La vida es un tango y el que no baila es un tonto

La vida es un tango y el que no baila es un tonto
Como do recato dos tempos aos tempos recatados

Página a página, pedra a pedra, de seta em seteira aberta

Página a página, pedra a pedra, de seta em seteira aberta
Se abrem no muro, as frechas do futuro, por frincha desperta

12.03.2015

O SONHO NÃO É SONHO




O SONHO NÃO É SONHO 

"Aquilo que a Glosa determinar deve ser mantido, pois nas decisões das glosas raramente se encontram erros" – Baldo, século XIII-XIV. 

Quando te digo o sonho
Aprendo-me contigo
A escapar ao medonho
E a fugir do perigo. 
Que a voz se liberta
Libertando-nos com ela; 
Logo-logo nos desperta
E acorda a "Cinderela" 
– Assim tão uma, tão de repente
Que o sonho, não é sonho... é gente! 

Que ao dizer-te primeiro
Bem antes de tudo o mais
Me faço teu aio escudeiro, 
Mentor de aedos e jograis; 
E que nunca esquecem gratos
De tanta felicidade ter,
Pela Senhora cujos atos
Lhe conferem são parecer
– Assim tão uma, tão de repente
Que o sonho, não é sonho... é gente! 

Primeira de primeira lei, 
Par mas de ímpar gesta; 
Que a ela devo quanto sei
E sem ela o saber não presta. 
Que meu dizer é por si só, 
Depois partilhado a eito; 
Moído grão a grão sob a mó
Por quem me bate o peito 
– Assim tão uma, tão de repente
Que o sonho, não é sonho... é gente! 

Joaquim Castanho
(Imagem:Princesas da Disney)

9.28.2015

A MAGIA DO ROMANCE




A MAGIA DO ROMANCE


No deserto de onde sou e venho
Encontrarmo-nos é interdito, 
E públicas falas franzem o cenho
Se uma mulher, por não velada, for
A confidente da amada, cujo fito
Íntimo é das pétalas a flor... 

Porém, somos um caso de exceção:
Pus burca, só para visitar-te, 
E serei vendedora de arte.  

Trago comigo uvas orvalhadas, 
Estampas medievais, versículos
Com iluminuras bem pintadas,  
Figos, mel... além do chá prà infusão. 




E o brocado das almofadas
Foi testemunha das almas aladas
Rendidas, ternas e enlaçadas,
Que em espiral se soltaram do chão!  

Joaquim Castanho

8.22.2015

NÃO HÁ MAL QUE SEMPRE DURE, NEM BEM QUE NUNCA ACABE




NÃO HÁ MAL QUE SEMPRE DURE, NEM BEM QUE NUNCA ACABE

"No século XV, quando os turcos invadiram Constantinopla e derrubaram o Império Romano do Oriente, os padres da Igreja estavam a discutir assuntos teológicos." – In "O Sexo dos Anjos" e a Política Externa Portuguesa, por Tiago Moreira de Sá e Emanuel Bernardes Joaquim, jornal PÚBLICO, 22.08.2015 

E de súbito, aquilo que algumas pessoas costumam dizer perde a gracinha toda... Faz «pooff!» na barreira da nossa indiferença, e escorrega por ela abaixo como um asco peganhento. O que antes parecia ser argúcia, acutilância, subtileza maquiavélica, passa a ser visto como ronha, ronceirice, manha, fuga prà frente, interesseira representação para agafanhar almejados e obscuros proventos. A simplicidade e clareza discursiva desvenda-se, afinal, como uma mancheia de lugares comuns. A sapiência e irrepreensível memória, uma simplificada mediocridade e evidente vocação para a cópia e palimpsesto. As pausas, como notórias confissões de culpa, de inaptidão, défice lexical ou compulsão semântica. E aquele jovialíssimo piscar de olho ao eleitorado, que tão bem lhe ficava por aparentar espontaneidade, apenas mais um tique de denúncia da misoginia voluntária, ou obrigatória, caraterístico de quem se sente entalado. Desmascarado. De careca à mostra. 

E não vale a pena nomear seja quem for, porque a todas as políticas e a todos os políticos acontece exatamente o mesmo. Uns numa altura, outros noutra. Aos nossos, é agora. Ora, se ninguém os vai querer ver ou ouvir em debates políticos, ainda que impingidos pelos canais de sinal aberto, porque é que eles se preocupam tanto em definir quem estará ou não estará neles? De quem se senta em frente ou lado de quem? Essas coisecas são combinadas pelos staffs, e não podem ser consideradas coreografias de opereta brejeira com pretensões a vedetismos de cartaz em programas de primeiro tempo. E depois, tudo quanto lá irão dizer já é por demais conhecido e de toda a gente, incluindo os que não querem saber disso para nada. São figuras de basta presença e figuração nas primeiras páginas dos jornais e telejornais, quer pelo que dizem e repetem, quer por onde vão e o que lá poderão estar a fazer. Sobretudo porque a política não é nenhum jogo de berlinde, com vitórias, derrotas e desforras, fértil em retórica para deslumbrar infantis que gostam de ver os adultos à sopapada, ou um desporto de rasteirar, derrubar e achincalhar os meninos e as meninas da outra ponta da sala. A política faz-se apresentando projetos, programas gerais ou setoriais, estratégias de execução, orçamentos viáveis, motivando e convidando gente para neles colaborar, fazer melhorias, reforçando positivamente a participação, a responsabilidade, a consciência cívica e a emancipação, quer dos indivíduos, como das comunidades; quer das regiões, como da nação. Portanto, seria de bom tom, não atirar poeira para os olhos do povo, nem dar-lhe a engolir futriquices típicas das clubites pacóvias e desaguisados entre a rua de baixo e rua de cima, usuais no jogo da malha e do pião. Sob pena de que se o não fizerem, o povo português lhes faça como fez o Zé-Povinho do Bordalo ao fiado: «Queres o voto, toma!» (Até porque as meninas anicas acompanham os joõesinhos que lhes apetece!) 

Enfim, digamos que o prazo e "estado de gracinha" desses tribunos expirou. Esgotou. Perdeu a validade.  Principalmente, porque a nossa paciência para lhes aturar a banha-da-cobra já não é o que era. Estamos cansados de ser condescendentes com quem nos quer dar a volta. Há 40 anos que vivemos (quase) em democracia. Já nos aconteceu quase tudo o que não devia ter acontecido. E nem sequer um oitavo do desenvolvimento, bem-estar, qualidade de vida, segurança e esperança no futuro de quanto merecíamos ter. Era tempo de começarem a pensar que se continuarem a tentar enganar-nos, isto ainda pode vir a dar prò torto... É que até os paz d'almas que todos e todas nós somos, têm um ponto de fervura. E, enquanto os paroquianos e sacristas desta confraria das bananas se empenha discutindo quem se senta nas cadeirinhas e cavalinhos de baloiço, bem podem chegar por aí os nossos otomanos e trocar os estandartes sem que lhes dê o cheiro!  

Joaquim Castanho          

8.20.2015

COMO, PORQUÊ E COM QUEM?




COMO, PORQUÊ E COM QUEM? 

"Não há igualdade ou justiça possíveis enquanto todas as vidas não valerem exatamente o mesmo." 

In CLÁUDIA SEMEDO (Embaixadora do Ano Europeu Para o Desenvolvimento), Direito à Vida, jornal PÚBLICO, de 17.08.2015 

Quando desconhecemos o que uma "coisa social" é, camuflamos a nossa ignorância acerca dela, afirmando o que ela já foi ou o que poderá vir a ser – SE. E a modinha pegou de estaca nas hostes políticas e jornalísticas. Perante a incerteza no que irá dar o 4 de outubro, inventam-se cenários e reiteram-se intenções, alinham-se baterias e pontarias, preenchem-se as linhas em branco dos programas eleitorais como quem aposta no totobola, e reza-se às padroeiras e padroeiros com bênçãos de pó-de-ser e demais sortilégios disponíveis, incluindo as sondagens habituais. Umas quantas forças a concurso, para obterem vantagens competitivas, apostam com múltiplas, esbanjando os créditos em duplas e triplas, a que dão o pomposo nome de coligações. Depois, nos programas de conjunto tocam à Ten Years After, com o homem da viola à frente a tocar o que lhe dá na gana, num banzé de acordes ou soundbites, e os restantes da instrumental confraria a desunharem-se para acompanhá-lo, ainda que desafinados e molestados pelos costumeiros feedbacks  e boomerangs, determinando que vão fazer isto & aquilo, assado & frito, mas sobretudo no limpinho sem espinhas como se a oposição estivesse de férias ou tivesse abdicado de ser oposição para ser uma vencida colaboracionista e empenhada. E, invariavelmente, fazem-no naquele registo mágico típico de quem acha que toda a gente não tem mais nada pra fazer do que tentar adivinhar o que querem, porque o querem, como o querem e de quem dispõem para fazer... Sumidades! 

Quando se é novo e inexperiente acreditamos que somos capazes de todos os possíveis só com o estalar dos dedos ou o embonecado bater das pestanas. Mas, na generalidade, crescemos, e verificamos que não é bem assim. Que tem de se estar ao corrente das problemáticas, familiarizados com os assuntos, estudá-los a fundo, experimentar as soluções plausíveis, validar as funcionais e fazer contínuas atualizações nelas. E fazemo-lo regra geral, sem stress de maior, nem pruridos vergonhosos. Porém, a exceção privilegiada dos que ingressaram na carreira política, consideraram que isso seria uma perda de tempo, quer por exigências de sedução do eleitorado, quer por mandriice natural, quer por considerar que a política é um atalho para o sucesso e fortuna, preferindo manter-se infantis, quais gracinhas imprestáveis, larocas e bem-falantes, imprescindíveis para enfeitar os frisos da magna nacionalidade, embora não acarretem qualquer benefício aos seus conterrâneos e territórios. 

E vai daí, ei-los que embrulham as habituais e fantasiosas promessas em celofane de compromisso/estimativa, que é o marketing da embalagem a invadir a composição "química" dos conteúdos, e toca de nos impingir a garantia de que vão baixar o défice, aumentar o crescimento, restruturar/renegociar a dívida, quiçá atirá-la ao mar que é uma economia que promete mundos sem fundo, criar uns tantos mil empregos (que depois vão cair nas malhas dos seguros/subsídios de desemprego mal terminem essas ações de combate ao ócio), apostar na cultura e no património, melhorar a qualidade de vida, disponibilizar saúde, educação, bem-estar, justiça, habitação, segurança social, sustentabilidade, transportes, segurança, ordem e perspetivas de futuro até para os hipervelhos. Esquecem-se é de dizer como vão fazer isso, com que dinheiros e especialistas, com quem contam para os desempenhos e tutelas, que certificados de boas práticas já têm em currículo, e quem lhos passou... Enfim, retemperam as ideias de igualdade e de justiça social com o seu direito imaculado de gente superior e superiormente bem-intencionada em quem devemos acreditar cegamente e delegar as nossas esperanças e expetativas, prò melhor e prò pior, pois "ao menino e ao borracho, mete Deus a mão por baixo", atribuindo-nos o estatuto de trouxas e ingénuos, como se as nossas vidas valessem menos do que as dessa iluminada elite. Contudo esquecem-se de uma coisa... De quê? De reler a epígrafe deste artigo, que transcreve o pensamento europeu através da sua embaixadora para o desenvolvimento, e que nos alerta para o detalhe de que "não há igualdade ou justiça possíveis enquanto todas as vidas não valerem exatamente o mesmo". E nós já sabemos há muito tempo que não queremos para nós o que nem os gregos quiseram para eles. Nem mais!  

Joaquim Castanho

8.19.2015

E PORQUE NÃO?




E PORQUE NÃO? 

Saracoteia-me na mente
A tua saia balançada, 
Deslizando fugazmente
Pondo-me a alma calada... 

E calada pela delícia
De ver-te deslizar assim, 
Quase sonho e carícia
Florescendo só PORQUE SIM. 

Joaquim Castanho

8.18.2015

ENQUANTO SE COME NÃO SE ASSOBIA




ENQUANTO SE COME NÃO SE ASSOBIA


Descobrir até que ponto os portugueses estão disponíveis para alinhar com as artimanhas e manhosas patranhas partidárias, e as suas coligações, fusões, agregações, plataformas e demais desenformadas formas, é a tarefa primordial para qualquer político que se preze, seja minimamente honesto, frontal, consciente, responsável e emancipado. Arrisca-se depois, é claro, a que não tenha onde votar, e muito menos qualquer "bandeirinha" para espanejar e ao abrigo da qual concorrer, seja prò que for, nomeadamente a deputado ou autarca – mas isso são outros quinhentos. 

A primeira, e a mais notória, é que todos e todas são a favor da conservação da natureza, da qualidade de vida e do ambiente. Mas logo de seguida vemos que esbanjam papel a torto e a direito, conspurcam paredes, caixas de correio, paragens de autocarros, os chãos das ruas e pavilhões, com panfletos, postais, autocolantes, cartazes, jornais de campanha, programas e gracinhas de marketingtesas destronadas, estando-se absolutamente nas tintas para as arvoresinhas abatidas para tanto ou para a limpeza dos locais; fazem caravanas intimativas do eleitorado deixando grosso rasto de monóxido de carbono nas passagens e repassagens pelos lugares onde se verificam ajuntamentos, com buzinões por dá cá aquele comício ou sessão de intoxicação mental e propaganda, celebração de resultados ou deslocações em massa, acompanhando as suas vedetas principais nas visitas de campanha aos mais pacatos e sossegados algures da nossa portugalidade. Incendeiam as hostes que, eufóricas e heroicas, depois vão incendiar as matas e florestas, para se manifestarem contra os governos e governâncias, contra adversários e em manifestações de protesto (indefinidas e por conta própria). 

A segunda é a inequívoca anuência à igualdade, principalmente à igualdade de oportunidades e igualdade de género. Acerca da igualdade de oportunidades que professam, mas em que depois falham redondamente no cumprimento, mesmo se ainda não foram eleitos para nada, pondo a feitura material de propaganda e do marketing, sem concurso público, a cargo das empresas dos amigos e patrocinadores dos partidos/movimentos, e a distribuição ou colagens na mão da mão de obra juvenil ao preço da uva mijona, explorando os mais desgraçados; se eleitos, chamam só os partidários da sua facção para os jobs, independentemente das qualificações e sem concurso público, prejudicando os mais competentes e habilitados descaradamente. Em relação à igualdade de género cumprem a lei que obriga a uma determinada percentagem de mulheres nas listas, mas em posições de muito difícil eleição, e ainda assim sob critérios sexistas e feministas, para consolação de grupos e nichos sociais ou associativistas bem demarcados, mas depois disso no material de propaganda e nos programas mantêm o discurso antropocêntrico em que a cidadania fica restringida ao cidadão, omitindo a parte feminina da mesma. E, curiosamente, em partido/movimento nenhum a concurso eleitoral se vê no seu programa a iniciativa de intentar uma revisão constitucional para alterar a redação do Artigo 4 º que dita a cidadania portuguesa, considerando "que são cidadãos portugueses todos aqueles que como tal sejam considerados pela lei ou por convenção internacional", que o mesmo é declarar que as cidadãs portuguesas consideradas pela lei ou por convenção internacional não fazem parte da cidadania portuguesa, o que diminui para menos de metade o número de pessoas com tal estatuto, uma vez que em Portugal o número das mulheres é superior ao dos homens. 

A terceira, é a de basear os seus programas em pressupostos inconcretizáveis, ou promessas/princípios (inadiáveis segundo alguns) para as/os quais não têm conhecimento de causa nesses assuntos, ou não têm know-how nem pessoal qualificado disponível nos seus quadros para os abordar e/ou resolver, e muito menos dinheiro suficiente para os contratar. Recentemente foi aprovado um projeto de diploma que proíbe as práticas de publicidade enganosa a atos e serviços de saúde, mas para a publicidade de práticas políticas impossíveis, como foram as promessas em que o Syriza baseou a sua campanha e que os levou ao poder, tendo agora que fazer tudo ao contrário do que prometeram, não foi feito nada, pelo que continuam impunes no nosso país. Esquisito... Prejudicar alguém na saúde é crime, mas prejudicar todos e todas na vida dá condecoração presidencial, nomeadamente para implicados no caso BES... Hum!  

Todavia a prédica já vai longa, e o pessoal tem mais que fazer. Portanto, pedir a pessoas honestas e cumpridoras dos seus deveres, que votem, ou deleguem responsabilidades em alguém que comprovadamente o não é, devia ser proibido por lei em qualquer sociedade livre, justa e solidária, como é a nossa República soberana, baseada na dignidade da pessoa humana e na vontade popular, mesmo que essa dignidade seja amputada nela pela sua lei fundamental às pessoas humanas do género feminino, ou cidadãs. Devia ser proibido e punido severamente. E estranho deveras porque ainda o não foram... Estamos à espera de quê? Do quatro de outubro? Francamente! 

Joaquim Castanho            

8.11.2015

CADA ROCA COM SEU FUSO, CADA TERRA COM SEU USO




CADA ROCA COM SEU FUSO, CADA TERRA COM SEU USO

Tudo tem uma razão de ser... 

Portalegre é uma cidade tão inha e coitada, que às vezes nos parece que a sua insignificância nem sequer é notada. A não ser, é claro, que um jornal ou outro dê notícias dela, e então toda a gente fica a saber que existe. Que existe, sim, mas nunca pelas boas e melhores razões; antes pelo contrário. Há pouco tempo atrás, foi por causa da escravatura que se lhe praticava dentro de portas. Foi no jornal i. Hoje foi no jornal PÚBLICO, onde se dá conta de que os mortos para irem para a terra tinham que largar uns dinheirinhos por fora, senão ficavam a apodrecer até o horário de expediente camarário lhe proporcionar as duas ou três pazadas que não se negam a ninguém ... Pagavam, não recebiam recibo por isso, e ainda ficavam em favor. E, como de costume, quem tutela os sectores em causa nada sabia sobre o assunto, promete abrir inquérito e, como habitualmente, em vez de lesar os prevaricadores lesa os defuntos e seu familiares cortando-lhes a entrada no outro mundo fora de horas. Os cidadãos e as cidadãs portalegrenses podem ficar descansadas e descansados, portanto, que jamais serão explorados se morrerem. Mas que o façam nos dias úteis e a horas decentes, entre as nove as cinco e meia, ou arriscam-se a ficar na arca até ao(s) dia(s) seguinte(s)... 

Pelo que agora fica esclarecido, porque é que tratam tão mal quem está vivo: é para quando morrer já não estranhar. Costumes das terras e suas gentes! 

Joaquim Castanho


7.29.2015

ÉLAN VITAL




ÉLAN* VITAL

Quando o ser me estremece
E, cansado de não-ser, bate no fundo,
Procuro em teus olhos
Os olhos que me ensinaram o mundo…

Então, resolutos abrem caminho,
Abatem dúvidas, afastam escolhos
E o mundo seco rejuvenesce;
As árvores ganham cores, ramadas
Viçosas, onde as aves fazem ninho
E as palavras pululam em chilreada.

E digo para comigo, em autocensura:
«Ora!, onde o perigo, se não era nada…
Porquê tal castigo, tamanha secura?!»

E a verve esquecida, envergonhada
Volta a fluir para irrigar o ego rotundo
Como sempre fez essa mesma mirada
Quando me ensinou a olhar o mundo.

Joaquim Castanho


*  ÉLAN VITAL, expressão criada por Bergson e que aparece sobretudo na Evolução Criadora (1907). Esta noção, enquanto impulso vital, designa o impulso fundamental da vida tal como se manifesta na evolução, inventando a partir da matéria inerte formas biológicas capazes de adaptação e tendendo para uma complexidade crescente. O impulso (élan) vital determina, segundo Bergson, uma evolução divergente orientada, por um lado, para os instintos, modelos de funcionamento das estruturas orgânicas especializadas, e, por outro, para a inteligência, função analítica e reedificante inerente à fabricação e utilização prática de objetos artificiais (cultura) ou desembocando na manipulação abstrata de conceitos.    

7.21.2015

EXÍGUA BRISA




EXÍGUA BRISA

Todos os poemas já foram escritos.
Estão é ocultos por camadas de pó…
Os poetas mais sábios e expeditos
Vão à tábua dos tempos soprá-los só.

Seu fôlego não precisa de ser forte.
Seu olhar não carece de precisão.
Devem apenas ágeis arredar a morte,
Enquanto os escrevem com a outra mão.

Além disto é querer roubar os deuses,
Tirar-lhes poderes sobrenaturais
Com que a humanidade tenta às vezes
Esquivar-se ao fado dos mortais.


Joaquim Castanho

6.26.2015

VER E CALAR É TÃO CRIME COMO MALTRATAR




VER E CALAR É TÃO CRIME COMO MALTRATAR


O ambiente não são coisas, não são seres, não é lugar, mas relação – relação de aprendizagem, relação de convívio, relação de trabalho, relação de cidadania, relação de lazer, relação de mercado, relação de religiosidade, etc., etc. E, não obstante todas e todos lhe reconheçam o valor de uso (quotidiano ou de propriedade), continuam sendo apenas uma rara minoria aqueles e aquelas que se preocupam com a sua importância, aperfeiçoamento e (re)qualificação, passando, exatamente por isso, salvo-conduto ao laissez-faire (público e privado) típico das atitudes político-administrativas do mundo esclavagista e mediavalesco. 

A grande desculpa ou mentira social que alimenta esse status quo tem sido o subdesenvolvimento que, aliado à carência de recursos (financeiros e humanos), vai servindo de biombo da generalidade dos organismos autárquicos e das populações para se aprovisionarem de conjuntos habitacionais de sofrível qualidade que não vai além das ruas pavimentadas, do saneamento básico obrigatório, dos transportes públicos de massas e da proliferação dos espaços comerciais, em detrimento dos espaços de lazer e convivência positivos e sustentáveis desejáveis que promovam a inserção e a inclusão, a democratização e cidadania, resultando consequentemente dessa visão atávica cidades e vilas tipicamente bairristas, conflituosas, sem unidade de conjunto, semiabandonadas e de precário quotidiano. 

Portanto, estou em crer, que é chegada a altura de nos insurgirmos contra a indiferença e maus-tratos que os naturais de nossas terras e comunidades têm vindo a manifestar acerca do ambiente, justificando-se com a realidade deste não ser propriedade sua, sobretudo porque é de toda a gente, e que compete às edilidades conservá-lo e mantê-lo em bom estado e saudável, porque é mentira, uma vez que cada qual que estabelece relações nele, o habita, nele pratica desporto ou passeia, nele compra e vende bens, o frequenta para satisfação do corpo como da alma, é também seu condómino e proprietário, e deve ser responsabilizado por qualquer dano que ocorra. Principalmente se olhar prò lado enquanto o ambiente é danificado, porque então deve ser responsabilizado ao quadrado: responsabilizado por ter permitido a sevícia e por ter colaborado com o seviciador no vandalismo praticado. E não vale a pena espernear, que quem não quer ser lobo, não lhe veste a pele. Porque o ambiente são as relações que a gente estabelece, e quem não cuida delas não as merece.


Joaquim Castanho      

6.24.2015

BAILIA JOANINA




BAILIA JOANINA

Se adianta propositada
A conjugação imperfeita,
Numa rima bem descuidada
Onde a distância s'estreita...

É frevo joanino, tradição,
Deambulando noite adiante,
Letra nova pra velho hino
Na batuta dum diletante

Que aflora índole magoada
Em fado de mexida função,
Estendendo copo peregrino
Se já a sardinha pinga no pão.


Joaquim Castanho

6.19.2015

CERTIDÃO DE ENAMORAMENTO




CERTIDÃO DE ENAMORAMENTO
 

Deve haver uma lenda, um fado, um mito
Onde esteja o nosso destino traçado:
É que ao olhar-te, ao ver-te, acredito
Que temos o futuro escrito
No mais íntimo esperado.

Continuo, depois destes anos todos
Como desde a Escola me acontecia,
A perder os sentidos, a sensatez, os modos
Mal te vejo, como vendo-te, fatalmente em ti me perdia.

Perdia a noção do real, e da fantasia;
Perdia o pé, o equilíbrio, a certeza do gesto;
Perdia a luz, tanto a da noite como a do dia,
Enfim, então tudo perdia, só não perdia tudo o resto.

E não perdia este prazer que tenho de sonhar
Tudo, tudo trocar, nada sentir como meu
Exceto o secreto pressentir que é o teu olhar
O selo, o anel real, aquele que valida (a realidade)
E dá garantia de verdade – e vida
A todo o universo: terra, mar, sangue e céu!

Daí que quando assim, nada deseje então
Senão o que há em mim
Quando te nomeio dentro do mito,
Que me arrebata e penetra como grito
Do sonho nascido por ter-te no coração,
Tão dentro, que te vejo no brilho expedito
E no luminoso céu em que acredito
Estejas cintilando estrela sim
Estrela sim, estrela sim
Estrela sim, estrela sim...

– E porque não?!?...


Joaquim Castanho 

6.17.2015

O DOGMA É COMO A POEIRA




O DOGMA É COMO A POEIRA: PODEM ATIRÁ-LOS AO AR QUE BAIXAM SEMPRE, E NINGUÉM EVITARÁ DEPOIS O VERMOS CLARO NOVAMENTE

"Na luta pelo melhor, muitas vezes se corrompe o bom."
WILLIAM SHAKESPEARE

Ao contrário do que alardeiam algumas forças políticas hiperautoritárias e individualidades (anexas) atreitas ao banquetear-se continuamente com a coisa pública, só com uma segurança social robusta e sustentável é possível fazer frente aos desafios futuros gerados pelas circunstâncias adversas resultantes da insustentabilidade demográfica, da imigração crescente, do envelhecimento populacional e aumento da esperança média de vida, do esgotamento próximo de muitos recursos naturais, das alterações climáticas e do elevado abandono/fracasso escolar que desde sempre nos tem caraterizado, mas principalmente porque todos os Estados europeus se encontram (obrigatoriamente) a braços com o equilíbrio das suas balanças, redução do défice para patamares plausíveis e diminuição das dívidas, e não podem alienar verbas da economia e finanças públicas para combater a pobreza, diluir as desigualdades, esbater as assimetrias e fomentar a valorização das suas franjas sociais mais descapitalizadas. E não o podem fazer porque as regras de contabilização e orçamentais europeias ou nacionais o não permitem, não têm um crescimento económico que o facilite, ou agilize, e se encontram na generalidade obrigados a desipotecar o seu futuro, futuro que vieram metendo no prego durante anos e anos impunemente, e utilizaram aleatoriamente como aval e garantia para contrair a dívida com que ora estamos todos e todas levar em cima, traduzida pela austeridade progressiva, e que teve como únicos causadores as políticas de desenvolvimento insustentável que os governantes dos últimos 20 anos, pelo menos, fez questão de gizar, implantar e cumprir.

Portanto, a questão social e da sustentabilidade do sistema de segurança social é uma matéria em que o dogmatismo faccioso, alapardado nela pelos seus principais comensais, nos pode sair muito caro e provocar sequelas irreversíveis em termos de desenvolvimento local, regional, nacional e europeu, deveras inflamatórias e obstrutivas à emancipação e liberdade dos povos, sobretudo do nosso, bem como alguma regressão no desenvolvimento humano, económico e social já conseguidos. E é dum criancismo obtuso incontornável julgar-se um dos irmãos desta família alargada com direito a não estudar nem fazer os trabalhos de casa só porque os restantes irmãos não os fazem e já estão de férias, nem precisam de igualmente os fazer por se encontrarem em níveis diferentes e os fizeram anteriormente. Pois as desinteligências em matéria de coesão social pagam-se caro, produzem feridas que fragilizam o tecido social e a confiança dos homens e das mulheres na humanidade, o que, por mais que venham a ser compensadas futuramente jamais serão esquecidas.

O processo de envelhecimento populacional já originou dissabores e teve reflexos diretos na sustentabilidade demográfica da década passada, e, agravado com a sangria dos jovens recém-formados para os países onde lhes é possível trabalhar e criar família, é bem possível que venha a acentuar-se na próxima, temendo-se logicamente que ao sistema de segurança social português notoriamente debilitado venham a surgir novos desafios que o desestruturarão inevitavelmente, tornando-o inapto e incapaz de lhe responder conforme dele se espera e esperam as gentes que o têm sustentado, ficando paulatinamente a assistir ao empobrecimento generalizado e esquartejamento do todo social da nossa portugalidade, não obstante tenha tido duas reformas recentes sob essa perspetiva, uma em 2001 e outra em 2006, em que lhe foram introduzidas algumas mudanças de fundo no sentido de lhe minimizar os danos, tendo em conta a proteção básica da cidadania (e da sua natureza solidária), a estruturação do regime contributivo e uma gama poupanças complementares. Porém o fator de sustentabilidade, a nova fórmula de cálculo, a proteção das longas carreiras contributivas, a atualização das pensões e respetiva desindexação ao salário mínimo, o modelo de financiamento e a sua transparência, alteração dos regimes contributivos especiais, o combate à fraude e evasão contributiva e os incentivos à natalidade, não surtiram os efeitos desejados nem protegeram as franjas sociais mais desfavorecidas, pelo que foram, por assim dizer, inócuas e inócuos, e bateram de frente com uma forte resistência interna motivada pelos sucessivos cortes salariais e redução de pessoal ou reestruturação orgânica em curso no ministério.

Como se isso não fosse suficiente, a crise instalada e mal gerida, a submissão total aos ditames e diretivas da troika, a falta de imaginação dos dois governos anteriores e que as supervisionaram, a falta de sensibilidade humanista, humanitária e democrática generalizada, nomeadamente dos parceiros sociais (UGT, CAP, CCP, CIP e CTP), fragilizaram intencionalmente o sistema e tornaram inoperativas as suas valências positivas nestas reformas facilitando que os fatores negativos se acentuassem ganhando o respetivo vínculo social tão evidente quanto indesejável da desmotivação política e descrença comum na democracia, com que atualmente todos os partidos e todas as forças políticas se deparam, e podem quantificar com as elevadas percentagens de abstenção verificadas nas eleições europeias. O que nos obriga a concluir que à força de tanto espremerem as capacidades do sistema de segurança social português para lhe otimizarem os efeitos o secaram e tornaram impotente face à problemática que o tempo nos reserva. E é pena!


Joaquim Castanho         

6.16.2015

A SEGURANÇA SOCIAL É UM PILAR DA DEFESA E DA SEGURANÇA NACIONAL




A SEGURANÇA SOCIAL É UM PILAR DA DEFESA E DA SEGURANÇA NACIONAL

"Não acredito na sabedoria coletiva da ignorância individual."
T. CARLYLE

Com a sustentabilidade demográfica subtraída, o sistema de segurança social português ameaça ruir não num muito longo prazo, como parece que está a ser previsto pelas forças do establishment político atual, mas em poucos anos, sobretudo se atendermos ao crescente envelhecimento populacional que já lhe sacudiu forte abanão durante a primeira década deste milénio, e para o qual não foi suficiente a reversão do IVA em 2005, e muito menos as novas medidas consubstanciadas na introdução do fator de sustentabilidade para a fórmula de cálculo das pensões, a anexação de fundos profissionais e corporativos, o aumento progressivo do período contributivo, a cobrança da dívida à segurança social nem o combate à evasão contributiva, implementados por este governo e o anterior, pelo que se demonstra urgente reformar as reformas deste sistema com vista a habilitá-lo para enfrentar com êxito as dificuldades agravadas pelo êxodo motivado da nossa população ativa para países estrangeiros, gerando neles as suas famílias, como sugerem as previsões para próxima década, onde também nos prevalecerá uma cadeia circunstancial adversa cuja ênfase recai na imigração crescente, exigências e limitações do sistema e cuidados de saúde, elevado desemprego (uma em cada dez pessoas está desempregada na UE), acesso oneroso à educação e ensino, justiça e formação profissional, além das consequências diretas das alterações climáticas, como sejam as deslocações populacionais e alteração dos métodos e culturas agroalimentares das diferentes regiões do país, incluindo as variações dos recursos (naturais e humanos) pesqueiros.

Por conseguinte, ao envelhecimento ativo propalado recentemente contrapõe-se o crescimento integrado e inclusivo, a aprendizagem contínua com estágios (semestrais) remunerados, a que o consequente início temporão da carreira contributiva aliada com o aumento substancial do ordenado mínimo nacional, além do empenho generalizado em políticas de desenvolvimento, regionais e nacionais, com incidência na economia verde, e de conservação do património natural, edificado e cultural, pelo empreendedorismo e geração das micro e pequenas empresas de cariz sócio-ambiental, energético e do sistema de transportes, que abram novas perspetivas de emprego e aumento da oferta de trabalho, nomeadamente na área do serviço social e gerontológico, estrategicamente apoiadas pelos recursos das TIC (Tecnologias da Informação e Comunicação), promovendo a descontinuidade progressiva da comparticipação orçamental nos setores da defesa e da cooperação estratégica com os países exteriores à CPLP- Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. 

Nessa amplitude sistemática o reforço da equidade e o reforço da proteção deve fazer-se não só pela instituição definitiva da TSU (taxa social única) mas igualmente da PU (pensão única), cujo valor terá por base o salário mínimo nacional + C (bonificação resultante do total dos anos civis contributivos) para todos os beneficiários/contribuintes do regime geral, tendo também o contínuo cuidado de fazer transportar/confluir (gradual e progressivamente) os regimes especiais para o regime geral, que se agregará num universo/sistema eficaz, sustentável e universal, a que a conveniente revisão/reformulação do Código Contributivo não pode ser alheia nem adiada.

Assim, consideram-se falaciosos e motivados negativamente os argumentos que apelidam de idealista ou utópica a coesão social, uma vez que a segurança pública e a defesa nacional só serão reais e efetivamente conseguidas desde que haja um sistema de segurança social sustentável, lúcido, vigoroso, pujante, universal e congruente com as necessidades reais e objetivas do país, porquanto a estabilidade, a ordem e o progresso internos dependem quase exclusivamente das condições existenciais, de bem-estar e qualidade de vida dos cidadãos e das cidadãs de todas as classes sociais visíveis e submersas na nossa sociedade, a sociedade portuguesa, que pretende ser para todos os homens e todas as mulheres, todos os credos e culturas, na contemplação dos valores da fraternidade, igualdade e liberdade que caraterizam as sociedades ocidentais, europeias, abertas, desenvolvidas e modernizadas.

Porque a defesa da identidade, da nacionalidade, da territorialidade, da cultura e da sustentabilidade portuguesas não se faz com mais submarinos, mais corvetas de guerra, mais caças-bombardeiros, mais mísseis de longo ou curto alcance, nem mais recursos e equipamentos bélicos, mas sim com maior desenvolvimento (regional e nacional), mais cultura, mais conhecimento, mais educação, mais solidariedade, mais esperança de vida, melhor ambiente, melhor saúde, maior inclusão, maior emancipação, maior responsabilidade e consciência cívicas, maior humanismo e humanidade, bem como o positivo reforço das qualidades de cidadania, transparência e aspirações democráticas dum povo. E nunca com essa propalada sabedoria coletiva que é produto de muitas abdicações individuais.


Joaquim Castanho  

6.12.2015

ARTIGO 183




Artigo 183.º

1.      Os deputados eleitos por cada partido ou coligação de partidos podem constituir-se em grupo parlamentar.
2.      Constituem direitos de cada grupo parlamentar:
a)     Participar nas comissões da Assembleia em função do número dos seus membros, indicando os seus representantes nelas;
b)     Ser ouvido na fixação da ordem do dia e interpor recurso para Plenário da ordem do dia fixada;
c)      Provocar, por meio de interpelação ao Governo, a abertura de dois debates em cada sessão legislativa sobre assunto de política geral ou setorial;
d)     Solicitar à Comissão Permanente que promova a convocação da Assembleia;
e)     Requerer a constituição de comissões parlamentares de inquérito;
f)        Exercer iniciativa legislativa;
g)     Apresentar moções de rejeição do programa do Governo;
h)     Apresentar moções de censura ao Governo;
i)        Ser informado, regular e diretamente, pelo Governo, sobre o andamento dos principais assuntos de interesse público.
3.      Cada grupo parlamentar tem direito a dispor de locais de trabalho na sede da Assembleia, bem como de pessoal técnico e administrativo da sua confiança, nos termos que a lei determinar.

APRESENTAÇÃO PÚBLICA DOS CANDIDATOS ÀS PRIMÁRIAS PARA AS LEGISLATIVAS DO LIVRE / TEMPO DE AVANÇAR

Das quatro centenas e piques que compõem o número total de candidatos e candidatas às primárias do LIVRE / TEMPO DE AVANÇAR às eleições legislativas do presente ano, quase metade estiveram, dia 10 deste mês, nas escadarias da Assembleia da República, a dar-se a conhecer entre si aos demais inscritos e eleitores, numa ação conjunta e concertada, harmoniosa e simbólica, comprovando serem um corpo legislativo íntegro, coeso, homogéneo, empenhado, diverso e voluntarioso, que não se coíbe a esforços para avançar no cumprimento da democracia participativa que a nova ordem constitucional implantada na sequência da revolução de abril devolveu ao povo português.

Ali, no Dia de Portugal e das Comunidades Portuguesas, a festa da democracia celebrou a nacionalidade com a simplicidade coreográfica duma foto de família, grande e coesa, multigeracional e diversa, que vai dos 18 aos 84 anos, provando que todos e todas somos de menos para cumprir Portugal, bem como na sociedade portuguesa os imperativos da inclusão e da cidadania são uma mais-valia de registo ativo e exemplar, para prosseguir na construção duma sociedade mais justa, mais equitativa, mais cidadã, mais emancipada, mais responsável, mais sustentável, mais democrática e mais consciente, onde todos os homens e todas as mulheres, todas as crianças e adolescentes, todos os idosos e todas as idosas, todos os credos e todas as culturas, têm lugar e são desejados ou desejadas.

E essa é uma grande diferença que ora se contempla, porquanto deixou de pertencer só ao universo da democracia teórica e passou a pertencer ao universo da democracia prática, quotidiana e mediática.   


Joaquim Castanho 

6.08.2015

Se quer participar, avance para votar!

_/|\_ Meus amigos e minhas amigas que residem e estão recenseados/as em Portugal: Eu serei um dos candidatos nas primárias do LIVRE /TEMPO DE AVANÇAR, a decorrer ainda este mês. Mas para votarem é essencial que estejam inscritos... E as inscrições terminam dia 14. É a hora! 

5.25.2015

UMA APOSTA PELA MUDANÇA, UMA MUDANÇA PELO FUTURO




UMA APOSTA PELA MUDANÇA, UMA MUDANÇA PELO FUTURO


A autonomia e consciência cívica, responsabilidade pessoal e coletiva, a democracia direta e participada, a cidadania plena e irrevogável, o empenho e conhecimento social ou individual sobre a qualidade de vida, a biodiversidade e sustentabilidade ambiental, são as raízes fundamentais duma sociedade equilibrada e justa, emancipada e fraterna, humanizada e livre, que favoreça o são relacionamento entre nós mesmos, bem como entre nós e as outras espécies, entre a nossa e as restantes sociedades e as suas respetivas culturas. Ao invés do que alguns setores egoístas da presente conjuntura sociopolítica pretendem afirmar (no discurso) e confirmar (na prática), o ser humano não vive para a exclusiva satisfação das suas necessidades, nem para o fixado intento de ser feliz (olhando ou não a meios), embora também precise de os conseguir, quer a felicidade como os meios, em termos e patamares plausíveis e positivos, mas antes para a vida, que quer ser omnipresente e eterna, e nos tem a nós, homens e mulheres, apenas como mais uma estratégia, entre milhões de outras conhecidas, para o realizar. Portanto, devemos animar o nosso cotodiano quotidianamente num movimento presente e constante acerca dele, mas igualmente sob os auspícios do futuro e sua providência, a fim de salvaguardarmos a harmonia social, o equilíbrio dos ecossistemas, a unidade do indivíduo e as suas capacidade de empatia, de forma a que se mantenha livre, lúcido, objetivo, livre e autoconfiante face a todas as problemáticas que nos impeçam ou bloqueiem, a cada qual como às comunidades onde está inserido, de responder positivamente às expetativas que a vida nos reservou ou atenções que nos despensa e exige. O ecocentrismo é, assim, a resposta imediata e a atitude consentânea com esta perspetiva existencial, assente em três grande linhas de força ou pilares (integração simbiótica do ser humano na natureza e combate de todos os dualismos que a sonegam – condicionamento da atividade económica e opções tecnológicas que ponham em causa a sustentabilidade e a biodiversidade essenciais – prossecução funcional da natureza de modo a facilitar um contínuo de harmonia planetária), com vista a prosseguir as bases de concórdia interpessoal e internacional num sistema operacional da plataforma ambiental que é a atividade sociopolítica regional, nacional, europeia e global.

Neste sentido importa que nos sensibilizemos quanto à nossa maneira de estar e conviver, de forma a que neles contemplemos a tomada de consciência entre grandeza e grandiosidade –  posto que a primeira é sinónimo de excelência, magnificência, fortuna, honraria, dignidade, mas segunda nos sugere megalomania, sumptuosidade, dispendiosismo extravagante –, a fim de efetuar a mudança social e ideológica que faça confluir a qualidade de vida com níveis de bem-estar (material e espiritual) conformes às exigências dos ecossistemas que compõem o nosso habitat e dos quais também somos parte, e a mais interessada, por sinal, uma vez que cada vez se torna mais evidente, em termos de sobrevivência, que ou sobrevivemos todos e todas (incluindo as espécies) ou não sobrevive ninguém. Ou seja, nunca a escolha se nos deparou tão fácil. E imperiosa.  Ou mudamos, ou a natureza e a vida nos mudam.

Pelo que, e em conformidade com o status quo global  facilmente diagnosticável e à vista desarmada, devemos reconhecer que o florescimento da vida humana e não-humana tem valor em si mesmo, e não relativo aos objetivos e finalidades que lhe determinámos ter de acordo com os nossos interesses; que a nossa riqueza depende sobretudo da nossa diversidade e da diversidade dos seres vivos que compõem o nosso ecossistema; que não temos o direito de usurpar os direitos à vida das demais espécies a não ser para satisfazermos as nossas necessidades vitais; que o controlo da densidade populacional se deve fazer em termos de manutenção e preservação do nosso território e ambiente, e não por fundamentos e necessidades económicas e belicistas; que a interferência da espécie humana sobre as demais é excessiva e abusadora a maior parte das vezes; e que as nossas opções políticas, sendo a política......, devem ser democráticas e não autoritárias, quer em relação a nós mesmos e nós mesmas, quer em relação à ecosfera e espécies que têm igualmente por habitat. Será isso sobre-humano? Não creio. Principalmente para nós, portugueses e portuguesas, habituados que estamos a sair do quadradinho térreo das ideias quadradonas para abarcar a universalidade do ser e do habitar. E essa mudança nunca a fizemos apenas por nós, mas pelo nosso futuro... O mesmo futuro que ora nos convoca.

Joaquim Castanho     


5.22.2015

OS BONS MOMENTOS DAS MÁS COISAS




OS BONS MOMENTOS DAS MÁS COISAS

"«Se uma nação conta ser ignorante e livre», disse Jefferson, «espera o que nunca foi e nunca será... As pessoas nunca podem estar em segurança sem informação. Onde a Imprensa é livre, e cada homem capaz de ler, tudo está salvo.»"

In ALDOUS HUXLEY
Regresso ao Admirável Mundo Novo
Trad. Rogério Fernandes
(Pág. 78)

Portalegre, enquanto cidade e enquanto capital de distrito, não pode prescindir de um órgão de comunicação social confiável e de qualidade, e que traduza os seus anseios de desenvolvimento e aspirações de progresso, assim como promova e gere a discussão ou debate público acerca deles, uma vez que "ó rama, ó que linda rama" costumeiro dos atuais (e anteriores), pode fomentar o bailarico (das vaidades e narcisismos avulsos – é certo), ou divulgar as romarias das confrarias do pacóvio para entreter mentes doídas e com soletração custosa e esforçada, por algum tempo, mas não muito, pois, mais tarde ou mais cedo, estes e estas morrem, ou acordam, acabando por reconhecer como estavam a ser enganados e enganadas, pelas pílulas dos "sonhos felizes" que os obrigaram a engolir, manipulando-lhes o gosto com ninharias e bagatelas, que são, indubitavelmente, na sua matriz, outros palimpsestos de outras tantas nascidas, ainda na Idade Média, do obscurantismo inquisitorial que grassou nesta região, implementado na modalidade do troca-por-troca pelo foral com D. João III.  

Até porque ninguém já desconhece que um relógio parado também pode estar certo, ainda que só duas vezes ao dia, e, se o ocultarmos da vista, daqueles e daquelas a quem queremos convencer da sua exatidão, nas restantes, mostrando-lho apenas nas horas referidas dois ou três dias seguidos, fazem-nos o merecido manguito pela marosca, com o típico «pois sim» para nos calar, mas ficando a murmurar entre si, o não menos tradicional «vai lá, vai... escolhe outro!», como epílogo generalizado que concedem aos grandes e espectaculares dramas houdinianos, ou dos clássicos sobretudos azuis com forros de seda vermelha, que, por tão recentes e tão triste memória, ainda se espanejam vivazes no nosso (in)consciente coletivo.

Ou seja, acabaram-se finalmente os tempos da justificação dos meios pela bondade dos fins, tanto em política como na engenharia social, pelo que não será a convicção de precisarmos de órgãos de informação regional, que vamos engolir qualquer um que ande a monte dos princípios éticos, deontológicos e constitucionais, ou nos trate pela bitola do "pra quem é bacalhau basta", porquanto a diversidade de meios disponíveis (televisões, rádios, Internet) com que o poderemos vir a comparar é múltipla e variada, e a escolha de cada um e cada uma, por isso mesmo, se vai tornando também cada vez mais apurada e fundamentada, exigente e rigorosa, sustentada na exatidão do doa a quem doer, se é verdade tem que se dizer.   

O que nos obriga a concluir, parafraseando Thomas Jefferson (13.01.1743 – 04.07.1826, presidente norte-americano, natural da Virgínia e redator principal da Declaração de Independência dos EUA, em 04.07.1776), que se pretendem que uma cidade seja livre e emancipada dentro da atual conjuntura europeia e mundial, não podem esperar que ela seja ignorante e ignorada, porque isso é impossível, por mais que as forças do obscurantismo medievo o intente, porquanto quase todas e todos sabem ler suficientemente bem, fazendo-o com frequente galhardia e assertivamente, e já ninguém se entretém com os "bonecos polaroide" de atirar poeira para cima dos factos, com ou sem c atrás do T que, de santíssimo nada tem, nem serve de ferro para trindade nenhuma, a não ser a do atraso, miséria e desertificação (crescentes). Ser ignorante, malformado e perverso já não garante diploma de herói, nem nas tascas mais pícaras, quer dizer, típicas. Desculpar as más coisas por algum momento menos mau ou bom que (hipoteticamente) proporcionaram, enfim, já não cola... E ainda bem!

Joaquim Castanho           
  

5.20.2015

NÃO SE FAZEM OMELETES SEM OVOS

crónica da semana




NÃO SE FAZEM OMELETES SEM OVOS

Se defendemos um desenvolvimento que promova a afirmação das potencialidades criativas e intelectuais do ser humano, em declarada harmonia com o meio social e ambiente, então temos a obrigação de pugnar por um ensino que valorize as qualidades pessoais de cada um, e de cada uma, no sentido de lhes reforçar o equilíbrio físico, material e psíquico, bem como a autonomia, a responsabilidade, consciência cívica e emancipação basilares, e essenciais, ao desempenho dos seus direitos de cidadania e participação democrática.

Portanto, “laurear” os bons alunos e as boas alunas pelos excelentes resultados que obtiveram nas suas licenciaturas ou mestrados, não significa sancionar ou menosprezar os que não conseguiram alcançar semelhantes níveis, mas antes sugerir-lhes que não devem acomodar-se a eles, conformar-se com a mediania, pois é sempre possível atingir melhores resultados, aperfeiçoar as suas performances cognitivas, e práticas, tal como alguns e algumas fizeram, e lhes trouxe reconhecido mérito e correspondente bolsa com isso. Clarificar-lhes o acesso a mais cidadania e possibilidades de participação na (e da) sociedade. No ambiente. E na qualidade de vida.

Pelo que, embora com anos de atraso, importa registar a notável valia da iniciativa do IPP – Instituto Politécnico de Portalegre – em atribuir diploma e bolsa por mérito aos cinco melhores alunos de 2011/2012, no passado dia 06 (e a saber: Cristina Mira Luís – Educação Básica; Andreia Pereira – Produção Enológica; Anette Reintjes – Enfermagem Veterinária; João Löbe Guimarães – Jornalismo; e Joana Reis, de Higiene Oral), conforme noticia o semanário Alto Alentejo de 13.05.2015, pág. 5, e só lamentamos o facto de terem sido apenas cinco, e não vinte ou trinta como seria o ideal, porque tal significaria terem existido outros tantos alunos e alunas a preencher os critérios estipulados pelo ministério, em  outros tantos cursos que o estabelecimento de ensino em causa ministraria com reconhecido sucesso e serventia social. Principalmente porque premiar os melhores é contribuir para melhorar a média dos demais, bem como apetrechar as comunidades onde estes alunos e estas alunas estão inseridos, e inseridas, com potencialidades/ferramentas significativas para o seu desenvolvimento social, humano, ambiental e económico. 

Sobretudo se lhe abrirem as portas para que ponham em prática (profissionalmente) o seu aprendizado, em vez de lhe invejarem o valor da bolsa que, por mais dois ou três tantos que fosse, nunca lhes pagariam o investimento em propinas e tempo, estudo e dedicação, que despenderam para consegui-las, ou de os exportarem para países estrangeiros como ultimamente tem acontecido, pois que esse sim seria um diploma de verdade e uma bolsa efetiva que lhes proporcionavam, e nos contemplaria também com uma autêntica valia favorecendo a intervenção ativa dos cidadãos e cidadãs, nas suas mais diversas formas de organização e autonomia, em prol do desenvolvimento, que tanta falta nos faz, numa capital de distrito a braços com a crescente desertificação, elevado envelhecimento populacional, fraca empregabilidade e incipiente tecido empresarial, baixo rendimento per capita e incaraterística contribuição para o PIB Regional. 

Porque essas é que devem ser as grandes preocupações das mesas de café e órgãos de comunicação do mesquinho burgo, onde o «que bom pra eles» vigora ainda sentenciando, porquanto são estas questões as que podem moldar o nosso presente e o nosso futuro, e que devem deixar o recatado remanso dos gabinetes da superficialidade do establishment político e administrativo, para vir a terreiro e em celebração de mais um Dia da Cidade onde se homenageia e elogia toda uma panóplia de inutilidades e insignificâncias como se fazia no tempo da outra senhora a quem "o botas" pôs a casa, e telefonia, para poder escutar os Serões Para Trabalhadores ou estanciar nos “equipamentos turísticos” da FNAT. Porque ainda não há ovo em pó que dê para fazer uma açorda de jeito, nem omelete comestível, por melhor que ele sirva qualquer doçaria… Ou há?!  



Joaquim Castanho 

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