La vida es un tango y el que no baila es un tonto

La vida es un tango y el que no baila es un tonto
Como do recato dos tempos aos tempos recatados

Página a página, pedra a pedra, de seta em seteira aberta

Página a página, pedra a pedra, de seta em seteira aberta
Se abrem no muro, as frechas do futuro, por frincha desperta

5.16.2011

As Eleições continuam a fazer-se à moda antiga...

Vergonhosamente lamentável!


A Lei (Eleitoral) 14/79, de 16 de Maio, reflete a mentalidade e sentido prático já obsoletos na época da sua redação, em que a divulgação da informação político-administrativa se fazia nos adros, rossios, tabernas e mercearias, através de editais ou recados estampados nas portas. Vai daí, algumas juntas de freguesia para lixar a concorrência e pôr os partidos menores em notória desvantagem competitiva, resolveram segui-la à letra, excluindo-os das reuniões de delegados em que seriam apresentados os nomes das pessoas propostas para as mesas de voto, que é a mais elementar das participações democráticas remuneradas. Entre elas figura, lamentável e vergonhosamente, a Junta de Freguesia em que estou recenseado – a Junta de Freguesia da Sé, em Portalegre.
Devo, porém, salientar que esta apenas foi mais uma das muitas deste algures do Alentejo profundo que assim procederam, uma vez que só as Juntas de Freguesia de S. Lourenço, Alagoa, Reguengo e S. Julião, se dignaram, por carta ou telefone, a comunicar ao mandatário do partido pelo qual concorro, como independente, a deputado pelo círculo de Portalegre nestas eleições legislativas, a data e horários da realização das ditas reuniões. Entre o número infinito delas que o distrito de Portalegre tem, e não obstante várias terem mais do que duas assembleias de voto, somente quatro adequaram os procedimentos à democracia "tendente" atual, continuando as demais a manter aceso o modus operandi do provincianismo obscurantista dos salazarismos gonçalvistas, conforme se pautem pelo seguimento dos modelos do antes ou do após 25 de Abril.
A classe política andou ocupada com outras coisas mais importantes, sobretudo os deputados das maiorias mais maiorzinhas e das maiorias mais pequeninihas com assento na Assembleia da República, preferindo divertir-se e conviver uns com os outros no messenger do que apresentar projectos e propostas de modernização da estrutura político-administrativa da sociedade portuguesa, atirar ao boneco com suas línguas de trapo do que inquirir o governo e os ministérios acerca dos comos e porquês da implementação dos programas e projectos anteriormente aprovados, invectivar o Magalhães do que saber em que pés andavam o Simplex e o Plano Tecnológico, a navegar nas águas sórdidas da baixeza bairrista dos poderes central e local do que a efectuar autênticas avaliações sobre a eficácia de algumas políticas e a eficiência dos agentes envolvidos na sua prossecução. E porquê? Porque tinham ordenado chorudo e garantido, mai-las suas ajudas de custo, deslocações, banquetes comemorativos e o diabo a quatro, pagos pelos contribuintes e consumidores, munícipes e cidadãos, somente considerados gente e ouvidos nas campanhas eleitorais, que depois de terem apertado os cintos anos e anos, se viram agora obrigados a empenhá-lo ao FEIF e FMI para andar de calças na mão durante mais uma década. Porque aprenderam que a impunidade é um privilégio adquirido desde as nomeações do Estado Novo Corporativista e da ANP em que se não deve mexer se se quer manter o lugar marcado na Assembleia da República. Porque da democracia só lhes servem alguns caminhos e atalhos, não os destinos e muito menos os trabalhos.
Isto nem merecia reparo, pois todos sabemos que é assim desde sempre, como se se tivessem instituído as exceções à democracia como únicas regras que ainda vamos cumprindo (habilidosamente). Todavia a Junta de Freguesia exagerou na dose, e até fez melhor, para que não nos esqueçamos a quem pertencia o governo que nos afundou pràs bolsas do FMI e FEIF. Ainda mal a lista com as força políticos a escrutínio tinha chegado do Governo Civil, já a reuniãozinha estava marcada e feita, com os “clientes” do costume nos seus lugares e acomodados nas mesinhas de voto. Pelo que nos quedamos e batemos a chapelada ao efeito do esclarecimento, ficando definitivamente certos daquilo que suspeitávamos há muito, e que é o fato de nem só nas sondagens haverem Zandigas, polvos adivinhadores e demais acéfalos do prognóstico e do palpite, porquanto a política nacional é também o seu resultado e edição.
Ou seja, nem parece que existimos num país europeu, onde há atualmente tantos licenciados (desempregados), quantos eram então os analfabetos. Se foi para fazer outra trambiquice deste quilate, porque andaram a proclamar o 25 de Abril? Pois não restam agora dúvidas, que tanto agitaram as bandeirinhas e sacudiram os megafones, que engoliram o trapo!

5.04.2011

A Lei dos Profetas



Pôr o Peixe a Render...

“Não faças aos outros aquilo que não queres que te façam a ti”
– Regra de Ouro (Universal) – Diálogos de Confúcio, XV, 23

Quando temos de fazer uma escolha e a preterimos ou adiamos, estamos necessariamente já a escolher algo que não é lana-caprina a respeito do conteúdo profundo dela, mas antes a operar na esfera da sua contabilidade e na medida exata dos preconceitos e resistências envolvidas nessa decisão que, em si mesma, é causa e consequência dessa escolha. Os meus avós diziam que quem não quer ser lobo não lhe veste a pele, e contavam uma história com moral acerca dessa atitude, com a devida ilustração retirada à vida real, quiçá temendo que um dia eu viesse a cair na mesma patetice. Fizeram bem, foi uma escolha acertada, pois se assim não me tivessem avisado, muito dificilmente lhe teria dado ouvidos, e talvez agora nem já existisse para cronicar sobre esta ou possíveis, como restantes, momentos e versões da História. Sobretudo porque parece que há políticos que assumem e tomam posições radicais – sim, porque abater um governo e dissolver a Assembleia da República não passa por moderado em lado nenhum! – mas depois se esquecem do que fizeram e vêm apodar as pessoas que defendem a sustentabilidade económica, social e ambiental de extremistas e perigosos radicais… Ora, cozam-se! – como dizia o Barnabiças do Altino do Tojal.
Até há bem pouco tempo vivíamos, e ainda vivemos, numa sociedade em que o conhecimento não se conservava, embalava e comercializava melhor do que o peixe – conforme a propósito salientou A. N. Whitehead, no seu The Aims of Education –, isto é, em papel, de jornal ou vegetal, cuchê ou bíblia, não importa, porquanto se tratava de reatualizar e reavivar, rejuvenescer sob empacotamento – marketing quase tudo e uma mancha (gráfica) de imaculada sujidade –, um tipo de sabedoria e beleza que, sem "a magia" da educação e do ensino, ficariam irremediavelmente perdidas num passado mais ou menos remoto.
O peixinho, na gíria dos ganzados ervistas e haxixinos diz-se "o peixe", embora não haja ninguém que duvide que um é tão-só e unicamente a metáfora para o outro, qual eufemismo para amaneirar a toxidade do dito, era ingerido, assimilado, por aqueles que lhe podiam chegar, tal como ao ensino superior na modernidade laica e talibanizada se apresenta, e depois de servido pelas mais inusitadas pedagogias, era mastigado à pressa, sob a frugalidade de um Bolonha mal entendido e pior gizado, engolido por compêndio ou sebenta, e vomitado em relatórios ou exames, após o que seria processado burocraticamente para, finalmente, sair em canudos mais ou menos espessos ou grossos, que serviam para tudo, desde a fertilização dos solos inóspitos e bárbaros das terras fracas do além-mar, até à fabricação de telescópios de ir longe na carreira ou ver Braga à mão de colher.
Porém, aconteceu que uma madrugada qualquer, muito diferente da outra em mudanças e vontades, surgiu a crise montada num cavalo branco da coudelaria de São Bento, a escoucear no empedrado da vida, paralelo aqui, para Lelo ali, entre as necessidades e os prazeres, os carmos e as trindades, e eis que na desventura arrastou consigo os eleitores que gostam de jogar em tudo que meta um Xis, assinatura ou totobola, para elegerem novamente para os mesmíssimos lugares e cargos aqueles que exclusivamente contribuíram para a sua dissolução, coisa estranha e absurda, uma vez que não há tino a bater certo que acredite serem os mesmos que geraram a atual crise política quem está melhor preparado para a resolver.
Ora é precisamente a isto que me refiro quando digo que andam a fazer render o peixe quando se aplica um diploma para enganar os demais da pátria, seja ela do Algarve ao Minho ou do Minho até Timor, ainda que língua como almejava Pessoa, atribuindo-lhes o estatuto de pategos e não de pessoas, que o foram elas e eles, e há muito que lhe tinham feito já o manguito do fiado, no caviar do queres o voto, TOMA, de lamber os bêços depois de uma boa feijoada regadinha a tinto de lei, que isso de decidir sem a barriga bem forrada por dentro, ainda que seja para escolher os que lhe hão de vir a fazer o ninho detrás da orelha, não é coisa que se faça de ânus leve. É preciso ter canudo.
Então não atenteiem bem, e depois queixem-se, que nem as canábis vos hão de valer!

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A pessoa entre as sombras de ser