La vida es un tango y el que no baila es un tonto

La vida es un tango y el que no baila es un tonto
Como do recato dos tempos aos tempos recatados

Página a página, pedra a pedra, de seta em seteira aberta

Página a página, pedra a pedra, de seta em seteira aberta
Se abrem no muro, as frechas do futuro, por frincha desperta

12.01.2019

RENOVAR A ESPERANÇA





ANO NOVO ESPERANÇA NOVA

Úrsula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia (CE), que inicia hoje o seu mandato, decretou como direção de trabalho, para si e demais 26 comissionários que a secundam nas funções, a de colocar a União Europeia (UE) na liderança mundial do combate às alterações climáticas, promovendo a transição geracional para a neutralização carbónica, dentro de uma sociedade obrigatoriamente justa e inclusiva, da qual a sociedade portuguesa é uma parcela inequivocamente próxima para todos e todas que se expressam e entendem em português, independentemente do grau açucarado de suas pronúncias. E isto não tem volta, embora haja quem insista (obtusamente) em contrariar a diretriz, reivindicando-se saudoso ou saudosa disto ou daquilo, enfim, de tudo quanto, já nos tempos do António Mourão, era mais velho que a Serra d'Ossa, intitulado Ó Tempo Volta Pra Trás, porquanto não voltou naquela altura e muito menos o fará agora. A brecha entre o passado e o futuro está cada vez mais larga, não só porque a duração da vida é maior, mas também porque a humanidade aumentou o seu grau de literacia e consciência cívica, bem como o presente se solidificou e a determinação racional é superiormente objetiva.

Portanto a grande questão a que a atualidade nos convoca, já não é saber se queremos ou não combater as alterações climáticas, mas sim se ainda vamos a tempo para o fazer e como agir para minimizar os danos que esse atraso está a provocar. A economia verde, o Green Deal (Pacto Ecológico Verde) e a redução em 50% das emissões de dióxido de carbono, por tardios, podem não chegar para atingir os parâmetros do Acordo de Paris – manter o crescimento do aquecimento global abaixo dos 2 graus celsius –, pelo que a maioria das organizações e instituições científicas credíveis nesta matéria aconselham uma redução mais significativa, na ordem dos 65%, por exemplo, até 2030.

A UE prepara-se para dar um passo importante no combate às alterações climáticas e pugnar pelo equilíbrio da ecosfera, mas se não for acompanhada nesse movimento pela China, EUA e restante países da América do Sul, de África e da Ásia, sujeita-se a marcar passo e ficar sozinha nessa frente, o que é um desperdício de esforço, capital e boa-vontade, uma vez que os resultados visíveis serão nulos, pouco objetivos e ineficazes nesse combate que deveria ser global, considerando que vai beneficiar o planeta e toda vida que alberga. A neutralidade carbónica é essencial para alcançar melhorias visíveis acerca das alterações climáticas mas, conforme se verificará, mesmo que alguns países reduzam em 80% as suas emissões de dióxido carbono, se os seus vizinhos e vizinhos de seus vizinhos não colaborarem, não passará de mais uma pedrada no charco, provocando algumas ondinhas à superfície, o que significa, tal como na anedota do ébrio que tinha bebido vinho tinto e vinho branco em igual abundância, ao cambalear para passar numa ponte, tanto os países ricos como os países em vias de desenvolvimento, se se não entenderem, nesta questão, o mais certo é irmos todos e todas prò charco, enfim, entrarmos num viagem às catacumbas do inferno sem regresso possível.

Úrsula von der Leyen é uma batalhadora sensata e positiva, bem acompanhada e esclarecida nas intenções, capaz e eficiente, com provas dadas e com entrega total ao seu míster. Acredito que tudo fará para conseguir superar estes desaguisados e imaturidades que nos entravam ainda o progresso e sustentabilidade planetária. O Parlamento Europeu já declarou a emergência climática para lhe facilitar a tarefa, dando o pontapé de saída nesse combate, mas seria agora tempo de os restantes parlamentos dos países europeus se lhe manifestassem solidários, subscrevendo e outorgando nesse sentido a sua cumplicidade plena, objetiva e prática, incluindo o nosso, sobretudo porque está localizado em Lisboa, que foi escolhida como Capital Verde Europeia para o ano 2020, ainda que outras razões imperativas não tivesse... Será que vão demorar muito a fazê-lo ou preferem antes dar-nos uma prenda de Natal concreta e valorosa? Seria como recarregar a bateria da esperança para entrarmos no Ano Novo.

Joaquim Maria Castanho

11.16.2019

COMO BOLHAS IMACULADAS


  


AS BOLHAS IMACULADAS

Tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós, porque esta é a lei dos profetas.” – Mateus 7, 12 e Lucas 6, 31

Acautelar a biodiversidade, qualidade do ar, recursos hídricos, economia circular, tratamento de resíduos, gestão racional dos recursos biológicos, seriedade na gestão e ordenamento do território, remoção dos plásticos de fundo do mar e albufeiras, acuidada conservação da natureza, bem como ter uma regrada agricultura e produção animal, são etapas de um processo contínuo de combate às alterações climáticas, que devem ser mitigadas, com vista a garantirmos a sustentabilidade ambiental portuguesa, tendo todavia, em linha de conta, que aquilo que fizermos cá dentro, nesse sentido, quem mais beneficiará serão provavelmente os outros povos, outros países, outros habitats, e até outros continentes, tal como, o que essoutros países, povos, continentes fizerem estará a beneficiar (ou prejudicar) por sua vez, indubitavelmente a nós.

Borboleteando de outro modo: o presente não pode alimentar nacionalismos infantis, caso contrário, vamos todos e todas prò maneta, e enquanto o diabo esfrega um olho.

Portugal tem feito a sua parte – e com algum sucesso, pese embora a elevada dose de incivilidade que predomina em diversos nichos, setores ou comunidades da nossa tradição secular e incivilizada.

Chegou a hora de começarmos a pensar não só nos legumes do nosso quintal e interesses, nesse criancismo egocentrista que é apanágio das gerações de 70 e 80 da portugalidade vigente, pseudonacionalista conservadora e radical, para quem a lei e o Estado de direito são uma espécie de argila para fazer presépios, moldável e manipulável conforme os caprichos e modas momentâneas. Brincar tem hora e está na hora de nos tornarmos uns homenzinhos e mulherzinhas responsáveis, íntegros, conscientes, emancipados, fraternos e determinados. É que se o não fizermos deixamos de ter razão para reclamar quando os demais países ou povos – como é exemplo dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), se estiverem a borrifar para toda a gente e planeta, aumentando categoricamente as suas emissões de GEE (gases com efeito de estufa – CO2, óxido nitroso e metano), em nome da sua economia e crescimento demográfico.

Somos uma pequena bolha, é verdade, perante o universo e seus buracos negros. Mas importa que sejamos uma bolha sem mácula, um exemplo de clareza e transparência, para que possamos refletir a nossa maturidade humana e democrática. Porque somente assim seremos princípio, meio e fim aos olhos do mundo.

Joaquim Maria Castanho
Com foto de Elie Andrade

11.15.2019

The Cranberries - Cordell

COISAS QUE NÃO LEMBRAM AO DIABO





AS COISAS QUE NÃO LEMBRAVAM NEM AO DIABO

Quando escrevia para os órgãos de comunicação social locais e regionais, bem como para os periódicos portalegrenses, que é quase a mesma coisa mas dita sem salamaleques, uma das críticas que me faziam era a de que eu costumava dizer coisas que não lembravam ao diabo. De entre elas, era a de que a fatia territorial que primeiro iria sofrer os efeitos das alterações climáticas seria o interior algarvio. Afinal, onde estava a estranheza? Hoje, exatamente hoje, o stress hídrico é um facto indesmentível no nordeste algarvio e sudeste alentejano, debatendo-se com os efeitos diretos de uma seca extrema, e o resto do Alentejo já se encontra em seca severa – conforme os dados divulgados pelo IPMA, Instituto Português do Mar e Atmosfera.

BEJA, a tal terra que não vai ter o aeroporto internacional porque ele faz falta a um território saturado pela ocupação humana e amenizar os prejuízos tidos e contraídos em favor do do Montijo – extensão do de Lisboa –, e que quando ficar sem agricultura nem olivicultura, pouco mais do que com mel coado há de ficar para fazer frente à desertificação crescente, é, conforme as tais coisas que não lembram ao diabo mais uma dificuldade que não cabe a Deus resolver, uma vez que nós desperdiçamos a oportunidade de a menorizar, também outra faixa do território português que irá sofrer os efeitos diretos das alterações climáticas.

Todavia, para as instituições político-administrativas deste torrão à beirarraia plantado, ao que parece, pelo comodismo e silêncio compungido evidentes, vivemos todos e todas no melhor e mais promissor dos mundos candidamente conhecidos, tão cândidos quanto o eram para o Cândido de Voltaire, que ainda em 1755 e perante a derrocada de Lisboa, insistia em viver no melhor dos mundos, pois Deus havia de acorrer a tempo e resolver tudo por nós, e a nosso contento. O que era preciso era ter fé... Isso mesmo, outra das coisas que não lembram nem ao diabo!

JOAQUIM MARIA CASTANHO

11.13.2019

SEPARADORES QUE UNEM





AS FRONTEIRAS SÃO SEPARADORES QUE UNEM

Todos os [principais] problemas nacionais têm uma solução europeia. Apenas importa reconhecê-los e deixar de os enfrentar isoladamente. A chave do progresso chama-se cooperação estratégica. Os governos de todo o mundo sabem-no, alguns praticam-no, os mais ricos testemunham-no. Os países nórdicos, a Alemanha, a Bélgica, a Áustria,a França, são pioneiros dessa atitude.

Ao impulsionar o progresso e desenvolvimento do interior (raiano) português, estamos a fazer com que as semelhanças e qualidade de vida europeia se estendam à periferia que ainda somos, exatamente para o deixarmos de ser. Não devemos, nem podemos, permitir-nos a continuar como estância de férias para a classe média dos países desenvolvidos. Temos que reinventar-nos como parceiros de crescimento da Europa pós-brexit – e com responsabilidades acrescidas (exatamente por causa dele).

Mas para que tal aconteça é necessário mais investimento estrutural, pois sem ovos não se fazem omeletas. Bem pode o primeiro ministro correr atrás dos prejuízos aumentando o aeroporto de Lisboa, via Montijo, desde que não se descure também a oportunidade de BEJA. Este segundo é mesmo de maior interesse nacional do que o primeiro. É um passo que pode configurar a cooperação estratégica com Espanha com vista a consolidar a Europa, provando assim que desde os frios recônditos do Mar do Norte até à Ponta de Sagres só há uma moeda, uma civilização (multicultural), e um desígnio – sermos a vanguarda do amanhã inegavelmente sustentável.


JOAQUIM MARIA CASTANHO

11.12.2019

DESOCULTAR CAMINHOS




É PRECISO DESOCULTAR OS CAMINHOS DO PROGRESSO

Em Portugal, todas as capitais de distrito podem ficar ligadas por transportes ferroviários. Mas não convinha que ficassem ligadas de acordo com o traço estrutural que arruinou os caminhos de ferro portugueses, uma vez que a rede ferroviária foi tecida de forma a que, nosinho após nosinho,Lisboa ou o Porto se encontrassem sempre no fim do caminho. Além do abraço aéreo europeu, com o estabelecimento dos três aeroportos internacionais nacionais (BEJA, Lisboa e Porto), poderia assim existir um outro abraço, mais terra a terra, asseguradamente terreno, que unisse as nossas terras, através da linha férrea, e que ligasse IGUALMENTE as capitais de distrito do interior desde o Algarve até Trás os Montes, com passagem por Beja, Évora, Portalegre, Castelo Branco, etc., etc., até Vigo, por exemplo. E 15 anos era tempo mais que suficiente para o conseguir, assim as formações políticas portuguesas e os sucessivos governos o quisessem, e nisso se empenhassem.

Há mais Portugal, onde também vivem portugueses e portuguesas, para além de Lisboa, Porto, Coimbra e Aveiro, onde se produzem produtos IGUALMENTE nacionais, se cultivam tradições milenares IGUALMENTE lusitanas e europeias, se aposta no progresso IGUALMENTE europeu, e que estão radicadas no Algarve ou Alentejo, ou Beiras, ou Trás os Montes. Logo, que integram o património cultural, territorial e ambiental mais antigo da civilização ocidental. E isso é um caminho que consolida a nossa civilização, a transforma num argumento de peso – e de sustentabilidade garantida – que não pode ficar oculto, nem escondido de ninguém. Nem sequer da globalização atual...

Joaquim Maria Castanho

11.11.2019

PELO CÉU É QUE VOAMOS





PELO CÉU É QUE VAMOS


Só um enorme desconforto nos impede de desejar o que está certo preterindo o seu contrário, o errado. Ou porque nos sentimos mal connosco e indispostos com os demais, ou, então, porque sabendo que algo está mal, nos mantemos na secreta solidão dos eleitos, mas temos medo de enveredar por ela consecutivamente, com consciência e responsabilidade, levando-a às últimas consequências, que é pensar para agir, e agindo de forma a resolver esse erro, falta, incoerência, inexatidão, etc. Alguns e algumas atiram para Deus, outros e outras esperam que o tempo faça por eles e elas, havendo também quem sacuda a água do capote, justificando-se com o tradicional “quem vier atrás que feche a porta”. Enfim, vivemos em constante desassossego, reclamando que isto não é vida, preferindo a cómoda inquietude à desinquietação da mudança. Seremos preguiçosos? Não, claro que não! Seremos desleixados? Nunca! Seremos vingativos? Se no passado ninguém nos acautelou o presente, porque é que no presente nos havemos de preocupar com o futuro? Se o futuro é dos nossos filhos e dos nossos netos, das nossas filhas e das nossas netas, então que sejam eles e elas a acautelarem-no...

Há muita gente para quem a interioridade foi – e é – uma bênção. Mesmo tendo pouco, sobra-lhes, e possuem ainda muitíssimo mais do que a maioria (planetária), que não tem nada. Estão saciados de realidade, que lhes basta, e o sonho assusta-os e assusta-as. Pois a mim, essa prisão – a fria e seca árvore do real, que até dava patacas antigamente –, não obstante seja dourada, não serve absolutamente para nada. Prefiro sentir-me disponível para ajudar a concretizar uma Europa que abrace todas as regiões e seja una na sua pluralidade. O aeroporto internacional de Beja seria mais um elo, o elo que falta nesse abraço, uma vez que os elos do norte (Porto) e do centro (Lisboa) já foram forjados, e são concretos. Principalmente, porque o maior sonho da humanidade, o de voar, foi realizado com sucesso há muito-muito tempo, e sem precisar das asas de Ícaro. Que caiu ao mar, mas se fosse hoje estava era sujeito a que o mar lhe caísse em cima...


JOAQUIM MARIA CASTANHO

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