Alterações de Espírito
Que é recado ninguém contesta, todavia importa saber não quem o dá, mas quem o encomendou e como conseguiu impô-lo no universo da comunicação social lusófona, depois das arrelias, desmandos, incómodos e apoquentações que a Face Oculta tem detonado um pouco por todo o lado, demonstrando quão diferente é denunciar publicamente qualquer coisa ou pôr a boca no trombone, até na Rádio, que desde sempre foi uma espécie de baldio censório fedorento onde se vai afiando a lazulite quadrilheira conforme os interesses publicitários o permitem – leia-se, exigem –, no corta aqui, elimina acolá, no sonybitiano da refrega, que tempo é dinheiro sob as avalanches das crises, este nem lá entra que é para saberem quem é que manda aqui, diz o feijão entalado entre as escarpas da soberba e autoconvencimento, que é coisa que vai sendo esbanjada à torna baldia sob a cagança porreirista de atirar fora a vaca (armar em abastado) e comer depois só as tripas.
Por conseguinte, acerca das carambolas e jigajogas nas Faces Ocultas católicas – sempre gostava de saber que semelhança/ligação é que pode haver entre as cocas portalegrenses, as instituições judiciárias e as burkas islâmincas... –, convém referir aquilo que a Carta Europeia da Liberdade de Imprensa, reiterada no anopassado pela Comissária Europeia para os Media, Viviane Reding, e promovida pela comunidade – ou será tribo? – dos jornalistas europeus, cujos artigos primeiro e segundo sublinham inequivocamente ser a "Liberdade de Imprensa (ou Expressão) essencial para uma sociedade democrática, [onde] todos os governos devem defender, proteger e respeitar a diversidade dos media em todas as suas formas e políticas sociais,
Pelo que resta concluir, visto nenhuma das partes envolvidas estar preocupada com o respeito, ou o desrespeito manifestado, nomeadamente a Justiça, que mais pretende ser secreta e secretista do que justa, à Carta da Liberdade de Imprensa (2007), é que o governo teve azar e foi apanhado (com a boca na botija) por quem sabe muito bem como as coisas se fazem, uma vez que também conhece a modalidade, precisamente porque já a praticou (no passado recente). Zangam-se as comadres, contam-se as verdades, eis o grafite que em rosa-choque e laranja-luminiscente pintalga os muros apodrecidos da identidade secular do (in)consciente colectivo que nos suportam a pátria, e esclarece porque continua a ser evidente que, façam aquilo que fizerem, tapem ou camuflem aquilo que camuflarem, onde há Fumo, há sempre (Sinais de) Fogo.
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