La vida es un tango y el que no baila es un tonto

La vida es un tango y el que no baila es un tonto
Como do recato dos tempos aos tempos recatados

Página a página, pedra a pedra, de seta em seteira aberta

Página a página, pedra a pedra, de seta em seteira aberta
Se abrem no muro, as frechas do futuro, por frincha desperta

2.20.2009

E Viva a República!


Quem é mais insensato: a criança que teme o escuro
ou o homem que tem medo da luz?”

M. Freehill

A nicotina mata as lesmas; aliás, não há melhor remédio para quem tem caracóis nas alfaces, e quer tratar do seu quintal, do que fazer um caldo pestilento de beatas com que aspergir as verduras e assim evitar que demais "moluscos" lhe vegetem nas pradarias (do Oeste – no cowboyar das virtudes saloias), destruindo a biodiversidade e promovendo a selecção das espécies que melhor lhe engordem a conta bancária e forrem a tripa, transformando-o, ao quintal, claro está, num autêntico vaticano maltês pessoal à beira do botaréu de Santa Cruz plantado. Vai daí, alguém imbuído de altos interesses tóxicos, elegeu o Carnaval de Torres Vedras como mais uma cruzada de magnitude nacional para combater a Liberdade, a Democracia, a Justiça, incluindo a Social, o Progresso, o Conhecimento e a Inovação, e fez do Magalhães a sua faixa de Gaza bombardeando-o indiscriminadamente, projectando nele as suas perversões pessoais, não só dando-nos o exemplo do tipo de pesquisas ou utilizações que dele faria se ainda fosse uma criança em idade escolar que lhe tivesse acesso, mas também, qual Antero vingador do amor desdenhado, irmão caçula de Eros (Cupido), igualmente filho de Vénus e Vulcano, aproveitando a oportunidade de denegrir (diabolizar) com falsas razões aquela, de entre as iniciativas governamentais positivas, da igualha da legalização da interrupção voluntária da gravidez, da inclusão da vacina contra o cancro do útero no plano nacional de vacinação, a aprovação do Acordo Ortográfico, a remoção dos telhados com amianto do parque escolar, das medidas acerca da eficiência energética na construção de edifícios ou na aposta em meios de produção de energia alternativa não fossilizada, melhor corresponde à noção de eco-desenvolvimento e educação para a sustentabilidade, que pronuncia e concretiza a eficaz possibilidade de uma pedagogia ecologista, em prol do ambiente, para todos e em qualquer lugar, no integral respeito pelas diferenças, nomeadamente as económicas, em evidente benefício da saúde e cultura, da identidade nacional, da língua portuguesa e qualidade de vida, bem como da efectiva modernização da estrutura vital da sociedade como são "catalogados" os seus recursos humanos: mais precisamente, aquele que indubitavelmente é o supra-sumo das TIC europeias – o Magalhães. Porém, bateu com os burrinhos na lama, porque houve um cidadão português, provavelmente torreense, no exercício dos seus direitos, com frontalidade, transparência, determinação, consciência, respeito emancipado e esclarecimento democrático, não nas sombras ciprianas do corporativismo esclavagista e medieval, bastidores da quadrilhice, como é hábito dos monges do parasitismo boateiro e corrosivo da costureirice nos patins das esfregonas lixiviantes, que apresentou queixa nos tribunais da alçada, e estes, surpreendentemente porque dentro de prazo útil, accionaram os maquinismos legais e impediram a brincadeirinha, como diremos, também por brincadeira. Ora, chamar a isso censura, é o mesmo que confundir o apêndice fecal de um camelo com o Campo das Cebolas, fazer Inquisição com bruxarias ou diagnosticar doenças da civilização como defeitos congénitos, ou monstruosidades no DNA da História. Alguém é contra uma coisa e tentou impedi-la, em conformidade com a lei dentro de um Estado de Direito, e outrem que lhe é a favor, pelas portas da vilania, da vitimização, do confusionismo maniqueísta mediático e chicoespertismo nacional porreirista, almejou nessa atitude uma excelente forma de ganhar uns cobres eleitorais, exagerando nas carnavalidades para gáudio de difusos e equívocos moralismos, sobejamente demonstrativos de como a rigidez caracterial pode ser confundida com virtude, e a peste emocional com sensatez e bom gosto. Logo, não percebo qual seja o desatino... Se estão assim tão indignados, com o desfecho da queixa, porque não apresentam recurso? Porque não recorrem ao "Supremo" como costumam fazer por outras questões inferiores? Ou, antes, será porque tendo avaliado a relação custo-benefício ela já lhe ter rendido tanto, em termos de propaganda, que gastar alguns trocos nisso seria um enorme desperdício?
O placard, o outdoor da notícia acarretou a mais-valia do boomerang, e isso, sem a mínima dúvida, trouxe um lucro incomensurável que ninguém com seriedade, bem intencionado, honesto, inocente, confiante na Justiça e democrático, conseguiria com iniciativas parlamentares, governativas, processuais ou de marketing político, a não ser que pagasse principescamente muitos anúncios na comunicação social vigente e inúmeros banquetes, portos de honra, aperitivos de breefing ou confraternização de conferência de imprensa para o establishment do jornalismo (dito) plural & independente. Isto é, não só causaram a mossa que pretendiam causar na divulgação dos recursos pedagógicos e didácticos electrónicos/digitais, necessários e imprescindíveis ao nosso desenvolvimento económico e humano, como se vingaram da Justiça por ela já lhes não obedecer nos obscuros ditames, nem dizer Ámen nos interesses moleculares, locais e regionais, além de diluir a carga simbólica e significativa que no plano das liberdades, direitos e garantias constitucionais o instituto da censura tinha – e tem. Não dizê-lo, não incentivar o debate acerca das circunstâncias e nuanças que a artimanha encerra, não contribuir para a caldeirada com o nosso peixe de opinião, não participar activamente no processo de dissolução das fantasmagorias antidemocráticas é abdicar de quase todas as conquistas que a Liberdade, a Democracia, a Igualdade e o Conhecimento nos facultaram desde a queda da monarquia em Portugal. Pelo menos!

2.05.2009

Urbe et Orbi (com ladeado e piafé)



"A juventude é uma doença que se cura
com o tempo
" – George Bernard Shaw

Às 18:11 horas tmg, enquanto reflectia sobre os últimos acontecimentos da política nacional, da investigação judiciária, da Justiça com j grande, das questões pessoais que de repente podem (ou não) virar questões de Estado, não pude esquivar-me à lembrança de como, também eu, deixei de ouvir ruídos esquisitos no meu telemóvel, depois de Pinto Monteiro, procurador-geral da República ter denunciado aos quatro ventos que lhe estava a acontecer exactamente aquilo que deveras me acontecia, sem que nada o justificasse, uma vez que não tenho dinheiro nem para mandar cantar um grilo, por mais marçalino que se encontre, e muito menos uma fénix, por suástica que seja, obediente, imbuída de afoito sentido da ordem, no sentido directo e plenário de Deus, da pátria, da família, enfim uma gaivota do norte polar insignificante ou qualquer outra ave de arribação, pondo-lhe o rebate pois Sua excelência, eis que também me calhou a mim uma migalhinha de efeito e consideração, pelo que comecei a sonhar alto, isso mesmo, a pensar que mais dia, menos dia, até podia suceder Portugal acordar em Democracia.
Ora tudo isto me vinha à ideia na última quinta-feira de Janeiro, dia 29.01.2009, naquele instante de espera, entre as dezoito e as dezoito e onze, noves fora porque nove são os planetas do nosso sistema, onze do nove, dia em que foram abaixo as torres gémeas de N.Y., N.Y., dito marginal 000000011 que é o quarto número em distância parcelar ao zero, mas afinal, mais não é que o digital três, coisa que traduzida em planetas a contar do Sol é Marte, corpúsculo observável entre a Terra e Júpiter, cujo ano dura 687 dias, senhor da Guerra, deus das armas, Ares grego, patriarca romano, pai de Rómulo e Remo, lobo, touro e cavalo nas esfinges da Primavera como da juventude, terceiro mês do ano, esperançado que também o procurador-geral estivesse nesse momento a assistir ao evento televisivo para depois o comentar via e-mail com os seus amigos, postar algo em seus blogues, como colaboração desinteressada, apenas para partilhar as conjecturas e apoquentações, e igualmente o não conseguisse por lhe haverem bloqueado/censurado o acesso ao blog nas instituições públicas que frequenta, lhe trancassem a hipótese de resposta por e-mail, coisa inaudita e carecida de basta engenharia politécnica, contudo e pelos vistos possível, e em consequência o dissesse aos quatro ventos para, assim, novamente lhe deixar de acontecer a ele o que também me acontece a mim. Porém, a essa hora se calhar não lhe aconteceu coincidir, provavelmente estaria em consonância com outro relógio, quiçá noutra sala de estar esperando, assistindo ao tic-tac do mostrador sempre que o ponteiro saltava de minuto em minuto, até à hora certa de entrar em cena o protagonista principal na coreografia do momento (histórico).
E foi então que me lembrei das conversas de café com o Sr. Catrunfo, vizinho da minha avó Cândida, que além de funcionário público, se me não falha a memória no tribunal da comarca, era igualmente encenador num grupo de teatro amador da cidade, há muito falecido e que morava nas traseiras duma casa de quintal gradeado, com uma ou duas palmeiras dentro dele, em que numa dessas tertúlias confessou ser recorrente esticar o tempo de espera dos espectadores antes dos espectáculos, a fim de melhor o sentirem voar quando deveras estivessem a assistir à peça, e que esse truque consistia precisamente em atrasar o relógio um minuto por cada três que ele andasse, pelo que se o espectáculo estava marcado para as 21 horas, se se começasse a atrasar o relógio a partir das 20:40 horas, os espectáculo apenas começarias às 21:11 horas, diminuindo-lhe a duração em dez minutos, mas obrigando as pessoas a reconhecer terem gostado tanto da peça que nem deram pelo tempo passar, pormenor que muito contribuiria para a magia do acontecimento. É óbvio que anteriormente me havia lembrado do ti Catrunfo, por mor de outros quinhentos, ao caso mais estendido esse tempo, porquanto o mostrador do relógio circunscrevia o movimento de translação da Terra, logo em vez de uma hora esta se amplificaria, não por um dia, mas por um ano, em que cada quarto de hora corresponderia às Estações do Ano, Primavera do meio-dia às três, das três às seis, o Verão, e das seis às nove o Outono, para o Inverno saltitar das nove às doze, fechando assim o ciclo completo, e precisamente a propósito das actualizações de montante dos salários, reformas e pensões, que eram feitas em Outubro, mas depois passaram a sê-lo em Novembro, até há uns aninhos atrás ainda eram feitas em Dezembro, mas agora estão a ser efectuadas apenas em Janeiro, tendo perdido os seus beneficiários gradualmente três meses de aumento, dois meses e um mês de aumento, porquanto esse aumento vinha antes do subsídio de Natal, recebendo eles o aumento pelo mês de Novembro desse ano, mais os do mês de Dezembro e o do respectivo subsídio, mas que assim apenas receberão o aumento no mês de Janeiro do ano seguinte, pelo que se calculado em comparação com a inflação e tendo efeito o aumento somente no final do ano, logo quando deveriam sofrer novo aumento mas não recebem, por este ser tão-só actualizado no mês seguinte ao que recebem a dobrar, passam a receber realmente por cada ano um pouquinho menos, subtraídos sendo gradualmente daqueles "minutinhos" económico-financeiros – quem foi que disse que tempo é dinheiro?–, à semelhança dos espectadores daquele tempo, espelho das encenações e coreografias funcionárias ou kafkianas, em que não havia sala de espectáculo sem que sobre a porta de entrada/saída, por conseguinte, nas costas da plateia, não estivesse um enorme relógio que se acertava da casa das máquinas (de projectar/filmar), fora do ângulo de visão da assistência, que supunha usufruir de espectáculos de uma hora, quando na realidade apenas tinha assistido a 49 minutos de sessão.
Ou seja, entre as 18 horas e as 18:11 daquele dia, antes da denúncia e preenchimento discursivo sobre campanhas negras e manifestação de poderes ocultos, cheguei a pensar que algo iria mudar em Portugal, que a justiça portuguesa poderia vir a confirmar que o Sr. Catrunfo da minha juventude não só estava definitivamente reformado, já não era funcionário activo em nenhum organismo do Estado, nomeadamente nos ministérios da Administração, da Defesa ou da Justiça, e que finalmente poderia usufruir da minha cidadania sem a acção contrária e opositora dos maquinismos de subtracção da liberdade comuns aos "espectáculos" coreografados pelos magistérios do Estado Novo... Mas falhei, que nada disso aconteceu, e as forças misteriosas do ocultismo cinzento-camurça das solas-de-ceilão continuou a circular pelos corredores, não só conspirando ou tramando enredos de esmagar os pobres que ousem comunicar entre si, servindo-se dos recursos que o poder caudilho diz ter feito a caridade de disponibilizar, para acabar com a infoexclusão, mas que afinal apenas usa para melhor manietar aqueles que não lhe batem palminhas, pensam por si mesmos, não engolem caroços por frutos, nem lhe apodam de geniais ideias que em verdade, embora desconhecendo o que elas significam e representam em termos de biodiversidade, quer do ponto de vista antropocêntrico como dos ecocêntrico e biocêntrico, valem e são, bem como quem politicamente as fomentou, inspirou e defendeu.
E isso sim, é outra vez lamentável, não obstante a hora que mo inspirou e em que ocorreu... Pois que se a juventude costuma passar como tempo, a velhice agrava-se com ele – e, ao contrário, até piora!

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