La vida es un tango y el que no baila es un tonto

La vida es un tango y el que no baila es un tonto
Como do recato dos tempos aos tempos recatados

Página a página, pedra a pedra, de seta em seteira aberta

Página a página, pedra a pedra, de seta em seteira aberta
Se abrem no muro, as frechas do futuro, por frincha desperta

7.29.2015

ÉLAN VITAL




ÉLAN* VITAL

Quando o ser me estremece
E, cansado de não-ser, bate no fundo,
Procuro em teus olhos
Os olhos que me ensinaram o mundo…

Então, resolutos abrem caminho,
Abatem dúvidas, afastam escolhos
E o mundo seco rejuvenesce;
As árvores ganham cores, ramadas
Viçosas, onde as aves fazem ninho
E as palavras pululam em chilreada.

E digo para comigo, em autocensura:
«Ora!, onde o perigo, se não era nada…
Porquê tal castigo, tamanha secura?!»

E a verve esquecida, envergonhada
Volta a fluir para irrigar o ego rotundo
Como sempre fez essa mesma mirada
Quando me ensinou a olhar o mundo.

Joaquim Castanho


*  ÉLAN VITAL, expressão criada por Bergson e que aparece sobretudo na Evolução Criadora (1907). Esta noção, enquanto impulso vital, designa o impulso fundamental da vida tal como se manifesta na evolução, inventando a partir da matéria inerte formas biológicas capazes de adaptação e tendendo para uma complexidade crescente. O impulso (élan) vital determina, segundo Bergson, uma evolução divergente orientada, por um lado, para os instintos, modelos de funcionamento das estruturas orgânicas especializadas, e, por outro, para a inteligência, função analítica e reedificante inerente à fabricação e utilização prática de objetos artificiais (cultura) ou desembocando na manipulação abstrata de conceitos.    

7.21.2015

EXÍGUA BRISA




EXÍGUA BRISA

Todos os poemas já foram escritos.
Estão é ocultos por camadas de pó…
Os poetas mais sábios e expeditos
Vão à tábua dos tempos soprá-los só.

Seu fôlego não precisa de ser forte.
Seu olhar não carece de precisão.
Devem apenas ágeis arredar a morte,
Enquanto os escrevem com a outra mão.

Além disto é querer roubar os deuses,
Tirar-lhes poderes sobrenaturais
Com que a humanidade tenta às vezes
Esquivar-se ao fado dos mortais.


Joaquim Castanho

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A pessoa entre as sombras de ser