La vida es un tango y el que no baila es un tonto

La vida es un tango y el que no baila es un tonto
Como do recato dos tempos aos tempos recatados

Página a página, pedra a pedra, de seta em seteira aberta

Página a página, pedra a pedra, de seta em seteira aberta
Se abrem no muro, as frechas do futuro, por frincha desperta

4.21.2017

OS RAIOS DIGITAIS DE ARINA




RAIOS DIGITAIS 


São os ires e voltares de Arina na areia em raios X quem ilumina
E há no tempo altares de abrires a íris ante os milagres que vires
Relógios biológicos dos noves redondos às novidades da gravidez
Porque a dança dos números na cadeia da existência exige tua tez
Neles há elos que entrelaçam a urgência alfanumérica na sensatez
Se despem dos caprichos sulcando nichos de fluorescência e canto
Verdes ramos de silene nas frinchas do manto em retalhos multicor
Esculpidos nas escarpas do ser ainda investido da perfeição divina
Falésias fustigadas pelas marés do amor que a si mesmo se ensina
Quanto só se ama amando na vereda feita por quem muito caminha
Autoestradas a uma outra Roma sem César nem o incendiário Nero
Novo calendário onde os setembros são noves e o nove apenas zero
Recinto aberto dos deuses que duros não fogem e muros esfarelam
Quando as humanidades às vezes fiéis a seus poderes divinos apelam
Mulheres e homens tão-só sem os absolutos corcéis da exigida voz
Idades médias da refrega em laços redutos de refúgio e pura entrega
Socalcos na arena onde perante o temor o último reduto somos nós
A sós feitos nós da rede as mãos damos nas Íris conforme vamos
Assim a noite ensombre o dia e a sombra do mar na terra maresia
Que todo o ph está apenas no fósforo em Pi rico desta filosophi@
Dita nas Ágoras invisíveis e fóruns de ouro dos sentimentos vivos
Como seguro SOS da liberdade nos W que vítreos vencem os e-crãs
Transparentes almas à solta e triplo salto do sonho em solfejo digital
De esgar em esgar repartido sem instante nem o requerer consumido
Das exigências típicas ao profanar da liberdade e dessas liberdades
Pequenas de cada qual que tornam grande e valorosa a que é essencial
E única e múltipla e fecunda e transparente como o meu olhar em ti 
Às vezes insistente, às vezes inquieto, mas sempre forma de chamar-te
Pra mais perto, pra requerer-te como quem quer teu ser de mulher.

Joaquim Maria castanho

FILHO ÉS, PAI SERÁS; PAI FOSTE, FILHOS TERÁS




[FILHO ÉS, PAI SERÁS; PAI FOSTE, FILHOS TERÁS.]


“De acordo com João dos Santos, e muito anteriormente, Alfred Brauner, in Les Enfants des Confins, as crianças que foram vítimas de maus tratos são hoje pais que maltratam (igualmente) os seus filhos. Os que os não têm, ou sentem pudor em fazê-lo, descarregam a sua agressividade sobre os que lhes são mais fracos e/ou mais pobres. Forma-se assim, na sociedade, um círculo de irracionalidade, perversão e violência, camuflada ou latente, explícita ou operativa, a que é cada dia mais difícil pôr cobro. A não ser que as autoridades, a lei, os sistemas de saúde e educativo, reajam em conformidade, e imponham definitivamente o cumprimento dos Direitos do Homem e da Criança, criem maquinismos de resolução para a imaturidade e estabeleçam programas educativos que “reprogramem” os homens do futuro com a empatia e propriocepção necessárias ao viver em sociedade. Lamentavelmente até hoje, muito pouco tem sido feito nesse sentido. A educação tem estado centrada no ensinar a ensinar e/ou aprender, como no ensinar a fazer. É imprescindível que se progrida no sentido de estabelecer modus operandi educativos, não só que valorizem o indivíduo por aquilo que ele é, mas inclusive que o qualifiquem para o reconhecimento dos outros. A liberdade, sem estas estratégias de manutenção, pode transformar-se num pomo civilizador seco e estéril. O que sem dúvida negará a História da Humanidade, que desde os imemoriais e fantásticos tempos bíblicos, como dos da evolução biológica, assentou nela. A relatou. A consolidou. E a inspirou. 
A lei, a arte, são igualmente duas formas de organizar, de administrar, de executar, de gerir essa liberdade. O amor é a sua mais bela versão prática. Só os seres livres são capazes de nutrir semelhante sentimento uns pelos outros. Quando lutamos pela nossa liberdade, fazemo-lo principalmente para potencializar a nossa capacidade de amar. Quando faço um romance, um poema, um conto, uma crónica, tento apetrechar-me de mais uma prova irrefutável de como os outros são importantes para mim. De como eles integram a minha liberdade, lhe dão uma finalidade e me regozijam com a sua existência. Ao reconhecer que te amo, ao entregar-me de cabeça a esse amor, ao reforçá-lo com o pensamento e razão, estou não só a valorizar-te como pessoa, como também a reinventar-te dentro de mim, a acarinhar-te como se fosses o órgão mais importante do meu ser, ou o único que tem poder não somente para pôr os demais órgãos a funcionar, mas inclusive aquele que lhes atribui um sentido, uma direcção, um objectivo para o fazerem, para se cumprirem enquanto órgãos (vitais e essenciais). E bem, de forma saudável, se possível!”

In JOAQUIM CASTANHO
A Virtude Assassina, página 44

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