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Entre Bocas e Bocanas, assim passam as semanas

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Entre Semanas, Bocas e Bocanas "Estava-se nessas desconformidades quando surgiu em nossa frente um cabrito malhado. O bicho destoava das solenidades. O administrador arreganhou em surdina: – Quem é esse cabrito? – De quem é... – o secretário corrigiu, discreto. – Sim, de quem é essa merda? – Esse cabrito não será dos seus, Excelência?" In O Último Voo do Flamingo , de Mia Couto Há bocanas e bocanas. E se cada um é como cada qual, sendo no todo ou em parte diferente do outro, seu semelhante, posto que ímpar e sem igual, no feitio como nas atitudes, o que é certo, é que são todos uma cambada de sacanas. Incapazes de sentir empatia, abespinham os demais, desde que em algo eles sobressaiam daquilo com que os rotularam, ou a ideia que deles fizeram, cultivaram, difundiram e admiraram. Insistiram e determinaram. Atribuíram como única possível, concebível e lógica. Por exemplo, quando desgostam de uma pessoa, mas gostam/simpatizam com outra, que é sua familiar ou irmã, e se esta, a...

Cultura e Civilização, o que são?

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A Generosa Perfeição da Dúvida "Ó deusa Sol de Arina, rainha de todos os países! No país hitita, tens o nome da deusa Sol de Arina, Mas no país que tu fizeste país dos cedros, Tens o nome de Hegat!" da Tabuinha de Puduhepa Se até quanto à denominação dos mesmos deuses nos sucede às vezes adorar um sob o nome de outro, ou outro com igual nome daquele que invocamos, então, a mínima dúvida há de ser sempre preferível à maior, absoluta e mais preciosa e pura das certezas, no X de um voto sobre o quadrado da existência. Desconheço quais sejam, efetivamente, os motivos e argumentos que levam alguns pensadores da atualidade a separar o conceito de cultura do seu congénere, o conceito de civilização , posto ser impercetível a fronteira entre ambas, cujas funções e estrutura se igualam e identificam, como igualmente se aplicam ao quotidiano, na sua crítica à natureza , principalmente à natureza humana, se no universo da ética navegamos, afastando cada vez mais o indivíduo das suas or...

Mudam-se os tempos mas a crise é sempre a mesma

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Os Amigos da Dívida "Tu estás tão acorrentado À sombra que tens ao lado Não consegues apagar As marcas desse passado (...) Mas se isso acontecer És mais um a flipar Mas se tu queres acabar Ó que tu queres é drunfar Toma um comprimido Toma um comprimido Toma um comprimido que isso passa" António Variações, in Toma o Comprimido A China produz, os chineses vendem. E compram. E negoceiam. E até endossam ou emprestam, se nisso perspectivarem benefícios chorudos. Ainda sou do tempo, apetece dizer, para melhor o registar, como memória futura (???), em que se acreditava que os japoneses, a potência da sua economia, os seus elevados desenvolvimento, crescimento e situação financeira, seriam os "chineses" que nos salvariam das profundas agruras de uma crise (exaustivamen¬te) anunciada. Confirmada. Útil. E continuamente sujeita a novos ajustes e actualizações, agravamentos ou dificuldades, que afinal são o idílico sonho de qualquer político, para camuflar (ou disfarçar) a sua...

Quando se casquina não se assobia!

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As Hienas Riem Por Despeito «O cérebro de Fradique está admiravelmente construído e mobilado. Só lhe falta uma ideia que o alugue, para viver e governar lá dentro. Fradique é um génio com escritos!» (...) O extenso saber de Fradique também não o impressionava. «As noções desse guapo erudito (escrevia ele em 1879) são bocados do Larousse diluídos em água-de-colónia.» José Maria Eça de Queiroz, in A Correspondência de Fradique Mendes É enternecedor ver como as hienas se lambuzam e enfartam com as sobras do vomitado dos homens, e como se põem aos magotes a destilar peçonha, ou a debandar batendo os cascos com estrondo no soalho, abanando o traseiro como cadelas saídas, desertas de um macho que se lhes empine e as cubra com dotes de Alter Real. E enternecedor, sobretudo, porque se acham mal recompensadas para tanto, uma vez que não fazem absolutamente mais nada e é daí que têm lamber o seu sustento. A Geografia Nacional dá conta disso num dos seus documentários acerca da vida selvagem ...

O Ninho

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Ele é respigador; Ela, é cantadeira. Quiseram uma casa maior, Fizeram-no à minha beira.

Vida Breve

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Ó rugas de tanto rir Neste mundo de sofrimento, Se o pior está pra vir, O melhor é a falta de tempo!

Ah, Fado!!...

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Diz-se que este tempo não é para risadas e chalaças Posto nele andar meio mundo a cornear o outro meio, E bem sabemos em muitos as virtudes serem desgraças Dos que pelas cornadas foram apanhados em cheio.

A Lição de Burke

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Da Teoria Missionária e Expansionista dos Rústicos e Campónios... "Eles defendem os seus erros como se estivessem a defender uma herança." E. Burke É bastante comum depararmos com gente que parece regular mas, passados momentos, como às maçãs vistosas em cujo interior mina a lagarta da fruta, notamos que estão estragados, ou estragadas, por dentro, precisamente naquele pomo que mais importa à (com)textura da alma, que é a mentalidade. Merecem a nossa compaixão, é certo, a nossa pena e dó, é indubitável, todavia deve ter-se cuidado quando nos aproximamos, não por isso ser contagioso, ou veicular pessonha, antes sim para os não levarmos a sério nem termos em conta quanto dizem ou fazem, pois se o fizermos estaremos indiscutivelmente em sarilhos, sobretudo com eles e elas, porquanto ouvir e respeitar uma pessoa que não se ouve e muito menos se respeita é acto perigoso do qual pode resultar dano grave, a quem não se precaver atempadamente. Porque não aprenderam a estar e a ser, e...

O Condão dos Mírdeas!

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"– E isto, conheces? Conhecer apenas metade é perigoso. Bebe até não poderes mais ou não bebas da fonte das Musas. Aí, as águas de superfície intoxicam o cérebro, mas se bebes à saciedade, receberás a lucidez . Pope, no mesmo ensaio. Então, como te sentes, depois disto? Montag mordeu o lábio. " Ray Bradbury, in Fahrenheit 451 Agora que a Espanha é campeã mundial, não restam dúvidas nenhumas: eles, os espanhóis, até quando estão mal são muito melhores do que nós, em tudo, da economia ao desporto, da cultura à democracia, uma vez que não se deixam intimidar por quaisquer laranjinhas bichadas que andem a abrir sites de conteúdo pornográfico nas bibliotecas, escolas e locais públicos de Internet, só para terem o prazer de carregar de vírus os attaches de quem mais frequente esses organismos ou instituições, cujo fim, último e primeiro, é o de partilhar facultando aceder ao conhecimento, propiciando a sociedade para todos e a participação democrática, em igualdade e enraizado e...

Todas as Revoluções Começam com Flores...

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No jardim da Celeste: Giroflé-giroflá "Também é dos livros, que todos os comandantes em chefe, entre as lutas que sempre perdem, ganham e planeiam." – Lídia Jorge, in O Cais das Merendas Conforme o fait-divers do Público 2, de sexta-feira passada, ontem, dia 9 do mês de Júlio César, do ano da (des)graça PEC, os jasmins, essas odorosas gardénias galegas hermafroditas de flores brancas ou purpurescentes – ai credo, cruzes-canhoto!... –, além de vistosas podem pôr um homem a dormir só com o efeito de uma lufada, porquanto são senhoras de um mecanismo molecular de acção sobre o cérebro humano igual ao dos barbitúricos e ansiolíticos mais correntes, cujo efeito é tão forte como o dessas drogas, proclama o dito jornal, por assim o ter constatado no Journal of Biological Chemistry , e na sequência da descoberta de duas fragrâncias nesta flor, pela equipa de Hanns Hatt, da Universidade de Ruhr, na Alemanha. A notícia por si só é já um portento, agora o maior impacto deve-se sobretu...

Para Esse Peditório Já Dei

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E Viva a República! "Quando vi a víbora cegui os olhos. Alavanti a saia, brandi a cana, uma, duas, três, sete e vinte vezes, sobre a cabeça da bicha. Ela era azul, castanha e delgada. Assim. (...) Parecia um pensamento. Ali no chão. Di-lhe bem umas trinta canadas sobre a espinha e cabeça." In O Dia dos Prodígios , de Lídia Jorge. É significativamente lamentável que aquelas pessoas que tão veementemente se insurgiram contra os teores e conteúdos das minhas Crónicas (In)Divisas , saídas então no jornal portalegrense Fonte Nova , sobretudo quando nelas me referia a actos de gestão da coisa pública, em que salientava a necessidade de se estabelecerem voluntariamente medidas e políticas concretas com vista a objectivar a sustentabilidade, a contemplá-la, garanti-la e reforçá-la, porquanto corríamos o risco de num futuro próximo virmos a fazê-lo obrigatoriamente , pela pertinácia pouco esclarecida e forçosa do tem-que-ser que, como todos muito bem sabemos, tem muita força, não v...

As Tentações do Je Ne Sais Quoi

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As Tentações do Je ne sais quoi! Esse escorreito e rudimentar, senão atalho malévolo, esse não-sei-quê com que se pretende reduzir (na qualidade) as obras de arte à banalidade de um mistério, ou (in)definição de (in)suspeitável gosto, espécie de "se não percebo então é porque deve ser bom", que muitos exibem como pedra-de-toque para avaliar as demais por essas, atirando para o redil do surrealismo quantas se imbriquem na associação livre da imagética e da sinestesia, pondo de um lado as que têm esse não-sei-quê que nos arrebata pela incompreensão delas, e do outro, as estruturadas mas simples, por acaso consideradas menores, uma vez que explicam ao contrário das primeiras, que confundem, complicam, expressando fusões inconcebíveis entre parafraseados inconfundíveis, que desde o jazz ao Kusturica foram expulsos pela ecolália Dada, dos paraísos dos direitos de autor, bem como do das parangonas multimédias e escaparates maiores, como quem assenta os alfabetos com o tijolo e c...

Camisola Nova Para Enredos Velhos

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"O filme é uma música que chega até nós através da vista." Élie Faure Sim, desta vez é que eu mudo para a social democracia, porque agora sim tenho um partido onde posso ser eleito para depois governar sem oposição interna (e externa), o que é um verdadeiro filão de boas ideias para implantar a ditadura com que sempre sonhei, tornar-me o salvador da minha espécie e ídolo garantido das demais, mesmo da pátria (dissolvente), se a tanto vierem a mim os bravos de antanho rejuvenescidos, sim, cantando e rindo, levados pela bruma no nevoeiro da memória. Porque o que de melhor e mais atractivo tem a nossa democracia, são estas mudanças de alterne que nos facultam os seus partidos, porquanto um deles, e dos maiores, consegue ser tudo quanto há nos compêndios de história – e de anatomia do Estado – ao mesmo tempo, o PSD, que na Assembleia da República é anarquista, abstendo-se frequentemente na votação dos itens fundamentais à governância, estalinista no Congresso onde aprova regras s...

Torcer o Rabo à Porca

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A bem da nação, os deputados aprovaram, ontem, sexta-feira 12.03.2010, recorrendo à abstenção, o catecismo da actividade governamental até à próxima rectificação orçamental, adiando-a mas não evitando-a, que ninguém lhe paga para fazerem aquilo que podem e unicamente quanto querem, garantindo mais um ano sem fumeiro às famílias votantes deste nosso torrão à beira da Europa enguitado, como paio de toucinho, que a carne é para exportação e quem está habituado a gorduras não deve alterar dietas alimentares, pois as mudanças drásticas acarretam esforço de adaptação suplementar e onerosas dificuldades de (di)gestão. Torcer o rabo à porca sem tirar as mãos dos bolsos é tarefa para crânios geniais, apenas comparáveis aos dos mentores do popular faz força que eu impo com que, no tempo da outra senhora, a luta de classes se instituía por esses pousios fora, no amanho de mais um subsidiozinho para comprar um jeep novo, montar apartamento para a Severa do dia ou pagar a estadia em Coimbra ao r...

KISS, KISS

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"Os deuses atraem com promessas aqueles que querem destruir." C. Connoly É preciso ter descaramento e ser muito cínico – para não lhe chamar outra coisa mais apropriada e consentânea ao momento histórico que atravessamos –, para esbanjar mais de 300 mil € numa missa, por sinal bem menos atractiva do que as do padre Borga e sem qualquer perspectiva de milagre em vista, ou sem este estar claramente agendado (e garantido) no programa do evento, a não ser daqueles que logicamente derivam da dança da chuva, que já os pré-históricos peles-vermelhas praticavam, exactamente num momento em que a chuva é de todas as coisas a que nos sobra e não nos faz falta absolutamente para nada, nem para encher o Alqueva que já está a transbordar pròs Guadianas da nossa secura, mas pelo contrário, apenas nos vai fazer apodrecer mais os nabos, sujeitos esses que se encontram presentemente aboborados e adormecidos no lodo dos dias, graças, se calhar, à modorra orçamental sob o anticiclone do PEC naci...