Dum Vivimus, Vivamos

"Cada tres minutos, una mujer es golpeada.
Cada dez minutos, una muchacita es acosada...
Cada día aparecen en callejones,
En sus lechos,
En el rellano de la escalera, cuerpos de mujer."
– Ntozake Shange
Moderação, inteligência, partilha, são mais que slogans políticos da actualidade, ideias base ou valores da nova ética, democrática por assim dizer, desde que ousemos ser radicais, e se não quisermos sucumbir ao fado afonsino do vira o disco e toca o mesmo dos bailaricos saloios nas caves do provincianismo serôdio que já foi moderno, sim, no tempo da mola na calça para não nos sujarmos na corrente e dos Nicolaus-Trindades que pedalaram, entre perigos e guerras esforçados, mais

Num carrão enorme, p.e., topo de lama do gamar enquanto dá, onde caberiam à vontadinha, pelo menos cinco pessoas, vai só uma e é de muito suspeita humanidade. Eis o principal fotograma, o frame típico e característico, retirado da película do nosso dia-a-dia, como uma das fundamentais atitudes industriais/transformativas (produzir monóxido de carbono unicamente a partir de dióxido de carbono, espécie de descoberta da pólvora prò fósforo) com que o Homo Popas nos vais corroendo a Rua Sésamo, até já esta não abrir para tesouro nenhum mas antes, salvo seja, desembocar num Rossio urbano, qual fórum constituinte onde mil e um ladrões arengam ser os legítimos eleitos Alibabás da política nacional. Mas anda acurar-se – diz-se, à boca pequena, em novas oportunidades de boca grande, na devoração do erário público–, porquanto frequenta os banhos quentes à propina numa estância (filial) de Bolonha e fermentação de leveduras rápidas, que ainda hão-de levar os hip-hip hurras à memória da pátria e seus egrégios cós, cãs e cá-cás para as foz e ribeiras, com firmes e tesas intenções de gramar com o canudo fita e laçarote de preceito, coisa que com sorte até pode ser habilitação suficiente para ingressar na carreira de caixa em qualquer hipermercado que mantenha a tradição de empregar por cunha e fazer concurso por aparência física, tipo miss de experimentar e deitar fora, como a pastilha elástica dos Taxi. E Gigélia Hirondina foi uma das afortunadas... Consegui-o!
F

Vai daí que um dia, cansada de apanhar no trombil, queixou-se à republicana do seu Xico, mas eles riram-se que nem uns perdigueiros, pois desconfiavam que ela gostava dos carinhos, andava é com modernices por ouvir às demais que os seus também lhe davam pra tabaco, mas tinham mão frouxa no enrolar da mortalha. «Pode lá ser», repetia Gigélia ao ouvir as vizinhas, sobre a cobardia e senilidade de seus machos já com as hastes a meia haste. «O meu zurze-me valentemente, mas ainda é home» garantia, quando elas vaconsigo no café, ou tasca da esquina, a moderação

E com razão, esclareça-se como seu esclarecido argumento, que a elas ninguém pinta a manta, muito menos se «vierem para cá com latinórios e espanholices. Até porque se isso fosse importante prà gente», acrescentavam elas, «então porque é que o não dizem em língua que se perceba!?...»
O que me leva a concluir que a violência doméstica só é violenta conforme o dialecto em que se pratica. Que se for moderada, usada com inteligência e partilhada, outra coisa nunca será além de tradição, cultura e costume secular, que deve ser respeitado por antigo, ensinado por devoção e partilhado para regalo de quem se não esquece, nem permite, que de um momento para outro se apaguem mais de oitocentos anos de História. Nem mais. Ora, Eça!
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