La vida es un tango y el que no baila es un tonto

La vida es un tango y el que no baila es un tonto
Como do recato dos tempos aos tempos recatados

Página a página, pedra a pedra, de seta em seteira aberta

Página a página, pedra a pedra, de seta em seteira aberta
Se abrem no muro, as frechas do futuro, por frincha desperta

5.10.2019

TEMA DO FILME PEQUENO PRINCIPE - LILY ALLEN - SOMEWHERE ONLY WE KNOW - HD

A GRANDE AJUDA





A GRANDE AJUDA


“É essencial gerir a fome;
A fartura gerida está.”
“Comer muito também nos come,
Sobretudo no melhor que há.”
“O que sobra não se consome,
Que a gordura, gordura dá.”
“Bola de sebo não é nome,
Nem rebola onde quer que vá.”

Tudo coisas já bem sabidas
Plos mais comuns dos mortais,
Prò governo de suas vidas
A ver se duram um pouco mais
Do que era comum ou vulgar...
– A fome também ajuda a durar!

Joaquim Maria Castanho
Com foto de Elie Andrade

5.09.2019

TANTA MORTE PARA NADA


   


TANTA MORTE POR NADA...


Toca na luz a asa estreme
Polindo sombras e arestas;
Usa os pólens como creme
Pra tapar cerzindo as frestas
Com arraiais ribeirinhos
E daquelas marchas funestas
Que se exibem plos pelourinhos,
Plos altares das ordens pagãs
Onde, com olhos esgazeados,
Loucos mataram pessoas sãs
Por terem sido doutrinados
Por outros loucos endeusados...
Coisas acontecidas outrora
Quando éramos antigos,
Mas que esquecemos agora
Porque temos outros perigos.


Porém, memória salva também,
Não do passado mas futuro,
E que nunca o olvide ninguém:
Tantas crianças foram mortas
Por o mundo lhes fechar as portas
Somente em troca dum muro!

Joaquim Maria Castanho
Com montagem de Elie Andrade, em memória de todas as crianças judias mortas pelos nazis durante a Segunda Guerra Mundial, 1939-1945.

Sorrow PINK FLOYD (tradução)

12.11.2018

BOM ANO NOVO




BOAS FESTAS! FELIZ NATAL! 
ANO NOVO DE EXCEÇÃO! 
E que a PAZ UNIVERSAL
Traga harmonia à tradição. 

Eis quanto vos desejo
Minhas amigas, amigos meus: 
PROSPERIDADE e FESTEJO, 
Seja qual for vosso Deus. 

NAMASTÉ _/|\_ 

11.26.2018

A VISITAÇÃO





AUTO  DA  VISITAÇÃO 

1.

Chiam travões, bate uma porta
E a tarde perde a calma monótona.
A mosca abandona a migalha sobre a mesa;
Há ainda a bolsa do casqueiro
A corna das azeitonas
Um pichel destapado 
Uma rodilha sobre o oleado
Um corcho de cortiça
Um cântaro com a asa partida. 


«Quem será?» ... os patrões foram a banhos,
O gado está no curral, 
O carteiro já veio esta semana.
A terra não pode com amanhos,
As searas foram vendidas;
Crescem olhos tamanhos – quem será??

2.

Ressalva-a, emenda a voz
Estende os braços aos rés do tempo
Ao degrau da entrada, à sombra 
Do umbral a moldura faz.


Pestaneja quando eu chegar!
Diz do trigo a colheita sólida
Do fruto a amora brava,
O suco revertendo do olhar,
Posto lá na linha da planície
Mais perto do mar do céu
Que barcos sonhos navegam
Na desvendação do futuro.


Deixa uma calça arregaçada sobre
As fivelas de couro com sola de pneu
O boné dependurado do trinco;
A porta a esconder-se na penumbra.


À telefonia... Essa, que soe baixo
Que a hora é de sesta.


Tem para mim um sorriso
De quem percebe porquê o sol

Tão quente, a fralda de fora.


Depois enxota uma mosca
Enrola um cigarro
E volta a entrar como se nada fosse...

«Maria!?! É o teu filho que chegou.
Partimos a melancia maior!!»


Joaquim Maria Castanho

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