La vida es un tango y el que no baila es un tonto

La vida es un tango y el que no baila es un tonto
Como do recato dos tempos aos tempos recatados

Página a página, pedra a pedra, de seta em seteira aberta

Página a página, pedra a pedra, de seta em seteira aberta
Se abrem no muro, as frechas do futuro, por frincha desperta

3.29.2016

VOO ININTERRUPTO, a propósito de poema de MARILU FAGUNDES




VOO ININTERRUPTO 

Com a frugalidade estoica dos momentos heroicos, Marilu Gonçalves Fagundes (MF) compartilhou connosco um poema completo, de apenas dois versos, é certo, mas que nunca poderá ser considerado um epitáfio, que seria um fragmento hiperbolizado de qualquer existência que atingira o definitivo termo, numa sinédoque em trânsito, ou pleno voo, de quem dá voz a uma pena, não a da dor, não a do fado, não a do lamento, não a do naufrágio, não a da compaixão, não a da culpa e do remorso, não a do choro carpideiro, mas a pluma branca e imaculada da escrita, e que, despegada, solta, exilada e carecendo de vida e significados próprios, visíveis, efetivos, eficazes, determinados e suficientes, é, todavia, além de parte elementar de um todo, seja ele corpo, ave, organismo, instituição, clã, tribo, grémio, sociedade, povo, estandarte, símbolo, voz, de gente mas, também, quiçá de rua, bairro, clube, distrito, cidade, município, região, geração, arquipélago, nação, continente, globo, constelação, galáxia, ou tão-só unidade de expressão, título de representação ou porta-voz de dialeto, língua, género literário e sigla de teoria existencial, a que não satisfaz a simples exposição da ideia, do enunciado poético, ou da sentença estético-moral, e antes nos interroga... Viver é pertencer a um todo, querer o que ele quer, amar como e quando ele ama, em que pugnar, pelejar, criar, voar, por ele, é igualmente fazê-lo por si mesmo, ou por si mesma, pena sendo. 

Enquanto fiz parte de um organismo vivo, vivi; logo, cumpri a função inerente à minha natureza – amei. Estive acoplada e fui sangue do mesmo sangue, aqueci, elevei, revesti, abracei, cuidei e oxigenei quem disso dependia para seguir em frente em suas travessias e aventuras; depois, desligada da tutela de meu ser, solta por qualquer motivo, e em queda pelo firmamento azul, voando suspensa pelo paraquedas formado por dois versos, praticando asa delta ou parapent, nada mais me resta do que ser metáfora, coisa que significa algo que está fora de si, que a expande ou restringe, conforme os universos que cruza, os buracos negros em que se afunda ou os ideais a que se eleva. Na melhor das hipóteses, outra ave, com voo e existência mais rasteira, me tomará no bico para atapetar o seu ninho, ou aterrarei num canto de jardim onde uma criança me pegará para ser parte do diadema que está a fazer, ou me afiará em bico para escrever num pergaminho intemporal, ou sua mãe me molhará em mercurocromo para lhe pintalgar os arranhões; mas, seja como for, aconteça o que acontecer, serei instante em movimento perene, ininterrupto, cuja prova prima facie, não fora a poesia, o arquétipo, o símbolo, a imagem, o ícone, teria o irremediável desfecho das folhas inanimadas que somente regressam à vida depois de se terem transformado em húmus. 

Porque a poesia suspende o momento. É o seu detalhe, o pormenor, a fatia cristalizada, que o traduzirá para a língua de cada qual que intente olhá-lo, vê-lo, percebê-lo, identificar-se nele (no original ou sob tradução que, literalmente, significa traição). Mas sejamos francos: essa pluma, esse ser branco a pairar, a vogar, no azul do cosmos alguma vez tocará o solo? Hummm... Creio que Ícaro (e Zenão) anda por perto... E ela, tão abruptamente quieta, deve estar a esperá-lo, tal e qual a poesia, que mantém os sonhos da humanidade a sobrevoar céus e oceanos...  Sempre a cair, mas sem nunca aterrarem, perderem sua natureza astral e humana.
Obrigado por no-lo lembrar desta ímpar forma, minha amiga _/|\_ Namastê _/|\_  
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3.28.2016

O FIO DE MARILU, acerca de um poema de Marilu Fagundes




O FIO DE MARILU 

As pessoas pensam para encontrar soluções – seguem o fio do pensamento, como soe dizer-se... – plausíveis, de resolução satisfatória e propiciadora de estabilidade para a agitação (expetativa) ou tédio (ausência de expetativa) das águas em que navegam, desde que seja líquido e racional (transparente e objetivo) o meio filosófico-social a que foram acomodadas, pelo que lançam âncoras que as escorem ao presente, as abasteçam de passado e lhe incutam esperança no futuro, mas, principalmente, lhe preencham o imaginário, que é um tempo ao mesmo tempo dentro e fora do tempo, sem princípio nem fim, ainda que recheado de fins e princípios (valores), participante e interessado por quota-parte, ações e juros no presente, passado e futuro de cada vivente, irremediavelmente alicerçado por absurdos e abstrações, possuindo todavia direito de manipulação justificado pela teoria de vida do indivíduo, das linhas de comando existencial dos seres humanos, suportadas nos ideais que estes últimos teceram – e com os quais entreteceram – a primeira, isto é, a sua teoria de vida, que, felizmente ou infelizmente, quem sabe!, é a única coisa mais importante que a própria vida para cada ser vivo, independentemente do grau de qualidade e duração que desse todo eterno lhe caiba como parcela. E fazem-no com alma toda e inteira, uma vez que há coisas que não dá para fazermos pela metade, que ou fazemos em entrega total ou é o mesmo que se não as fizéssemos, pois que se intentamos de outro modo nunca observaremos qualquer resultado ou satisfação, conhecimento ou vivência e, ainda que empenhadamente, com afinco e abnegação o façamos, as mais das vezes nada alcançamos do almejado ou tão-só atingimos coisas adversas e diversas daquelas que foram o escopo de nosso pensamento.

Escrever é falar, é pensar por imagens (gráficas). Grafemas (unidades mínimas, não suscetíveis de divisão, de um sistema de signos ou alfabeto) e fonemas (unidades mínimas de som articulável) unem-se formando noemas (ideias, figuras que dão a entender serem outra coisa para além daquela que na realidade são) com sentido (sememas, ou compostos de semas, que por sua vez são elementos conceituais mínimos, microestruturas de conteúdo decifrável, em semântica, com traços distintivos comparáveis aos fonemas) literário, ou seja, que se desviam da sua compreensão habitual e corrente, literal e ordinária, ingressando assim em classes genéricas mais latas como a literatura (o teatro, o ensaio, a prosa e a poesia), ou a ciência, a filosofia, a arte, a religião, a comunicação, etc. 

Portanto, Marilu Gonçalves Fagundes (MF), ao leme deste barco escrito, embora não descrito, é mais do que ela. É um coração pulsante, o da língua lusobrasileira, teimoso e que nunca aprendeu com as experiências por que passou, sobretudo as falhadas, as tropelias, os trambolhões, as desventuras, as desilusões, vagueações sem rumo, a ficar quedo e sossegado, mas insiste em voltar a sofrer, a bater, a viajar nos poemas elegendo-os tanto seu mal (perdição) como supremo bem, batendo as asas freneticamente como um minúsculo beija-flor (colibri) ante a sua beleza, animando, ativando e impondo seu ritmo de dicção na fertilização da alma, cuja morada humana é justamente – mas não só – o peito. 

E para quê? Para atravessar a tempestade e o sol a pino, rumo à imensidão do alto mar, à intensa plenitude das águas e da vida, onde se possa abastecer desse fio sútil e delicado, sensível e mágico, que lhe permita sair de todos os labirintos e inspirações, máquinas de percurso, armadilhas existenciais, exercícios de libertação, buracos negros, eclipses de alma, assim como oferecê-lo àqueles que ama e se encontrem perante difíceis, senão impossíveis empreitadas, como se encontrava Teseu quando Ariadne lhe deu o novelo de fio com o qual pôde, depois de matar o Minotauro, buscar com êxito a saída do labirinto em que se metera. Obrigado, minha amiga, por ter feito e partilhado este poema no alto mar do universo webiano, porquanto também eu, depois de o ter lido e apreciado, fiquei mais apto a regressar dos enleados silvados da interpretação em que me vou metendo de quando em quando... _/|\_ Namastê _/|\_                  
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3.26.2016

MÍSTICA, de MARILU FAGUNDES




MÍSTICA 

Olhar para cima, sobretudo de noite, que é quando se vê melhor nessa direção do que em qualquer outra, sempre foi um acelerador da vontade de conhecimento em homens e mulheres, desde os primórdios da humanidade – senão antes. E desse aspirar mais alto, nesse buscar infinitos, vimo-la... 

E "ela", a que ora contemplamos, é precisamente a mesma lua que há dez milénios atrás, pelo menos!, outros homens e mulheres em simultâneo com outros milhares de homens e mulheres, espalhados pelas mais diferentes regiões do globo, quiçá do interior de suas cavernas, o que faz dela o mais antigo monumento da Terra e indesmentível peça do património cultural do mundo, tal como se nos depara atualmente e a História do ocidente advoga, a do oriente corrobora, a do norte não enjeita e a do sul subscreve. Gerações e impérios tiveram-na como princípio fundamental. E da sua observação nasceu o primeiro calendário credível, consensual e estatuído para além das esferas microssociais – de que ainda restam os dias da semana, o sistema de contagem hexagonal, os 13 meses lunares de 28 dias, exceto um que era de 29, o sistema do zodíaco, que tinha 13 signos, e do qual só um se perdeu atualmente, o signo de Ofiúcio. O seu esplendor iluminou travessias, caçadas, conquistas, orgias, celebrações, rituais, fugas, florestas, mares e amantes. Inspirou artes, ciências, religiões, economias, golpes de Estado, eventos desportivos, festivais (de música, folclore, dionisíacos, gastronómicos e panegíricos). Sofreu eclipses, desconfianças, excomunhões, invasões e maledicências. Deliciou homens e mulheres, velhos e velhas, adolescentes e crianças. E arrebatou, aprisionou, enfeitiçou alquimistas, poetas e poetisas. 

Talvez por isso, quando ontem "ela" desfilou na passerelle celestial destilando poesia e luz platinada de seus adereços, qualquer intenção de descrevê-la, desvendá-la, desnudá-la, fosse um gesto demasiado pecaminoso, até para quem de olhar inocente e sagrada reserva a contemplasse. Lhe assistisse passo a passo à sua iluminada dança sobre as águas da feminilidade eterna. E, sem dúvida, que o seria... Portanto, Marilu Gonçalves Fagundes (MF), tal como uma borboleta faz ao aflorar cada flor para depois a abandonar deixando-a tão intocada, tão imaculada e tão maravilhosa quanto antes era, ou o sábio passeia pela aldeia, apenas lhe respirou os detalhes. Posto que um só, por mais ínfimo e sútil que seja, já é ousadia indescritível e indizível capaz de fazer corar o aedo menos ingénuo. E foi essa compunção, essa reverência, respeito, devoção, que MF partilhou connosco... E fê-lo magistralmente!              

Obrigado _/|\_ 

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CULTIVAR A VISÃO, a propósito de um poema de MARILU FAGUNDES




CULTIVAR A VISÃO...  

"Amo tudo o que vejo" enuncia (e decreta fundamentalmente) a poetisa, logo à partida, de forma inequívoca. Marilu Fagundes (MF) diz-nos que ama tudo o que vê, e não que vê tudo o que ama, que, por sinal, até pode ser visto "mesmo [que] distante e imprevisto". Ela não tolera, não integra; ela inclui o que vê no seu universo de afetos. Ver é compreender, é amar. É entender por que uma coisa é uma coisa e não outra coisa qualquer. Compreender os filhos porque se amam, reconhecer algo porque se aprecia, identificar na multidão alguém de quem se gosta, é circunstância viável para os demais seres vivos, e temos exemplos ilustrativos disso em todos os reinos e espécies, havendo até animais que são capazes de matar ou de morrer para defender os que amam, nomeadamente os seus pares ou crias, justificando-lhes assim a existência e a importância (material ou imaterial) que lhe concedem. Assimilar, "transformar-se o amador na cousa amada" (Camões), cumprir, realizar, o conhecimento dela fazendo-a interior a si próprio, é experiência frequente e acessível a estádios mentais pré-formais, como o da criança numa fase egocêntrica nos primeiros anos de sua vida. Ver, identificar, selecionar isto e aquilo porque se está ligado afetivamente a isso, porque se gosta disso, é discriminar positivamente; mas MF não discrimina, inclui o que vê; identifica, corporiza, concretiza, ama – gosta. Parte de si para a coisa, para o outro, para o elemento da natureza, vendo-o; logo, caminhando ao seu encontro. Reconhecendo-lhe importância, revelando-o. 

A diferença é nítida, é evidente. A poetisa não faz gracinha, não ilude, não exige que as palavras sejam outra coisa que não elas mesmas, não as amputa de seus referentes, não propagandeia, não escreve como se fosse, não faz género, não evangeliza, não persuade, nem advoga; não: entra (até) pelo imprevisto, (como) pelo natural, e concretiza-os na sua plenitude elementar – o sol, o vento, a maresia, o luar. Concretiza-os até ao abstrato; até a suavidade, até o mistério, até o silêncio, até a saudade, tornando-os ímpares, particulares, próprios e imediatos na areia, nas águas do mar, na fala, no teu olhar. Porque são eles a baliza, a moldura, os estritos limites de ampliação, para essa paisagem tão próxima, tão a ver-se, tanto, tanto, que também nos é comum, como o céu infinito, a vastidão do mar, os assobios do vento, a aspiração universal da harmonia – a paz.        

Então, ver é amar; é semente. E poderia ser de outro modo, se é o único olhar que planta futuros? E que caminha fazendo caminhos novos? Ver é o único caminho que abre sendas para o espírito, sim... voos! Vertigens. Incluindo a de abraçar, abarcar, ver. Amar.

Obrigado minha amiga, por esta visão – (rana, em tupi). Por esta saga que flana vaporosa enquanto nos desbrava o chão in... culto (da poesia).
  
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FLORES, por MARILU FAGUNDES




FLORES 

Nascer, crescer, procriar e morrer, são as quatro linhas de contínuo para o entrançado DNA da vida, cuja trajetória mais lhe pertence do que a cada espécie de seres vivos que, grosso modo, mais não são do que outras tantas estratégias que ela, a vida, gizou para se tornar eterna, ainda que simples e natural. Cada espécie tem o seu tempo e modo próprio de o fazer, de o transmitir, de o cultivar. No reino vegetal, a flor, é o engalanado que todos os espécimens adotaram para ser os seus não despiciendos dramaturgos, os intérpretes essenciais à polinização desejável, ansiada e não raras vezes apoteótica. São a sua ode triunfal... E, exatamente por isso, em todas as épocas e socorrendo-se de uma infinidade de estilos e formatos possíveis, tão plausíveis como quaisquer outros, os poetas e poetisas desde os tempos sumérios e imemoriais, têm encontrado nelas motivos de inspiração, recursos de persuasão, oferendas preciosas, símbolos de beleza e de poder, atentos ouvintes e confidentes, espelhos de sentimentos e emoções, adereços de estilo, floreados da mecânica do verso, metáforas, sinédoques, animismos, prosopopeias, confluências cromáticas e exemplo de perfeição. Têm-se servido delas para demonstrarem a sua humanidade, umas vezes sublimando-as, outras racionalizando-as, imitando-as, projetando-as e transferindo para elas quanto de imortal a sua pena foi, é e será capaz. Como afirma a poetisa Marilu Gonçalves Fagundes, elas são "sonhos" livres, versos que falam e, simultaneamente, calam os doloridos "sons da cotovia", essa rara ave que é capaz de se atirar em voo picado, de peito aberto contra os espinhos, cravando-os no coração, e assim amputar a dor que nele lhe vai pela saudade de seu companheiro/companheira. São detalhes, são sussurros, são suspense, são celebração, são segredos, são versos, são gritos, são poesia. 

Mas dizê-lo já não basta... É preciso vivê-lo. É preciso ser a própria poesia para que não soe remake duma toada já gasta. É preciso ter as pétalas a diluírem-se pelas veias e vasos até ao purpúreo aveludado e carmesim da sensualidade. É preciso ser mulher – e Marilu conseguiu-o: Parabéns, minha amiga!               

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3.21.2016

SE NÃO CHOVER VAI ESTAR UM LINDO DIA




SE NÃO CHOVER VAI ESTAR UM LINDO DIA 

Me decorrem do sangue as veias
Em marés de estro e luas cheias, 
Da raiz à sombra com que devora
Toda a luz – fulgor intransigente...
É o inverno que parte se o verão 
– Truz-truz – lhe bate à porta
Perguntando se há gente. 

Mas na casa do tempo nasceu Senão
Para quem a esperança é letra morta
E que, embora não desejado, 
Escancar'as folhas descuidado
Para o anfitrião que nunca esgota. 
– Truz-truz – é o verão a bater; 
Mas Senão não vai responder.  

Que o tempo ora perdido ora
Preenchido se ora também pede; 
E mesmo se o atiramos fora 
É sempre um Zenão que nos mede. 

Joaquim Castanho  

3.20.2016

ÍNTIMA REPÚBLICA




ÍNTIMA REPÚBLICA 

Pronta mas liberta a ordem vigente
Se amplifica original e certa, 
Quando à franja especial atente
Por correta, e de justo alerta, 
Tão de repente, que por si aperta, 
E limita o sentido do realmente. 
Tanto se estende como contrai. 
Tanto se preenche como s'esvai.
Tanto alicia pra sentidos novos
Como actualiza o ser dos povos. 
Que a ordem se orienta pla razão
E vontade de justiça no Direito, 
Plo que é vinculativa prà nação
E é república em nosso peito. 

Mas a lacuna oculta subsequente
Que a nosso criar on line abarca, 
Nem restringe se mau uso faz a parca
Gente do que é nobre e pertinente, 
Pondo em vão vida, feitos, esp'rança
De quem partilha e aos mais alcança. 

Joaquim Castanho  

3.14.2016

PINGA A PIPA, PIA O PINTO





PINGA A PIPA, PIA O PINTO

Lengalenga ajuizada
Tem pandeireta, bandolim, 
Tambor, violão, e a passada
De quem passeia plo jardim. 
E às vezes um violino
A fazer de bom cometa, 
Qu'arranha nosso destino
Onde nenhuma flor é certa. 
Serpenteia pla tradição
Que nem espiral, remoinho
Para moer mas sem pilão 
Nossas pedras do caminho. 

Lengalenga se dançada
Em correria pelo sertão, 
Traz alvoroço à criançada
Ou traz chuva prà criação; 
Nuns sítios parece nada, 
Noutros, brota vida do chão. 

Joaquim Castanho 

3.13.2016

TRATAR IGUAL O IGUAL / TRATAR DIFERENTE O DIFERENTE




TRATAR IGUAL O IGUAL
TRATAR DIFERENTE O DIFERENTE

Meia volta, volta e meia
O destino indica ao ser
A lei por que se enleia
Somente porque quis viver. 
Faz suas preces à lenda, 
Alinha deuses por poder, 
Abre sulcos numa senda
Pra dificultar percorrer. 
Acoita vis predicados, 
Admoesta o inocente, 
E sem olhar par'os lados
Fita passados de frente... 
Que é equidade assente
Tratar com modo vário
Tudo o que é diferente 
– E mente, e mente, e mente 
Quem disser o contrário. 

Joaquim Castanho

3.03.2016

PROPOSIÇÃO «LEGAL!»




A PROPOSIÇÃO «LEGAL!» 

Do pleito a lei remissiva tem
Numa ficção onde o prevê, 
Aquele olhar que é também 
Aquela descrença que o crê. 
É distinta mas não acaba. 
É um mas qu'outro mesmo vale. 
E sendo núcleo serve de aba
Prò dito restrito que o cale.

Entrementes finge outro ser
Sendo o exato clone de si, 
Que a palavra lei pode ter
Outra ca prenda agora aqui.

Joaquim Castanho 

PROPOSIÇÃO – acto ou efeito de propor, expressão do juízo, primeira parte de um discurso ou de um poema onde se expõe o assunto que se vai tratar, asserção, princípio, máxima, expressão de um ou mais pensamentos por meio de palavras, oração (gramatical ou não).  

3.02.2016

OBTUSO RADICAL




OBTUSO RADICAL 

Alojado no cerne da derme
O verme discerne a cor, 
Pra que concerne aquele supor
Com que alterque e alterne 
(Uniforme e extreme) 
Seja com quem for! 

Joaquim Castanho 

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