La vida es un tango y el que no baila es un tonto

La vida es un tango y el que no baila es un tonto
Como do recato dos tempos aos tempos recatados

Página a página, pedra a pedra, de seta em seteira aberta

Página a página, pedra a pedra, de seta em seteira aberta
Se abrem no muro, as frechas do futuro, por frincha desperta

4.16.2011

Graças a Deus

Constitucionalidades… – e quem as não quer!

Houve um “célebre” constitucionalista português que se pronunciou recentemente acerca daquilo que outros governantes e parlamentares de outros países da EU pensam sobre os nossos governantes e parlamentares, dando o principal destaque ao fato de estes não se entenderem na Assembleia da República, bem como à circunstância de que o governo como o maior partido da oposição tudo terem feito de quanto estava ao seu alcance para não convergirem no quer que seja, sobretudo no quanto à aprovação do PEC 4 dizia respeito, numa tentativa (já serôdia) de amenizar o impacto da entrada do FEIF/FMI na nossa economia e qualidade de vida.
Estava no seu direito, porquanto o melindre nacionalista de versão estalinista como hitleriano ainda funcionam no equívoco da defesa patriótica, porém não podemos deixar de notar que os políticos desses países não os atiraram para uma crise económica prenunciada pelo despesismo, nem criaram depois uma crise política provocando eleições antecipadas desnecessárias e de suspeita ou maquiavélica índole, com vista a engrossar as suas expressões parlamentares pelo apuramento de maiorias forjadas no exterior, explorando o cansaço do eleitorado e o descrédito da população em geral na classe política, que leva os portugueses a considerar todos iguais, tenham ou não projetos diferentes e alternativos, na medida em que estão habituados à receita do prometem-prometem-mas-assim-que-lá-se-apanham-fazem-como-os-que já-lá-estavam.
Pois bem: não me lembro do nome desse constitucionalista, e a contar pelo afirmado não deve ser levado a sério por ninguém que se paute pela honestidade intelectual, considerando que se o diagnóstico estava certo que importância tem que a receita venha de fora ou não, uma vez que é lá fora que se vai buscar o dinheiro para pagar os juros da dívida que esses políticos que não se entendem criaram, desbaratam e aumentaram? Por melhor que uma pessoa esteja, vir a terreiro defender o errado apenas porque isso lhe interessa partidariamente, é uma coisa feia e desonesta senhor constitucionalista! Não o sabia…? Ah, tem razão: você ainda é do tempo em que formavam as pessoas para saber-fazer e saber aprender/ensinar, mas se esqueceram de lhe ensinar a aprender a ser e aprender a estar, deixando-as tal e qual como antes de terem os canudos, que isso, sim, que é ser civilizado e estar entre humanos, vai lá vai… Temos pena. Só que desta vez, não são os estrangeiros que estão errados: quem não foi responsável, consciente e precavido fomos nós – e tanto é de um desleixe irreparável.
Ora, se há alguma coisa que temos a fazer, não é condená-los ou recriminá-los pelos recados e reparos que nos fizeram. É agradecer-lhes (os eufemismos) por terem calado quanto todos nós sabemos acerca dos nossos políticos, desde o traficar de influências no ministério da cunha até ao usufruir de benefícios fiscais e ajudas que mais ninguém tem. E tanto, além de desleixados, dava-nos direito a epítetos muito mais ofensivos, corrosivos e de trambiqueira índole, que nem vale a pena aqui referir, aind’assim não nos caia em cima o copy past.

4.10.2011

Com o perdão de V. Exas.

Os Imaculados do Sistema…

Os Loucos

Há vários tipos de louco.

O hitleriano, que barafusta.
O solícito, que dirige o trânsito.
O maníaco fala só.

O idiota que se baba,
Explicado pelo psiquiatra gago.
O legatário de outros,
O que nos governa.

O depressivo que salva
O mundo. Aqueles que o destroem.

E há sempre um
(O mais intratável) que não desiste
E escreve versos.

Não gosto destes loucos.
(Torturados pela escuridão, pela morte?)
Gosto desta velha senhora
Que ri, manso, pela rua, de felicidade.

In A Ignorância da Morte, de António Osório

“A mensagem é o médium.”

Mac Luhan

“Por vezes, ouvimos falar de um processo por danos contra o médico incompetente que deformou um membro partido em vez de o tratar. Mas o que dizer das centenas de milhares de espíritos deformados para sempre pelos inaptos insignificantes que pretendiam formá-los!”

Charles Dickens (em 1848)


Conforme tem vindo a lume ultimamente, Portugal está prestes a virar presunto (1) histórico, isto é, país que não obstante os seus oito séculos de História não é capaz de resolver e pagar as contas da sua sobrevivência, o que o obriga a pedir emprestado para conseguir manter-se a funcionar – nos mínimos. E a coisa não é de agora, que já há muito que se sabia. A mim, e a este propósito, aquando da “terminal” rodada de Crónicas (In)Divisas, no jornal Fonte Nova – e que podem ser constatadas aqui no http://escribalistas.blogspot.com – fiz das tripas coração e – de borla! – alertei para exatamente essa possibilidade, nomeadamente avisando que ou tomávamos medidas restritivas ao esbanjamento geral voluntariamente ou, então, seríamos obrigados a tomá-las no futuro, pela medida do tem-que-ser, ainda me devem declaradas desculpas todos quantos me invetivaram de iluminado e profeta, bem como os que alardearam serem elas frutos de uma imaginação catastrofista.
Mais tarde, aceitei candidatar-me às legislativas pelo POUS 4 porque vi a oportunidade ótima para realçar o significado e urgência da sustentabilidade, da biodiversidade e da cidadania participativa no aprofundar da democracia e cimentar aquilo que pode chamar-se um sentimento político consciente e responsável, com vista estabelecer um projeto – ou desígnio – nacional suficientemente reparador das irregularidades passadas. Fi-lo nas melhores das intenções, mas aqueles que presentemente mais sentem na pele os efeitos desta crise política, social e económica, propalaram que o que eu queria era mama. Actualmente, poderia dizer quando se lamentam «bem-feita, cada um tem aquilo que criou», porém não o digo pois há muita gente que nem votou e também vai pagar pela medida grossa a entrada do Fundo Europeu e FMI, e seu respectivo pacote de austeridadezinhas para os que menos podem – sim, porque para aqueles que podem as restrições serão apenas uma questão (de aumento) de preço…
No plano das autarquias, alertei para o desregramento e desperdício energético que então sucedia. Pois bem, agora estão totalmente às escuras alguns dos jardins que brilhavam e resplandeciam como se fossem carrosséis de feira! Falei nas questões das acessibilidades e transportes para todos, na necessidade de evitarmos – por uma questão de emissões de CO2 e alterações climáticas – a viatura particular e atendermos mais a meios públicos e coletivos. Pois toma: agora a gasolina subiu, os rendimentos diminuíram e a população envelheceu, e está tudo por fazer e com muitas contas por pagar, incluindo os juros do capital a que recorremos para fazer porcarias que têm que ser “abatidas” por inúteis e prejudiciais. E em que ficamos? As mesmas pessoas que criaram o presente estado de coisas vêm-nos propor que lhe renovemos o voto e a confiança para solucionar os problemas… E sabem-no? Se sim, como nos querem fazer crer, então porque deixaram chegar isto onde chegou?
Repeti incondicionalmente como era imprescindível que se atendessem as diretivas para o ensino e educação portugueses enunciadas no Relatório para a UNESCO da Comissão Internacional sobre Educação: Educação – um Tesouro a descobrir, vulgarmente conhecido pelo Relatório Jacques Delors, que faz incidir a aprendizagem sobre os quatro pilares – ou saberes fundamentais – do saber-fazer, saber-aprender/ensinar, saber-ser e saber-estar. Pois bem, continuaram a transmitir a mesma lateirice anterior do na terra do bom viver faz-se o que se vê fazer, e agora andam a contas com o mais elevado número de desordens e crimes, assaltos e atividades agressivas das franjas indesejáveis e psico e sociopatias de que há memória em Portugal.
Insisti na criação e fomento de Comunidades de Leitores e/ou Grupos de Leitura, e desde que me conheço já frequentei diversas que acabaram por falta de quórum e meios financeiros. Porque a literacia não é saber soletrar mas também interpretar, analisar e valorizar um texto. Pois bem: há pessoas com cursos superiores que não conseguem entender um texto sem bonecos com mais 1000 carateres. Acham muito. E que se perdem a partir da terceira linha.
Contudo, os corporativistas e mentores da ignorância continuam a jurar que o culpado dos seus problemas sou eu, por ser radical, pobre, honesto e transparente, e porque em vez de enaltecer e propagandear o pormenorzito que têm de bom, prefiro apontar o incalculável volume de asneiras e montanha desperdícios que caraterizou os seus PEC’s, PRODEP’s, PDM’s, PIDAC’s, OE’s, etc.,etc. e QREN’s, por exemplo. As suas negociatas entre sectores públicos e privados, a que chamam parcerias, quando não o são, mas sim favorecimentos financeiros avulso branqueados por PIN’s e quejandos. Que os problemas atuais só são problemas porque são vistos e contados por alguém, pois caso contrário, se ninguém os denunciasse até seriam virtudes dos nossos imaculados e bem-formados dominadores da República. Ora, imaculem-se!


(1) Na gíria policial/detectivesca “literária” presunto significava cadáver.

4.02.2011

Genialidades


As Receitas e o Estilo



"E, no entanto, já Horácio se referia a tal trabalho através da alegoria da abelha que recolhe o néctar de todas as flores. Esta exegese plural irá ao encontro de um princípio que se designa por multiplex imitatio, ao qual hão-de ser favoráveis os movimentos humanistas que tão receptivos foram aos clássicos; mas acaba por ganhar outras implicações quando se admite que na referencialidade literária temos que considerar o envolvimento cultural da obra. É a escrita própria do seu tempo, os compromissos retóricos, a estilização paródica, as citações, a recorrência das figuras, enfim todo um conjunto de referências ao corpus literário em que tal obra se situa. Falaríamos de intertextualidade. E a intertextualidade é também memória. Há reminiscências ou vestígios diversos que se actualizam: e o sentido de uma obra resultará desses múltiplos e emergentes sentidos."

– In Fernando Guimarães, A Obra de Arte e o Seu Mundo (pp 45,46)


"Tal como a abelha pousa de flor em flor, lhe retira o néctar, o pólen e a seiva, para depois a abandonar sem lhe ter provocado qualquer dano, assim o sábio passeia pela aldeia."

– Provérbio Popular Chinês (PPC)


Há quem insista, pessoas bem formadas, a tal ponto que chegam a ser formadores de (de)formadores, que as estórias apenas são válidas, quiçá preciosas, pela sua inutilidade didáctica e pedagógica, moral e socialmente, ética e esteticamente. Não porque à semelhança do sábio do PPC vão recolhendo os seus autores entre as gentes remotas lições de vida, costumes e atitudes, que depois lhe devolvem em obras de arte por palavras compostas, mas sim porque pensam que o grau zero de qualquer coisa é a máxima (perfeição) metafórica da sua carreira, do seu carácter, do seu conhecimento e do seu ideal. Fazem na tela, como na vida, um borrão de tinta amarela, sobre a qual colocam de seguida quatro pintelhos, a que chamam adivinha do qual é a coisa qual é ela, e não se evitam, nem hesitam, em propalar que essa miscelânea é o suprassumo do bom gosto e do bom senso, sabendo todos nós, quantos calcorreámos os campos à procura de espargos ou tortulhos, que a isso que eles apelidam de arte, demos muitas vezes pontapés, por não passarem de bufas-de-lobo *.


Ora, esta acuidade intelectual é o néctar de que se alimentam as almas do pão sem sal, os apologistas do quando não percebo marro, ou do não me comprometas que o meu narcisismo já me dá trabalho de sobra, com que tentam impingir a sua falta de saber estar e saber ser, justificando-a pelo esforço que despenderam quando tentaram aprender a fazer e aprender a aprender que lhes garantiu a cátedra. Carência essa, aliás, que foi gerada precisamente pelo não consumo dessas estórias que tanto condenam, o que facilitou a formação de Quasimodos em vez de pessoas socialmente desejáveis.


A literatura, os contos, as pequenas narrativas, não apareceram por acaso. Foram a escola da noite quando as crianças eram uma mão-de-obra imprescindível às famílias, como às comunidades, que se sentavam ao redor de quem as contava junto ao fogo, se era Inverno, ou ao Luar se pela estação quente. Fizeram com que a humanidade se tornasse mais humana, expedita e funcional. Ensinaram-lhe o valor do outro como o reconhecimento de si. Povoaram-lhe o imaginário, como lhe edificaram os sonhos e utopias. Trouxeram-lhe a vida para além da realidade. Transportaram para esta coisas que eram da fantasia e do espírito, e criaram ideias e formas essenciais com elementos da realidade que depois elevaram à categoria de "coisas" espirituais, como as noções de ética e de moral, de mensagem e conteúdo, de significado e referente.


Portanto, deixem de impingir o vosso gosto e prazer em macaquear a vacuidade insana, como se ela fosse a bandeira da sabedoria, uma vez que ela não passa de um farrapo de mediocridade parasitária intelectualóide. Sejam homens e mulheres e deixem as crianças aprender a sê-lo também. Que mal pode haver numa estória que tem como fundo a própria História senão dá-la a conhecer, propô-la nas discussões e na ordem do dia? É preferível contar e ouvir estórias, edificando sociedades e indivíduos, do que gerar filhos da puta enquanto clones da má-formação dos formadores de (de)formadores. Deixem zunir as abelhas e metam os insecticidas no canudo que os habilitou a serem inúteis – mas bem pagos por isso. Pagos por uma sociedade que compra assim a sua própria destruição e insustentabilidade.


E, convenhamos, é engraçado haver uma comunidade que assalaria indivíduos que ensinem "doutores" para destruí-la... Só mesmo cá!

Ah, calino: é de génio!

*Bufa, do italiano buffo (jocoso, cómico), foi o nome dado às operas burlescas, cujo género musical foi criado por S. Landi, com La Morte d'Orfeo, e seguidamente muito cultivado pelo teatro napolitano, tendo alcançado a sua maior perfeição nas obras de Pergolesi e Alexandre Scarlatti.

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