La vida es un tango y el que no baila es un tonto

La vida es un tango y el que no baila es un tonto
Como do recato dos tempos aos tempos recatados

Página a página, pedra a pedra, de seta em seteira aberta

Página a página, pedra a pedra, de seta em seteira aberta
Se abrem no muro, as frechas do futuro, por frincha desperta

4.06.2016

POUSO, de MARILU FAGUNDES




POUSO

"Entranhas da terra mãe / Abraçadas às filhas com afinco", as palavras/os signos e os seus referentes, concorrem para a preterição final: dizer através da negação do dito, revelando-lhe o avesso, as costuras. Não é fragilidade alguma, não é uma confidência ou lamento, não é uma carência de inspiração, não é um faz de conta, não é um truque de prestidigitação, não é uma afetação de estilo, não é um maneirismo palimpsestuoso: é a exposição (assumida) do timbre lúdico e mágico da poesia, essa pretensa coisa abstrata que apenas acontece quando a condição material sine qua non se concretiza, se mostra nas suas múltiplas facetas, particularidades que preenchem o vazio que lhes está reservado no cantinho estético-ético pluriforme e polissémico, que é apanágio instaurado e instituído no topo da pauta de valores, caraterísticas e potencialidades da espécie humana (a espiritualidade), da qual cada, uma ou um de nós, é humilde exemplar, sobretudo por que sensíveis ao reconhecimento do espanto, da dúvida e da comoção (JASPERS). 

A preterição (figura de retórica pela qual se declara não dizer, não fazer, não demonstrar/mostrar algo, mas que a própria declaração já encerra em si mesma), é uma arma que nunca é vã ou abusiva; é um anseio feito conquista. É um silêncio que se nota só quando é quebrado, por algo que estala, por exemplo, que cai, que pintalga, que eclode, que ecoa. É o traço meigo de cada passo a sublinhar o movimento no estático e parado espaço. 

Portanto, Marilu Gonçalves Fagundes (MF), entra na casa da poesia pela porta dos fundos (a folha branca), perante o espanto ao testemunhar o pouso das folhas e pétalas que sucumbiram aos elementos da natureza, microcosmos e reduções moleculares das estações do ano que buscam o abrigo do chão, a quietude, o refúgio final que as há de transformar pelo abraço maternal da fertilidade em partes íntimas (entranhas) da terra mãe, da qual se ergueram uma vez já à procura dos sublimes e etéreos cumes. Entra com muitas reticências, com estrofes pejadas de dúvidas, experiências que não se acomodaram às afirmadas e perentórias certezas, ou que não se satisfazem com a pré-interpretação do constado, do constatado, seja cheiro ou sabor, tato ou emoção. Porquê? Porque entra comovida com o que vê, com o arrastar do dia (ou da vida), com a compreensão (sorriso de mãe-terra quando repara nas ações dos filhos e filhas) das peripécias das estações nele, e de como o vão colorindo conforme a apetência elementar da ecosfera. E fá-lo por nós, para nos dizer que não é insensato ou indecoroso frequentar a beleza suprema (da poesia, do sublime, do ideal, do mágico arrebatamento, do êxtase) pela porta da experiência, da perceção, do material, da constatação pura e dura, do factual e reconhecido (fora de nós). Além de nós. Enfim, da metáfora... palavra, folha, flor, que nos atira para fora e a nós regressa depois num valor acrescentado insofismável, ilógico, que inebria (embriaga) inevitavelmente. Obrigado, minha amiga, pela compartilha dessa emoção e sentimento superior a que maeuticamente me conduziu (também). Ou por me ter feito perder o pé... Cair... Pousar... E ainda que não tenha feito sido declaradamente essa a sua intenção... _/|\_ Namastê _/|\_     
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4.05.2016

FEIXE HELICOIDAL



FEIXE HELICOIDAL 

Considero infinitos os voos... 
Não há céu que os segure, limite. 
Apenas porque nascem de teus olhos
E da magia que o sorriso transmite. 

Nada receio; nenhuma espera cansa. 
Que ver-te não é fim ou sequer meio, 
Mas entretecer vida numa trança. 

Joaquim Castanho 

4.04.2016

ETERNA, poema de MARILU FAGUNDES




A ETERNA VIA

A poesia é eterna; porém, composta. Múltipla. Versátil. Plural e reincidente. Trajeto radical entre a infelicidade suprema e a máxima perfeição.  

Por conseguinte, e por isso mesmo, só sobreviverá em plena autenticidade e evidência incontestável, não raras vezes recorrendo a parcerias com as demais artes para conseguir a visibilidade que lhe é essencial – a música, o teatro, a pintura, a prosa, a fotografia, o cinema, a paisagística, a arquitetura, a decoração urbana, o design, etc. –, para existir continuamente no agora, pelo que os poetas e poetisas e seus respetivos poemas (concretos, materiais), tendem a reconhecer-lhe a soberania e, humildes e dedicados, se resumem a meros acompanhantes, veículos, discípulos, de sua ordenada magistralidade, competência e estatuto. Simples partes elementares de um todo, relativamente essenciais, é claro, e que dele comungam com idêntica relatividade, estabelecendo essa cumplicidade relativa que assiste aos namoros de longa data, e em que os membros do par apenas parecem espontâneos quando vão de mãos dadas, posto que se separados ninguém os reconhece por si, ou só como «namorado de fulana» ou «namorada de fulano», pelo função e objeto ou vice-versa, idílio irrevogável em que nem sempre as famílias de ambas as partes estão de acordo, quais "capuletos e montesquios", seja pelos credos e correntes que professam, seja pelos pergaminhos ancestrais sob que advogam. Principalmente porque nela nunca houve, não há, nem haverá qualquer neutralidade; somente conexão – ou dos sentidos, ideias, ideais, sentimentos, emoções, formas, formatos e técnicas que se ligam a outros (diferentemente ou similarmente) que por sua vez a outros se vão ligar, e estes aos seguintes, numa cadeia de sucessivas uniões onde fortalecem os traços distintivos, rumo à conjugação infinita (e perfeita), ou de espécimes que se enfileiram numa determinada linha e atravessam tempos diversos servindo de elos dum enredo (encadeado) de susbstancial importância história e estética.

O seu teor diz o verbo, mas também o faz; no que se concretiza tão revolucionária como normalizadora, tão legisladora quanto julgadora, tão agente e operadora, como disseminadora e propagandista, conforme se socorre de versos ou de slogans. Construtos ou fragmentos. Se nessa trajetória ou percurso existencial, caminha de mãos dadas com o poeta/a poetisa congeminando construtos, em pura abstração, cavaqueira, confidência, má-língua motivacional (profetismo), bisbilhotice íntima, assiste ao fenecer (expirar de validade, prazo de duração) de sua companhia sem a mínima comoção ou objeção e contrariedade; mas se, pelo contrário, preenchem o espaço-quando do percurso comum com detalhados reparos para diante como para trás, como para os lado, para cima ou para baixo, notando e anotando preciosidades, pedrinhas, perfumes, borboletas (almas), partículas processuais e discursivas, floreados e acessórios (de cosmética) para teorias e projetos (globais, sociais, ideais, empresariais, familiares, individuais), então não passam de fragmentos, painéis, peças de um puzzle maior. Marilu Gonçalves Fagundes (MF), porém tem a subtileza de servir a poesia exatamente entre os dois modelos semânticos, e equidistante caminha sem atender ao "tempo ou hora", "flores, céu e sol" "de mãos dadas" com a poesia, confidenciando-lhe suas "dores" e "pensamentos", "tempestades" e "sonhos", num sublime choro de adeus, despedindo-se da magia do presente em pequenas missivas, bilhetes, lembranças de mútua aventura e caminhada, que lhe oferece, como pedaços de si própria. Neles irá sempre (e factualmente) também ela... Não são rosas nem milagres o que oferece, mas poemas... E assim, quando um dia já não puder caminhar a seu lado, e a poesia prosseguir seu rumo via à eternidade absoluta, se Ela, A Poesia, conceder o palimpsesto de renovar-se noutros agoras, aí a poetisa, juntamente com a pessoa e arte que cultiva e cultivou continuará a viver. Mas não para prazer próprio, tal como hoje o já faz, mas para deleite de todas e todos nós que a lemos e apreciamos, em consequência de suas partilhas. Obrigado, minha amiga _/|\_ Namastê _/|\_                         
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