantes deste nosso torrão à beira da Europa enguitado, como paio de toucinho, que a carne é para exportação e quem está habituado a gorduras não deve alterar dietas alimentares, pois as mudanças drásticas acarretam esforço de adaptação suplementar e onerosas dificuldades de (di)gestão. Torcer o rabo à porca sem tirar as mãos dos bolsos é tarefa para crânios geniais, apenas comparáveis aos dos mentores do popular faz força que eu impo com que, no tempo da outra senhora, a luta de classes se instituía por esses pousios fora, no amanho de mais um subsidiozinho para comprar um jeep novo, montar apartamento para a Severa do dia ou pagar a estadia em Coimbra ao r...

KISS, KISS

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"Os deuses atraem com promessas aqueles que querem destruir." C. Connoly É preciso ter descaramento e ser muito cínico – para não lhe chamar outra coisa mais apropriada e consentânea ao momento histórico que atravessamos –, para esbanjar mais de 300 mil € numa missa, por sinal bem menos atractiva do que as do padre Borga e sem qualquer perspectiva de milagre em vista, ou sem este estar claramente agendado (e garantido) no programa do evento, a não ser daqueles que logicamente derivam da dança da chuva, que já os pré-históricos peles-vermelhas praticavam, exactamente num momento em que a chuva é de todas as coisas a que nos sobra e não nos faz falta absolutamente para nada, nem para encher o Alqueva que já está a transbordar pròs Guadianas da nossa secura, mas pelo contrário, apenas nos vai fazer apodrecer mais os nabos, sujeitos esses que se encontram presentemente aboborados e adormecidos no lodo dos dias, graças, se calhar, à modorra orçamental sob o anticiclone do PEC naci...

Até aos Intés da Alma (que nos contempla)

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Tanto Gigélia Hirondina, quer eu, não havíamos planeado qualquer encontro. Demais a mais, estávamos nas férias do Natal. E, se durante as aulas era uma constante sem compromisso o vermo-nos (e ouvirmo-nos), em Casal Parado, ou nos transportes públicos, quando regressávamos no autocarro da Câmara Municipal que presta serviço à cultura e transbordo de estudantes no concelho, naquela manhã de Dezembro, que nem parecia do recém-nascido Inverno, dado o tempo primaveril que se fazia sentir, nenhum de nós pressentia ou sequer imaginava que iríamos ver-nos, assim, frente a frente, com um daqueles sorrisos felizes que tudo prometem e oferecem dobrado com expoente dez: mas foi o que sucedeu. Às onze horas, exactamente onze horas, sem mais coisa, menos coisa, e ninguém na rua que pudesse reparar em nós. Saído da Av. dos Serafins, eu descia a Rua da Igreja, que ela subia, de saco de plástico amarelo do supermercado com mercearias, produtos alimentares em conserva ou outros empacotados para igual f...

Alterações de Espírito

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Estranhamente observável na sessão inaugural, Sinais de Fogo – que fogo? Amigo? Inimigo? De artifício? Ou apenas de fumo ? –, pela nomenclatura, formato e coreografia , este boletim talk show dos pequeninos pareceu um recado encomendado pela questão coimbrã, em versão eleitoral semi-presendialista, para não contrariar o regime, com o fim de cortar à faca afiada da retórica e da semiótica social-democrata das primaveras marcelinas, em declarada versão remix das Conversas Em Família com direito a visitas (especiais ou espaciais, não se sabe bem...), condimentada com um apimentado gosto pelas quezílias comezinhas e domésticas, tipo marceladas em sofisticada bancada gastronómica da ML Modesto, na insensatez da guerra (fratricida) entre géneros, com vista a pôr os bons e os maus no mesmo plano (familiar), dando-lhe voz, é indesmentível, mas fazendo a inevitável separação consequente à evidentemente clara diferença que entre eles existe: uns, os bons querem retocar apenas a maquilhagem ...

Sinais de Figos

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Radical, eu... Pois sim, mas nunca corrompi nem estraguei o presente ou o futuro a ninguém! A capacidade de reacção e o grau de resiliência sócio-económica da Madeira, após a catástrofe natural que a vitimou, foi um «auguentem-se» de se lhe tirar o chapéu, que irá dar água pela barba aos políticos e demais gestores da coisa pública do «contenente», porquanto em menos de uma semana, depois dos efeitos devastadores das avalanches de terra e água, que soterraram, destruíram, atolaram, afogaram e entupiram centros nevrálgicos da urbanidade e quotidiano dos madeirenses, ei-los recuperados e lavados de fresco, a que nem o impiedosamente lamentável número de mortes, conseguiu abstrair-nos da ideia que a Ilha foi apenas sujeita a mais uma barrela para lhe arear os brios, limpeza assaz necessária se considerarmos o muito encardidas que andavam algumas línguas a dar ao trapo da lobística nacional-beneditina e arquipélagos adjacentes, sobretudo se atendermos a que aqui bem perto, no Litoral Oeste...